56 anos Natural do Rio de Janeiro, RJ. Residente na Grande Vitória (Vila Velha) desde 1991. Casada, um filho. Museóloga e pesquisadora....

M.C.M.S.N., museóloga

5/23/2014 , , 0 Comentários


56 anos
Natural do Rio de Janeiro, RJ.
Residente na Grande Vitória (Vila Velha) desde 1991.
Casada, um filho.
Museóloga e pesquisadora.


O local de Vitória que eu acho particularmente encantador é a baía de Vitória. A vista da baía de Vitória – do porto. São as coisas que eu mais gosto. Porque é uma vista única, e me faz lembrar o Rio de Janeiro um pouco. E porque essa região é diferente, e normalmente em outros estados quando você tem um porto você não tem visão dessa área. Ela é fechada muitas vezes por armazéns – nós temos armazéns no porto de Vitória mas temos uma parte longa da baía sem fechamento, então temos essa visão que acompanha um bom trecho da avenida Beira-mar.

Vitória tem pontos positivos e negativos pelos mesmos motivos pra mim. O principal deles é ser uma cidade pequena – é bom que seja uma cidade pequena – e por outro lado é ruim que seja uma cidade pequena. A princípio seria bom porque você teria possibilidade de conhecer as pessoas, pelo menos um número maior delas, quando comparado com outras capitais grandes do Brasil. Para a Prefeitura seria mais fácil cuidar da cidade, pelo menos a princípio.

Por outro lado é ruim também que ela seja uma cidade pequena porque os serviços, tanto públicos como privados, são de péssima qualidade, as o poder público e os empresários não investem no atendimento, talvez pela pouca concorrência, em especial no setor privado. Os preços são altos a qualidade é muito baixa.

Vitória poderia ser uma cidade linda, até tem o apelido de cidade-presépio, poderia ser uma cidade linda em termos de arquitetura, de urbanismo mesmo, poderia ser muito mais bonita do que é, ter serviços de muito boa qualidade, como transporte - que não tem, é péssimo o serviço de transporte -, e poderia ser uma cidade bem cuidada fisicamente em termos de limpeza e mesmo de urbanismo como já falei. E quando falo urbanismo eu lembro das árvores. Vitória é uma cidade quente, muito quente, com muito sol, e poucas árvores. São raras as árvores, a gente vê poucas ruas arborizadas, e o que a gente tem observado pra piorar esse quadro é o fato de que está havendo uma redução dessas poucas árvores que a cidade tem. Como exemplo recente disso temos o caso da avenida Leitão da Silva. A Prefeitura simplesmente cortou todas as antigas e frondosas árvores. Que política é essa, de cortar árvores?  Eles falam em reposição posterior, só que reposição com o quê? Coqueiros e palmeiras?  Esses coqueiros e palmeiras não atendem as necessidades da cidade. Eu entendo que os moradores deveriam ser incentivados a caminhar ou pedalar pela cidade, mas como fazer isso sem uma sombra? Sombra faz parte da qualidade de vida de uma cidade. Nós temos vento, Vitória é uma cidade de muito vento, o que ajuda a amenizar a temperatura, mas seria muito melhor com a ajuda das árvores. A Prefeitura, além de não plantar novas árvores, corta as poucas que existem. Isso pra mim é uma política criminosa. Ainda me lembro do choque e da revolta que tomaram conta de mim na ocasião do corte daquelas antigas árvores da avenida Leitão da Silva. Tive vontade de chorar. Aquilo foi um assassinato em massa, imperdoável mesmo.

Não entendo como a população de Vitória permite que isso aconteça. A prioridade, sempre, numa cidade como a nossa, num clima como o nosso, deve ser dada às árvores. Muitas das árvores que vêm sendo cortadas fazem parte da vida da cidade há décadas, levaram 20, 30 ou 40 anos para alcançar a proporção que alcançaram e nos fornecer a sombra que nos forneceram. Se palmeiras e coqueiros forem as opções de substituição daquelas antigas árvores, sinceramente os representantes da Prefeitura não estão em seu perfeito juízo, para não dizer coisa pior: eles não fornecem, nem de longe, a sombra de que os cidadãos necessitam.

Vejo a construção de ciclovias como prioridade, no entanto não vejo por que eliminar árvores em nome desse projeto. Outra contradição é a preocupação em ampliar áreas de estacionamento. Se o objetivo é incentivar o uso da bicicleta, por que incentivar paralelamente o uso do carro, com os novos estacionamentos? Trata-se de uma política contraditória. Acredito realmente que uma cidade civilizada tem em mente a redução de  de circulação de veículos particulares, ampliando e melhorando o transporte público, incentivando o uso de bicicletas e a prática de caminhadas. Os políticos devem dar o exemplo usando, eles mesmos - prefeitos, secretários, vereadores - a bicicleta ou o transporte público para chegar ao trabalho.

 A bicicleta pra mim é uma ótima solução de transporte. Primeiro porque permite que se veja a cidade mais de perto, que se tenha mais atenção até com os outros seres humanos. Agora uma necessidade que a cidade tem, gritante, é a melhoria do transporte público, que da forma como se encontra, não atende às necessidades da população. Mais uma vez nos deparamos com aquela questão do número de veículos particulares em circulação, que prejudicam a circulação dos transportes públicos. É meio que um círculo vicioso: os ônibus ficam encalacrados no trânsito, porque tem muitos veículos particulares em circulação, mais do que deveria, e os veículos particulares estão nas ruas porque o transporte público é péssimo. Falta investimento no setor.

A cidade de Vitória tem grande potencial turístico, mas não sabe como explorá-lo. Não há uma efetiva política para preservação e valorização permanente do seu patrimônio cultural e natural, o investimento no setor é muito pequeno. A produção cultural tem investimento bastante reduzido também. Os projetos patrocinados pela lei de incentivo nem sempre têm o o valor e a repercussão que deveriam.

O turismo dá retorno econômico, mas exige investimento, como em qualquer área de produção econômica. O retorno pode ser compensador, mas para isso é preciso que poder público e população estejam conscientes do valor do patrimônio cultural e natural que têm em mãos.

Vejamos o caso do Centro de Vitória. Ele é muito rico em termos de arquitetura, com exemplares datados, em sua maioria, do início do século XX. Apesar da riqueza desse patrimônio ele permanece desvalorizado e obscurecido em meio a banners, faixas e fios. A retirada desses poluentes certamente nos brindaria com uma visão de grande beleza, fazendo do centro da cidade mais um de nossos cartões postais.


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