A mostra poesia-desenho-colocação "Varais de Edifícios", feita em conjunto por Oscar Gama Filho e Eugênio Herkenhoff, em exposiçã...

Resenha sobre a Mostra Varais de Edifícios


A mostra poesia-desenho-colocação "Varais de Edifícios", feita em conjunto por Oscar Gama Filho e Eugênio Herkenhoff, em exposição no saguão da Aliança Francesa desde terça-feira última, pode ser colocada como uma magistral obra de arte ambiental, que poderá entrar nos diversos salões de Artes Plásticas no país.

É surpreendente a criatividade, a simplicidade que alcança em cheio ao observador, a mensagem estética e filosófica. Ao se unir ao desenhista e já artista plástico Eugênio Herkenhoff, Oscar Gama Filho foi extremamente feliz, pois arranjou uma mão brilhante, capaz de em minutos, com carvão e papel, desenhar toda uma estrutura urbana que prende, dilacera, corrompe, esmaga, angustia e desumaniza o homem.

O desenhista Eugênio está com vinte anos de idade e, se peca por não ter um desembaraço maior, não fica nem um minuto atrás do poeta, pois seu traço escuro e torturado, muitas vezes pesado, dá a impressão de que é um homem com uma vivência enorme.

Houve a seguinte colocação visual entre a poesia e o desenho: um teto formado de arame farpado, simbolizando um céu. Um teto, absolutamente árido, onde despontam, dependuradas, algumas flores de plástico. Abaixo, varais estendidos em paralelas e à boa altura, com desenhos e poemas seguros com pregadores de roupa, formando corredores para que se leia e se observe o processo poético construído. E ali vamos encontrar mensagens de tal desespero ou crítica. Nada está apático, nada supérfluo, nada extravagante, apesar de uma certa pretensão de ensinar.

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[In "Varais de Edifícios": uma proposta de inovação. A Gazeta, Vitória, 20/08/1978. Caderno Dois, p. 2.]

Carlos Chenier (Carlos Chenier de Magalhães) nasceu em Lagoa Vermelha, RS, 1938, e faleceu em Vitória, ES, em 1989. Foi pintor, jornalista e crítico de arte. Em Vitória foi crítico de cinema em O Diário e de artes plásticas, em A Gazeta. Iniciou-se no jornalismo como autodidata, na antiga Folha Capixaba, onde manteve uma coluna dedicada a jovens poetas. Como pintor, participou de vários salões e mostras coletivas e realizou individuais, no período de 1962 a 1968. Participou de concursos de cinema, do movimento cineclubista e publicou poemas e contos.

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