Ecoporanga lua cheia, pedra negra meu peito escuta enternecido uma canção, canta meu pai: - Sertaneja, vou-me embora a saud...

Saudades de Ecoporanga (canção)




Ecoporanga
lua cheia, pedra negra
meu peito escuta enternecido
uma canção,
canta meu pai:
- Sertaneja, vou-me embora
a saudade vem agora...
talvez eu não volte mais.

Adeus meu rio,
guardei a sua canção
hoje ando só
e você não canta mais,
resta um retrato
envelhecido na parede
cinzas do verde
e a saudade do meu pai.

Minha cidade,
o que é da pedra?
O que é da mata?
O que é do rio da infância?
Do banho nu?
O que é dos sonhos,
das certezas de criança?
E o que foi feito
do canto do inhambu?

A dor insiste
quando escrevo nunca-mais
e um xitã triste
poe-miza o meu lamento
enquanto o vento
divulga pelos quintais,
em serenata,
a voz grave do meu pai.

Chegada a hora
eu também devo partir
num fim de tarde
de domingo, qual meu pai
levo tua pedra e teu rio
em meu olhar
e no meu peito
a canção do teu luar.

Minha cidade,
o que é da pedra?
O que é da mata?
O que é do rio da infância?
Do banho nu?
O que é dos sonhos,
das certezas de criança?
O que foi feito
do canto do inhambu?




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Gilson Soares é poeta e nasceu em Ecoporanga, no extremo noroeste do Estado do Espírito Santo, em 10 de fevereiro de 1955. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui)

Estação Capixaba

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