Tudo parece indicar que a rua Vinte e Três de Maio foi o maior centro de diversão de Vila Velha antiga. A poucos passos do cinema Cici, fun...

O teatro


Tudo parece indicar que a rua Vinte e Três de Maio foi o maior centro de diversão de Vila Velha antiga. A poucos passos do cinema Cici, funcionando na mesma época, havia um modesto teatro onde se apresentavam artistas de Vila Velha e Vitória e, mais raramente, de alguns grandes centros. Encenavam-se comédias e dramas, muitos dos quais, pela sua universalidade, ainda são exibidos hoje em grandes ou pequenas casas de espetáculo. Chamava-se Grêmio Dramático e Familiar Tália. Duas coisas, nesse nome, nos chamaram a atenção. A primeira foi a denominação familiar, que fizeram questão de acrescentar ao nome do grêmio, deixando implícita a existência de outras casas de espetáculo com artistas mais libertinos, mais soltos, e que não tinham uma relação mais profunda com a família. O respeito familiar estava acima de qualquer coisa, não perdoando a sociedade a quem fugia a esse padrão. A segunda se refere ao nome Tália, que na mitologia grega é atribuído à musa protetora e animadora da comédia. Ainda a respeito de nomes de teatros, achamos que em tempos pretéritos, com poucos talentos nacionais agregados à arte, os da mitologia grega foram os mais apropriados. Em Vitória houve um teatro e cinema muito famoso e bem frequentado que atraía companhias bem mais representativas do mundo artístico do país e do exterior. Seu nome era Melpômene, inspirado na musa que animava e protegia a tragédia.[ 1 ]


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NOTA


[ 1 ] Ironicamente a tragédia com o Melpômene ocorreu literalmente, a par de outras dramatizadas nos seus palcos e em ensaios de bastidores. Um incêndio, não se sabe se criminoso ou ocasional, destruiu-o parcialmente, obrigando-o a encerrar suas atividades. O desaparecimento dessa importante casa de diversões de Vitória, principalmente para os aficionados, foi muito sentido. Embora tivesse mais de um andar, era toda construída de pinho de Riga, portanto de fácil combustão. Em 1925 ele foi demolido e as colunas de ferro que sustentavam os seus galpões e galerias, segundo lemos no livro Vitória — trajetória de uma cidade (Carol Abreu, Janes De Biase Martins e João Gualberto M. Vasconcellos) foram aproveitadas na obra do Teatro Carlos Gomes, que iria desempenhar a mesma função.


[In SETÚBAL, José Anchieta, Ecos de Vila Velha, Vila Velha-ES: PMVV, 2001. Reprodução parcial autorizada pelo autor.]

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José Anchieta de Setúbal nasceu em Vila Velha-ES e se formou em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo. Ex-prefeito e ex-vereador por Vila Velha, foi procurador substituto do Estado, sub-chefe da Casa Civil, coordenador da Defensoria Pública e secretário da Justiça. Foi membro do Conselho de Sentenças da Comarca da Capital e sócio-fundador do Rotary Club de Vila Velha.

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