Data do depoimento: Maio / 2004 Data de nascimento: 23.06.1939 Local de nascimento: São Domingos do Norte (ES) Nome do pai: Francisco Ma...

Depoente: Altair Malacarne


Data do depoimento: Maio / 2004
Data de nascimento: 23.06.1939
Local de nascimento: São Domingos do Norte (ES)
Nome do pai: Francisco Malacarne, nascido em Alfredo Chaves (ES), em 1890, agricultor. Ele era filho dos imigrantes italianos Malacarne Domenico e Forlin Catterina.
Nome da mãe: Sebastiana de Souza Malacarne, nascida em Conceição do Castelo (ES) em 1913, do lar. Ela é filha de Aprígio José de Souza, de origem portuguesa, e de Maria Venância da Conceição, descendente de índios e negros.
Nome da esposa: Telma Zambon Da Rós Malacarne
Nome dos filhos: Elise Da Rós Malacarne, Ricardo Da Rós Malacarne, Guilherme Da Rós Malacarne, Betina Da Rós Malacarne, Marina Da Rós Malacarne.
Residência atual: Córrego Beija-Flor, São Gabriel da Palha (ES)
Escolaridade: 3º grau completo
Atividades desenvolvidas: Magistério e funcionário do Banco do Brasil
Ocupação atual (2004): Pesquisa sobre o Espírito Santo e sobre a história da bacia do rio São José.
Livros publicados: São Gabriel da Palha — A História da Origem; São Domingos do Norte — Rumo ao Rio São José.


Resumo: Após completar os estudos primários em sua terra natal, o titular foi para o seminário salesiano em Jaciguá (ES). Em seguida foi para São João de Rei (MG). Em 1959 foi recebido pelo Dr. Renato Pacheco como professor do Curso de Admissão ao Ginásio de Conceição da Barra (ES). De lá, foi para São Domingos do Norte, onde trabalhou como professor. Em 1963, entrou nos quadros do Banco do Brasil em Colatina (ES). Cursou Letras na Faculdade de Filosofia de Colatina, entre 1965 e 1968. Em 1972 assumiu a titularidade de Língua Portuguesa na mesma faculdade. Aposentou-se em 1990 e mudou-se para São Gabriel da Palha (ES).


História de vida

Aos 64 anos, olho para trás e vejo minha vida como uma paisagem composta de planícies e altos. Estes altos foram momentos por quê passei e tiveram o poder de direcionar o rumo que segui a partir de cada um deles. O fato de hoje eu me lembrar claramente de cada um deles indica que eles tiveram um papel decisivo e marcante em meu caminho. Penso que eles aconteceram dentro de uma trama projetada pelo imponderável, de acordo com uma carga pessoal que recebi ao nascer. Certamente outros momentos marcantes existem e que eu não os destaco aqui. Ficam por conta do inconsciente. Fazem parte do mistério da vida. Dou-me por satisfeito em poder relatar os momentos elevados que estão em minha consciência.


A mata

 Quando criança, o Município de São Domingos do Norte era quase todo coberto pela exuberante mata atlântica. Eu ia levar almoço pro meu pai e meus irmãos que se aplicavam ao cultivo da terra no vale do córrego da Mula. Passando pelas picadas, eu tinha 2 sentimentos: 1) Ficava com medo de encontrar um animal agressivo, o que nunca aconteceu. Certa vez tremi ao ouvir o barulho de 2 paus que se roçavam impelidos pelo vento. 2) Ficava admirado ao ver tanta beleza sobre o solo. Aprendi a amar aquela força telúrica. Quando vim a São Gabriel da Palha pela primeira vez (1951), a estrada ainda estava quase toda ladeada pela vegetação primitiva. Ao percorrer o caminho entre minha casa natal e a primeira escola, só havia matas e lavouras de café “Bourbon” recém formadas.


A Escola

 Ainda morando no córrego da Mula, fui matriculado na Escola feita por Jones dos Santos Neves. Minha primeira professora foi Dona Nila Romaneli, que era de Fundão (ES), eu soube depois. Caminhava a pé, descalço, uns 3 quilômetros. Ia acompanhado de uma menina, Ida Perone, com quem acabei tendo um briga séria. Aprender a ler e escrever foi desvendar um novo mundo. Logo nos mudamos para mais perto do patrimônio de São Domingos e as coisas ficaram mais fáceis. No 2º ano estudei com a professora Ana Stauffer Scherrer. No 3º com Dona Elvira Lorencini de Almeida. No 4º ano, com Dona Aciolina Simões Espídula. Esta, a Dona “Senhora”, teve um papel decisivo em minha vida. Quando terminamos o curso primário, ela fez uma “formatura” em sala de aula, valorizou nossa conquista, mas nos disse que era possível continuar estudando. A escola não acabava ali.


O titio

Bertolo Malacarne era um tio meu que se hospedava de vez em quando na casa de meu pai, Francisco. Ele vinha a São Gabriel da Palha, onde tinha terra e amigos colonos que trouxera do sul do Estado. Ele e seus filhos me questionavam sobre meus estudos. Olhavam meus livros e revistas. Se vestiam bem. Eram bonitos. Conversavam com papai. Mamãe fazia uma comida especial pra eles. Diógenes estudava para advogado. Percebi que havia outro mundo fora da roça.


Pedro de José Altoé

Em 1952, fomos dar um passeio em Conceição da Barra (ES). Era o mês de dezembro e havia lá os festejos da padroeira: Nossa Senhora da Conceição. Papai tinha comprado uma camionete FORD e meu irmão Manoel era o motorista. Indo de Nova Venécia para São Mateus, pelo km 35, papai encontrou Pedro de José Altoé, um amigo que trabalhava com tio Bertolo nas atividades de colonização. Ele morava em Jaciguá (ES). Lembro-me que os dois, papai e Pedro Altoé, foram conversando dentro da boléia até São Mateus. Ali pernoitamos.


A carta

No início de 1953, recebemos uma carta em São Domingos do Norte, vinda do Seminário Salesiano, em Jaciguá. Esta carta fazia uma série de perguntas sobre minha possível vocação para o ministério católico. Dava também uma relação de peças de um uniforme que deveria ser comprado no caso de eu ser aceito como aspirante ao sacerdócio. Eu fui chamado para ler e interpretar o texto. Não vi as condicionantes. Manoel foi a Colatina e comprou o uniforme. No mês de março, estávamos a caminho da nova escola.


O seminário

Duzentos meninos. Dez padres de batina preta. Nenhuma menina. Um mundo novo. Disciplina pra tudo. Um sino marca os horários das diversas atividades do dia: levantar, ir à missa, café da manhã, estudo, aula, refeição, recreio, estudo, aula, banho, jantar, recreio, oração, estudo, preleção, dormir. Às quintas-feiras, passeio coletivo e a terrível leitura das notas de comportamento. Aos domingos, missa solene e recreios maiores. Uma rotina militar. Um doutrinamento que lembra um ritual cursilhista. Fiquei dois anos sem vir em casa. Quando vim, meus pais haviam se mudado para Conceição da Barra. Ao cabo de três anos que fiquei em Jaciguá, estava condicionado por uma doutrina radical. De lá, em 1956, fui para São João Del Rei (MG).


São João Del Rei (MG)

Continuei em São João a receber a carga condicionante de antes. Penso que isto me levou a especializar-me em matéria que exige mais “decorebat” que análise. Este estudo mecânico me levou à procura de sempre mais e mais livros. Devo dizer que foi um lado bom: aprendi a ler e memorizar. Era até uma maneira de me destacar naquele ambiente frio e até hostil. Éramos poucos capixabas. Sofríamos risos pelos nossos idiotismos. Pelo fato de sermos de um Estado pequeno. Que íamos perder ainda uma região contestada por Minas Gerais. Que vínhamos de uma escola distante, menor. Fiquei dois anos sem vir em casa. Quando vim, foi “forçando a barra”. Era estimulado a vender meus bens de raiz e entregar o dinheiro à ordem. Ao final de três anos, deveria ir para Barbacena e lá colocar a batina. Dei um desculpa e vim embora, dizendo que voltaria.


Dr. Renato Pacheco

Vinícius de Morais disse que a vida é a arte do encontro. No início de 1959, eu estava no povoado de Santana, um antigo quilombo, perto de Conceição da Barra, por onde passava a estrada que ia de São Mateus para o sul da Bahia. Jonas Kohls me chamou para conhecer o diretor do recém-fundado Ginásio de Conceição da Barra. Era o novo Juiz da Comarca: Dr. Renato Pacheco. Ele me deu o primeiro emprego de minha vida: dar aula para o Curso de Admissão ao Ginásio. Trabalhei com ele três meses. Saí repentinamente. Fui para São Domingos (do Norte). Dr. Renato me mandou o salário pelo correio. Fiquei surpreso.


São Domingos do Norte

Fiquei ali de 1959 a 1963, morando na casa de meus irmãos João e Manoel. Áureo Kaniski havia fundado ali, em 1956, um Ginásio Paroquial. Eu lecionava Português e Latim. Angelin Caliman lecionava Matemática e Francês. Danuta Zbyszinka, Inglês, História e secretaria. Ivone Santana, Desenho e Geografia. Muitos alunos nossos trabalhavam na roça. À tarde, vinham para a Escola. Éramos uns sonhadores. Hoje vemos ex-alunos de então como empresários, médicos, peritos, juizes. Valeu. Eu tinha cursado apenas o primeiro ano do 2º grau (clássico). Ia a Vitória nas férias para fazer cursos intensivos (CADES). Ali fiz uma amizade que mudou o rumo de minha vida: Kleber Bussinger Pereira.


Banco do Brasil

Penso que por causa da formação fundamentalista que havia recebido, eu não acreditava em mim mesmo. Em 1962, um dia, fui a Colatina. Soube que o Kleber agora trabalhava lá, no Banco do Brasil. Ao me ver, ele veio ao balcão me abraçar. Conversamos, ele me disse que o BB havia aberto novo concurso. Eu fiquei reticente. Ele me ofereceu dinheiro para ir ao Rio de Janeiro fazer minha inscrição e eu tinha minhas economias.

Ele me fez acreditar em mim, me ofereceu o apartamento dele para estudar e me arranjou uma máquina de escrever para treinar datilografia. Ele me ensinava Matemática. E assim, no dia 7 de setembro de 1962 eu estava no Rio para fazer as provas.

Pela única vez eu vi um Presidente da República: João Goulart, desfilando no Rolls-Royce presidencial.

Eu nunca havia feito um concurso. Fiquei estatelado diante dos milhares de concorrentes. Voltei sonhando, mas sem acreditar em sucesso. Cansado de esperar, um dia fui ao Banco. Kleber veio sorridente me abraçar. Ele havia mandado pelo ônibus um recado que nunca recebi. Dei um beijo na face dele. A partir de então, nossas vidas ficariam próximas. Ele sempre tentava me convencer que o mérito era meu. Em abril de 1963, tomei posse como escriturário do Banco do Brasil.


Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Colatina

Alguns colegas do Banco do Brasil eram formados no 3° grau. Eu tinha esse sonho. Só havia faculdades em Vitória. Quando eu já estava cursando o primeiro ano de Direito, surge, em Colatina, a primeira faculdade do interior do Espírito Santo. Abandonei o curso na capital e entrei no curso de Português na FAFIC, no ano de 1965. Os professores vinham de Vitória. Tive dois mestres inesquecíveis: Guilherme dos Santos Neves e José Leão Nunes. Mais que aprendizagem acadêmica, com eles eu vi que devia amar minha terra, e, como dizia Mestre Guilherme: “Subir” até ao povo. Foram quatro anos ricos. Ao final de 1968, sentia-me pronto para entrar numa fase importantíssima de minha vida: o casamento.


Telma Zambon da Rós Malacarne

Ela me atraía por vir de uma família conhecida, ser de situação estável, de beleza conhecida na cidade. Como funcionário do Banco do Brasil, eu dispunha de uma carreira promissora. As meninas da cidade telefonavam para os solteiros da Agência propondo encontros. Achei melhor disputar uma que era cortejada por muitos. Tive sorte. Em 28 de dezembro de 1968, eu me casava com ela. Ela ainda teria que estudar mais um ano para formar-se em Geografia. Com meu diploma assegurado, eu agora me sentia mais confortável para dar minhas aulas de Português no Colégio Conde de Linhares. Embora o salário do banco fosse suficiente para cobrir as despesas de casa, lecionar estava na minha formação, era um prazer.


Magistério superior

Em 1972, José Leão afastou-se definitivamente de Colatina. Ele e outros me estimularam a que eu disputasse a Cadeira de Língua Portuguesa. Meu título era muito fraco. Entrei confiando no imponderável. Nunca me esquecerei do dia em que o diretor da Faculdade, Prof. Wieslau Ignatowski, numa reunião da Congregação, leu a ata da Banca Examinadora atribuindo-me o título. Como professor assistente eu estava lá para receber o galardão. Não era para auferir receita, mas consagrar uma realização pessoal. Agora, o menino da roça podia andar com a cabeça erguida, olhar para os colegas e sentir-se um membro efetivo da sociedade em que vivia. Fiquei ainda mais satisfeito quando o Banco resolveu me convocar para ser instrutor pelo país afora. Estive em Brasília, São Paulo, Fortaleza, Recife. Foi um tempo de glória.


Os filhos

Sempre acreditei que uma família é a realização maior do ser humano. Enquanto prosseguia nas atividades do Banco e de magistério, nossa casa ia recebendo novos membros. Neles concentramos nossos esforços para que fossem cidadãos sadios e úteis à sociedade. Nasceram na seguinte ordem: em 1970, Elise; em 1972, Ricardo; em 1973, Guilherme; em 1977, Betina; em 1982, Marina. Todos têm o 3º grau. Hoje eles são nosso orgulho e nossa alegria. Nesta fase da vida, os filhos se tornam um arrimo às nossas debilidades. Podemos encontrar neles uma palavra amiga e confiável. Eles nos tornam eternos.


Aposentadoria

O apego ao magistério me prendeu em Colatina. Em 1989 completei o tempo necessário para me aposentar. O País tinha elegido um Presidente dominado pelo voluntarismo e intempestividade. Agüentei ainda um ano. Em abril de 1990, eu e mais três colegas, inclusive o Kleber, assinamos nossa folha pedindo nossa aposentadoria por tempo de serviço. Como tínhamos um terreno em São Gabriel da Palha, mudamo-nos para aqui com nossa caçula Marina. Eu pensava em lidar com a terra e auferir receita generosa.


Acidente Vascular Cerebral

Logo percebi que a luta do campo é dura e difícil. Comprei muitas máquinas, mas não consegui gerar receita com a exploração da terra. Nosso estadinho tem um regime de chuvas irregular e deficitário. A irrigação torna a maioria das lavouras deficitárias. Encostei as máquinas e procurei desenvolver novamente o magistério, agora dando aulas particulares. Cheguei até o final de 1994, quando fui surpreendido por um derrame: deitei bom e acordei com dificuldade de locomoção. No início de 1995 sofri novo derrame, agora mais forte. Meu filho Guilherme me disse que a medicina pouco poderia fazer. Fiquei seis meses em Vitória fazendo fisioterapia. Foi difícil aceitar a nova situação. Voltamos para o campo. Não gosto de barulho.


Vida nova

O AVC me trouxe a comprovação daquilo que me dizia Mestre Guilherme: “Subir” até ao povo. Certa feita eu saí do meu apartamento para ir até a Livraria Logos. As pessoas pegavam a minha mão na rua e me passavam pelos lugares perigosos. Passei a olhar e cumprimentar todas as pessoas. Encarei os desconhecidos com um sorriso. Notei que as pessoas eram muito mais próximas de mim que eu delas. Perdi o pudor de solicitar ajuda aos desconhecidos. Aceitei minhas limitações como parte de minha condição humana. Senti que tinha ganhado uma nova vida.


O computador

Trabalhei 26 anos no Banco do Brasil com máquina de escrever. Os computadores começaram a aparecer quando eu me aposentava. Eu notava que meus meninos viviam falando disso. Depois de tentar obter vida interior com a televisão a cabo, resolvi comprar um primeiro computador em 1997. Fiquei extasiado. A grande diferença entre a televisão e o computador é a interatividade. Embora se diga que a televisão é um processo de comunicação, é, na realidade, um sistema de informação. Só agora o telefone lhe vem conferindo alguma interatividade. No computador existe uma linguagem. A pessoa assume o posto de comando desse processo. E as opções de perguntas e respostas entram numa progressão geométrica. Quando se navega na WEB, o universo todo se torna o objeto dessa interatividade. Já estou no meu 4º PC. Cada filho tem um ou dois.


Os Malacarne

Estudando a minha ascendência paterna, tomei conhecimento dos caminhos da genealogia. Percebi que éramos muitos Malacarne no Espírito Santo, mas todos descendentes de um único casal que veio da Itália em 1880. Decidi promover um encontro da família. Recebi apoio de vários lugares. Um primo de São Domingos do Norte, Giocondo Malacarne, resolveu entrar comigo no evento. Descobrimos que há outras famílias Malacarne em outros estados do Brasil. Mandamos convites. Em 22/10/2000 fizemos o nosso encontro de família. Foi um momento feliz. Ali eu apresentei o resultado de uma nova atividade minha: um livro.


A bacia do Rio São José

Ainda quando estava no Banco, sempre que podia, eu estudava a colonização do vale do rio São José. Desde o seminário, venho me interessando por tudo que diz respeito ao nosso pequeno-grande Estado. Quando vim para São Gabriel da Palha, senti a necessidade de contar um pouco da história de meu tio Bertolo (“Borto”). Depois do AVC, vi que era chegado o momento. Recebi farto material coletado por minha prima de Vitória, Diógena Malacarne. No encontro dos Malacarne, apresentei meu primeiro livro: São Gabriel da Palha — A história da origem. Em outubro de 2002, lancei o livroSão Domingos do Norte — Rumo ao rio São José. Estimulado pelo Dr. Renato Pacheco, atualmente faço pesquisa sobre Águia Branca e Vila Valério.


Fotos antigas do Espírito Santo

Estudando sobre a história do Espírito Santo, surgiu-me a idéia de reunir em mídia digital as fotos que mostram imagens de nosso passado. E uma tarefa ingente. Espero poder realizar um trabalho satisfatório e profícuo nesta área.

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