Era o ano de 1913. Ao final do semestre letivo, no curso do Professor Russell, em Cambridge, o aluno Wittgenstein procurou o tutor e lhe ...

Wittgenstein chega a Marte


Era o ano de 1913.

Ao final do semestre letivo, no curso do Professor Russell, em Cambridge, o aluno Wittgenstein procurou o tutor e lhe perguntou:

— O senhor poderia dizer-me se sou ou não um completo idiota?

O mestre olhou-o, espantado.

— Caso sua resposta seja afirmativa, vou dedicar-me, novamente, à engenharia do espaço. Caso contrário, serei filósofo, — concluiu o austríaco.

O grande matemático mandou que o aluno desenvolvesse algumas proposições.

Na semana seguinte recebeu o resultado do trabalho discente, leu-o, rabiscou-o e chamou o tímido e interessado vienense.

— Meu amigo, volte para a escola de engenharia.

Assim fez Wittgenstein e se tornou, em poucos anos, o mais brilhante engenheiro aeronáutico de que houve notícias na Inglaterra.

Colaborou na construção dos primeiros aviões militares britânicos, os quais ajudaram os Aliados a vencer a primeira guerra mundial contra as potências centrais.

Casou-se o jovem cientista. Durante a segunda guerra mundial levantaram suspeitas contra sua fidelidade ao país em que morava, porém sua capacidade técnica superou as dúvidas que poderiam restar. Foi dos principais autores da defesa antiaérea contra as bombas V2 lançadas pela Alemanha hitlerista.

Finda a guerra mudou-se para os Estados Unidos, onde se associou à equipe principal da NASA.

Na corrida espacial contra a URSS foi figura de proa.

Quando projetou o primeiro voo tripulado para Marte, teve a honra, já com 124 anos, o homem mais velho sobre a Terra, de ser escolhido para participar da viagem, como convidado honorário.

Em 13 de agosto de 2020, com toda a pompa, efetuou-se o lançamento, com absoluto êxito. Ao cabo de seis meses a nave voltou cercada de gerais aclamações. Todavia o ex-futuro filósofo e genial engenheiro aeronáutico preferiu ficar em Marte, tendo dito a seus companheiros de viagem:

— Agora, sim, posso filosofar...


[Reprodução autorizada pelo autor.]


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Renato Pacheco foi importante pesquisador da história e folclore capixabas, além de escritor, com vários livros publicados. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

Estação Capixaba

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