CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, século XVIII. Acervo Arquivo Nacional. Carta que se escreveu ao Capitão-mor da C...

CARTAS diversas compiladas por Luís Cezar de Menezes, século XVIII

CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, século XVIII. Acervo Arquivo Nacional.
CARTAS diversas  compiladas por Luís Cezar de Menezes, século XVIII. Acervo Arquivo Nacional.

Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo sobre as fintas.[ 1 ]

Aos oficiais da Câmara dessa vila ordeno, cobrem prontamente dois contos quatrocentos, e vinte mil réis que essa Capitania está devendo das fintas pertencentes ao Donatário do Dote de Inglaterra, e paz de Holanda, e que dentro em três meses, mandem a cotalidade à pessoa que ... ajustar as dadas fintas. E porque sê muito conveniente ao serviço de Majestade, que Deus guarde, não haver a mínima dilação[ 2 ] na cobrança, e ajuste das ditas fintas: ordeno a V.M.,[ 3 ] que na parte que lhe tocar de logo todo o calor que lhe for possível, para que esta execução se assine e feito no tempo que é término; e do resto com que V.M. se ao dado senhor fio, obrará de sorte neste particular, que me não seja necessário recomendar-lhe segunda vez. Deus guarde a V.M.. Bahia, setembro, 24 de 1705. Luís Cezar de Menezes.


Carta que se escreveu ao Capitão-de-mar-e-guerra Antônio F. da Silva, Cabo da Frota.

Remeto a V.M. a cópia da carta do Secretário de Estado, que [ilegível] que Majestade me ordena sobre o particular das frotas supondo, que se acharia V.M. já neste porto, e para se executar o que este  senhor ordena, é preciso que V.M. parta com toda a brevidade para este porto, para daqui conduzir os navios que nele se acham, se sair [ilegível] que se acham em Pernambuco, e Paraíba, donde fiz aviso para se aprestarem os navios em tal forma, que quando V.M. lá chegar, não sofra haver demora. Deus guarde a V.M.. Bahia, dezembro, 22 de 1707. Luís Cezar de Menezes. Sr. Antonio F. da Silva.


Carta que se escreveu ao Capitão-mor do Espírito Santo, para entregar o governo daquela Capitania a Francisco de Albuquerque Telles.

Sua Majestade, que Deus guarde, foi servido prover a Francisco de Albuquerque  Telles, no posto de Capitão-mor da capitania do Espírito Santo, da qual fez preito, e homenagem em minhas mãos, como consta do termo, que o Secretário deste Estado fez nas costas da patente, que o dito senhor lhe fez mercê mandar passar do dito posto. Assim que V.M. receber esta, se entregue logo o governo dessa Capitania, que dela o Rei por desobrigado da homenagem que V.M. tem dado.  Deus guarde a V.M.. Bahia, Março, 2 de 1709. Luís Cezar de Menezes.


Carta para o Capitão-mor do Espírito Santo sobre se não abrir caminho para as minas.

Tenho notícia, que várias pessoas intentam abrir caminho, pelos sertões dessa Capitania, para por eles passarem as minas: e como S. Majestade que Deus guarde tem mandado por repetidas, e apertadas ordens, se não consinta abrir-se semelhantes caminhos: ordeno a V.M., que em recebendo esta, faça toda a diligência por saber se se deu princípio ao tal caminho, e quando assim tenham sucedido, o mandará V.M. logo fechar, e prender as pessoas compreendidas nessa culpa, as quais remeterá V.M. a este governo [ilegível]; para se castigarem, como S. Majestade manda; e sucedendo não ter-se aberto o tal caminho, V.M. impeça [sic] se na abra, e ponha nisso toda a vigilância, e cuidado, para que a sua omissão, não seja causa de incorrer também, nas penas das ordens de S. Majestade, por não dar cumprimento a elas. Deus guarde a V.M.. Bahia, abril 1º de 1710. Luiz Cezar de Meneses.


Carta que se escreveu ao Capitão-mor da Capitania do Espírito Santo, sobre o mocambo de negros fugidos que há naquela Capitania.

Na [lacuna] [deste] Estado, achei uma carta que V.M. lhe havia escrito em 3 de maio deste ano, em que lhe daria conta de um mocambo que havia de negros fugidos, nos limites do Rio Jacu e dos estragos que fariam nas roças e gados de seus moradores e da forma em que se iam fortificando.

Não posso deixar de estranhar a V.M., dar esta conta a um Tribunal que só conhece por apelações e agravos, sabendo que tem na Bahia um Governador Geral do Estado, a quem unicamente [ilegível]. E como esse ordeno a V.M. que tanto que receber esta junto com a Câmara...


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NOTAS


[ 1 ] Tributo real pago do rendimento da fazenda de cada súdito; normalmente se impõe para obra pública. Por ocasião de guerra também as Câmaras são tributadas com licença do Rei.
[ 2 ] Demora, detença.
[ 3 ] Vossa Mercê, correspondente ao atual você.


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Maria Clara Medeiros Santos Neves [transcrição a partir do original], coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site, clique aqui.

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