63 anos, aposentado, natural de Sena Madureira, Acre, reside há 34 anos em Vitória , atualmente na Praia do Canto. – Gosto muito desta c...

F.A.N.S., aposentado

5/23/2014 , , 0 Comentários


63 anos, aposentado, natural de Sena Madureira, Acre, reside há 34 anos em Vitória , atualmente na Praia do Canto.


– Gosto muito desta cidade por dois motivos importantes na vida de qualquer pessoa. Aqui comecei minha vida profissional e minha família, pois meu filho mais velho chegou com quatro meses. O mais novo nasceu na ilha. Ainda está sendo bom morar em Vitória, porém há um quadro assustador se delineando para um horizonte de 10 anos. Um caos na área de circulação humana por dois fatores: a topografia da cidade que não ajuda e a crescente especulação imobiliária que contribui para sérios desdobramentos na qualidade de vida da população. Seus pontos positivos são a beleza da cidade, a proximidade das grandes metrópoles como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, a culinária regional, o clima tropical e a proximidade das montanhas, a diversidade cultural, as praias com tendência de melhoria na qualidade de suas águas, a ampliação dos postos de saúde e dos centros de convivência para a terceira idade, a iluminação pública, a limpeza e o paisagismo, os parques, os eventos festivos e culturais. Pontos negativos: a poluição atmosférica elevada, a falta de um aeroporto decente, a qualidade da saúde pública, a violência urbana, o trânsito (engarrafamento e educação), a falta de qualidade das obras públicas, a falta de política de ordenamento do uso do solo, a falta de um hospital municipal, o atendimento dos PA, a cracolândia em que está se transformando a cidade, número de ônibus em circulação, falta de faixas exclusivas e de ampliar horários, o número de escolas, a falta de capacitação e melhoria do salário dos professores, falta de lazer e de programas esportivos entre escolares em todos os esportes e faixas etárias e falta de programas na área de artes cênicas, música e outros interesses da juventude. Saber o que ela deseja é importante.

– Quanto ao futuro vejo uma cidade verticalizada, com um trânsito caótico, com moradores prisioneiros em seus prédios com medo da violência. Qualquer política bem sucedida feita agora pode vir a melhorar este quadro.

– O capixaba não é uma pessoa aberta. Relaciona-se de forma fechada, desconfiada, e não abre suas portas, a não ser em longo prazo e depois de conhecer bem quem vai receber. Ele precisa amar mais a sua cidade. Percebo-o um pouco bairrista (já foi mais), principalmente em relação a habitantes de outras regiões do país. Cultiva bem suas tradições. Em relacionamentos superficiais, no cotidiano, o ilhéu é um bom cidadão. O ilhéu é um pouco conservador. Os estudantes estão hibernados. Há alguma movimentação quando há aumento nas passagens. O ilhéu não é exemplo de cidadania, pois para carros nas calçadas, joga lixo em vias públicas, para os veículos em vias públicas para conversar impedindo a fluidez do trânsito.

– Acho que ele conhece pouco sua história. Ela deveria ser oferecida nas escolas através de pesquisas nas bibliotecas públicas com inúmeros historiadores locais que a registraram muito bem. O fato mais conhecido creio que é a defesa da invasão estrangeira no Forte São João onde hoje é o clube Saldanha da Gama.

– Feijão, arroz e bife são os [alimentos] preferidos. O pescado é fortemente consumido por uma pequena parte da população que o pesca de forma artesanal. O pescado de melhor qualidade se destina à mesa da classe mais favorecida e outra parte vai para outros mercados. Na Semana Santa, para manter a tradição religiosa, o consumo atinge a maioria da população, porém o poder aquisitivo dita o pescado que cada família vai consumir. Em geral, o preço se constitui num impeditivo para maior consumo. Vitória tem um custo de vida alto, perdendo talvez para Brasília, São Paulo e Porto Alegre. Restaurantes – impossível o acesso pela classe média. Vestuário – não tanto por termos acesso ao pólo da Glória e as promoções. Lazer – planejado de acordo com o que está ao alcance de cada família. Saúde – se depender do poder público, só os atendimentos de rotina funcionam. Como os governos nos três níveis abandonaram a saúde, quem não tiver plano de saúde está perdido. Transporte – sugiro ampliar horários e reciclar sempre motoristas e trocadores para que continuem atendendo bem aos usuários.

– A população da ilha é formada por brasileiros de várias regiões do país, do interior do estado e principalmente dos nativos da ilha. É formada também por descendentes de povos colonizadores do estado. O sexo feminino é predominante na ilha. A terceira idade é a que mais cresce, em decorrência do aumento da expectativa de vida da população. A cor branca é predominante. O ilhéu não possui sotaque. Lembro apenas de duas expressões do nativo: iá e pocar.

– Gosto muito de espaços como o Teatro Carlos Gomes, a Praça do Papa/Horto Mercado, a Pedra da Cebola, o calçadão de Camburi, a orla de São Pedro, o morro da Fonte Grande, a Catedral de Vitória, a Praça dos Namorados, o hotel SENAC. Meu lugar preferido, depois do meu apartamento, é o calçadão de Camburi, onde posso pedalar e apreciar o belo visual da orla, com pessoas de todas as idades se exercitando das mais variadas formas. A cara de Vitória do ponto de vista visual é o morro do Penedo, embora esteja localizado em Vila Velha. Do ponto de vista olfativo/gustativo é a conhecida e inigualável moqueca capixaba que já ultrapassou as fronteiras e ganhou asas e alçou vôo.

– Para uma Vitória adolescente, em crescimento, daria carinho, atenção, orientação, visando desenvolver-lhe autoconfiança, uma identidade forte, autonomia, valores e visão de futuro. Enfatizaria também o aspecto cultural, estimulando-a a crescer sem perder sua história, sua beleza natural, visando equilibrar desenvolvimento sustentado e qualidade de vida dos seus munícipes.


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