Poesia

Número de artigos nessa seção:

108

Poemas do livro Rosa-dos-ventos

Versinhos   Quando encontro teu sorriso na avenida central eu me descentralizo -dou pra dizer bom-dia aos cães- e o dia se transforma em luz   Quando, domingo, te vejo na igreja imaculada, vegetal com teus olhos de deusa e tuas pernas bonitas eu me infernizo -começo a improvisar despudorados hinos em teu louvor- e[Ler o restante do artigo]

Manoel Vivacqua

Fazendo do meu verso uma arapuca,  De dentro dela saco um “Tartarim”,  Um caçador famoso, que, por fim,  Saiu caçado: — o trêfego Manduca.  Às voltas com o mosquito e com a mutuca,  Na mata virgem, ou mesmo no capim,  Esparramando tiros de festim Trucida a bicharia pela nuca.  Ninguém escapa à louca pontaria De[Ler o restante do artigo]

Francisco Fundão

É Chico, como todo bom Francisco,  Que viva ou que viver cá neste mundo,  Porém sendo Fundão, eu não arrisco,  A crer que seja ele assim tão fundo.  Disputa nos governos bom petisco Com seu fornecimento. E furibundo,  Agarra as concorrências como visco Ganhando a vida com suor fecundo.  É vendedor de prego e parafuso, [Ler o restante do artigo]

José Meira Quadros

Nas quadras do soneto corriqueiro,  Em vez de perfilar, vou “enquadrar”  O Quadros, bom amigo e companheiro,  Que a Geometria vive a esquadrinhar…  Possui a bossa exata do engenheiro Capaz de a + b fácil somar,  Porém quando se trata de dinheiro,  Prefere muito mais multiplicar!  Batuta nas questões de matemática Resolve as equações como[Ler o restante do artigo]

Anselmo Cruz

É campeão da falta de freqüência,  E às reuniões quase não liga,  Nem s’incomoda com a sua ausência,  Em nossa roda sempre boa e amiga. Não sei mesmo por que sua Excia.  Entrou p’ro nosso Clube sem fadiga,  Não procurando assimilar a essência Que a Lei Rotária a todos nós obriga. Por faltar tanto aqui[Ler o restante do artigo]

Wolmar Carneiro da Cunha

Outrora nos folguedos de rapaz Brincava o Carnaval com ar jucundo Roncando na cuíca como um ás, Na frente do cordão, se não confundo. Depois surgiu, barbudo e ferrabrás, Com a Revolução vindo iracundo, Salvar a Pátria sem pensar em Paz, Antes de fulminar a meio mundo! Na hora da encrenca desigual, Repuxa com furor[Ler o restante do artigo]

Um almoço no Rotary

(Cromo) Sessão comum. Alberto presidente,  Conforme manda o nosso ritual,  Propõe as palmas bem ruidosamente,  Em honra ao pavilhão nacional!  Barbosa lê o longo expediente,  Sem tempo de comer, passando mal,  Enquanto todo o mundo aferra o dente,  Matando a fome – coisa principal.  Relatam boletins embaixadores Enquanto o Dan, incoercivelmente,  Ocupa a vez de todos[Ler o restante do artigo]

Robert Langen

Filho da terra heróica da cerveja Da música de Wagner estridulante,  Entende de bebida – ele garante -, De música, porém, nem a solfeja. Com pose marcial e petulante  Na boca um chope duplo sacoleja,  E enquanto a sua vista lacrimeja O copo se esvazia num instante. Em nossa praça representa a Brahma,  Aqui nos reunindo agora[Ler o restante do artigo]

Marcondes Alves Souza Júnior

Este que agora volta de Holywood Com fama de saber falar inglês,  Vem hoje aqui pela primeira vez P’ra partilhar conosco o nosso “grude”. Dizem que na visita qu’ele fez A todas as pequenas, amiúde Lançava olhares de beatitude,  Bancando pose altiva de marquês. Tratou por tu a todas as artistas,  Jantou com Myrna Loy e com[Ler o restante do artigo]

Heliomar Carneiro da Cunha

P’ro palco dos meus versos hoje puxo Um nordestino de cabeça chata, Que diz a todo mundo ser gaúcho, Dês que a revolução firmou a pata. Nas lides da imprensa o bom repuxo Susteve na Gazeta sem bravata, Não procurando encher o próprio bucho Quando a vitória veio, na batata. Possui do sertanejo a nostalgia[Ler o restante do artigo]