Bairro onde mora: Cariacica Bairro onde trabalha: Praia do Canto Profissão: porteiro Naturalidade: Cariacica Idade: 40 Tempo de residê...

A.G.S.L., porteiro

5/21/2014 , , 0 Comentários


Bairro onde mora: Cariacica
Bairro onde trabalha: Praia do Canto
Profissão: porteiro
Naturalidade: Cariacica
Idade: 40
Tempo de residência em Vitória: morou no Centro por 17 anos
Tempo que trabalha em Vitória: 26 anos
Estado civil: divorciado
Filhos: 3


O que você acha da cidade de Vitória como ambiente para se viver?

Aspecto físico


– Eu acho uma cidade muito bonita, muito evoluída, e tem tudo pra melhorar, pra ser uma cidade turística, igual muitos consideram uma das cidades mais bonitas do estado. E gosto de Vitória, que é um lugar que onde a gente vai é muito comentado, nosso litoral.


Você conhece a cidade como um todo? Qual parte da cidade você mais gosta?

– Eu conheço todos os bairros de Vitória. Eu vivi muito aqui na Praia do Canto, Praia do Suá, onde eu morei, desde os meus 13 anos de idade morando na Praia do Suá, trabalhei no Horto-mercado, meu primeiro emprego foi um programa da Caixa Econômica e depois eu trabalhei no Centro da cidade, conheço muito o Centro da cidade, Santo Antônio, Goiabeiras, e quase todos os bairros, Maruípe, tenho parentes que moram em Maruípe, Santa Marta, e gosto muito é dessa região da Praia do Canto. Porque eu convivi muito tempo por aqui, passeava nessas praças, tive colegas que moravam por aqui, me adaptei muito bem a essa região.


Como você se relaciona em Vitória? É fácil fazer amigos, namorar…? Qual é o perfil do capixaba?

– Pra mim é muito fácil, eu sou uma pessoa muito comunicativa, eu trabalho com atendimento ao público desde os 13 anos. Eu participava de um grupo com muitas pessoas, principalmente na empresa que eu trabalhava, tinha um grupo de futebol com muita gente. Eu acho um lugar muito bom pras pessoas que queiram se comunicar. Eu não acho que o capixaba seja bairrista como tem gente que fala que ele é. Eu nunca me decepcionei com ninguém, até agora. Então, eu acho que é um povo que trata bem. Tanto que eu já fui e já voltei porque senti saudade daqui. Eu fui pra Goiás, morei em Aracruz e em Domingos Martins, mas prefiro o povo daqui, porque é mais fácil de fazer amizade e todas as partes que eu vou aqui eu tenho pessoas que eu conheci há muitos anos e me convidam pra ir na casa deles, no escritório, onde trabalham. Quando eu cheguei nesse prédio aqui eu tinha várias pessoas que eu já conhecia, até chefe meu. Então é fácil de trabalhar.


O que você acha do custo de vida?

– Tudo é caro. Mas o mais difícil daqui é o salário que é muito pouco. No interior eu ganhava mais do que aqui. Nessa área que eu trabalho, que é área de segurança, o salário aqui é muito baixo, serviço de diária paga muito pouco. No interior que eu falo é Domingos Martins, Aracruz, Linhares, Colatina, que eu conheço, paga melhor. As coisas são muito caras, o transporte, os coletivos, são muito caras, as passagens de ônibus, então, subiu muito, sobe muito, é muito caro.


Tem algo a dizer sobre o trânsito? Como você se locomove?

– Os ônibus são horríveis, principalmente nos horários de pico, no horário da manhã que a gente vem, são superlotados, são cinco, seis filas a partir de cinco horas da manhã, quando chega o horário de seis e vinte piora a situação, porque o pessoal não obedece à ordem das filas. O trânsito é horrível. Chega a parte da tarde diminui a quantidade de ônibus, então pra ir pra Cariacica a gente fica até 40 minutos em pé esperando o ônibus. Chega a noite piora a situação, dá até briga nos terminais porque não tem ônibus pra gente ir embora. A gente fica lá 40 minutos, o ônibus não vem aí falam que o ônibus quebrou. Não tem como a gente ir embora. Acaba a gente levando duas horas pra chegar. Um percurso que você faz em 20 minutos de carro.


Você assiste ou participa das tradições que ainda restam? (procissão dos navegantes, romaria dos homens na festa da Penha, festa de S. Benedito…)

– Eu fui criado na casa de uma família tradicional, que era até de Roma, e eles tomavam conta de uma igreja, e me fizeram ser religioso, mas desde pequeno eu fiz opção pelo evangelho. Então eu participei de seminário de teologia, eu trabalhei em missão, e fui até chamado pra outros países, e não fui, mas eu tenho 16 anos de pastorado em igreja, e tem dois anos que eu estou afastado do cargo. Mas é um trabalho que eu gosto.


E as tradições mais recentes, como o Vital, o carnaval do Centro…?

– Já participei antes de ser evangélico, até os 25 anos, depois dos 25 eu participo trabalhando, faço segurança, aí eu sou chamado pra trabalhar no Vital, nas festas e shows da Praça do Papa. Esse agora eu fui chamado, dessa banda mexicana, eu acho, é Rebelde. Mas estava pagando muito pouco, então não valia a pena. Dá muita confusão, principalmente esse show do Rebelde, e a gente que lê a Bíblia, e olhando pela Bíblia, eu vejo muita coisa que atrapalha a juventude, coisas que fazem comentários sobre bandas de rock, e têm trazido muitos problemas pra juventude, e vêm atrapalhar a criação do adolescente, é muito difícil controlar isso agora, por muitas coisas que vêm ocorrendo. O que acontece lá no meio, o uso de drogas, álcool em excesso. Minha filha queria ir nesse show, eu não deixei de jeito nenhum, porque eu sabia que ia dar muito problema, ela até foi morar com a mãe agora. Quem trabalha lá sabe.


Como você se diverte? Quais lugares que frequenta?

– Eu gosto de ir pro interior do estado, pras cachoeiras, jogar futebol. Domingos Martins tem uma das melhores cachoeiras do estado. Agora aqui em Vitória eu gosto de ir na Praça dos Namorados ou ir pra praia.


Tem algo a dizer sobre o governo?

– É muita promessa, falam muito e não fazem nada, a não ser pra eles próprios. Não acredito. Posso até apoiar pela amizade, se eu tiver amizade, eu apoio, agora, pela profissão deles, jamais. Não servem para nada.


E a saúde?

– Não é boa de jeito nenhum, principalmente pra classe baixa. Pra você ir num posto de saúde em Vitória você tem que morar em Vitória, depois que eu mudei pra Cariacica, eu fui no posto em Vitória, eles não me atenderam, nem eu mostrando minha carteira de que eu trabalho em Vitória. Eles falaram que eu tinha que morar em Vitória. E os outros bairros, Cariacica, Carapina, não existe nada, o atendimento é péssimo, não tem médico. A gente chega lá uma hora da manhã, fica até as sete, não consegue nada, perde a noite. Vem pra Vitória, se passar mal aqui, só pode ser atendido lá em Cariacica. Aí uma vez meu filho destroncou o pé, mas como o pé não estava inchado, fui pra lá, porque não tinha médico, e eles só estavam atendendo emergência. Lá eu fiquei dois meses pra conseguir uma ficha [pra consulta]. Quando eu cheguei, o médico não pôde comparecer ao posto de saúde, então eu tive que remarcar pra mais uma semana. Voltei novamente, o médico faltou. Aí eu fui pro Hospital Infantil, cheguei lá cinco horas da manhã, e consegui ser atendido às oito horas da manhã. Então os postos de Vitória são melhores, mas tem essa discriminação. O Santa Rita, uma vez minha irmã conseguiu uma vaga lá, porque conhecia alguém lá dentro, e essas pessoas deram uma força.


E a educação?

– Olha; em Vitória, eu estudei no Colégio Maria Ortiz, Colégio São Pedro, no Nacional, e eu gostei muito. Agora, o colégio que eu estudei em Cariacica, eu aprendi muito com os professores, que eu tenho muito respeito, até hoje. Então, tudo que eu estudei eu gostei muito.


Quais são os grandes problemas de Vitória?

– Eu não tive muito problema em Vitória. Ultimamente é que em Vitória você não tem aquela tranquilidade de andar na rua. Já vim alguns dias passear à noite em Vitória, e a gente não tem tranquilidade de andar nas ruas, não tem segurança. Já fomos quase assaltados duas vezes. Paramos no sinal, e quase fomos abordados, mas o sinal abriu na hora que os elementos saltaram do carro, com arma na mão. Então é muito perigoso. Eu acho que é o maior problema.


E as grandes vantagens de se morar aqui?

– As vantagens é o tipo de emprego, tem vários empregos melhores por aqui, mas não adianta se você está morando em Cariacica, eles contratam mais pessoas que moram no centro, por exemplo, por causa de passagem. E também muitos cursos profissionalizantes. Minha irmã fez seis cursos de graça e sobrevive desses cursos que ela fez aqui em Vitória, através da Prefeitura de Vitória. Eu mesmo não fui contratado pela Prefeitura uma vez, por morar em Cariacica. As vantagens de morar em Vitória são essas.


Como você definiria a sua vida em Vitória?

– Em Vitória eu tenho um bom relacionamento, conheço muita gente nos bairros que eu vou. Eu conheço muitos advogados, juízes. Onde eu passo, eu conheço muitas pessoas. Seria mais fácil, pra mim, morar aqui, mas se eu alugo a casa lá em Cariacica, lá é difícil receber, as pessoas não pagam, atrasam, vai cobrar eles ameaçam. Aqui, fazer contrato é mais fácil. Por isso, eu pretendo até dezembro ficar morando em Cariacica, mas a partir de dezembro eu tô querendo mudar pra Vitória, por causa de emprego, que eu tô querendo achar coisa melhor, e eu consegui uns três aí, mas só se eu morasse aqui no Centro. Aqui é mais fácil de ter contato pra trabalhar, e mais perto, também. Esse tipo de facilidade que eu procuro.



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