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 Os presépios do Sr. Agostinho (vídeo documentário)

Direção | Produção | Roteiro
Eurico Scaramussa

Fotografia | Edição | Montagem
Eurico Sacamussa
Flávio Dionísio dos Santos

Câmera
Eurico Sacamussa
Flávio Dionísio dos Santos
Maricarla Scaramussa Mastela


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© 2017 Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação sem prévia autorização dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.
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Cartas compiladas por Dom Lourenço de Almada, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional. Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito S...

Cartas compiladas por Dom Lourenço de Almada, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional.
Cartas compiladas por Dom Lourenço de Almada, 20/11/1720. Acervo Arquivo Nacional.


Carta para o Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, Francisco de Albuquerque Telles, sobre

A notícia que agora se me deu, de que V.M. tinha mandado fazer novamente o descobrimento das minas de ouro, que dizem haver nos distritos dessa Capitania, contra as ordens de Majestade que Deus guarde, e os que em observância delas, mandou-se que Dom [Rodrigo?] da Costa, governador e Capitão geral que foi deste Estado, Francisco Ribeiro, Capitão-mor que então era da dita Capitania, para que inviolavelmente se executassem. É lastimosa coisa, que quando V.M. se devia só empregar em solicitar por todos os meios possíveis a defensa dessa Praça, pela[ 8 ] estar governando, só prouve os da Sua Conveniência, sem a menor atenção a outro algum respeito, não reparando nas danosas consequências que se podem seguir a essa Capitania, e a seus moradores, não só em o demitir com o tal descobrimento, senão também em os ocupar, no que intenta fazer do novo Caminho para as minas gerais, V.M. indo-se com Pedro Bueno para esse fim; de um, e outro intento se despersuade V.M. de maneira, que nem pela memória lhe passe: e logo que receber esta Carta, mandará lançar o Bando, que com ela vai, o qual hão inviolavelmente executar, ficando advertido [sic], que hei de mandar desta Praça, quem examine os procedimentos com que V.M. se tem havido, tanto em dano do serviço de Majestade, e que achando ser, ao que geralmente me tem segurado muitas pessoas de toda a Suposição, o hei de mandar vir preso e remeter da mesma sorte para disciplina com as culpas que tiver, para que se lhe dê o castigo que elas merecerem, e fique servindo de Exemplo aos mais Capitães-mores das Capitanias deste Estado. Deus guarde a V.M.. Bahia Novembro, 20 de 1720. / D. Lourenço de Almada.


Carta que se escreveu a Manuel Corrêa de Lemos, Provedor da Fazenda da Capitania do Espírito Santo.

São tantas e tão repetidas as más informações que tenho dos Procedimentos do Capitão-mor Francisco de Albuquerque Telles que por não serem dignos da mais leve dissimulação me obrigam a dizer a V.M., me informe com a verdade que fio dou-lho a satisfação com que V.M. serve a S. Majestade do estado em que se acha o dito Capitão-mor, da suficiência que tem e do como se há com as preparações da defensa dessa Praça, e tudo o mais que toca ao Governo dela; e se é certo que tem mandado prosseguir no descobrimento das minas de ouro que dizem haver nos distritos dessa Capitania, as quais estão totalmente impedidas, por ordem de S. Majestade, que Deus guarde, em cuja observância ordenou também este Governo Geral a Francisco Ribeiro, que aí serviu de Capitão-mor mandasse logo recolher todas, e quaisquer pessoas que andassem nos tais descobrimentos, como V.M. verá das Cópias das cartas que se escreveram e que com esta remeto a V.M. Também me seguram que o dito Capitão-mor unido com Pedro Bueno tem dado princípio a abrir um novo caminho dessa Capitania para as minas Gerais, o que convém atalhar Logo Logo, por todos os meios possíveis, para evitar as danosas, e irremediáveis consequências, que pruizamente[ 9 ] se hão de seguir contra o serviço de S. Majestade, e consumação da dita Capitania; motivos que me obrigaram a mandar ao Capitão-mor faça logo publicar, o bando que lhe remeto para que ele se abstenha de continuar em semelhantes absurdos. V.M. pela parte que lhe toca o fará executar inviolavelmente, sem a menor atenção a outro algum respeito.

Também ordeno a V.M. me informe da suficiência ou incapacidade do Capitão de Infantaria paga dessa Vila para poder dar a execução à ordem que tenho de S. Majestade sobre a informação que se lhe deu deste sujeito. E peço que V.M. em tudo o que lhe recomendo se haja com igual satisfação a confiança que faço de sua pessoa para estes informes.

O resto da Artilharia, e mais petrechos vai nesta, e em outra Sumaca, como V.M. verá das cartas que nela lhe escrevo: e a resposta desta, remeterá V.M. com toda a brevidade. Deus guarde a V.M. Bahia Novembro, 20 de 1720. Dom Lourenço de Almada.


Observação: 
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.

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NOTAS


[ 8 ] Seria na verdade "por a".
[ 9 ] Não localizamos o significado da palavra em nenhum dicionário. Acreditamos que a grafia esteja incorreta.


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© 2017 Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação sem prévia autorização dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.
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Maria Clara Medeiros Santos Neves [transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui.

“[...] a literatura, como toda e qualquer estrutura cognitiva, é um meio de dominarmos nossas angústias, não através do descarte del...



“[...] a literatura, como toda e qualquer estrutura cognitiva, é um meio de dominarmos nossas angústias, não através do descarte delas, mas por força de outorgarmos uma forma precisa, cor e dimensão, ao que quer que seja que nós mais temamos.” [Harold Bloom]


Espião-ator,
o seu teatro é fingir
de não fingidor
– o inverso da cena
do bom Terrorista,
cujo ofício maior
é explicitar um boom,
não causa pequena:
bem assim
mesmo quando este não usa
explodir com fúria
em qualquer país
ou paisagem,
ousando outra coisa
(talvez quatro rodas).
Este ainda
busca o aplauso
em forma de medo
de quem ande próximo,
arrancando
ou partindo ao menos
uma perna sua.

Então o outro
(o Ator-espião),
já que oculto,
será invisivelmente
mais numérico no mundo
do que o Terrorista
– existindo como o
não-a-olho-nu
em orientes,
europas e américas.

Em suma, boneca:
se quiser,
o Mordomo até
pode aterrorizar-te,
mas, sendo bom
ou imprevisível
em sua arte dissímula,
espionar nunca.
O homem-sombra
não deve ser ele.
O bomba é que sim,
como tal
fazendo boa figura.

Repetindo:
“O espião janta conosco”.
Jamais, todavia,
servindo o jantar.

***

De Bloom vai-se ao boom
com cuidado,
pois aqui, ali,
Bagdá
ou Barcelona,
há zonas múltiplas
de corpos sangrando
em que tropeçar.

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© 2017 Lino Machado - Todos os direitos reservados ao autor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.
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Lino Machado é poeta e professor universitário. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

Qual música ecoa de linhas sobre a superfície? Não de linhas complexas: — linhas simples, como as das letras. Que quadro compõem estas...



Qual música ecoa de linhas sobre a superfície? Não de linhas complexas: — linhas simples, como as das letras.

Que quadro compõem estas linhas desunidas, que apenas se tocam nos seus vértices? Pontos em que se interseccionam, mas não se penetram.

Toda escrita é formada de linhas sobre a superfície. As linhas podem ser cordas suspensas, como a língua inca. Ou gravadas na areia da praia.

Quem se dedica a descobrir o ritmo e a musicalidade dessas linhas sobre a superfície é. Música sem harmonia nem arranjos além da escansão greco-latina ocidental.

Quem se dedica a transformar letras em tintas espalhadas na tela branca da página e a compor cenas em quadros sem perspectiva, mas dotadas de plasticidade é.

É sobressimbolista.


Características do Sobressimbolismo


Carlos Nejar é o autor clássico, no sentido de ser estudado em classes de aula. O único 100% sobressimbolista.

Leitmotiv: Toda escrita envolve linhas sobre uma superfície.

Presente em artistas contemporâneos em que o hibridismo dos gêneros fez com que se tornassem posteriores a fronteiras.

Insatisfação com o cientificismo, com o neoliberalismo e com a destruição dos valores humanos e culturais pela globalização.

Emprego do Método do Raciocínio Obsessivo, que leva a técnica a explorar os mínimos detalhes dos caminhos estéticos que se bifurcam até o exagero inumerável de cada possibilidade. Melhor dizendo: leva tudo ao exagero dos mínimos detalhes de cada caminho estético possível.

Interesse pelo aspecto plástico, visual e musical da literatura. Sem abandonar a letra e a palavra.

Criação da literatura abstrata, não figurativa, sem compromisso com a mensagem, em que o ritmo e as imagens falam por si sós, com uma musicalidade que não chega à música e uma plasticidade que não chega às artes plásticas.

Psicologismo: foco na visão do indivíduo, no mundo interior do artista ou no dos seus personagens.

Interesse por símbolos, em que o sentido deve ser descoberto, não revelado de pronto.

Metáforas, aliterações, assonâncias, paronomásias, comparações, rimas internas, coliterações, antíteses — não barrocas, mas sobressimbolistas. Culto da forma, chegando ao hermetismo.

Hibridismo dos gêneros e das artes. As fronteiras entre gêneros e artes são anuladas: qualquer coisa é a mesma coisa. Romance = poema = conto = novela = teatro = música = artes plásticas.

Paixão pelo mistério, pela noite, pela morte e por entretons como o pôr do sol.

A liberdade só é possível no sonho, na imaginação e na fantasia.

Temperamento pessimista e crítico.

Misticismo agnóstico: volta ao espiritualismo cristão medieval.

Preocupação com o cultural, não com o natural.

Subjetividade contra a sociedade objetiva.

Preocupação com o inconsciente e com o psicológico.

Nefelibatas reclusos, andam nas nuvens e vivem em torres de cristal.

Na narrativa, o enredo e ação ficam em segundo plano. Contar uma história é importante, mas a forma é muito mais: formalismo.

Afastamento e crítica da sociedade burguesa.

Idealismo — arte pura — crença nos espíritos da razão e da narrativa — platonismo.

Tom literário, mesmo na prosa, não o coloquial.

Temas elevados ou elevação de temas vulgares até a altura em que se acha o estético.

Arte pela arte, sem interesse comercial.

Técnica típica do sobressimbolismo: a obra desmontável.


Clique aqui para ler a matéria publicada no Caderno Pensar, de A Gazeta.


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Oscar Gama Filho é psicólogo, poeta e crítico literário com diversas obras publicadas.(Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional. Carta que se escreveu ao Capitã...

CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional.
CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, datadas de 1705 a 1710. Acervo Arquivo Nacional.

Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo sobre as fintas.[ 1 ]

Aos oficiais da Câmara dessa vila ordeno, cobrem prontamente dois contos quatrocentos, e vinte mil réis que essa Capitania está devendo das fintas pertencentes ao Donatário do Dote de Inglaterra, e paz de Holanda, e que dentro em três meses, mandem a cotalidade à pessoa que susti-lo ajustar as dadas fintas. E porque sê muito conveniente ao serviço de Majestade, que Deus guarde, não haver a mínima dilação[ 2 ] na cobrança, e ajuste das ditas fintas: ordeno a V.M.,[ 3 ] que na parte que lhe tocar dê logo todo o calor que lhe for possível, para que esta execução se assine e feito no tempo que é término; e do zelo com que V.M. servir ao dito senhor fio, obrará de sorte neste particular, que me  não seja necessário recomendar-lhe segunda vez. Deus guarde a S.M.. Bahia Setembro, 24 de 1705. Luís Cezar de Menezes.


Carta que se escreveu ao Capitão-mor do Espírito Santo, para entregar o Governo daquela Capitania a Francisco de Albuquerque Telles.

Sua Majestade, que Deus guarde, foi servido prover a Francisco de Albuquerque Telles, no posto de Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, da qual fez preito, e homenagem[ 4 ] em minhas mãos, como consta do termo,[ 5 ] que o Secretário deste Estado fez nas costas da patente,[ 6 ] que o dito Senhor lhe fez mercê mandar passar do dito posto. Assim que V.M. receber esta, lhe entregue logo o Governo dessa Capitania, que dela o hei por desobrigado da homenagem que V.M. tem dado. Deus guarde a V.M.. Bahia Março, 2 de 1709. Luís Cezar de Menezes.


Carta para o Capitão-mor do Espírito Santo sobre se não abrir Caminho para as minas.

Tenho notícia, que várias pessoas intentam abrir Caminho, pelos sertões dessa Capitania, para por eles passarem às minas: e como S. Majestade que Deus guarde tem mandado por repetidas, e apertadas ordens, se não consinta abrir-se semelhantes caminhos: ordeno a V.M., que em recebendo esta, faça toda a diligência por saber se se deu princípio ao tal Caminho, e quando assim tenham sucedido, o mandará V.M. logo fechar, e prender as pessoas compreendidas nessa Culpa, as quais remeterá V.M. a este Governo Geral; para se Castigarem, como S. Majestade manda; e sucedendo não ter-se aberto o tal Caminho, V.M. impida [sic] se não abra, e ponha nisso toda a Vigilância, e Cuidado, para que a sua omissão, não seja Causa de incorrer também, nas penas das ordens de S. Majestade, por não dar Cumprimento a elas. Deus guarde a V.M. Bahia Abril 1º de 1710. / Luiz Cezar de Meneses.


Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, sobre o Mocambo de negros fugidos que há naquela Capitania.

Na [lacuna] [deste] Estado, achei uma carta que V.M. lhe havia escrito em 3 de Maio deste ano, em que lhe daria conta de um Mocambo que havia de negros fugidos, nos limites do Rio Jacuhú[ 7 ] e dos estragos que faziam nas roças e gados desses moradores e da forma em que se iam fortificando.

Não posso deixar de estranhar a V.M., dar esta conta a um Tribunal que só conhece por apelações e agravos, sabendo que tem na Bahia um Governador Geral do Estado, a quem unicamente tocam; e como esse ordeno a V.M. que tanto que receber esta junto com a Câmara... [texto incompleto]


Observação: 
Transcrevemos aqui apenas o texto das cartas relativas ao Espírito Santo.

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NOTAS


[ 1 ] Tributo real pago do rendimento da fazenda de cada súdito; normalmente se impõe para obra pública. Por ocasião de guerra também as Câmaras são tributadas com licença do Rei.
[ 2 ] Demora, detença.
[ 3 ] Vossa Mercê, simplificado posteriormente para você.
[ 4 ] Juramento de fidelidade que se presta pelo recebimento de uma praça, um governo ou terras.
[ 5 ] Obrigação por escrito.
[ 6 ] Carta pública de posto militar.
[ 7 ] Provavelmente se trata do rio Jucu.


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Maria Clara Medeiros Santos Neves [transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui.