Ivan Borgo

Número de artigos deste autor:

33

Ivan Borgo: A rainha que piava e outros contos

Ivan Borgo Sabatina remete a cobrança da tabuada de multiplicar, da procura de mantissa ausente da tábua de logaritmos e de outras belezas como a regência do verbo apropinquar o que, ressalve-se logo, jamais foi pedido pelo prof. Guilherme Santos Neves. Não era de seu feitio. Mas, para mim, agora, sabatina é algo bem diferente.[Ler o restante do artigo]

Ivan Borgo: “Carta-resposta” – II

Ivan Borgo O que era Piúma para mim até então? Apenas sinônimo de contratempo. Explico. Nos primórdios das viagens de ônibus Vitória/Rio, circa 1955, havia só o trecho Campos/Rio em asfalto. O restante da estrada era de terra que produzia uma gorda poeira amarela. Lembro-me que, quando o ônibus chegava a Campos, um outro motorista[Ler o restante do artigo]

Ivan Borgo: “Carta-resposta” – I

Ivan Borgo Devo sim, Reinaldo Santos Neves. Bem mais do que você diz no final de sua denominada chorumela sobre a minha pessoa, publicada na Você n° 23. Fique registrado que o prazer a honra foram minhas por ter participado, como colaborador permanente, de uma publicação hoje indispensável na vida cultural do estado. Como já fiz algumas[Ler o restante do artigo]

“Dois cachorros”

O Alemão teve de correr muito até sua casa porque senão o Danúbio ferrava-lhe os dentes. Nome-rio. Um rio maior que o Jucu, segundo soube. Mas pelo menos diferente do nome Kiss que ele sempre achou que era Quis e não sabia por quê. Quis o quê? Tinha uma certa vergonha quando alguém lhe fazia a pergunta.[Ler o restante do artigo]

“A briga”

Entre seis países considerados ricos, a Itália ocupa o quarto lugar em casos de homicídio por grupo de cem mil pessoas. O jornal que presta a informação cita como fonte a revista Fortune. A aparência do quotidiano da Itália talvez induza a uma conclusão diferente, tal o estado de ebulição em que as pessoas usualmente se[Ler o restante do artigo]

“Prima Rita”

As águas (escachoantes) corriam rapidamente pelas bromélias e o roxo do caixão de Rita se refletia nas presilhas douradas, construindo uma cascata fantástica onde as pérolas das águas espumantes quebravam-se interminavelmente. Passaram-se horas lentas de chorar miúdo, de lamentos abafados pelas catadupas de flores que enfeitavam não apenas o vestido branco de Rita e sua[Ler o restante do artigo]

“Crônica de guerra”

A fila do Teatro Glória ia até lá embaixo e ali estavam os ternos brancos, engomados na tinturaria de Chang Ye, muito próprios para o Sábado, para o cinema que levava a Dama das Camélias, com Greta Garbo. Na fila, os bigodes aparados diante de espelhos lapidados e engastados em guarda-roupas estilo Luís XV, as gravatas[Ler o restante do artigo]

“Araguaia: memória e sentimento”

Sempre quis escrever sobre Araguaia mas ou não tive disposição ou me faltou coragem. Porque não é fácil falar das coisas que se amam. Araguaia é um mundo inteiro que trago guardado no coração, com um significado difícil, muito difícil, de ser explicado com nitidez. Araguaia é sobretudo meu pai, esse homem medieval que foi[Ler o restante do artigo]

“Certos hábitos alimentares”

Digamos que, num primeiro momento, você não aceite um sashimi feito com saudáveis e rosadas postas de peixe pousadas num grande cubo de gelo. O gesto pode ter várias causas. Você não gosta de peixe cru. Acha que o peixe pousado no gelo pode ser uma obra de arte e não tem coragem de, com[Ler o restante do artigo]

“Nos caminhos da montanha”

Num fundo distante a montanha enorme e azul embalada em nuvens de papelão branco. No cenário, trilhos de aço ao sol, triturados e comidos pela Ramona, a locomotiva resfolegante, expelindo fumaças contundentes e sufocantes, subindo a serra com grande senso profissional. Em Guiomar, pastel de palmito com café torrado em casa. Mas o ponto de[Ler o restante do artigo]