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Versinhos Quando encontro teu sorriso na avenida central eu me descentralizo -dou pra dizer bom-dia aos cães- e o dia se transforma em luz Quando, domingo, te vejo na igreja imaculada, vegetal com teus olhos de deusa e tuas pernas bonitas eu me infernizo -começo a improvisar despudorados hinos em teu louvor- e[Ler o restante do artigo]
Fazendo do meu verso uma arapuca, De dentro dela saco um “Tartarim”, Um caçador famoso, que, por fim, Saiu caçado: — o trêfego Manduca. Às voltas com o mosquito e com a mutuca, Na mata virgem, ou mesmo no capim, Esparramando tiros de festim Trucida a bicharia pela nuca. Ninguém escapa à louca pontaria De[Ler o restante do artigo]
É Chico, como todo bom Francisco, Que viva ou que viver cá neste mundo, Porém sendo Fundão, eu não arrisco, A crer que seja ele assim tão fundo. Disputa nos governos bom petisco Com seu fornecimento. E furibundo, Agarra as concorrências como visco Ganhando a vida com suor fecundo. É vendedor de prego e parafuso, [Ler o restante do artigo]
Nas quadras do soneto corriqueiro, Em vez de perfilar, vou “enquadrar” O Quadros, bom amigo e companheiro, Que a Geometria vive a esquadrinhar… Possui a bossa exata do engenheiro Capaz de a + b fácil somar, Porém quando se trata de dinheiro, Prefere muito mais multiplicar! Batuta nas questões de matemática Resolve as equações como[Ler o restante do artigo]
É campeão da falta de freqüência, E às reuniões quase não liga, Nem s’incomoda com a sua ausência, Em nossa roda sempre boa e amiga. Não sei mesmo por que sua Excia. Entrou p’ro nosso Clube sem fadiga, Não procurando assimilar a essência Que a Lei Rotária a todos nós obriga. Por faltar tanto aqui[Ler o restante do artigo]
Outrora nos folguedos de rapaz Brincava o Carnaval com ar jucundo Roncando na cuíca como um ás, Na frente do cordão, se não confundo. Depois surgiu, barbudo e ferrabrás, Com a Revolução vindo iracundo, Salvar a Pátria sem pensar em Paz, Antes de fulminar a meio mundo! Na hora da encrenca desigual, Repuxa com furor[Ler o restante do artigo]
(Cromo) Sessão comum. Alberto presidente, Conforme manda o nosso ritual, Propõe as palmas bem ruidosamente, Em honra ao pavilhão nacional! Barbosa lê o longo expediente, Sem tempo de comer, passando mal, Enquanto todo o mundo aferra o dente, Matando a fome – coisa principal. Relatam boletins embaixadores Enquanto o Dan, incoercivelmente, Ocupa a vez de todos[Ler o restante do artigo]
Filho da terra heróica da cerveja Da música de Wagner estridulante, Entende de bebida – ele garante -, De música, porém, nem a solfeja. Com pose marcial e petulante Na boca um chope duplo sacoleja, E enquanto a sua vista lacrimeja O copo se esvazia num instante. Em nossa praça representa a Brahma, Aqui nos reunindo agora[Ler o restante do artigo]
Este que agora volta de Holywood Com fama de saber falar inglês, Vem hoje aqui pela primeira vez P’ra partilhar conosco o nosso “grude”. Dizem que na visita qu’ele fez A todas as pequenas, amiúde Lançava olhares de beatitude, Bancando pose altiva de marquês. Tratou por tu a todas as artistas, Jantou com Myrna Loy e com[Ler o restante do artigo]
P’ro palco dos meus versos hoje puxo Um nordestino de cabeça chata, Que diz a todo mundo ser gaúcho, Dês que a revolução firmou a pata. Nas lides da imprensa o bom repuxo Susteve na Gazeta sem bravata, Não procurando encher o próprio bucho Quando a vitória veio, na batata. Possui do sertanejo a nostalgia[Ler o restante do artigo]