42 anos, natural da Bahia, morou em Vila Velha e há 10 anos está em Vitória, morando na subida de um morro em São Cristóvão, limite de Joan...

M.R.S., faxineira

5/26/2014 , , 0 Comentários


42 anos, natural da Bahia, morou em Vila Velha e há 10 anos está em Vitória, morando na subida de um morro em São Cristóvão, limite de Joana D’Arc. Faxineira, trabalha no Centro. (31.08.2004)


– Eu gosto de Vitória. Fui pra Bahia, fiquei lá dois anos, voltei pra trás. Gosto daqui, da minha casa, é calmo, não dá assalto, e pro lado de cá, Joana d’Arc, dá muito assalto. Tem uma pracinha, um horto, um parque, perto de casa. Lá a vizinhança é boa. Mas eu saio de manhã e chego só à noite e no final de semana a gente conversa, quando passa um, outro, lá tem o líder comunitário. Ah, agora quase não tá ficando mais animal na rua porque a carrocinha… Nossa, como tinha cachorro na rua, quase não deixava a gente dormir de noite.

– Eu compro tudo por lá mesmo, tem a venda, tem muita promoção, a gente compra por lá mesmo. As coisas não são caras nem baratas, são o preço. Tem padaria, tem tudo… Vila Velha era assim não. Gosto daqui que tudo é fácil, é perto. Tem supermercado, farmácia, nem precisa pegar ônibus, tem a igreja, o ponto de ônibus é perto de casa.

– Ah, lá é calmo, todo mundo sai lá, deixa a porta aberta, deixa a janela aberta, eu durmo com a janela aberta, minha porta lá quebrou a fechadura e dorme aberta, eu só boto uma mesa pesada assim de noite, mas dorme aberta. Ah, os outros bairros também não são assim não, é diferente, não sei… Mais perto de lá, mais pro lado de Joana d’Arc, a mulher foi na padaria e quando voltou, tinham entrado na casa dela e levou tudo dela, mas no meu canto não. Às vezes que eu vou em congresso de igreja eu vou tardão pra casa e é tudo tranquilo na rua, tem problema não.

– Os ônibus são meio lerdinhos… Pego o Tabuazeiro, é circular, é ruim. Voltar pra casa é mais difícil, às vezes vou até andando. É, mas é meio lerdinho… Mais fácil sair do que voltar. Ali no Morro do Bonfim é que o ônibus enche por causa dos estudantes.

– Festa só mesmo junina e o dia de São Cristóvão, tem a festa da igreja quando promove. Festona é no dia de São Cristóvão, muita barraquinha. Eu fico mais em casa no domingo que tiro pra lavar roupa porque no sábado eu faço faxina também, domingo eu cuido da casa. Praia? Hum… Quem gosta de praia é minha filha, tem 16 anos… Ela gosta de praia e de shopping, falou nisso, é tudo com ela no fim de semana, ela frequenta a igreja, seminário de dança e vive pedindo um biquíni… Vive pedindo um biquíni pra se mandar. Os meninos gostam de uma bola, jogam lá na quadra do colégio.

– Tem escola lá sim, da Prefeitura, tem vaga pra tudo mundo, só é difícil quando passa da 8ª série, é tudo bom, mas os adolescentes lá pra conservar é ruim. Tem posto de saúde que é bom, eles sempre atendem na hora. Mudou muito. Era uma porcaria.

– Pessoal gosta muito de ouvir música, principalmente nos feriados, música, batuque, o pessoal gosta muito de um pagode, nas casas deles mesmo. E tem muito churrasco, é o que mais pinta. Em todo canto que vai, toda esquina, é carne queimando, é festa até meia noite, depois pára. Ninguém reclama, se aguenta, mas alguém falou porque devia ter criança perto.

– Se joga muita bola lá, no campo fechado, da Prefeitura, e tem o campo do Lolão, de futebol, tem até campeonato, tem tudo, tem muita bola na rua.

– Os vizinhos lá têm muita verdura em casa, alface, cebolinha, chá, remédio.

– Ah quase em todo bairro tem Assembleia de Deus. Batista, tem pouca. Tem a Quadrangular, mas a que a gente vê mais crescer é a Assembleia de Deus. Tem Maranata, a católica, São José, mas em cada esquina tem Assembléia.

– Pra melhorar as coisas tinha que acabar com a violência, dentro de Vitória, nesses bairros, nos morros, onde os adolescentes buscam droga. Perto de casa não vê, é mais em Resistência, Santa Marta, Joana d’Arc, São Pedro, incomoda a violência. Me dói, né? Sou uma mãe que tem filho, o mesmo mal que eu não queria pros meus filhos eu não queria pros filhos de ninguém, tem muita rebeldia, sabe que a droga, quando entra nela, não tem mais volta. A sociedade tem que ter mais amor, compreensão, principalmente os grandes, né? Tem que ver a miséria, a pobreza, tem muita miséria, também é porque tem gente que não tem coragem de lutar, ir à luta, fugir da droga, prostituição, ter mais temor de Deus.


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