Bairro onde mora: Praia do Canto Bairro onde trabalha: Praia do Canto Profissão: publicitário Naturalidade: Vitória – ES Idade: 45 Tem...

A.C.H.M., publicitário

5/23/2014 , , 0 Comentários


Bairro onde mora: Praia do Canto
Bairro onde trabalha: Praia do Canto
Profissão: publicitário
Naturalidade: Vitória – ES
Idade: 45
Tempo de residência em Vitória: 45
Tempo que trabalha em Vitória: 24
Estado civil: casado
Filhos: 1


O que você acha da cidade de Vitória como ambiente para se viver?

– Sem querer puxar a sardinha para a brasa, considero Vitória uma das capitais mais belas do Brasil.


Que pontos você destacaria para justificar essa afirmação?

– Vitória tem uma beleza natural com muitos recantos legais, seu povo é amável, ainda existem muitas oportunidades de trabalho e o valor do custo de vida é razoável.


Aspecto físico

Segundo o historiador Cícero Moraes (meu tio-avô), Vitória nasceu do deságue do rio Marinho. Foi através dele que houve a formação da ilha de Vitória, na descida dos primeiros fragmentos de areia, cascalhos entre muitos outros. Lógico que já havia várias grandes pedras, as quais foram os sustentáculos desta incrível ilha. Então, os aspectos físicos sem dúvida são: pedra do Penedo, pedra do Cruzeiro, pedra dos Olhos, etc.


Você conhece a cidade como um todo?

– Sim.


Qual parte da cidade você mais gosta?

– Lógico que são as praias, e de preferência as da Ilha do Frade.


Qual é o melhor bairro, em sua opinião?

– Praia do Canto, pois foi este bairro em que nasci e vivo até hoje.


Que grandes contrastes você apontaria entre a Praia do Canto de sua infância e a de hoje? O que melhorou e o que piorou?

– Na minha infância, você poderia sair a qualquer hora do dia para passear e deixar as janelas abertas, hoje quase todo mundo mora em apartamento, com sistema de segurança 24 h por dia. As praias da nossa ilha não tinham poluição, para se ter uma idéia a praia de Camburi era deserta, limpa e com ondas para fazer surf. Hoje o mar cheira mal, etc. Na Praia do Canto você pegava lagosta na pedra da praia do Barracão, no paredão da Praia Comprida, no trampolim, etc. Hoje existe um aterro no seu lugar com inúmeros prédios e centenas de automóveis por km quadrado. As pessoas se relacionavam muito bem, os vizinhos estavam sempre dispostos a ajudar em qualquer situação. Hoje existe um individualismo total por todas as partes. Você conhecia quase que todo mundo na Praia do Canto. Quando alguém te perguntava por fulano, caso você não o conhecia, bastava ele falar em que lugar ele morava e a lembrança era imediata. Atualmente isto não ocorre em hipótese alguma.


Como você se relaciona em Vitória?

– Sempre fui uma pessoa de fácil relacionamento com as pessoas.


É fácil fazer amigos e namorar…?

– Como disse, sou fácil de me relacionar, então cultivei vários amigos e muitos conhecidos. Já perdi a conta, mas poucas mexeram com meu coração.


Qual é o perfil do capixaba?

– O perfil é quase mineiro, no início é bem desconfiado, mas depois é como baiano, “só alegria”. Também é um povo que tem no ápice da pirâmide a família, em seguida o trabalho, a religião e por fim o prazer de viver bem.


Você acha que o capixaba é um povo família, trabalhador e religioso? Que capixaba exatamente se encaixa nesse perfil? Ou são todos de um modo geral? Pessoas de fora costumam achar o capixaba meio metido, você concorda?

– Olha, existem numa população com a de Vitória inúmeros perfis de pessoas, mas no meu ponto de visita o capixaba em geral é gentil, mas lógico que existe bastante gente metida e superficial.


O que você acha do custo de vida?

– Até pouco tempo atrás achava que o custo de vida era bem razoável, mas com o início da globalização, o custo de vida vem acompanhado os índices das grandes metrópoles brasileiras.


Tem algo a dizer sobre o trânsito?

– Até o fim dos anos 80, Vitória era uma cidade bucólica, mas hoje vivemos um caos no trânsito, em relação a outras épocas.


O que seria pra você esse caos no trânsito: motoristas incapacitados ou secretários de obras que dariam ótimos jardineiros? Ou ainda um crescimento desproporcional para uma cidade-ilha?

– Acho que todas as opções acima são válidas, além dos motoboys e do estrangulamento das nossas principais avenidas.


Como você se locomove?

– De carro, e somente quando vou ao Centro de Vitória que pego o ônibus, porque fica muito difícil de estacionar.


Você assiste ou participa das tradições que ainda restam? (procissão dos navegantes, dos homens na festa da Penha, festa de S. Benedito…)

– Fui uma vez na procissão dos Navegantes, pois tinha um cliente no ramo de navegação, assim esta foi a única oportunidade.


O que você achou?

– Muito legal, pois estava um dia lindo com mar calmo e excelente bufê.


E as tradições mais recentes, como o Vital, o carnaval do centro…?

– A minha empresa ajudou a elaborar os três primeiros Vital. Sei que o Vital não é uma tradição do nosso povo e sim um estilo baiano, e não gosto deste tipo de música. Assim nunca fui ao Vital.


Você acha que esse tipo de evento é economicamente lucrativo para a cidade como afirmam os organizadores, ou você concorda com os moradores dos bairros atingidos (Jardim da Penha e Jardim Camburi) que ficam expostos à baderna e aos atos de vandalismo que ocorrem neste período, sem falar da perturbação do desvio do trânsito semanas antes?

– O pior para mim é o desvio do trânsito, a sujeira, o mau cheiro, montagem e desmontagem dos camarotes e arquibancadas que demoram dias e dias, assim atrapalhando o trânsito no local. Já o carnaval do Centro é um rascunho mal feito do realizado no Rio. Além de ser um ato bem político. Gostava muito dos carnavais de clube, como do Riviera, do Libanês e do Praia Tênis.


O que havia nos carnavais de clube que não encontramos mais nos carnavais de hoje?

– Tínhamos segurança, pessoas do mesmo nível social e música de carnaval como as marchinhas e meninas lindas.


Como você se diverte? Quais lugares que frequenta?

– Na praia de Manguinhos, no jazz da Curva da Jurema e no Twins.


O que o atrai nesses lugares?

– Manguinhos pelo mar despoluído, alguns dos pescadores nativos são meus amigos, a comunidade local tenta manter o lugar com a sua simples beleza. Jazz na Curva da Jurema, pois adoro jazz, blues e rock and roll. Twins, ali encontro pessoas que viveram na mesma época minha.


O que acha do movimento cultural de Vitória?

– A vida cultural de Vitória é ainda muito pobre, mas era bem pior. Temos que evoluir bastante nesta área.


Em que direção?

– Em todas, principalmente nas peças de teatro e nas publicações de livros capixabas com temas da nossa cidade.


E a vida noturna?

– Acho que vivemos por fases: houve época das boates, dos barzinhos, das festas de 15 anos, etc. Mas hoje prefiro sair com minha mulher e meu filho para jantar num lugar bem legal e tranquilo, de preferência que tenha uma culinária japonesa.


O que se vê na noite de Vitória?

– Vejo diversas tribos diferentes, com valores bem distintos, mas acredito que existam lugares para todos.


Você poderia distinguir alguns lugares e suas respectivas tribos?

– Malucos: Lama (Jardim da Penha, postinhos) – Patrícias/Playboys: boates, Sushimar, O Mercador, Aleixo, etc. – Elite: Festas de casamento e seus cerimoniais, reuniões dos Tristão, dos Coser, dos Michelini, entre outros. – Povo em geral: nas praias da Ilha do Frade e na Curva da Jurema, sempre aos domingos.


Tem algo a dizer sobre a educação?

– Como em todo o país, ela se divide em particular (razoável para boa) e pública (péssima para razoável)


A saúde?

– Pública: caótica. Particular: temos bons médicos e hospitais de nível médio


O governo?

– A grande vergonha nacional e, como dizia o poeta, “ninguém respeita a constituição.” Quando um político faz uma campanha publicitária para se eleger, ele gasta X, sendo que no decorrer do seu mandato ele ganha X/3. Será que eles desviam verbas? Não podemos esquecer as famosas ajudas de grandes empresas. Será que elas não vão querer nada em troca por isto? Então, faça os cálculos. Não podemos esquecer que o governo é a instituição mais rica do país. E que não gera renda, somente administra, e por sinal muito mal.


Você acha que o governo Lula é diferente de algum outro? Se sim em que aspectos?

– Não existe político diferente, todos fazem parte do mesmo partido “PIP”, Partido do Interesse Próprio.


Quais são os grandes problemas de Vitória?

– Trânsito, poluição das nossas praias e do ar, má divisão de renda (muita riqueza nas mãos de poucas famílias) e um crescimento demográfico desorganizado.


E as grandes vantagens de morar aqui?

– É uma capital que tem atualmente uma boa qualidade de vida, em relação às demais do país.


O que seria uma boa qualidade de vida?

– Ter amigos. Ter família. Ter uma profissão que goste. Ter amizades. Ser feliz com você mesmo. Ter as finanças (pessoal e empresarial) equilibradas. Ter uma crença religiosa (Messiânica). Ter uma casa própria. Ter saúde. Ter um filho maravilhoso e uma mulher também. Ter uma boa alimentação. Ter respeito com as pessoas, não importando quem sejam. Acreditar que o futuro é construído com o dia de hoje.


Como você definiria a sua vida em Vitória?

– Se pudesse escolher outra cidade, escolheria esta ilha maravilhosa.

[28 de janeiro de 2006]



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