Pontos positivos: Segunda Capital brasileira com maior IDH (índice de desenvolvimento humano), Vitória(ES), ao contrário de tantas outra...

M.T., escritor

5/23/2014 , , 0 Comentários


Pontos positivos:


Segunda Capital brasileira com maior IDH (índice de desenvolvimento humano), Vitória(ES), ao contrário de tantas outras cidades-capitais, não apresenta gritante disparidade no aspecto da moradia. Mesmo a população moradora nos morros, por vezes em íngremes encostas, nos antigos “barracões” de madeira, ou aquela à beira-mar, em “palafitas”, gradativamente, por mãos sobretudo do poder público, passou a usufruir de edificações de alvenaria, portanto, mais seguras, mais resistentes às intempéries. Também no tocante ao acesso a esses lugares de menor valor imobiliário, assistiu-se à construção de escadarias, rampas e corrimões. Sucessivas administrações bem souberam direcionar políticas públicas que melhor atendessem àquela leva de trabalhadores, a maioria constituindo mão de obra não qualificada, que, na década de 70, atraída por grandes projetos industriais, acabou por aqui fixando residência. Também os movimentos sociais urbanos, nesse aspecto, eficaz papel reivindicatório desempenharam.

Mui satisfatoriamente é feita a coleta de lixo domiciliar. E mesmo nos supracitados lugares, em que inviável ou impossível o acesso ao caminhão coletador, para a parte mais baixa os sempre bem animados garis, com força braçal e a pé, efetuam remoção dos resíduos, até o descarte final.

População dispõe de praças, parques e espaços públicos outros, com aparelhos para exercício físico e orientação gratuita para a prática de diversas atividades. Assim, orientados por professor graduado ou por estagiário de Educação Física, poderá o adepto usufruir dos benefícios propiciados por hidroginástica, alongamento, ioga, dança e caminhada, além de ginástica localizada e voleibol master (para maiores de 40 anos). A própria vocação de balneário induz as pessoas ao culto da boa forma, da prática desportiva. Durante todo o ano promove-se, nas praias, eventos esportivos de nível nacional e até internacional, como torneios de vôlei, de futebol de areia, competição de vela, provas de corrida pedestre.

Completo tratamento hidrossanitário traduz-se em ampliação da rede coletora de esgoto tratável em 100 % das residências e das indústrias e, ainda, em construção de elevatórias, importante recurso de saneamento e de reciclagem do ecossistema. No que concerne ao meio ambiente, no alto dos morros, parques mantêm preservados fauna e flora dos últimos resquícios da Mata Atlântica, além de, em parte mais baixa, mantidas bem arborizadas outras áreas de visitação publica.

Centro polarizador da mídia espírito-santense e também de entidades peculiares, afora as instituições oficiais, a Capital, em termos de arte, de cultura e de esportes, senão de escolaridade, oferta, com fartura, oportunidades múltiplas. Há de tudo para quase todos. Mediante concorrência pública, diversificados projetos  são financiados com recursos obtidos por intermédio da renúncia fiscal.

Numa democratização à rede mundial de computadores, diversas regiões são contempladas com acesso gratuito à Internet, assim muitos cidadãos usufruindo de informação e de comunicação.

Elevado é o nível de escolaridade, e elevada é a renda per capita, respectivamente, causa e consequência de mão de obra bem especializada.

Bela a sua Baía, com a visão de navios estacionados ao lado de automóveis, é um vivo cartão-postal.


Pontos negativos:


No concernente ao lixo, lamentável é que, em plena era da reciclagem, sejam insuficientes as lixeiras de coleta seletiva, estando estas (quando as há) muito concentradas nos bairros ditos “nobres”. E exíguas justamente em regiões densamente povoadas, como , por exemplo, na Grande Santo Antônio(12 bairros) e na Grande São Pedro(10 bairros.

Embora as reiteradas campanhas para um consumo mais racional dos recursos hídricos, população continua fazendo descaso, ignorando previsões de escassez já a partir de 2030, quando exauridos os rios Jucu e Santa Maria de Vitória.

Necessária uma revitalização no chamado Centro Histórico; aos sábados à noite e durante todo o domingo, dada a pouca aparição de transeuntes à rua, torna-se uma espécie de cidade-fantasma. Projetos de incremento em diversas manifestações artístico-culturais torná-lo-iam bem dinâmico, com grande afluência, tal se o viu no último Viradão, com 24 horas de atividades.

Vive, esse mesmo Centro Histórico, o dilema entre manter a memória, a tradição, com as antigas construções(algumas em condições bem precárias), e dar lugar ao novo, ao moderno, às edificações mais seguras e sofisticadas. Enquanto isso, o tempo passa e, sem sequer efetiva restauração das relíquias, sacrifica-se a estética urbana e assiste-se a frequentes sinistros, sobretudo nas instalações elétricas(curto circuito culminando em incêndio) e nas hidráulicas(vazamentos), comprometida a integridade dos ali passantes. Também a insegurança, face ao elevado índice de crimes violentos(assaltos, homicídios), tem afastado da vida noturna o cidadão, ainda que sempre haja maior investimento na prevenção e no combate à delinquência; esta muito decorrente do imperante narcotráfico.

Conjunto de ilhas fluviomarinhas, portanto, um arquipélago, com 91 km2, sendo 10 km2 oriundos de aterros, de suas potencialidades naturais quase não aufere, com plenitude, de dividendos: tanto pela precariedade de transporte hidroviário quanto pela falta de estrutura logística (seja por investimento público, seja por empreendimento particular). Um roteiro de viagem a bordo de nau, houvessem portos de embarque/desembarque(terminais), poderia fazer mais conhecidas as suas outras tantas ilhas, então desconhecidas até pelos nativos.

Toda a sua vocação turística, sobretudo enquanto balneário, também esbarra na falta de fluidez do trânsito veicular. Escassez de estacionamentos acentua-se no verão. A carência de ciclovias, de bicicletários, adiciona-se à problemática do superávit de automóvel per capita. Urge, pois, um rodízio conforme numeração das placas. Além disso, a emissão, na atmosfera, de dióxido de carbono, oriundo da combustão em motores, soma-se ao dióxido de enxôfre lançado por indústrias, sobretudo as siderúrgicas, a muitos afetando o aparelho respiratório e causando variada gama de alergias.

No aspecto cultural, mal conhece o povo vitoriense a sua própria História. E até o presente, além do passado, é grandemente desconhecido. Infere-se, pois, a privação de qualquer “visão de futuro”. Igualmente, ignora-se o artista local, aqui produtor e aqui morador. Ainda que dedique a mídia melhor espaço às manifestações autóctones, valoriza-se sobremaneira ao que vem “de fora”, ou seja, do eixo Rio –São Paulo, vigindo o colonialismo cultural. Um exemplo: calçadão de Camburi imita, na inconveniente “pedra portuguesa”, ao calçadão de Copacabana que, por sua vez, imita ao de Lisboa.

Queixa-se da falta de veículos(vans)que transportem até aos mirantes da Fonte Grande, donde se pode fruir de visão panorâmica de grande parte da Grande Vitória, bem como reclama-se da ausência, ali, de uma mínima estrutura comercial (lanchonete que seja).

Topografia acidentada, constituída por formações graníticas, por manguezais e por áreas de restinga, assim espremida entre a montanha e o mar, teve prejudicada uma pretensa ocupação uniforme, um crescimento ordenado, todo planejado. Vitória é, pois, um caos ainda ordenável.


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Marcos Tavares é membro da Academia Espírito-santense de Letras, autor dos livros No escuro, armados (contos) e Gemagem (poemas). (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

Estação Capixaba

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