Logo após assumir, em 1992, o cargo de reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Roberto Penedo procedeu a algumas reformulações ...

Revista Você: Notícia breve


Logo após assumir, em 1992, o cargo de reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Roberto Penedo procedeu a algumas reformulações na estrutura da instituição, entre elas a criação da Secretaria de Produção e Difusão Cultural, com a finalidade de discutir questões referentes à cultura e promover projetos nessa área. A direção da Secretaria foi confiada a Francisco Aurelio Ribeiro, que, para integrar sua equipe, convidou Reinaldo Santos Neves, que, por seu turno, trouxe consigo o então estudante de Comunicação Social João Carlos Simonetti Jr., mais conhecido como Joca Simonetti.

É a Joca Simonetti que cabe o crédito pela concepção e criação da revista Você no âmbito da SPDC, e até o título da revista proveio de sugestão feita por ele.

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Você circulou de junho de 1992 até outubro de 1998, tendo sido lançadas nesse período sessenta edições. Por motivos os mais variados, de que dão conta os editoriais da revista, deixou de circular nos meses de agosto de 1992, maio e dezembro de 1994, outubro de 1996, março e abril de 1997 e agosto e setembro de 1998. Em caráter bimestral circulou nos meses de outubro/novembro de 1994, janeiro/fevereiro e março/abril de 1995, outubro/novembro de 1995, dezembro de 1995/janeiro de 1996, fevereiro/março, abril/maio e novembro/dezembro de 1996, e janeiro/fevereiro de 1997.

Quanto à sua história, é cabível dividi-la em três fases distintas, de acordo com suas diferentes coordenações editoriais:

a) do número 1 ao número 27, sendo editores Joca Simonetti e Reinaldo Santos Neves;

b) do número 28 ao número 41, sendo editores, em sucessivas formações diferentes, Joca Simonetti, Reinaldo Santos Neves, Adilson Vilaça, Cristina Dadalto e Márcia Selvátici Tourinho;

c) do número 42 ao número 60, sendo editores Miguel Marvilla e Adilson Vilaça.


A primeira fase: junho de 1992 a outubro/novembro de 1994


Desde o lançamento a revista concentrou o conteúdo de suas edições na discussão de questões culturais estreitamente ligadas ao Espírito Santo [clique aqui para ler o editorial do primeiro número] e na equipe de cronistas recrutados para atuar na revista. Esses cronistas eram Ivan Borgo (assinando-se Roberto Mazzini), presente desde o n. 1; Luiz Guilherme Santos Neves (assinando-se Luís de Almeida), a cargo da seção Escrivão da Frota, desde o n. 2, tendo sido substituído por Renato Pacheco (com o pseudônimo José da Costa) em três edições; e Hermógenes Lima Fonseca, titular da seção Curubitos, desde o n. 3.

A revista nasce com algumas seções que manterá quase inalteradas até o final, como Começo de conversa (editorial), Escrivão da Frota, Escrivaninha (destinada a divulgar textos literários de novos autores iniciantes ou velhos autores esquecidos ou ainda de obras em fase de lançamento), Feira Livre (noticiário cultural), Ao Pé da Letra (correspondência), Shopping Paiol (cartum, com texto de Antônio Ferreira e traço de Marco Antônio Neffa) e 35 mm (fotografia)

Matéria obrigatória no início de cada ano era a retrospectiva do ano cultural anterior, o que aconteceu no n. 7 em relação a 1992, no n. 19 em relação a 1993, e no n. 28 em relação a 1994. A partir de uma entrevista com Adilson Vilaça, no n. 7, começa, ainda timidamente, uma tendência que se tornaria bem mais intensa na segunda e na terceira fases. Nessa fase adotou-se também a estratégia de organizar edições temáticas, como foi feito no n. 4, dedicado ao aniversário da cidade de Vitória, no n. 12 (cantigas de roda), no n. 13 (futebol), no n. 17 (tipos populares), no n. 21 (quadragésimo aniversário da Ufes), no n. 24 (Carmélia M. de Souza), estratégia que teria continuidade nas fases posteriores, como no n. 43 (dez anos do falecimento de José Carlos Oliveira) e no n. 46 (quarto centenário do falecimento de José de Anchieta), entre outros. A recuperação de documentos inéditos ou raros sobre a história do Espírito Santo foi outra preocupação marcante da revista nessa fase, e redundou na publicação de material de grande impacto, como o texto das visitas pastorais do bispo do Rio de Janeiro, D. José Caetano da Silva Coutinho, à recém-fundada Linhares em 1812 e 1819 e as notas da visita da escritora Júlia Lopes de Almeida a Vitória e Vila Velha em 1910. Gilbert Chaudanne, que tinha colaborado em algumas edições iniciais com textos especulativos sobre a identidade capixaba, assumiu, a partir do n. 22, a cadeira de crítico de arte da revista, cadeira que ocupou até o n. 52. Paralelamente, a escritora Bernadette Lyra juntou-se à equipe de Você no n. 15, tornando-se um dos principais nomes da revista, com crônicas inseridas na coluna que mais tarde se chamaria Conversa barrense. Além disso, Francisco Aurelio Ribeiro e João Gualberto de Vasconcellos passam a ocupar, nessa fase, espaços onde emitem opiniões sobre os mais diversos assuntos. Roberto Mazzini, cronista cativo desde o primeiro número, deixa a revista depois do n. 22, embora continuasse a participar eventualmente. Apesar de sua preocupação também com o presente e o futuro do Espírito Santo, nessa primeira fase a revista se destaca e se realiza principalmente pela sua política nostálgica e passadista; suas contribuições mais significativas se deram, sem dúvida, no campo da história e da memória locais. Houve, paralelamente, algumas tentativas de interiorização, com incursões de divulgação em municípios capixabas como Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Fundão, São José do Calçado, Dores do Rio Preto, Afonso Cláudio e Ecoporanga.

Nessa fase, como na seguinte, a revista contou com absoluta autonomia editorial, graças à postura de não interferência adotada tanto por Francisco Aurelio Ribeiro, na condição de secretário de Cultura, como por Roberto Penedo, na condição de reitor.
Segunda fase: janeiro/fevereiro de 1995 a agosto de 1996

A segunda fase de Você teve início no n. 28, quando Adilson Vilaça e Cristina Dadalto, na qualidade de editores executivos, juntam-se a Joca Simonetti e a Reinaldo Santos Neves para gerir a revista. Essa fase se desdobra em várias subfases em função de diferentes combinações editoriais. Nos dois primeiros números da fase, 28 e 29, Joca Simonetti e Reinaldo Santos Neves aparecem como editores, e Adilson Vilaça e Cristina Dadalto, como editores executivos; já no n. 30, Adilson Vilaça assume a posição de editor, com Cristina Dadalto como editora assistente, criando-se um conselho editorial composto por ambos e mais Joca Simonetti, Reinaldo Santos Neves e Cristina Xavier, então responsável pela chamada Estação de Editoração Eletrônica da revista. No n. 31 a jornalista Márcia Selvátici Tourinho adere à equipe na condição de gerente de planejamento. No n. 36, por força da mudança política na Ufes que levou José Weber Freire Macedo à reitoria, dá-se a despedida de Joca Simonetti e Reinaldo Santos Neves, consubstanciada num editorial em que se faz o balanço do trabalho realizado [clique aqui para ler o editorial do n. 36] e numa entrevista a Adilson Vilaça. No n. 37, o primeiro da gestão de Sebastião Pimentel Franco como secretário de Produção e Difusão Cultural em substituição a Francisco Aurelio Ribeiro, Adilson Vilaça e Márcia Tourinho aparecem como editores de Você, situação que vai prosseguir até o n. 41.

A revista nessa fase se caracteriza sobretudo pela atividade jornalística, traduzida em matérias sobre grupos e espetáculos culturais nas áreas de teatro, dança, música, fotografia, e em resenhas de livros, discos e vídeos. O foco central de interesse passa a ser não mais o passado mas o presente, com as entrevistas constituindo a parte de peso da revista. A matéria de maior impacto nessa fase foi a polêmica, iniciada a partir de um artigo de Deny Gomes no n. 31, tendo como pivô o romance O mofo no pão, de Neida Lúcia Moraes, e que prosseguiu nos n. 32 e 33. No n. 28 um dos cronistas eméritos de Você, Hermógenes Lima Fonseca, publica seu último curubito, embora voltasse a colaborar em caráter avulso no n. 34, para ser homenageado no n. 39, por ocasião do seu falecimento. Já no n. 41 quem se despede é Luís de Almeida, aproveitando a mudança editorial para descansar; foi substituído na coluna Escrivão da Frota, durante algumas edições, por Mendes de Andrade. Dentre as aquisições dessa fase estão Sebastião Pimentel Franco, mantendo uma coluna de opinião, Erlon José Paschoal, escrevendo sobre teatro, e a equipe do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Artes da Ufes, tratando questões urbanas sobretudo de Vitória, que acompanharão a revista até o seu final. Além deles, Milson Henriques assume, a partir do n. 29, a seção Traço Capixaba, espaço aberto para cartunistas locais e para notícias acerca das atividades da Associação de Cartunistas do Espírito Santo.


Terceira fase: setembro de 1996 a outubro de 1998


A terceira fase tem início no n. 42, quando Miguel Marvilla passa a dividir a editoria da revista com Adilson Vilaça, e se caracteriza por alterações substanciais de caráter gráfico e conteudístico. Na parte gráfica, Marvilla impõe à revista, já a partir do n. 44, um formato mais esguio e elegante, promovendo, a partir do n. 45, uma total revolução visual e gráfica com base, inclusive, nos avanços tecnológicos da editoração eletrônica. Você passa a ser totalmente impressa em papel cuchê, com acentuada melhoria na resolução das fotos e ilustrações e tratamento diagramático cada vez mais aprimorado. Em termos de conteúdo, a revista deixa um pouco a ênfase jornalística para investir no potencial de uma robusta equipe de colaboradores, presentes praticamente em todos os números. É a fase de significativas contribuições da equipe do NAU, de especialistas como Gilson Sarmento (teatro), Antônio Aristides (quadrinhos), Erlon José Paschoal (teatro e cultura em geral), José Augusto Carvalho (assuntos gerais, sobretudo linguagem), Orlando Lopes (internet), bem como de literatos como Bernadette Lyra e Adilson Vilaça, cronistas de alta qualidade, o próprio Miguel Marvilla, assinando-se Arcanjo de Oliveira, e Reinaldo Santos Neves, publicando textos literários sobre jazz na série Dois graus a leste, três graus a oeste. Cíntia Costa, depois Polyana Freitas Santos, esta escrevendo da Austrália, e por fim Alexandre Moraes, nos n. 57 e 58, ocupam a seção Escrivão da Frota, desativada a seguir. Digno de nota o fato de que, a partir do n. 53, Gilbert Chaudanne renuncia à função de crítico de arte para publicar suas reminiscências de "globe-trotter" na série Memórias de um Maluco de Estrada, que se estende até o último número. Nos n. 59 e 60 Luiz Guilherme Santos Neves ensaiou um retorno às páginas de Você com o folhetim Navegação em torno da ilha vislumbrada.

O número 61 de Você chegou a ser preparado para o prelo, mas a revista foi suspensa por motivos de ordem financeira e não voltou a circular depois de outubro de 1998.

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Reinaldo Santos Neves é escritor com vários livros publicados e foi responsável pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do Espírito Santo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui

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