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	<title>Arquivos Geografia &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<description>Patrimônio Cultural Capixaba</description>
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	<title>Arquivos Geografia &#8902; Estação Capixaba</title>
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	<item>
		<title>Brasil (Descrição de vários arvoredos frutíferos do Brasil) e seus préstimos; Descrição da costa do Brasil e das capitanias do Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, São Vicente, Porto Seguro e Ilhéus pelo padre Simão de Vasconcelos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2016 21:12:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Botânica]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Simão de Vasconcelos (Pe.)]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Índios Tupiniquins. Autor: Pe. Simão de Vasconcelos Transcrição, comentários e atualização do texto: Maria Clara Medeiros Santos Neves Apresentação Nesse manuscrito do século XVII padre Simão de Vasconcelos faz uma pequena introdução de natureza histórica sobre a capitania do Espírito Santo para depois abordar o assunto principal, descrevendo algumas espécies botânicas aqui encontradas que, segundo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-d0O3msCSSvQ/WC4ajwwPPFI/AAAAAAAAK7M/stRlIpI_Qn0Ufgl9C4wCGoP-N-2XtBp8QCLcB/s1600/Tupiniquins.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img fetchpriority="high" decoding="async" alt="Índios Tupiniquins." border="0" height="330" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Tupiniquins.jpg" class="wp-image-5282" title="Índios Tupiniquins." width="400" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Índios Tupiniquins.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: right;">
Autor: Pe. Simão de Vasconcelos</div>
<div style="text-align: right;">
Transcrição, comentários e atualização do texto: Maria Clara Medeiros Santos Neves</div>
<p><b><br /></b><br />
<b><br /></b><br />
<b>Apresentação</b></p>
<p>Nesse manuscrito do século XVII padre Simão de Vasconcelos faz uma pequena introdução de natureza histórica sobre a capitania do Espírito Santo para depois abordar o assunto principal, descrevendo algumas espécies botânicas aqui encontradas que, segundo ele, eram muito apreciadas e valorizadas pela medicina da época.</p>
<div style="text-align: center;">
* * *</p>
</div>
<p>Está esta capitania em altura de 20 graus e 1/3º; distante 120 léguas da Bahia, e de São Vicente outras tantas. Foi fundada no ano de 1551 por Vasco Fernandes Coutinho, fidalgo de igual valor e nobreza, dos mais ilustres, e antigos solares de Portugal. Concedeu-lhe o Senhor Rei D. João 3º 50 léguas [ilegível] começando donde acabasse a data de Pedro de Campos, donatário de Porto Seguro, correndo ao sul, pelos serviços que na Índia fizera. Na armada que preparou e aprontou à sua custa veio ao porto que hoje chamamos de Espírito Santo, e entrando da barra para dentro à mão esquerda, junto ao monte de Nossa Senhora, lançou-se a gente naquelas praias e nelas se começou a fundar a vila, que agora tem o nome de Vila Velha, com a invocação de Espírito Santo, que foi depois o de toda a capitania. Por motivo das apertadas guerras que tiveram estes novos povoadores com os índios da nação dos guaianás, e de tupinaquis<span id="BDVA_RP1V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/brasil-descricao-de-varios-arvoredos/#BDVA_RP1" title="Tupiniquins."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> que ficaram vencidos, alguns não persistiram naquela primeira situação, mas logo depois das vitórias alcançadas contra os índios inimigos, foi mudado o sítio para outro mais seguro, e forte, onde vemos [ilegível] com a invocação da Vitória, por respeito de uma que antes se alcançou considerável, pela numerosidade de bárbaros que acometeram.</p>
<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-YTm94rm-sIg/WC4bSPnCo3I/AAAAAAAAK7Q/DEJGjIslbNE9rBuaO5qTSBhxDx1M09GOACLcB/s1600/440px-Myrocarpus_frondosus_Taub101b.png" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Cabureíba (Myrocarpus frondosus)." border="0" height="320" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/11/440px-Myrocarpus_frondosus_Taub101b.png" class="wp-image-5283" title="Cabureíba (Myrocarpus frondosus)." width="269" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Cabureíba (Myrocarpus frondosus).</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Está esta vila em lugar igualmente defensável e cômodo para a vida humana: cercado de água, armado de penedia, horrível por natureza, habitável por arte: junto ao rio, perto da barra, senhor de pescarias, e mariscos sem número. Seus arredores são terra fértil, capaz de grandes canaviais, e engenhos; seus campos amenos, retalhados de rios e fontes; suas matas recendem, são delícias dos cheiros, bálsamos, copaíbas, almécegas, sassafrases; seus montes estão prenhes de minas de vária forte de pedrarias, de prata, e de ouro. São altíssimas as árvores do bálsamo, de troncos grossos, e estendidas ramas, que excedem muito às do célebre bálsamo da Palestina. Um gênero delas chamam os naturais cabureíba<span id="BDVA_RP2V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/brasil-descricao-de-varios-arvoredos/#BDVA_RP2" title="Cabreúva ou cabriúva."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> de cor cinzenta, folhas à maneira de mirto, e casca de grossura de um dedo. Esta casca, pois, golpeada no mês de fevereiro, ou março, em conjunção de Lua cheia, lança pelas feridas em vez de sangue, cópia de licor amarelo fragantíssimo, e preciosíssimo, a que chamamos bálsamo, em tanta quantidade, que corre o mundo todo, ou como sai da árvore, ou feito em obra de bolas, vasos, contas, e semelhantes peças cheirosas.</p>
<div style="text-align: right;">
</div>
<p></p>
<table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-7M131eD7wCo/WC4ajzj5m8I/AAAAAAAAK7I/0lB9NNjI68gH0AWm_cWAHaOaZUPOPyh8QCEw/s1600/sassafras.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"><img decoding="async" alt="Sassafrás ( Ocotea odorifera)." border="0" height="177" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/11/sassafras.jpg" class="wp-image-5284" title="Sassafrás ( Ocotea odorifera)." width="320" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Sassafrás ( Ocotea odorifera).</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>É admirável sua virtude medicinal: ele já supre uma botica de remédios humanos; resolve, digere, e conforta por intenção cálida, e seca. Duas gotas dele levadas em jejum pela boca, desfazem a asma, e cruezas do ventre e conforta as entranhas. Com ele mesmo esfregado o peito se desfazem as opilações frias; e esfregada a cabeça, e pescoço, com pano vermelho, corrobora o cérebro, preserva de apoplexia, e espasmo. Tem eficácia grande para sarar feridas e mordeduras de animais peçonhentos. Os próprios [brutos?] levados pelo instinto natural, quando estão feridos correm a esta árvore e mordendo-lhe a casca [ilegível] remédio ao seu mal. Em diversas partes do Brasil nascem estas árvores, como no Rio de Janeiro, São Vicente, e Pernambuco, porém nem em tão grande cópia nem de tão fino bálsamo, como nesta capitania.</p>
<p><a href="https://2.bp.blogspot.com/-M0HfANNLoJI/WC4c6xqV-2I/AAAAAAAAK7Y/7rE3uE_g4e4QpTLGSzJePo_k4FGV95qJgCLcB/s1600/A37copaiba.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" border="0" height="320" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/11/A37copaiba.jpg" class="wp-image-5285" width="254" /></a>Ao outro gênero chamam os naturais copaíba. É também [de] grandes árvores, também cinzentas, porém são maiores as folhas. Ferido o tronco até a medula, especialmente em conjunção de Lua cheia, recebem-se de licor grandes [ilegível] chamam-lhe &#8211; como à árvore &#8211; copaíba: e quando [palavras perdidas] o buraco por outro, ou mais dias; quando depois se [palavras perdidas], sai com a mesma liberalidade. O cheiro [palavras perdidas] é tão precioso, mas é igualmente medicinal que [palavras perdidas].</p>
<p>
_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<div id="BDVA_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/brasil-descricao-de-varios-arvoredos/#BDVA_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Tupiniquins.</div>
<div id="BDVA_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/brasil-descricao-de-varios-arvoredos/#BDVA_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Cabreúva ou cabriúva.</div>
<p>
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2001 </span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação <b>sem prévia autorização</b> dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;<br />
</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Simão de Vasconcelos</b> nasceu em 1597, em Portugal, e veio para o Brasil em 1615, tornando-se jesuíta. Padre e professor de Humanidades, Teologia Escolástica e Moral, em 1643 assumiu a vicereitoria do Colégio da Bahia, cargo em que permaneceu por dois anos. Em 1646 toma posse como reitor do Colégio do Rio de Janeiro, reassumindo a mesma reitoria em 1670. Entre suas obras está a <span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"> </span><i>Vida do Venerável Padre José de Anchieta</i>;&nbsp;<i>Vida do Pe. João de Almeida da Companhia de Jesus, na província do Brasil</i> (1658);&nbsp;<i>Crônica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil e do que obraram seus filhos nesta parte do novo mundo</i> (1663);&nbsp;<i>Sermão que pregou na Bahia em o primeiro de janeiro de 1659</i> (1663);&nbsp;<i>Notícias curiosas e necessárias das coisas do Brasil</i> (1668).</p></blockquote>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves</b>, coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Memória estatística da província do Espírito Santo escrita no ano de 1828</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Nov 2016 18:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Fernando Achiamé]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Inácio Acióli de Vasconcelos]]></category>
		<category><![CDATA[Memória estatística]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória, 1860. Foto de Jean Victor Frond. Autor: Inácio Acióli de Vasconcelos Edição de Texto, Estudo e Notas: Fernando Achiamé Les meprises d&#8217;un impartial excitent une discussion d&#8217;où sortira la lumière de la vérité PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO 1. Limites A província do Espírito Santo, compreendida entre os rios Itabapoana e São Mateus nas latitudes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: right;">
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<p></p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-Ks7KUsPuDJo/WCYSm5oujKI/AAAAAAAAKkQ/JO97m0rY54Y0Y2vwOFAyamMFqAy-GNgEgCLcB/s1600/Viagem%2B%25C3%25A0%2BProv%25C3%25ADncia%2Bdo%2BEsp%25C3%25ADrito%2BSanto%2B%25E2%2580%2593%2Bimigra%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Be%2Bcoloniza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bsu%25C3%25AD%25C3%25A7a%2B1860%252C%2BVit%25C3%25B3ria%252C%2BFoto%2Bde%2BJean%2BVictor%2BFrond..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Vitória, 1860. Foto de Jean Victor Frond." border="0" height="420" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/11/memoria-estatistica-da-provincia-do-1734396593.jpg" class="wp-image-5287" title="Vitória, 1860. Foto de Jean Victor Frond." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Vitória, 1860. Foto de Jean Victor Frond.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: center;">
</div>
<p>
Autor: Inácio Acióli de Vasconcelos</div>
<div style="text-align: right;">
Edição de Texto, Estudo e Notas: Fernando Achiamé</div>
<div style="text-align: right;">
Les meprises d&#8217;un impartial excitent une</div>
<div style="text-align: right;">
discussion d&#8217;où sortira la lumière de la vérité</div>
<p>PROVÍNCIA DO ESPÍRITO SANTO</p>
<p>
<b>1. Limites</b></p>
<p>A província do Espírito Santo, compreendida entre os rios Itabapoana e São Mateus nas latitudes austrais 21° 23&#8242; e 18° 45&#8242;, contém, com pouca diferença, cinqüenta <span id="MEPE_RP1V">léguas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP1" title="Antiga unidade brasileira de medida itinerária, equivalente a 3.000 braças, ou seja, 6.600m."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> de costa de mar, que a limita pelo leste; é separada da província de Minas Gerais por uma linha de norte a sul entre os rios Guandu e Manhuaçu, uns dos que engrandecem o rio Doce. A primeira divisão e demarcação da província principiou na ponta austral do rio Mucuri até Santa Catarina das Mós, meia légua ao sul do rio Itabapoana, compreensão da carta de doação do Senhor D. João III a Vasco Fernandes Coutinho em 1525 pelos seus serviços feitos na Índia. Foi possuída pelos seus descendentes até que o Senhor D. João V a comprou a Cosme de Moura Rolim por escritura de 6 de abril de 1718, a quem pertenceu por sentença da <span id="MEPE_RP2V">Relação</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP2" title="Antiga denominação comum aos tribunais de justiça de segunda instância."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> da Bahia pelo falecimento do donatário Manuel Garcia Pimentel.</p>
<p>Por auto, celebrado em 8 de outubro de 1800, de acordo entre os governadores de Minas e desta província se regulou os limites dela pelo rio Doce e pela dita linha de norte a sul que passa pelo sertão entre ambas as províncias, o que foi aprovado por carta régia de 4 de dezembro de 1816; ignora-se, porém, a longitude desta dita linha.</p>
<p>Por portaria de 10 de abril de 1823 da Secretaria dos Negócios do Império ficou pertencendo São Mateus a esta província até a decisão da Assembléia, estando desligada [da província da Bahia] pela dita carta régia.</p>
<p><b>2. Atmosfera</b></p>
<p>A sua atmosfera podia passar por saudável se não aparecessem na primavera e outono febres de diferentes <span id="MEPE_RP3V">caracteres</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP3" title="Qualidades."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> , cuja causa se pode atribuir aos muitos lagos, ao alimento salgado, e às matas vizinhas que contornam as povoações, o que em parte se podia corrigir com esgoto daqueles e decote destas. O máximo de calor e frio nos quatro anos mais próximos não tem excedido a 88° e 63° do termômetro de Fahrenheit na cidade da Vitória, capital da província. Os ventos dominantes desde março até setembro são sul, sueste e su-sueste, e desde setembro até março são norte, nordeste e leste com algumas variações para outros quadrantes, sendo os mais prejudiciais em toda a costa [os ventos] sueste, leste e su-sueste chamados <span id="MEPE_RP4V">travessia</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP4" title="Vento que sopra em direção normal à costa, ou em direção normal ao rumo seguido pela embarcação."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> pelos marítimos, sendo os do mar úmidos e frios e os outros pelo contrário. As marés têm o seu máximo e mínimo nos meses de março e agosto, e a sua elevação seis para sete palmos. As geadas e neblinas são raríssimas, e de mui poucas horas, e só aparecem nas vizinhanças das montanhas com os ventos sul e leste nos meses de junho e julho. A seis para sete anos a esta parte rara é a trovoada, tendo sido, aliás, mui freqüentes. As chuvas quase têm faltado nos anos desde 1820 até 1826, o que fez tornar em pastagens o que antes eram terrenos impraticáveis, e secou regatos, aliás, em outros tempos perenes; ignoram-se as causas, sendo certo ser uma delas as contínuas derribadas de matos virgens, deixando os montes escalvados<span id="MEPE_RP5V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP5" title="Faltos de vegetação; áridos, estéreis, calvos, descalvados."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> Os tempos das chuvas eram desde setembro até dezembro, mas em 1827 parece ter passado de outubro para janeiro.</p>
<p><b>3. Aspecto do país</b></p>
<p>É montanhoso, desigual, alto, cortado de rios, o terreno em geral é argiloso e areento sobre pedra <span id="MEPE_RP6V">quartzosa</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP6" title="Relativa ao quartzo, ou que tem a natureza dele."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> e micácea<span id="MEPE_RP7V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP7" title="Que contém mica ou é da natureza dela."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> oca e cascalho; [os solos são] úmidos e leves enquanto novos, mas compactos e secos depois de trabalhados e estragados pelos fogos, do qual método se não afastam. A grossura média da terra vegetal é quatro palmos.<br />
<b><br /></b><br />
<b>4. Serras e montes</b></p>
<p>A costa toda da província é acompanhada por uma cordilheira de montanhas, de que como espinha dorsal fazem de vértebras todas as mais, havendo, contudo, isoladas como a serra do Mestre Álvaro, utilíssima aos navegantes por ter a propriedade de apresentar por todos os lados o mesmo aspecto, o monte Moreno, a Penha e outros muitos. Esta cordilheira se aproxima mais a Guarapari que a outro ponto da costa, e dela distará talvez oito léguas. Não consta que curioso algum investigasse a altura de algum deles, à exceção do da Penha que está acima do nível do mar 100 varas<span id="MEPE_RP8V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP8" title="Antiga unidade de medida de comprimento, equivalente a cinco palmos, ou seja, 1,10m."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> São raras as montanhas descobertas, suposto que todas em geral são riquíssimas de pedras, e talvez bem preciosas, como a serra das Esmeraldas, de que ninguém do <span id="MEPE_RP9V">país</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP9" title="Região, terra, território."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> dá notícia, mas que de fato existem. As que são cobertas e ainda incultas possuem excelentes madeiras de construção.</p>
<p><b>5. Fontes</b></p>
<p>A pouca cultura da província por pessoas de instrução tem, sem dúvida, obstado ao conhecimento das fontes e da natureza de suas águas. De maneira que apenas consta por tradição que em uma fazenda denominada Santana, pouco mais de légua distante da Cidade<span id="MEPE_RP10V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP10" title="Quando o autor escreve a palavra Cidade com inicial maiúscula refere-se a Vitória, única localidade espírito-santense possuidora deste atributo na época em que o texto foi produzido, o que recomenda manter esta grafia."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> há um pequeno regato de águas férreas, tais asseveradas pelo ex-governador, o ilustríssimo Antônio Pires da Silva Pontes, sendo comuns as de que se servem os habitantes. A cidade da Vitória contém três: a da Capixaba, a Fonte Grande e a da Lapa, pequenos regatos que vertem entre morros contíguos, aproveitados por canos que rematam em chafarizes, mas tão pobres em tempo seco que têm chegado os moradores a mandá-las buscar em canoas no rio Marinho, quarto de légua distante da Cidade. Os mais habitantes das vilas e povoações ou se servem dos rios e regatos contíguos ou de fontes denominadas cacimbas. As águas da cidade passam por boas, não obstante principiarem ao terceiro dia de guardadas a alterarem-se, adquirindo um gosto <span id="MEPE_RP11V">aluminoso</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP11" title="Que contém alúmen."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> ou nitroso.</p>
<p><b>6. Rios</b></p>
<p>A província é toda cortada de rios, em geral piscosos em abundância, tendo as suas vertentes pelos sertões de Minas e desaguando ao mar, onde tomam os nomes seguintes principiando da parte do sul.</p>
<p>Itapaboana – vindo da serra do Pico ou dos Guarulhos perto de Muriaé, é na sua barra de três a nove <span id="MEPE_RP12V">palmos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP12" title="Antiga unidade de medida de comprimento, equivalente a oito polegadas , ou seja, 22cm."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> no máximo baixa-mar e preamar; seu fundo e margens areentas e variáveis e de largura na barra de 24 braças<span id="MEPE_RP13V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP13" title="Antiga unidade de medida de comprimento equivalente a dez palmos, ou seja, 2,2m. [ 14 ] Grande pilar ou suporte."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> para cima tem mais largura e fundo, e corre de oeste a leste.</p>
<p>Itapemirim – formado dos rios do Castelo e Muqui, é na sua barra de 4 a 11 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar; seu fundo e margem esquerda de areia e a direita de pedra, de largura na barra de seis a sete braças, tem para cima mais largura e fundo.</p>
<p>Piúma – formado pelo Piúma propriamente e rio Iconha; é na sua barra de natureza do Itabapoana, é célebre pelas ilhas que tem fora da barra, que abrigam com todos os ventos todos os navios de porte; as suas matas contêm excelentes madeiras de construção e sem moradores, e por isso próprias para uma colônia.</p>
<p>Benevente – é na sua barra de 5 a 10 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar; sua margem direita de pedra, a esquerda de areia dura e seu fundo de lama e areia solta, a sua largura dezoito braças; corre de oeste a leste e é formado dos rios Três Barras, Pongal e Quatinga.</p>
<p>Guarapari – é na sua barra de 34 a 40 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar; margem de pedras e fundo de areia, de largura de trinta e cinco braças, corre de nordeste a sudoeste.</p>
<p>Perocão – de 3 a 9 palmos na sua barra no seu máximo baixa-mar e preamar, de largura de quatro braças, fundo e margem de areia, quinhentas braças acima tem uma ponte de madeira sobre <span id="MEPE_RP14V">pegões</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP14" title="Grandes pilares de alvenaria."><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> de pedra e cal.</p>
<p>Jucu – tem a sua barra de 3 a 10 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar, de largura de quatro braças, fundo e margens de pedra, e cinqüenta braças acima tem muito maior largura e fundo; sempre tem tido ponte de madeira, mas atualmente está desconsertada.</p>
<p>Espírito <span id="MEPE_RP15V">Santo</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP15" title="Atual baía de Vitória."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a> – braço de mar, é um <span id="MEPE_RP16V">dardanelo</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP16" title="Estreito."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a> até a cidade da Vitória distante uma légua da sua barra, que tem de fundo 17 a 24 palmos no seu baixa-mar e preamar; recebe as águas do rio Santa Maria que é formado dos rios Mangaraí, Caioaba, Curubixá Mirim e Açu, São Miguel, Tauá e Jaculû, e as águas do Cariacica, e um braço do rio Jucu que é formado dos rios Tanque, Santo Agostinho, Pimentas, Manducongo e Araçatiba.</p>
<p>Rio da Passagem – braço de mar com ponte de pegões de pedra e cal e madeira sobreposta, de largura de vinte braças que com o rio Espírito Santo forma a ilha onde está a capital da província.</p>
<p>Jacaraípe – pequeno rio cuja barra se seca todas as vezes que há falta d&#8217;águas, ou ventos do mar que a entulhem d&#8217;areias, mas navegável para o sertão por espaço de cinco léguas.</p>
<p>Nova Almeida – recebe o rio Sauanha, é de 10 a 16 palmos de fundo na sua barra no máximo baixa-mar e preamar, margem e fundo d&#8217;areia, de largura de 25 braças, corre de sudoeste a nordeste, acima tem mais largura e fundo.</p>
<p>Aldeia Velha – de largura de 90 braças, de 10 a 16 palmos de fundo na sua barra no máximo baixa-mar e preamar, fundo e margem de areia, e corre de oeste a leste, e é formado do Piraquê-açu e Piraquê-mirim, da esquerda e margem direita.</p>
<p>Riacho – formado do pequeno rio Comboios e das lagoas seguidas e continuadas do Campo do Riacho, de Aguiar e de Anadia, tem a sua barra de 3 a 8 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar, margens e fundo de areias e pedras, de largura de quatro braças, corre de oeste a leste.</p>
<p>Rio Doce – de largura de um quarto de légua pouco mais ou menos na sua barra, e de 16 a 20 palmos no seu máximo baixa-mar e preamar, de muita velocidade, de margens de areia e fundo de areia e lama, cheio de baixios e ilhas acima da barra, corre de oeste a leste, recebendo da parte direita as águas dos rios Preto, Anadia, Santa Joana, rio d&#8217;Alva, e da parte esquerda dos rios Juparanã, Juparanã-mirim, Pancas, Santo Antônio, São João e Mutum, ficando todos do Porto de Souza para baixo, [local situado a] vinte léguas da barra e daí para cima recebe as águas de outros rios como Manhuaçu, Guandu no território desta província, o ribeirão do Carmo, etc. da província de Minas.</p>
<p>Barra Seca – pequeno rio que nasce no rio Mariricu, um dos que deságuam em São Mateus, e da mesma natureza do Jacaraípe respeito à barra.</p>
<p>São Mateus – formado do rio Mariricu, que vem da lagoa Juparanã, e dos rios Itaúnas, São Domingos e Santana, sendo o primeiro da parte direita; tem na sua barra 6 a 12 palmos d&#8217;água no máximo baixa-mar e preamar, margens e fundo de areia, e mudável o seu canal de largura de seis braças; a largura do rio é de 25 braças, e corre do oeste a leste.</p>
<p>Cada um destes rios, nos quais nada tem a arte feito em benefício seu, serão talvez formados por muitos outros, cujo número, situação e nomes se ignoram, bem como os seus produtos pouco ou nada explorados até esta época.</p>
<p><b>7. Portos e enseadas</b></p>
<p>Todos os rios acima oferecem portos de desembarque mais ou menos consideráveis em razão do fundo das suas barras, havendo nalgumas delas enseadas, bem como a enseada de Itapemirim cheia de baixios e pedras; de Piúma excelente abrigo para todas as embarcações e com todos os ventos; a de Benevente de pouco fundo; a de Guarapari não abrigada, mas de bom fundo para entrar a barra, excetuando de noite, pelo que se verá no número oito; a de Perocão <span id="MEPE_RP17V">inabrigável</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP17" title="Que não oferece abrigo para embarcações."><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a> pelas pedras ocultas e baixios; a de Nova Almeida de baixios e pouco fundo; a de Aldeia Velha de bom fundo, mas de pedras e baixios; a do rio Doce, de nome Concha, boa para fundear toda a qualidade de barcos, mas com bonança ou nordeste; a de São Mateus de bom fundo, onde se espera para entrar ventos ou enchentes<span id="MEPE_RP18V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP18" title="Fase da maré entre a baixa-mar e a preamar seguinte."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a></p>
<p>Há além destas as seguintes enseadas: a de Itabapoana, três léguas ao norte da barra deste rio, espaçosa, mas de baixios e pedras, podendo fundear quaisquer barcos na distância de duas léguas da praia; a de Ubu, duas léguas ao norte de Benevente, insignificante e de pouco fundo; a de Meaípe duas léguas ao sul de Guarapari, mas de pouco fundo e inabrigável com vento sul; a de Una duas léguas ao norte de Guarapari e a da Ponta da Fruta quatro léguas; a da Costa meia légua ao sul do Espírito Santo; a de Piraém uma légua ao norte do Espírito Santo; a de Carapebus duas léguas; a de Jacaraípe cinco; a de Capuba seis léguas ao norte do Espírito Santo; a de Flecheiras uma légua ao norte de Nova Almeida — são todas insignificantes por cheias de baixios e pedras. Em geral, todas as enseadas acima se não podem demandar sem risco, sem <span id="MEPE_RP19V">prático</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP19" title="Homem que conhece minuciosamente os acidentes hidrográficos de áreas restritas, e que com esses conhecimentos conduz embarcação através dessas áreas.
"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a> delas.</p>
<div style="text-align: center;">
<b><span style="font-size: 80%;">Tábua das Latitudes e Longitudes dos Lugares mais Notáveis da Costa da&nbsp;</span></b></div>
<div style="text-align: center;">
<b><span style="font-size: 80%;">Província do&nbsp;</span></b><b><span style="font-size: 80%;">Espírito Santo referidas ao Meridiano da Capital do Império do Brasil</span></b></div>
<p></p>
<div align="center">
<table border="1" cellpadding="5" cellspacing="0" style="width: 80%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" width="50%"><b><span style="font-size: 80%;">Lugares</span></b></td>
<td align="center" width="25%"><b><span style="font-size: 80%;">Latitude Sul</span></b></td>
<td align="center" width="25%"><b><span style="font-size: 80%;">Longitude a Leste</span></b></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Campos</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 35&#8242; 40&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 26&#8242; 55&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Riacho Guaxindiba</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 35&#8242; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Santa Catarina das Mós</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 24&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Itabapoana</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 23&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra do Siri</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 13&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Itapemirim</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 10&#8242; 30&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 31&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Ilha do Francês</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 07&#8242; 30&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 31&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Piúma</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">21° 00&#8242; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Benevente</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 56&#8243; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 35&#8242; 25&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Guarapari</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 45&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 39&#8242; 25&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Perocão</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 50&#8242; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 39&#8242; 55&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Ponta da Fruta</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 28&#8242; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 43&#8242; 55&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra do Espírito Santo</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 10&#8242; 00&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 42&#8242; 25&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Colégio da Cidade da Vitória</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">20° 17&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 42&#8242; 25&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Ponta do Tagano</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">19° 52&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 44&#8242; 25&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Almeida</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">19° 49&#8242; 30&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 41&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra de Aldeia Velha</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">19° 43&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 42&#8242; 05&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Rio Doce</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">19° 30&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 40&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">Barra Seca</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">19° 09&#8242; 30&#8243;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 40&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" width="50%"><span style="font-size: 80%;">São Mateus</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">18° 45&#8242;</span></td>
<td align="center" width="25%"><span style="font-size: 80%;">2° 40&#8242; 45&#8243;</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p><b><br /></b><br />
<b>8. Ilhas</b></p>
<p>Em Itapemirim há duas ilhas fora da barra, uma denominada dos Ovos fronteira a ela, e outra denominada Escalvada ao norte dela. Três léguas ao norte do rio Itabapoana, meia légua distante da praia, há a ilha das Andorinhas, pequena, mas agricultada pelo destacamento das Barreiras, que está defronte aquartelado. Neste lugar constantemente aparecia gentio e fazia estrago nos passageiros, o que se corrigiu com este destacamento, do qual saem dois soldados armados a encontrar com quem avistam, tanto de uma parte como de outra, e o acompanham até ficar livre de perigo.</p>
<p>Piúma tem duas ilhas defronte da barra, e a ilha do Francês ao sul dela. Esta ilha continha um poço natural e de mui boa água, e foi mandada atulhar em 1827 pelo Comandante de Itapemirim por se terem dela servido os piratas que infestaram a costa este ano. Guarapari tem a Rasa, Escalvada, outra à terra dela de nome Raposa, e duas pedras alagadas que se descobrem com a maré ao nordeste da Escalvada denominadas Feiticeiras, por causa das quais se não pode à noite demandar este porto. Perocão, ao norte, tem três ilhas e muitas pedras descobertas. Jucu tem uma ilha a leste da barra e entre esta e a barra do Espírito Santo existem as seguintes: Tanguetá, Itatiaia, Pitauã, Jorge Fernandes e Pacotes. O Espírito Santo tem as ilhas do Boi e dos Frades e pelo rio acima se encontram várias; a dos Frades é agricultada. Nova Almeida tem quatro ilhas defronte da barra; a que está à terra se denomina Raposa e as outras mais ao mar, Três Irmãos. Todas estas ilhas são <span id="MEPE_RP20V">inabitadas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP20" title="Desabitadas."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> e de pouca consideração pela sua grandeza e produtos, sendo a maior parte de pedras e não produzindo mais que pequenas matas, cardos e musgos.</p>
<p><b>9. Lagos e pântanos</b></p>
<p>Sendo os lugares <span id="MEPE_RP21V">cultos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP21" title="Cultivados, habitados."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a> da província a costa do mar, de que talvez se não tenham apartado os moradores três léguas, e pelas margens do rio acima quando muito em alguns lugares dez léguas, só se conhecem os lagos que nestes sítios estão, e são os seguintes. Lagoa Salgada ao sul de Itabapoana, junto ao mesmo rio. Morobá, duas léguas ao norte de Itabapoana, junto ao mar. Tabua, meia légua ao norte de Morobá. Tiririca, meia légua ao norte de Tabua. Cocolocage, quarto de légua ao norte de Tiririca. Campinho, quarto de légua distante da Cocolocage ao norte. Siri, quarto de légua distante do Campinho ao norte. Lagoa d&#8217;Anta, perto de meia légua do Siri para o norte. Lagoa Funda, quarto de légua distante da antecedente da parte do norte. Piabanha, meia légua ao norte de Itapemirim. Iriri, meia légua ao norte de Piúma. Maimbá, duas léguas ao norte de Benevente. Abaí, meia légua ao norte de Maimbá. Lagoa de Meaípe, quarto de légua ao norte de Abaí. Graçaí, meia légua ao norte de Meaípe. Lagoa do Campo do Riacho, quatro léguas ao norte de Aldeia Velha, e duas distante do mar; esta se comunica com a lagoa de Aguiar, meia légua para o oeste. Juparanã, sete léguas distante do mar e uma do rio Doce da parte do norte é a mais célebre pela sua grandeza, que tem pelo menos uma légua e meia de diâmetro. Juparanã-mirim, distante desta três léguas [para o lado contrário] do mar e contígua ao rio Doce. Lagoa de Aviz, meia légua ao norte do rio Doce, e oito distante da barra. Lagoa dos Patos, na mesma margem e para o mar distante da antecedente um quarto de légua. Juparanã da Praia, contígua ao mar e duas léguas ao norte do rio Doce.</p>
<p>Todos estes lagos abundam de peixe e nunca secam; é bem provável que pelo interior não haja poucos, os quais inda são desconhecidos, sendo todos acima de água comum, à exceção de Juparanã, que se diz conter muito antimônio.</p>
<p>Não há pântanos memoráveis mais que algumas pequenas margens destas lagoas; há porém alguns lugares paludosos em terrenos tão balofos que qualquer corpo, entrando neles de súbito, quase desaparece; tais são as vertentes do rio Mariricu e rio Preto, e a margem do <span id="MEPE_RP22V">meio-dia</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP22" title="O ponto cardeal Sul."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a> da lagoa Juparanã. Em geral, há imensos brejos pelas margens dos rios e lagoas e entre montes, que produzem juncos, tabuas, lírios e tiriricas, em algumas das margens, dos quais se fazem belas plantações de arroz. Nas margens do mar tais brejos estão cheios de mangues de diferentes qualidades.</p>
<p>Com bem pouco trabalho se podiam tornar estes terrenos excelentes para as lavouras e criação, o que se não faz ou por indolência, ou pela abundância de terras.</p>
<p><b>10. Planícies baldios e matas</b></p>
<p>Bem como as montanhas, possui também a província muitas planícies, sendo em geral as margens dos rios tão próprias para a agricultura como para a criação, mas as mais notáveis pela sua extensão são as seguintes. A Muribeca, de nove léguas de costa de mar e seis de largo mais ou menos, pertencente à fazenda do mesmo nome junto ao rio Itabapoana. Campo da vila do Espírito Santo<span id="MEPE_RP23V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP23" title="Atual município de Vila Velha."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a> baldio de duas léguas de extensão em comprimento e uma de largura, de que se servem os moradores vizinhos para a criação. Carapina, distrito da Cidade, tem um baldio de três léguas de extensão e uma de largura, de que se servem os moradores contíguos para criação. Desde o rio Doce até São Mateus há um baldio de vinte léguas, de imenso gado montado<span id="MEPE_RP24V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP24" title="Com muitos animais a esmo?"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a> nenhuma parte dele é empregada em cultura nem criação; o Marquês de Baependi aqui possui uma sesmaria de três léguas que as houve por compra. O Campo do Riacho possui um baldio de duas léguas em quadra, de que se servem os índios tanto para plantações como criação.</p>
<p>À exceção do que está descrito, quase tudo o mais são matas virgens, e riquíssimas em madeiras de toda a qualidade e de outros mil produtos incógnitos até esta época, e só habitadas por feras e selvagens. [Como] muitos anos de esforço por hábeis naturalistas não seriam suficientes para a completa descrição dos produtos vegetais, referirei das madeiras indígenas as mais triviais, e geralmente conhecidas no país. Madeiras de construção da ribeira: sucupira, maraçanatiba, grapiapunha, jataí-peba, caubi, pequi, guaiti, sapucaia-mirim, guanandi-carvalho, sobro, peroba, amarelo, tapinhoã, canela, araribá, angelim, cerejeira, sapucaia-açu e camará. Madeiras de construção de edifícios civis: inhuíba de rego, <span id="MEPE_RP25V">dito</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP25" title="Mencionado, referido."><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a> pimenta, dito cheirosa, dito funcho, dito canela, dito tapinhoã, cedro, guaticica, guarabu-roxo, dito mirim, imbiriba, ubatinga, caingá, bicuíba, paraju, maçaranduba, arariba, caixeta, jequitibá, ouri, taicica-roxa, ubapeba, pequiá de duas qualidades, ipê, paratudo, ingá, óleo, cubixá, aderno, faia, guaraná, pimentinha, brasil, tatagiba, vinhático, roxinho, jacarandás de diferentes qualidades, jiriquitim, louro, guarabu-açu semelhante ao sebastião-arruda, [mas que] em lugar de vermelho tem as ondas sobre-escuras.<br />
<b><br /></b><br />
<b>11. Sesmarias</b></p>
<p>O governo, por carta régia de 17 de janeiro de 1814, é autorizado para conceder <span id="MEPE_RP26V">sesmarias</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP26" title="Lote de terra inculto ou abandonado, que os reis de Portugal cediam a sesmeiros que se dispusessem a cultivá-lo."><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a> e, com efeito, as tem concedido [em número de] cento e setenta e quatro, sendo cada uma de meia légua <span id="MEPE_RP27V">quadrada</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP27" title="Légua de sesmaria – antiga unidade de medida de superfície agrária, equivalente a um quadrado de 3.000 braças de lado, ou seja, 4.356ha."><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a> (excetuando algumas) das quais a maior parte não está nem cultivada, nem confirmada<span id="MEPE_RP28V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP28" title="Os sesmeiros só recebiam do governo a confirmação de suas terras após ocupá-las e cultivá-las."><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a> pertencendo todas a súditos brasileiros.</p>
<p>No rio Doce e margens de Juparanã estão concedidas oitenta e duas, das quais apenas são cultivadas duas, e nenhuma confirmada. Em Monsarás há duas não confirmadas. Em Aldeia Velha, compreendendo a povoação do Riacho e Nova Almeida, há uma toda cultivada de doze léguas [de comprimento] e seis de fundo pelo sertão, concedida a 6 de novembro de 1610 pelo donatário Manuel Garcia Pimentel aos índios destas aldeias, confirmada pelo alvará de 2 de janeiro de 1759; há dentro desta uma de meia légua concedida pelo governo em razão de não estar por eles cultivada, a qual inda não está nem cultivada, nem confirmada. Na freguesia da Serra há sete cultivadas, mas uma só confirmada. No termo da Cidade há quatorze cultivadas, mas só quatro confirmadas.</p>
<p>Na povoação de Viana, à esquerda do rio Santo Agostinho, há cinqüenta [sesmarias] de 112 braças de testada e 500 de fundo cada uma concedida pelo governo em 1812 aos colonos vindos das ilhas dos Açores por ordem da polícia de 17 de novembro daquele ano, as quais são cultivadas e confirmadas; há mais seis não confirmadas, porém cultivadas, pertencentes aos descendentes dos mesmos.</p>
<p>Em Guarapari há uma só cultivada, mas não confirmada. Em <span id="MEPE_RP29V">Benevente</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP29" title="Atual município de Anchieta."><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a> há dez cultivadas, e destas só duas confirmadas. Em Itapemirim há seis cultivadas, e destas só três confirmadas. Na Estrada de Minas há uma só, de quarto de légua, cultivada e não confirmada.</p>
<p>O cumprimento exato das leis relativas a sesmarias talvez pusesse a maior parte delas em mãos de quem as trabalhasse e cultivasse.</p>
<p>Há na província porções de território denominados indivisos<span id="MEPE_RP30V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP30" title="Não dividido; que pertence cumulativamente a vários indivíduos."><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a> isto é, terrenos em que muitos têm posse sem saberem o quantum nem o ubi<span id="MEPE_RP31V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP31" title="Sem saberem o tamanho e a localização exata."><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a> mas as porções lavradas deles lhes pertencem particularmente, e só as perdem passando 10 anos sem as cultivar. Desta sorte cada um dos possuidores procura lavrar muitas terras para lhes chamar suas, e com elas crescendo a ambição, e não podendo cultivar tantas, se tornam capoeiras; outro as roça com o mesmo intento — eis a origem das demandas em que se despedaçam, puxando cada um todas as pontas, que lhe <span id="MEPE_RP32V">subministra</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP32" title="Fornece, ministra."><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a> a sua ambição e a <span id="MEPE_RP33V">chicana</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP33" title="Sutileza capciosa, em questões judiciais."><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a> ordinária. O meio de evitar tais pleitos era demarcar e dividir o indiviso na proporção do que cada um tem nele. Esta divisão não pode ser feita por juízes leigos, e só o poderia ser sendo geômetra, e por isso seria bom haver para este fim um juízo privativo, para que tais divisões se fizessem de modo que cada um tivesse igual parte nas vantagens, inconvenientes e desigualdade das terras, e no bem ou mal que produzem, sendo preciso que em terras variáveis e sujeitas a inundações as porções desiguais em quantidade difiram em qualidade: uma braça de terra, por exemplo, que produz 100 por 1 equivale a duas que produzam 50 por 1. Por tal juízo se devem fazer as medições, e não se confiar em simples <span id="MEPE_RP34V">pilotos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP34" title="Agrimensores, medidores de terras."><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a> e infiéis bússolas e cordas<span id="MEPE_RP35V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP35" title="Antiga unidade de medida de comprimento equivalente a 15 palmos, ou seja, 3,3m. Por extensão, instrumento de medição que tinha esta medida ou múltiplos dela."><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a> Seria também muito bom que ninguém chamasse sua certa porção de terras sem ter a planta delas, registrada no mesmo juízo onde se notariam as vendas e compras; e da reunião destas cópias se formaria exata e insensivelmente a topografia do país. Para se fazer alguma idéia basta dizer que o indiviso que pertence a vários, <span id="MEPE_RP36V">fuão</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP36" title="Forma sincopada de fulano."><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a> tem 1$000 <span id="MEPE_RP37V">réis</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP37" title="O sistema monetário da época pode ser assim exemplificado: 1 real, 10 réis, 100 réis (ou um tostão), 1$000 (mil-réis), 100$000 (cem mil réis), 1:000$000 (um conto de réis)."><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a> e fuão tem 16$000 réis, e outro tem igual, maior ou menor parte, e com igual direito; ignora-se se em outras províncias do Império acontece o mesmo. Os indivisos mais notáveis são os seguintes: Campo Grande de 4 léguas quadradas com pouca diferença, Carapina e Laranjeiras 3 quadradas, Costa da Praia 2 léguas quadradas, Curipé e Mulundu duas quadradas, e quase todo o terreno da ilha da Vitória que contém ¾ de légua quadrada.</p>
<p>Além das terras ditas há as fazendas do Conde de Vila Nova de São José junto ao rio de Guarapari de 4 léguas de costa de mar; a Muribeca de 9 léguas de costa de mar e 8 de fundo; a fazenda dos Falcões denominada Araçatiba, de 2 léguas quadradas à margem do Jucu e a fazenda Jacaruaba de 2 e ½ léguas de comprimento e 2 de largura, que foram dos extintos jesuítas, e provavelmente concedidas pelos donatários, como sempre o fizeram, dando, aforando e vendendo como lhes convinha qualquer parte do território e marinhas.</p>
<p>As câmaras se arrogaram o direito de conceder foros sem princípio ou motivo, mas este procedimento foi mandado obstar pelo governo.<br />
<b><br /></b><br />
<b>12. Agricultura</b></p>
<p>É a agricultura em que se emprega a mor parte dos habitantes da província, onde com preferência se cultiva a cana-de-açúcar, mandioca, algodão, milho, café, feijão e arroz; o único meio de preparar as terras para este fim é roçar, derribar, queimar, depois de secas suficientemente, e plantar.</p>
<p>Preferem-se as terras baixas e alagadiças para arroz, e matos virgens para mandioca, porque nestes são mais volumosas as raízes e se conservam mais tempo incorruptíveis quando a falta de tempo não lhes permite colher no próprio, além de que em matos virgens se faz até três plantações sem incômodo das formigas, que em terra velha não deixa vicejar a planta; quanto para as mais plantações todo o terreno é bom, com pouca diferença.</p>
<p>O valor das terras é mui variável e dependente do seu estado, da sua posição e do seu benefício, podendo-se computar em 500$000 réis uma sesmaria de meia légua quadrada. As primeiras plantações se fazem de março até abril, e as segundas de setembro até outubro, não esquecendo a lua nova que muitos querem que influa nelas. A sua colheita se faz sem a menor arte.</p>
<p>Os transportes se fazem em carros com bois, em cargas com animais cavalares e a maior parte se transporta em canoas símplices<span id="MEPE_RP38V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP38" title="Simples."><sup><b>[ 38 ]</b></sup></a></p>
<p>Os instrumentos de que se servem para as plantações são enxadas, foices, facões e machados.</p>
<p>Os agrícolas pouco ou nada se empregam em plantas alimentárias; sem embargo fazem alguns mais curiosos suas plantações de abóboras, alfaces, batatas, couves, ervilhas, favas, mostardas, inhames, repolhos, pepinos, melões, melancias, ananases, mandubis<span id="MEPE_RP39V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP39" title="Amendoins."><sup><b>[ 39 ]</b></sup></a> gergelins, bananeiras de árvores frutíferas, laranjeiras, limeiras, limoeiros, cidreiras e figueiras, mangueiras, jaqueiras, romeiras, tamarindos, coqueiros de diferentes qualidades, sendo espontâneas as goiabeiras e cajueiros, agriões, beldroegas, bredos, serralhas e erva-moura.</p>
<p>Acham-se também muitas plantas medicinais como artemísia, alecrim, arruda, malvas, avenca, babosa, alfazema, mechoacão ou batata-de-purga, boas-noites, salsaparrilha, cardo-santo, cocleária, mastruço, chicória, dormideira, endro, saião, feto-macho, grama, erva-de-bicho ou cataia, erva-capitão, lírio-de-florença, quina, labaça-aguda, língua-de-vaca, orjevão, parietária, sabugueiro, salsa-da-praia, tanchagem, trevo-azedo, balsameira, almecegueira, fedegoso, pau-de-óleo, pariparoba ou capeba, poaia, joanésia, copaibeira, bicuíba, pinhão-purgante, jandiroba-oleoso, fumo-bravo ou saçoaiá ou erva-colégio, mentrasto, maririçó, cordão-de-frade, bucha-dos-paulistas; especiarias como a alfavaca, alhos, manjeronas, baunilha, salsa, cebolas, coentro, erva-doce, gengibre, hortelã, pimentas de todas as qualidades, pau-cravo, cuja casca tem o próprio aroma de cravo-da-índia.</p>
<p>Também se acham em algumas hortas as flores boninas, bem-me-queres, malmequeres, saudades, cravos, cravelins, cravos-de-defunto, esporas, jasmins, girassol, melindres, perpétuas, rosas cheirosas e da índia, suspiros, angélica, sensitivas, açucenas e alecrim.</p>
<p>Também se acham tinturarias como açafrão e casca de arariba que produzem escarlate com pedra-ume; urucum e a casca de aroeira, que produzem vermelho; tatagiba que produz amarelo; guaraúna, cujo cozimento é preto; pacoba que produz roxo; pau-brasil e casca do ingá que produzem vermelho; casca de sapucaia-mirim que faz roxo, e com lama faz preto; fruta do pau-ferro que é talvez a verdadeira noz-de-galha; o anil, que já aqui se fabricou muito e se desusou este ramo de comércio porque houve anos em que as folhas foram todas estragadas por nova espécie de insetos, que talvez agora não apareçam; um arbusto no Porto de Souza cuja maceração das folhas produz lindíssimo roxo, não se lhe sabe o nome e nem se descreve por falta de tempo, e não se achar com prontidão que se deseja.</p>
<p>Também se encontram plantas venenosas como o tingui, tipi, oficial-de-sala, esponja, aqui chamada <span id="MEPE_RP40V">coronha-triste</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP40" title="Existe dicionarizada a palavra coroa-crísti."><sup><b>[ 40 ]</b></sup></a> e outras muitas.</p>
<p>As de fiação são as seguintes: algodão, tucum, gravatá e piteira. O tempo de florescência é em setembro e da maturação, abril e maio. Viveiros de plantas unicamente se faz para café, que desta província não é o melhor, e de fumo, que também se cultiva no país, sendo tão pouco que é gênero que inda se importa. São nocivas às plantações a paca, o caititu, a cotia, os porcos-do-mato, os guaxinins, a maitaca, a nandaia, o papa-juá, que comem as espigas de milho e algodão antes de sazonado<span id="MEPE_RP41V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP41" title="Pronto para se colher (fruto); maduro, amadurecido."><sup><b>[ 41 ]</b></sup></a> o grumará e a rola que arrancam o grão do milho e do arroz quando começa a nascer, o papa-arroz que o come desde que começa a granizar<span id="MEPE_RP42V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP42" title="Dar forma de grãos a."><sup><b>[ 42 ]</b></sup></a> as lagartas de diferentes cores, a formiga, que é imensa, o grilo, o tortulho, que debaixo da terra se transforma em inseto e come a raiz das plantas, o gorgulho, de nome provisório, de figura de um percevejo preto que se cria no feijão e o arrasa, e finalmente a broca que fura todo o pau. Ora, estes inimigos, o sistema de queimar as terras depois de escalvadas, a nenhuma arte de adubá-las faz que seja módico o rendimento da lavoura que já seria nulo se não houvesse ainda muitas matas a derribar e queimar, isto é, para estragá-las.</p>
<p>Não há estabelecimento algum de agricultura e coudelaria<span id="MEPE_RP43V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP43" title="Haras – campo ou fazenda de criação de cavalos de corrida; caudelaria."><sup><b>[ 43 ]</b></sup></a></p>
<p>O milho produz 50 por um <span id="MEPE_RP44V">alqueire</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP44" title="Antiga unidade de medida de capacidade para secos, equivalente a quatro quartas, ou seja, 36,27 litros."><sup><b>[ 44 ]</b></sup></a> e custa em termo médio 440. O arroz 100 por um alqueire que custa a 320. O feijão 40 por um alqueire que custa 1$200, e o algodão 25 por uma <span id="MEPE_RP45V">arroba</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP45" title="Antiga unidade de medida de peso, equivalente a 32 arráteis, ou seja, 14,7kg, aproximadamente."><sup><b>[ 45 ]</b></sup></a> que custa 960 réis. O arroz se planta com palmo e meio de intervalo, o feijão com três palmos, o milho com cinco e o algodão com seis; donde se vê que há desvantagem em plantar algodão, mas é compensada porque quando se planta o milho ou feijão, se planta o algodão, e este fica quando algum daqueles se colhe. A braça quadrada dá nove covas de mandioca; dezesseis covas dão um alqueire. Um carro de cana caiana plantada dá vinte e cinco carros; cada carro de cana dá duas arrobas de açúcar. Um carro de milho descascado dá vinte alqueires. O feijão, arroz e milho dão de três meses; o algodão e mandioca de ano, e a cana de ano e meio.</p>
<p>Tal ou qual particular tem em sua casa dois ou três cortiços<span id="MEPE_RP46V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP46" title="Caixas cilíndricas, de cortiça, nas quais as abelhas se criam e fabricam o mel e a cera; colméias.
"><sup><b>[ 46 ]</b></sup></a> talvez só por ter. Pela Tabela da Exportação ao fim se vê que os gêneros produzidos excedem às necessidades do país.<br />
<b><br /></b><br />
<b>13. Animais</b></p>
<p>Uma parte dos lavradores se emprega também na criação do gado de diferentes espécies, de maneira que há na província, com pouca diferença, oito mil cabeças de gado vacum, dos quais se mata semanalmente nos açougues 10. Nenhuns são empregados na lavoura, mas do gênero masculino, que serão três mil e quinhentos, se empregaram mil e quinhentos em fábricas de açúcar e algumas conduções em carros. O seu alimento ordinário é o capim, que nasce naturalmente nos baldios ou em prados artificiais, nos quais se têm sem separação alguma, nem de sexo, nem de idade. O preço médio de um boi é 14$000 réis e o seu peso oito arrobas; o preço de uma vaca é 12$000 e seu peso seis arrobas. As suas moléstias são a bicheira, procedente de qualquer arranhadura, onde as moscas depositam os seus ovos, donde saem as <span id="MEPE_RP47V">varejas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP47" title="Designação vulgar dos ovos da mosca-varejeira, antes de atingirem a fase de larva."><sup><b>[ 47 ]</b></sup></a> que, estimulando e correndo as carnes, chegam a aumentar a chaga, emagrecer e matar o animal — a sua cura ordinária é o mercúrio doce que as mata; a papeira, que é uma inflamação na mandíbula inferior que cresce e faz emagrecer o gado até morrer — a sua cura é queimar com ferro em brasa e curar a chaga resultante com algum dessecante, ou folha, ou casca adstringente como a de aroeira ou outra qualquer; o carbúnculo, que faz inchar o gado e morrer ficando com as unhas abertas — ignora-se remédio para este mal; a falta de pastos faz também que o gado sôfrego não escolha pasto e assim come com ele ervas venenosas que o matam. O gado cavalar em ambos os sexos monta a 1.060, sendo do gênero feminino 430, e o preço médio destes é a 20$000 réis e daqueles 32$000; as suas espécies são guinilhas<span id="MEPE_RP48V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP48" title="Cavalos de andadura pesada, ou que andam pouco."><sup><b>[ 48 ]</b></sup></a> mestiços e sendeiros<span id="MEPE_RP49V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP49" title="Diz-se de, ou os cavalos de carga, robustos, mas de corpulência escassa."><sup><b>[ 49 ]</b></sup></a> o seu sustento é igual ao do gado vacum, nenhum é empregado em fábricas, tais e quais se empregam em cargas, e tal ou qual é ferrado e de estrebaria.</p>
<p>O gado muar em ambos os sexos não excede a 100, o seu preço médio 32$000 réis, metade se emprega em fábricas e metade em transportes. O gado caprino há 200 de ambas as espécies, nenhum se mata nos açougues e o seu preço é 1$280 [réis]. Gado ovelhum há dois mil, nenhum vai ao açougue e o seu preço é 1$000 réis. Porcos há 800, é raro o que vem ao açougue, seu preço 8$000 réis e a <span id="MEPE_RP50V">libra</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP50" title="Unidade de medida de massa, igual a 0,45359237kg, utilizada no sistema inglês de pesos e medidas."><sup><b>[ 50 ]</b></sup></a> a 60 réis.</p>
<p>As galinhas de ambos os sexos custam a 480 réis e há 4.000 cabeças, e poucas as chamadas da índia. Patos custam a 320 e há 1.000. Perus custam a 880 réis e há 200. Marrecos custam a 320 e há 1.000. Capões custam a 560 e há 100. Frangos custam a 120 e há 6.000. Pombos custam a 120 e há 300.</p>
<p>Há na província muitos animais de caça, sendo os mais triviais macacos de diferentes espécies, raposas, onças, quatis, lontras, ouriços, lebres, coelhos, veados, porcos-do-mato, tamanduás, preguiças, antas, tatus, cotias; araras, papagaios, garças, mergulhões, pombas; tartarugas, cágados, lagartos. Também há muitos [animais] de pesca como são a arraia, peixe-prego, lixa, tubarão, cação, moréia, peixe-rei, peixe-espada, pescadas, galos, gudião, sarda, cavala, carapiá, salmonete, cabrinha, cornuda, tainhas, sardinhas. Insetos: besouros de diferentes qualidades, carochas, baratas, gafanhotos, grilos, louva-a-deus, percevejos, borboletas de todas as qualidades, traças, vespas de diferentes qualidades, abelhas, formigas, moscas, mosquitos, piolhos, pulgas, escorpião, lagostas, camarões. Vermes: minhocas, sanguessugas, lesmas, polvos, estrelas-do-mar e ouriço-do-mar, berbigão, mexilhão, búzios, caracóis, conchas, esponjas. Répteis: sapos, rãs, cobras de diferentes qualidades. Além dos acima mencionados existem muitos cuja zoologia ocuparia muitos anos e, talvez, muitos volumes.</p>
<p><b>14. Minas e pedreiras</b></p>
<p>Ao ex-capitão-mor desta província João de Velásquez Molina em 1693 foi anunciada a existência de ouro nas margens do rio Doce, junto ao córrego do Ouro Preto, e lhe foram apresentadas três oitavas dele que, recebendo a câmara, mandou fazer duas memórias<span id="MEPE_RP51V">:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP51" title="Anéis comemorativos."><sup><b>[ 51 ]</b></sup></a> uma para o capitão-mor e outra para o anunciante Antônio Dias Arzão, natural de Taubaté, homem empreendedor, que se <span id="MEPE_RP52V">recolhia</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP52" title="Que voltava para casa."><sup><b>[ 52 ]</b></sup></a> desse sítio com cinqüenta homens de sua comitiva; nesta ocasião se lhes prestaram o que lhes era necessário para nova entrada dos sertões. Esta foi a primeira descoberta de ouro nesta província.</p>
<p>Pedro Bueno Cacunda descobriu as Minas do Castelo em 1732 às margens do rio Itapemirim, doze léguas da barra, e participando ao capitão-mor desta vila, este lhe mandou ali estabelecer um arraial, nomeando provedor, tesoureiro e escrivão para melhor arrecadação dos direitos, e como trabalhavam sem arte alguma, dificultando-se a extração deste metal, e sendo incomodados do gentio, se foram retirando, de sorte que atualmente nenhum morador tem. É de fato ter recebido a extinta Provedoria em 1738 cento e vinte e uma oitavas. Consta que chegaram a ter cinco povoações, cuja maior parte formaram a vila de Itapemirim.</p>
<p>Em 1614 Marcos de Azeredo Coutinho foi encarregado por Sua Majestade (que então governava Portugal) com promessas de mercês de descobrir as Minas das Esmeraldas de que lhe tinha pessoalmente mostrado as amostras; e em 1644 ordenou Sua Majestade Fidelíssima a Francisco do Souto Maior auxiliasse o descobrimento e <span id="MEPE_RP53V">entabulamento</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP53" title="Início de exploração."><sup><b>[ 53 ]</b></sup></a> das ditas minas, de cuja existência estava informado, podendo levar os dois filhos de Marcos de Azeredo, os padres Inácio de Siqueira e Francisco de Moraes, e os índios que precisassem com licença dos padres; ignora-se porém o resultado de tais comissões, e só se sabe que o dito Marcos faleceu em 1618. São estas as únicas notícias que há de minas na província, sendo certo haver muitos e muitos lugares mais ou menos ricos de ouro, especialmente nas vertentes dos rios que deságuam no Jucu, no Juparanã, nas cabeceiras de Itapemirim, nas vertentes de Santa Maria, rio Castelo, etc. e ouro muito, e muito puro.</p>
<p>Não consta de minas de ferro, pois alguma pedra que contém algum óxido é em tão pequena quantidade, que não faz supor existência deste metal; nem tão pouco consta de outro algum mineral. É muito provável haverem muitos produtos, e talvez abundantes, o que se não tem explorado, sendo muito triviais cristais de rocha, com algumas variedades como ametistas.</p>
<p><b>15. Curiosidades naturais</b></p>
<p>No rio Doce foi achada uma figura petrificada de homem com mãos na cintura por João Felipe de Almeida Calmon, ignora-se a sua perfeição, e o gênero de pedra, e se existe.</p>
<p>Em 1815 foi achado um hipopótamo da grandeza de um cavalo, e com cauda de sete varas no rio da vila nova de Almeida, encalhado com a vazante.</p>
<p>Em muitos lugares da província há grutas, que não têm aqui lugar por nada conterem de notável nem pela sua regularidade e forma, nem pela matéria de que são formadas, servindo até aqui de asilo de alguns escravos fugidos, bem como a conhecida no morro da Lapa denominada de Pai Inácio. Quantos destes objetos terão sido desprezados pela ignorância!</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<div id="MEPE_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade brasileira de medida itinerária, equivalente a 3.000 braças, ou seja, 6.600m.</div>
<div id="MEPE_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga denominação comum aos tribunais de justiça de segunda instância.</div>
<div id="MEPE_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Qualidades.</div>
<div id="MEPE_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Vento que sopra em direção normal à costa, ou em direção normal ao rumo seguido pela embarcação.</div>
<div id="MEPE_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Faltos de vegetação; áridos, estéreis, calvos, descalvados.</div>
<div id="MEPE_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Relativa ao quartzo, ou que tem a natureza dele.</div>
<div id="MEPE_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Que contém mica ou é da natureza dela.</div>
<div id="MEPE_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de comprimento, equivalente a cinco palmos, ou seja, 1,10m.</div>
<div id="MEPE_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Região, terra, território.</div>
<div id="MEPE_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Quando o autor escreve a palavra Cidade com inicial maiúscula refere-se a Vitória, única localidade espírito-santense possuidora deste atributo na época em que o texto foi produzido, o que recomenda manter esta grafia.</div>
<div id="MEPE_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Que contém alúmen.</div>
<div id="MEPE_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de comprimento, equivalente a oito polegadas , ou seja, 22cm.</div>
<div id="MEPE_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de comprimento equivalente a dez palmos, ou seja, 2,2m.</div>
<div id="MEPE_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Grandes pilares de alvenaria.</div>
<div id="MEPE_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual baía de Vitória.</div>
<div id="MEPE_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;Estreito.</div>
<div id="MEPE_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;Que não oferece abrigo para embarcações.</div>
<div id="MEPE_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;Fase da maré entre a baixa-mar e a preamar seguinte.</div>
<div id="MEPE_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;Homem que conhece minuciosamente os acidentes hidrográficos de áreas restritas, e que com esses conhecimentos conduz embarcação através dessas áreas.</div>
<div id="MEPE_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&amp;nbspDesabitadas.</div>
<div id="MEPE_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;Cultivados, habitados.</div>
<div id="MEPE_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp;O ponto cardeal Sul.</div>
<div id="MEPE_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual município de Vila Velha.</div>
<div id="MEPE_RP24">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP24V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 24 ]</b></sup></a>&nbsp;Com muitos animais a esmo?</div>
<div id="MEPE_RP25">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP25V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 25 ]</b></sup></a>&nbsp;Mencionado, referido.</div>
<div id="MEPE_RP26">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP26V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 26 ]</b></sup></a>&nbsp;Lote de terra inculto ou abandonado, que os reis de Portugal cediam a sesmeiros que se dispusessem a cultivá-lo.</div>
<div id="MEPE_RP27">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP27V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 27 ]</b></sup></a>&nbsp;Légua de sesmaria – antiga unidade de medida de superfície agrária, equivalente a um quadrado de 3.000 braças de lado, ou seja, 4.356ha.</div>
<div id="MEPE_RP28">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP28V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 28 ]</b></sup></a>&nbsp;Os sesmeiros só recebiam do governo a confirmação de suas terras após ocupá-las e cultivá-las.</div>
<div id="MEPE_RP29">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP29V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 29 ]</b></sup></a>&nbsp;Atual município de Anchieta.</div>
<div id="MEPE_RP30">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP30V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 30 ]</b></sup></a>&nbsp;Não dividido; que pertence cumulativamente a vários indivíduos.</div>
<div id="MEPE_RP31">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP31V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 31 ]</b></sup></a>&nbsp;Sem saberem o tamanho e a localização exata.</div>
<div id="MEPE_RP32">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP32V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 32 ]</b></sup></a>&nbsp;Fornece, ministra.</div>
<div id="MEPE_RP33">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP33V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 33 ]</b></sup></a>&nbsp;Sutileza capciosa, em questões judiciais.</div>
<div id="MEPE_RP34">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP34V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 34 ]</b></sup></a>&nbsp;Agrimensores, medidores de terras.</div>
<div id="MEPE_RP35">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP35V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 35 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de comprimento equivalente a 15 palmos, ou seja, 3,3m. Por extensão, instrumento de medição que tinha esta medida ou múltiplos dela.</div>
<div id="MEPE_RP36">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP36V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 36 ]</b></sup></a>&nbsp;Forma sincopada de fulano.</div>
<div id="MEPE_RP37">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP37V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 37 ]</b></sup></a>&nbsp;O sistema monetário da época pode ser assim exemplificado: 1 real, 10 réis, 100 réis (ou um tostão), 1$000 (mil-réis), 100$000 (cem mil réis), 1:000$000 (um conto de réis).</div>
<div id="MEPE_RP38">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP38V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 38 ]</b></sup></a>&nbsp;Simples.</div>
<div id="MEPE_RP39">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP39V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 39 ]</b></sup></a>&nbsp;Amendoins.</div>
<div id="MEPE_RP40">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP40V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 40 ]</b></sup></a>&nbsp;Existe dicionarizada a palavra coroa-crísti.</div>
<div id="MEPE_RP41">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP41V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 41 ]</b></sup></a>&nbsp;Pronto para se colher (fruto); maduro, amadurecido.</div>
<div id="MEPE_RP42">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP42V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 42 ]</b></sup></a>&nbsp;Dar forma de grãos a.</div>
<div id="MEPE_RP43">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP43V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 43 ]</b></sup></a>&nbsp;Haras – campo ou fazenda de criação de cavalos de corrida; caudelaria.</div>
<div id="MEPE_RP44">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP44V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 44 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de capacidade para secos, equivalente a quatro quartas, ou seja, 36,27 litros.</div>
<div id="MEPE_RP45">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP45V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 45 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga unidade de medida de peso, equivalente a 32 arráteis, ou seja, 14,7kg, aproximadamente.</div>
<div id="MEPE_RP46">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP46V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 46 ]</b></sup></a>&nbsp;Caixas cilíndricas, de cortiça, nas quais as abelhas se criam e fabricam o mel e a cera; colméias.</div>
<div id="MEPE_RP47">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP47V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 47 ]</b></sup></a>&nbsp;Designação vulgar dos ovos da mosca-varejeira, antes de atingirem a fase de larva.</div>
<div id="MEPE_RP48">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP48V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 48 ]</b></sup></a>&nbsp;Cavalos de andadura pesada, ou que andam pouco.</div>
<div id="MEPE_RP49">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP49V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 49 ]</b></sup></a>&nbsp;Diz-se de, ou os cavalos de carga, robustos, mas de corpulência escassa.</div>
<div id="MEPE_RP50">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP50V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 50 ]</b></sup></a>&nbsp;Unidade de medida de massa, igual a 0,45359237kg, utilizada no sistema inglês de pesos e medidas.</div>
<div id="MEPE_RP51">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP51V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 51 ]</b></sup></a>&nbsp;Anéis comemorativos.</div>
<div id="MEPE_RP52">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP52V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 52 ]</b></sup></a>&nbsp;Que voltava para casa.</div>
<div id="MEPE_RP53">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEPE_RP53V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 53 ]</b></sup></a>&nbsp;Início de exploração.</div>
<p>[Reprodução autorizada por Fernando Achiamé.]</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 1978&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação<b>&nbsp;sem prévia&nbsp;autorização&nbsp;</b>dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Inácio Acióli de Vasconcelos </b>foi o primeiro presidente da província do Espírito Santo e governou de 1824 a 1829, período em que a província atravessava grande dificuldade econômica e decadência geral das instituições. A partir de 1858, como primeiro tenente, foi comandante do navio de guerra&nbsp;<i>Ibicuí</i>, da Marinha do Brasil.</p></blockquote>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Fernando Achiamé&nbsp;</b>nasceu em Colatina, ES, em 22/02/1950 e fixou-se em Vitória a partir de 1955. Formado em história pela Universidade Federal do Espírito Santo e em língua e literatura francesas pela Universidade de Nancy II (Pela Aliança Francesa do Brasil). Especialista em arquivos pela Ufes. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/noticia-bio-bibliografica-de-fernando/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/">Memória estatística da província do Espírito Santo escrita no ano de 1828</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<title>Memória estatística da província do Espírito Santo no ano de 1817</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 21:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Francisco Alberto Rubim]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Confina esta capitania pelo Norte com a Bahia, ao S. com o distrito de Campos de Goitacases, a Oeste com a capitania de Minas Gerais, a Leste com o oceano. Está situada na latitude Sul de 20°, 10&#8242;, longitude 337°, 48&#8242;. Segundo a primeira divisão de capitanias neste continente, principiava na ponta do Sul da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Confina esta capitania pelo Norte com a Bahia, ao S. com o distrito de Campos de Goitacases, a Oeste com a capitania de Minas Gerais, a Leste com o oceano. Está situada na latitude Sul de 20°, 10&#8242;, longitude 337°, 48&#8242;.</p>
<p>Segundo a primeira divisão de capitanias neste continente, principiava na ponta do Sul da barra do rio Mucuri, e com 50 léguas de costa de mar para o Sul, findava em Santa Catarina das Mós. Hoje a jurisdição de seu governo abrange 6 vilas e 6 povoações mais notáveis principiando pelo Norte no distrito do rio Doce que fica ao Sul das vilas de Mucuri e São Mateus terreno compreendido na sua demarcação.</p>
<p>Sua principal vila é a da Vitória; cabeça da comarca, tem seu assento em uma ilha montuosa quase duas léguas da barra; dentro forma uma baía estreita, mas capaz de navios grandes; na entrada há 8, 7, 6 braças; mais dentro 5; e acima da vila, junto à ilha do Príncipe, onde está a casa da pólvora, 30 e 40 braças. Seus ares são benignos; o terreno fértil produz todos os gêneros próprios do reino e da Europa, além de outros o trigo, e o trigo mourisco é de excelente qualidade, provado por repetidas experiências de 1813 em diante; 10 rios principais banham seu terreno; os campos alegres; as matas, ricas de toda a qualidade de madeiras de lei; nelas se encontram as delícias dos bálsamos, copaíbas, almocegas, e sassafrases que perpetuamente recendem. O ouro das minas de Santa Maria, vulgarmente chamadas do Castelo, é de superior quilate; há vestígios em diferentes lugares de minas de ferro; e na serra denominada do Mestre Álvaro, termo da vila da Vitória, minas de salitre e enxofre, assim como vulgarmente se diz que nas cachoeiras do rio Jeuí<span id="MEDP_RP1V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP1" title="No original Jeuhy."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> para o sertão se encontram pedras preciosas.</p>
<p>Por carta de doação e sucessão do sr. dom João III, rei de Portugal, foi dado o senhorio desta capitania a Vasco Fernandes Coutinho pelos bons serviços que havia feito na Índia, com obrigação de a povoar e aproveitar seu terreno em lavouras e fábricas.</p>
<p>Passou de Portugal, abordou a esta no domingo do Espírito Santo do ano de 1525, e por motivo do dia assim a denominou. Ancorou na primeira enseada, meia légua acima da barra e o gentio da nação Aimoré, armado de arco e frecha se ajuntou em grande número para defender o desembarque na praia; porém o fogo de duas peças de artilharia que guarneciam as lanchas os fez retirar para o interior. Esta nação descendo da cordilheira de montes, que começando na capitania dos Ilhéus com o nome de serra dos Aimorés, e atravessando as de Porto Seguro, e desta vão por perto de 150 léguas acabar na enseada do Rio de Janeiro, onde lhes chamam serra dos Órgãos, a conquistaram a seus primeiros possuidores os gentios Tupinanquins e Tupinais, e as ficaram possuindo até ao tempo da nossa conquista.</p>
<p>Feito o desembarque, se fortificou e fundou a vila do Espírito Santo, não consta em que ano, nem do tempo que nela fez sua residência, nem da fundação do convento dos religiosos Beneditinos, santa casa da misericórdia o alfândega. Hoje destes edifícios apenas se vêm os alicerces. Consta, por tradição, que Vasco Fernandes Coutinho vendo-se de contínuo inquietado pelo gentio, ajuntara suas forças, expulsara-o da maior ilha que havia na baía, uma légua acima da vila, e nela se estabelecera e fundara a vila denominada da Vitória, tendo neste lugar alcançado a maior vitória o por isso como em troféu assim a denominou. Não consta o ano destes acontecimentos, porém sim, que no ano de 1551 o padre Afonso Brás, da companhia de Jesus, um dos quatro mandados por dom João III para a Bahia em 1550, deu princípio a fundar o colégio na vila da Vitória, no qual foi sepultado o venerável padre José de Anchieta em 9 de Julho de 1597, e hoje serve de casa da residência do governador, o que prova já neste ano estar fundada a vila.</p>
<p>O convento de Nossa Senhora da Penha, assentado no morro vizinho da vila do Espírito Santo, teve princípio em 1558, vindo a esta, frei Pedro Palácios<span id="MEDP_RP2V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP2" title="No original, Paulo."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> religioso leigo da província da Arrábida de Portugal, nacional de Medina do Rio Seco, cidade do reino de Leão na Espanha. Este edificou uma capelinha no cume do morro, colocando nela a imagem da Senhora, que consigo trouxera, criou uma confraria, faleceu em 1570, e foi sepultado debaixo do alpendre. Consta que estando os moradores desta em grande aperto pelo cerco em que os tinha o gentio, e de quem recebiam grandes hostilidades e temiam maiores ruínas, Vasco Fernandes Coutinho pedira auxílio a Mem de Sá, governador e capitão-general do estado, e este lho enviou por seu filho Fernando de Sá que, vencendo os bárbaros e assegurando estes moradores, perdeu a vida.</p>
<p>Contudo, a muita perda de gente que lhe havia causado as guerras com o gentio fez retirar a Vasco Fernandes Coutinho para Portugal no ano de 1559, ficando esta capitania quase despovoada; porém não consta se voltou e só sim que seu filho Vasco Fernandes Coutinho já estava de posse desta em 1565, pois neste ano deu auxílio de gente o mantimento a Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, governador e capitão-general do estado, para expelir os Franceses e os índios Tamoios seus aliados da enseada e ilha de Villegagnon. Desta gloriosa ação se seguiu o fundar-se a cidade de S. Sebastião no Rio de Janeiro. Tornou a dar a quem logo os aproveitasse os terrenos concedidos por seu pai de sesmaria, que se achavam devolutos por causa das surpresas do gentio. Levantaram-se grandes fábricas de açúcar, das quais hoje existem vestígios: floresceu muito o comércio direto com Portugal. Faleceu nesta em 1589 sem sucessão. Sua mulher dona Luísa Grinalda ficou governando com seu adjunto Miguel de Azevedo, capitão de ordenanças. Seu marido havia pedido para Pernambuco ao padre Custódio da província de Santo Antônio de Portugal frei Belchior de Santa Catarina lhe mandasse religiosos para fundarem na vila da Vitória um convento. Chegaram no ano em que havia ele falecido; e sua mulher lhes concedeu terreno para fundarem o convento no lugar em que hoje existe. Em 6 de Dezembro de 1591 dona Luísa Grinalda e as câmaras das vilas do Espírito Santo e Vitória fizeram doação do cume do morro e capelinha de Nossa Senhora da Penha aos religiosos menores Capuchos.</p>
<p>Constando a dona Luísa Grinalda que se havia adjudicado o direito de senhorio si desta capitania a Francisco de Aguiar Coutinho, retirou-se para Portugal em 1593, ficando governando com patente de capitão-mor Miguel de Azevedo. Este ajuntou em 1594 toda a gente possível, e foi atacar os índios Goitacases, que tanto dano faziam com suas surpresas. Deste ataque resultou haver menos estragos de gentio. Não consta a fundação da igreja da Santa Casa da Misericórdia, porém do alvará do 1ª de Julho de 1604 de Felipe II rei de Castela, em que lhe concede os mesmos privilégios da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, se vê que sua fundação foi mais antiga. O donatário Francisco de Aguiar Coutinho tornou posse em 15 de Julho de 1620. Em Março de 1625 deu fundo na barra uma armada holandesa de 8 velas. Fizeram seu embarque e se fortificaram em diferentes portos da costa e ilhas. Nos dias 12 e 14 atacaram a vila e foram repelidos, de que resultou retirarem-se vergonhosamente. Não consta o nome do comandante holandês, detalhes destes combates, nem quais foram os Portugueses que mais se distinguiram; e só consta que a câmara por muitos anos no dia 6 de Agosto fazia uma festa em ação de graças pela vitória alcançada aos Holandeses.</p>
<p>Sendo capitão-mor governador João Dias Guedes, talvez por haver falecido Francisco de Aguiar Coutinho, tomou posse em 15 de Julho de 1643. No dia 27 de Outubro de 1640 deu fundo na barra o ministro holandês, João Délihi com uma esquadra de 11 velas: no dia 29 subiu com um navio, uma barcaça, dois batelões<span id="MEDP_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP3" title="Embarcação robusta, de ferro ou de madeira, fundo chato, usada para desembarque ou transbordo de carga.
"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> o sete lanchas guarnecidos com 800 infantes<span id="MEDP_RP4V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP4" title="Soldado da infantaria."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> o atacaram a vila da Vitória em diferentes pontos. O capitão-mor havia disposto suas forças para os repelir, as quais consistiam em 30 armas do fogo, duas peças de artilharia, duas companhias de índios com arcos o frechas, e o resto do povo com chuços o piques. No primeiro desembarque perderam os Holandeses 200 homens; porém conseguiram entrar na vila, e o ataque se tornou geral, e durou por espaço de 4 horas com alternativas; por fim a vitória se declarou pelos Portugueses, e o resto dos Holandeses se recolheu às suas embarcações. Merece ser recomendado à posteridade o valor com que se conduziu Antônio do Couto e Almeida; motivo pelo que foi pelo governador e capitão-general Antônio Teles da Silva nomeado capitão-mor e confirmado por carta de 26 de Julho de 1643.</p>
<p>No dia 30 fizeram os Holandeses seu desembarque na vila do Espirito Santo. No primeiro ataque que lhe deram as ordenanças comandadas por seus capitães Adão Velho o Gaspar Saraiva perderam 26 homens; porém vendo os Portugueses que os inimigos eram em maior numero se retiraram para o interior; o que sabido pelo capitão-mor lhe mandou reforço a que se uniram; no terceiro dia deram sobre os Holandeses que os fizeram embarcar, deixando 32 prisioneiros. No dia 13 de Novembro se fizeram de vela deixando a glória aos Portugueses de os haver batido e destroçado com tão diminutas forças, o que sempre foi brasão da nação.</p>
<p>Na família dos Coutinhos se conservou o senhorio desta capitania até Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho, que obtendo alvará de licença para os poder renunciar, datado de 6 de Julho de 1674 o fez na pessoa de Francisco Gil de Araújo, morador na Bahia. Este teve carta de doação régia, datada de 18 de Março de 1675. Residiu alguns anos nesta, trazendo da Bahia muitos casais, doando-lhes terras para lavrarem e a todos os moradores assistiu com cabedal considerável para fornecerem os seus engenhos e lavouras que avultaram por esta causa muito naquele tempo.</p>
<p>Criou a vila de Guarapari junto à foz do rio do mesmo nome por carta de 1ª de Janeiro de 1679. Seu porto é só capaz para sumacas<span id="MEDP_RP5V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP5" title="Antigo navio à vela."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>O convento da invocação de Nossa Senhora do Carmo dos religiosos carmelitas calçados não consta da sua fundação, porém em 1682 estava fundado, e era vigário do convento frei Agostinho de Jesus.</p>
<p>Francisco Gil de Araújo faleceu na Bahia a 24 de Dezembro de 1685. Seu filho Manoel Garcia Pimentel teve carta de doação por sucessão de 5 de Dezembro de 1687. Não passou a esta, ocupado com as importantíssimas propriedades que lograva na Bahia.</p>
<p>No ano de 1693, sendo capitão-mor João de Velasco Molina, desceu à vila da Vitória da casa da Caria, nome de uma aldeia sobre a margem do Rio Doce, distrito da capitania de Minas Gerais, Antônio Rodrigues Arzão, natural da vila de Taubaté, da capitania de São Paulo, e fez perante o capitão-mor e a câmara denúncia de 3 oitavas, que por ser o 1ª denunciado no Brasil e tirado das minas se fizeram duas medalhas, ficando uma ao capitão-mor, outra ao dito Arzão. Em 1702, por ordem de dom Rodrigo da Costa, governador e capitão-general do estado, se levantou a fortaleza de São Francisco Xavier da barra da baía do Espírito Santo.</p>
<p>Falecendo sem sucessão legítima o donatário Manoel Garcia Pimentel, foi adjudicada por sentença da relação da Bahia a Cosme Rolim de Moura, a quem a comprou o rei dom João V, por escritura feita em Lisboa aos 6 de Abril de 1718; mandando-lhe dar por ela a quantia de 16:000$000 réis, que Francisco Gil de Araújo havia dado a Antônio Luiz Gonçalves da Câmara Coutinho. Esteve a capitania em poder dos donatários 193 anos.</p>
<p>Sendo neste tempo governada pelo capitão-mor João de Velasco Molina, que havia tomado posse em 13 de Setembro de 1716, continuou até que lhe sucedeu, no 1ª de janeiro de 1721, Antônio de Oliveira Madail com patente de capitão-mor e governador subalterno do governo da Bahia. Por provisão do conselho ultramarino datada de 19 de Abril de 1722, ficou esta capitania sujeita à jurisdição do ouvidor do Rio de Janeiro no foro judicial.</p>
<p>Constando ao capitão-mor Madail que Domingos Antunes, natural da cidade do Porto, casado na vila da Vitória, se havia com sua família estabelecido próximo do rio São Mateus, distrito desta capitania, e que seu terreno era fértil; por bando de 3 de Outubro de 1722 concedeu faculdade a todo o morador desta capitania para poder ir povoar aquele lugar com sua família, e persuadido da conveniência que resultaria ao real serviço de se povoar as margem deste rio, mandou, para animar mais a ida dos novos colonos, aprontar embarcações para os conduzir grátis. Na primeira expedição foi Antônio Gomes da Fonseca com 4 pessoas da sua família, Sebastião Lopes com 6; Manoel de Souza com 3; Antônio Mendes de Vasconcelos com 10; e Antônio Borges com 1 escravo. Deu provisão de nomeação de capitão-mor, na conformidade do seu regimento, a Antônio Vaz da Silva; e a câmara da vila da Vitória nomeou juiz da vintena a Antônio da Rocha Cardoso. Consta que em 1743 ainda esta povoação estava sujeita à jurisdição deste governo. Hoje está ao governo da Bahia, pertencendo à comarca de Porto Seguro, sem que nesta conste ordem régia, ou do governador e capitão-general da Bahia para esta separação.</p>
<p>O conde de Sabugosa, vice-rei do estado em 1726, mandou da Bahia para esta o engenheiro Nicolau de Abreu para fazer as precisas fortificações na vila da Vitória, levantando-se a fortaleza de São João na garganta que faz a baía acima da vila do Espírito Santo, e os fortes de Nossa Senhora da Vitória, de Nossa Senhora do Carmo, Santo Inácio e São Diogo; hoje destes só existe a fortaleza de São João.</p>
<p>Foi criada a comarca do Espírito Santo pelo ouvidor Pascoal José de Melo, que tomou posse em 3 de Outubro de 1741, e na demarcação que lhe fez uniu as vilas de São João e São Salvador de Campos de Goitacases.</p>
<p>Foram criadas vilas, pelo alvará de 8 de Maio de 1758, a aldeia dos índios dos Reis Magos com a denominação — Nova Almeida; e pelo alvará de 1º de Janeiro de 1759, a aldeia dos índios de Iriritiba, com a denominação de Benevente, ambas beira-mar, sendo seus portos só capazes de pequenas embarcações.</p>
<p>O marquës do Lavradio, governador e capitão-General da Bahia em 1768, mandou a companhia de linha denominada do Pinto do regimento de Alvim, para que unida à infantaria desta capitania formasse uma companhia de 90 infantes. Em data de 29 de Janeiro de 1788 determinou Dom Rodrigo José de Menezes, governador e capitão-general da Bahia em virtude da carta régia de 22 de Março de 1766 se criasse nesta um regimento de infantaria de milícias, e se lhe agregasse duas companhias de cavalaria. Organizado em 1789, foi nomeado coronel-comandante Inácio João Monjardim, capitão-mor governador desta capitania. Dom Fernando José de Portugal, governador e capitão-general da Bahia, por ordem de 27 de Agosto de 1793 regulou a companhia de infantaria de linha com 114 praças. Por outra de 17 de Agosto de 1798 mandou criar o hospital militar, executada pelo capitão-mor governador Manoel Fernandes da Silveira. A este sucedeu com patente de governador subalterno do governo da Bahia em 29 de Março de 1800, Antônio Pires da Silva Pontes. Foi esta capitania governada por capitães-mores depois da compra que sua majestade fez, 82 anos.</p>
<p>Antônio Pires da Silva Pontes, em observância do aviso de 29 de Agosto de 1798 de dom Rodrigo de Souza Coutinho, ministro e secretário de estado dos negócios da marinha e domínios ultramarinos, que manda observar nesta a carta régia de 12 de Maio de 1798, dirigida a dom Francisco de Souza Coutinho, governador e capitão-general do estado do Pará, criou o corpo de pedestres em 4 de Abril de 1800 e formou deste o destacamento do porto de Souza no distrito do rio Doce para servir de registo, e evitar as surpresas do gentio antropófago. Regulou de acordo com o governador e capitão-general da capitania de Minas Gerais Bernardo José de Lorena pelo auto celebrado em 8 de Outubro de 1800, os limites desta capitania com a de Minas no rio Doce.</p>
<p>A este sucedeu em 17 de Dezembro de 1804 Manoel de Albuquerque e Tovar. Durante este governo por decreto de 4 de Junho de 1807, foi anexado o posto de coronel-comandante do regimento de infantaria de milícias ao governador desta capitania; e pela carta régia de 28 de Maio de 1809 foi criada a junta da administração e arrecadação da real fazenda, abolida a provedoria, e, no que respeita à fazenda, independente da Bahia. Em Outubro de 1809 deu a denominação de Linhares ao lugar em que se havia de levantar a povoação do rio Doce, e estabeleceu a linha de destacamentos contra o gentio em toda a capitania.</p>
<p>Por decreto de 18 de Agosto de 1810 foi criado um batalhão de artilharia miliciano, organizado no 1o de Dezembro do mesmo ano: e ficou esta capitania quanto ao militar independente da Bahia por decreto de 13 de Setembro de 1810.</p>
<p>Teve por sucessor Francisco Alberto Rubim em 6 de Outubro de 1812, com patente, sem ser sujeito ao governador e capitão-general da Bahia, sujeito ao qual haviam estado os governadores desta por espaço de 12 anos.</p>
<p>Durante este governo, e em 15 de Fevereiro de 1813, foram situados os primeiros casais na povoação que criou, e denominou de Viana, no sertão da margem do Norte do rio Santo Agostinho, termo da vila da Vitória, vindo os casais das ilhas dos Açores remetidos de ordem de sua majestade pelo intendente geral da polícia Paulo Fernandes Viana.</p>
<p>Pela carta régia de 17 de Janeiro de 1814 foi autorizado este governo para conceder terrenos por sesmarias. Em 14 de Setembro de 1814 se rompeu o sertão intermédio desta capitania com a de Minas Gerais, ficando uma estrada de comunicação da cachoeira do rio Santa Maria, termo da vila da Vitória, à Vila Rica, da capitania de Minas Gerais, para cujo rompimento havia o governador dado instruções e ordens ao capitão do corpo de pedestres Inácio Pereira Duarte Carneiro.</p>
<p>Pela provisão do conselho supremo militar de 14 de Agosto de 1815 foi este governo autorizado para passar patentes aos oficiais de ordenanças. Em 15 de Dezembro de 1815 lançou o governador a primeira pedra para a edificação da igreja na povoação de Viana, que dedicou a Nossa Senhora da Conceição. As cartas régias de 4 de Dezembro de 1816 dirigidas ao governador e capitão-general da capitania de Minas, e ao governador desta capitania, aprovam o auto da divisão e demarcação de 8 de Outubro de 1800, e marca a linha divisória pelo sertão entre as duas capitanias. A provisão do real erário de 5 de Março de 1817 manda fazer pelo cofre da junta a despesa para uma igreja matriz em Linhares, distrito do rio Doce, e teve princípio em 13 de Setembro do mesmo ano. Por provisão do bispo diocesano e capelão-mor dom José Caetano da Silva Coutinho, foi nomeado capelão, curado independente da igreja da povoação de Viana, frei Francisco do Nascimento Teixeira, religioso do convento de Santo Antônio da província da Conceição. Por decreto de 23 de Dezembro de 1817 foi sua majestade servida mandar criar na vila da Vitória um hospital debaixo da inspeção da mesa da Santa Casa da Misericórdia, confirmando as doações e donativos oferecidos para seu estabelecimento.<br />
<b><br /></b><br />
<b>Breve estatística</b></p>
<p>Pela parte Norte do distrito do rio Doce está demarcado pelo sertão com a capitania de Minas Gerais pela carta régia de 4 de Dezembro de 1816 pelo espigão que corre de Norte Sul entre os rios Guandu e Amanaçu, sendo do dito espigão para o rio Guandu águas vertentes o distrito da capitania do Espírito Santo; servindo-lhes outrossim da parte do Norte do rio Doce de demarcação a serra que está defronte do quartel do porto de Souza.</p>
<p>Beira-mar com a capitania da Bahia não tem porto determinado, porque segundo a primeira divisão de capitania neste continente, principiava esta na parte Sul do rio Mucuri, onde finalizava a capitania de Porto Seguro dada por Dom Pedro II a Pedro de Campos Tourinho, ao Sul fica a vila de São Mateus, e ao Sul desta o distrito do rio Doce<span id="MEDP_RP6V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP6" title="Carta de doação do sr. dom Pedro II, datada de 18 de Março de 1657 a Francisco Gil de Araújo, declara fazer-lhe doação de 50 léguas de terras principiando onde acabasse as que havia concedido a Pedro de Campos Tourinho. Está registrada no livro de registo da câmara da vila da Vitória, n. 59 à fl. 105 v. [Nota original]"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a></p>
<p>O quartel do rio do porto de Souza está na parte do Sul do rio Doce, duas léguas abaixo da foz do rio Guandu que entra no mesmo por baixo do último degrau das cachoeiras das Escadinhas. O quartel se acha guarnecido com um inferior e 11 soldados do corpo de pedestres. Do quartel segue pelo sertão uma estrada para a capitania de Minas Gerais, e atravessando o rio Guandu vai até ao quartel do registo da dita capitania, denominado quartel de Lorena, cuja estrada tem de distância três léguas e nela as precisas pontes e <span id="MEDP_RP7V">estivas</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP7" title="Pontes toscas."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> por onde descem os Mineiros com os seus gêneros até junto ao quartel do porto de Souza e onde se embarcam em canoas para descer o rio Doce até à povoação de Linhares; ali fazem as suas transações e voltam com sal, descendo o rio Doce do quartel do porto de Souza até à foz do rio Santa Joana, que fica na margem do Sul a 5 léguas; desta à foz do rio Pancas que fica na margem do Norte, duas léguas e meia defronte da qual fica a ilha do mesmo nome, que tem de comprido três quartos de légua. Desta ao quartel de Anadia, situado na margem do Sul duas léguas e três quartos, cujo está guarnecido com 1 inferior e 7 soldados do corpo de pedestres. Deste à povoação de Linhares que fica na parte do Norte 11 léguas e meia.</p>
<p>Esta povoação está situada em uma muito alta barreira em forma de meia lua para o rio Doce, superior a todos os terrenos que a rodeiam, porque são várzeas ou planícies na distância de muitas léguas, e por isso não obstante achar-se ainda inculta por todos os lados é da mais aprazível vista que pode imaginar-se, principalmente a do rio, que por ser largo e estar cheio de grandes ilhas e outras mais pequenas representam ao longe grandes e pequenas diferentes embarcações. Todas elas são férteis como todos o terreno firme, cuja produção é tão prodigiosa que os que plantam um alqueire colhem 200, tendo mais a vantagem de que ao mesmo tempo que todos os lavradores dos mais distritos desta capitania lamentam o incalculável estrago que lhes causa a formiga, estes se alegram por não terem encontrado uma só em suas lavouras. O que se pode asseverar é que a natureza parece se esmerou em fazer apetecível todos os terrenos deste distrito, sendo de lamentar que o gentio ou índios Cuités vulgarmente chamados Botocudos ou Gamelas, pela extravagância com que furam o beiço inferior e as orelhas, em cujos buracos metem grandes rolhas, sejam os que estejam utilizando da sua formosura e da sua fertilidade. Tem a povoação 57 <span id="MEDP_RP8V">fogos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP8" title="Casas."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> e 305 almas; nela há um hospital militar com um cirurgião-mor e os medicamentos precisos. Há 1 alferes do corpo de pedestres, comandante de toda a linha de destacamentos do distrito, e que mensalmente os visita. Está-se-lhe edificando uma igreja matriz com o orago de Nossa Senhora da Conceição. Tem 1 quartel denominado primeiro quartel de Linhares, guarnecido com 1 inferior e 18 soldados do corpo de pedestres. Há nesta povoação um grande cercado de muito bom pasto, onde os moradores lançam seu gado vacum sem prejuízo algum da parte do gentio por estar todo entrincheirado de mataria grossa derribada: esta mesma trincheira continua até ao quartel denominado segundo quartel de Linhares na distância de quase uma légua, vindo a ficar este sobre a lagoa de Juparanã<span id="MEDP_RP9V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP9" title="No original, Gyparanan."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> Está guarnecido com um inferior, 11 soldados pedestres, cobrindo assim as plantações dos habitantes, as quais ficam igualmente defendidas por um lado com a trincheira, e pelo outro com o rio da lagoa que deságua no rio Doce, tendo ao mesmo tempo a vantagem de ficarem com a povoação em uma ponta, e com o quartel na outra, comunicando-se com uma estrada que vai atravessar pela testada de toda a plantação, e do outro lado desta estrada para o sertão se fez uma derrubada para servir de trincheira, e nela girarem as rondas militares até à povoação, a fim de que o gentio não penetre nas lavouras com facilidade. Do lado do Norte da povoação em distância de légua e meia está a grande lagoa de Juparanã abundantíssima de peixe: esta se comunica por um rio do mesmo nome com o rio Doce, e é tão grande que tem em si uma ilha em que se recolhem os pescadores todo o tempo que não gastam no exercício da pesca. Na margem do rio do lado do Sul, defronte da povoação, está a fazenda denominada Bom-Jardim, com engenho de açúcar, fábrica de farinha de guerra, olaria onde se faz famosa telha e tijolo. O dono dela é João Felipe de Almeida Calmon, branco casado e nela vive com 22 pessoas. Desta fazenda segue uma estrada que finaliza no quartel de Aguiar, a qual tem 4 léguas de comprido e 30 palmos de largo com 3 pontes fortes, e por ela podem facilmente carregar todos os gêneros de importação e exportação para saírem pela barra do Riacho, uma vez que não queiram transportá-los pela do rio Doce. Tem de mais esta estrada a vantagem para os viandantes, que da capitania seguem suas jornadas para aquele distrito ou para a capitania da Bahia, não terem de dar uma volta de 8 léguas pela praia para chegarem à povoação de Linhares. Da povoação de Linhares à barra do rio Doce na margem do Norte tem 8 léguas. Acima se acha estabelecido com lavouras e gados Antônio José Martins, homem branco, casado, com uma família de 16 pessoas. Da casa deste segue pela costa do mar a estrada geral desta capitania à da Bahia, ficando distante 4 léguas o quartel de Monsarás, guarnecido com 1 inferior e 5 soldados pedestres, o qual serve de registo.</p>
<p>A barra do rio Doce não tem outro embaraço mais do que a sua corrente, violenta em tempo das águas, e neste tempo por espaço de quase légua se vê correr a água clara do rio por entre o azul do mar. O rio dentro é muito largo a modo de baía e pode navegar-se por ele acima em barcos e canoas mais de 20 léguas: na barra podem entrar sumacas e maiores embarcações quando a corrente não for tão violenta. Tem piloto-mor da barra por nomeação régia de 12 de Janeiro de 1818.</p>
<p>Da fazenda Bom-Jardim, situada em frente de Linhares, à margem do Sul do rio Doce tem 8 léguas. Neste lugar está o quartel da Regência Augusta guarnecido com 1 inferior e 4 soldados pedestres. Deste para o Sul pela costa do mar ao quartel do Riacho são 4 léguas, e é o quartel guarnecido com 1 inferior e 4 soldados do corpo de pedestres, e serve de registo para o interior desta capitania. Dele, subindo o rio do mesmo nome, está em distância de pouco mais de 3 léguas o campo do Riacho ou aldeia dos índios com 200 almas, que ora vivem neste lugar, ora junto ao quartel de Aguiar. Seguindo 3 quartos se acha a lagoa do mesmo nome. Desta para o Sul está a lagoa Dourada em distância de duas léguas e meia da primeira da parte do Norte, e ao Sul do rio Doce está o quartel de Aguiar, o qual fica 4 léguas para o sertão, e quase na altura da povoação de Linhares, guarnecido com 1 sargento-mor de ordenanças e 16 soldados índios.</p>
<p>Deste principia a estrada que sai defronte de Linhares, de que acima se tratou. No mesmo rio do Riacho deságua o rio dos Comboios, e 3 léguas para o sertão se acha o quartel do mesmo título, guarnecido com 1 inferior e 2 soldados pedestres. Não há em todo este distrito igreja alguma senão a matriz que se está edificando, nem outro algum lugar ou povoação.</p>
<p>Conta muitas lagoas largas e extensas, que têm sido descobertas em ocasiões de entradas para atacar o gentio, assim como alguns rios; mas por falta de gente se não tem podido ver onde vão desaguar as primeiras, e a foz e direção dos segundos. Em 1817 teve 16 batizados, 18 óbitos e 6 casamentos. No Riacho, onde finda o distrito do rio Doce, começa o da vila de Nova Almeida, cujo distrito, na criação da mesma vila, foi demarcado pelos limites da sesmaria que naquele lugar fora dada aos índios pelo donatário desta capitania no ano de 1610.</p>
<p>Tem de Norte a Sul 12 léguas com 6 para o sertão; porém depois da formação do quartel do Riacho ficou pertencendo para o Norte ao dito destacamento. Ao Sul do Riacho 3 léguas está situada a Aldeia Velha porto de mar, que admite sumacas formado pela confluência dos rios Piraquê-açu e Piraquê-mirim, que corre mais ao Norte, os quais se unem pouco antes de chegar ao mar. De um e outro lado do rio da Aldeia Velha, e nos seus braços se acham dispersos pelas suas margens os habitantes desta aldeia. Tem somente 17 fogos e 34 almas por ficar desamparada depois que os índios passaram para Vila Nova. Na margem do rio Piraquê-açu, caminho de 4 léguas desde a barra da Aldeia Velha, está a povoação de Piraquê-açu com 59 fogos e 373 almas.</p>
<p>Ao Sul da Aldeia velha, duas lagoas, fica a vila de Nova Almeida, a qual dista da da Vitória 7 léguas, situada em um lugar alto, sobranceiro ao mar. Corre junto a ela um pequeno regato chamado Piraém, e pelo Norte o rio de Sananha, por cuja barra, por ser de pequeno fundo, só entram lanchas. Há na vila um convento que foi dos extintos jesuítas, cuja igreja serve de matriz e tem por orago os Reis Magos, e parte do convento serve de residência aos vigários, e parte de casa da câmara e aposentadoria. Tem 175 fogos e 579 almas. Teve em 1817 200 batizados, 180 óbitos e 53 casamentos.</p>
<p>À meia distância entre esta vila e Aldeia Velha fica o lugar chamado Frecheiras, onde há uma engenhoca; e para o Sul próximo à vila, a Capuba onde há outra. A estrada geral corre junto ao mar ou próximo a ele. Há outra estrada desta vila para a freguesia da Serra, distrito da vila da Vitória, na qual já 3 engenhos, a saber: na Ladeira Grande, no Rio Novo e no Jacaraípe, que divide o distrito da vila de Nova Almeida do da Vitória. Da barra do rio Jacaraípe, em que só entram canoas, que, como fica dito, limita-se pelo Sul; o distrito da vila de Nova Almeida, e pelo Norte o da Vitória, a povoação da Serra são 3 léguas, e desta à margem do Norte do rio de Santa Maria, onde finda a compreensão da mesma freguesia, duas e meia, cujo orago é Nossa Senhora da Conceição da Serra, e foi esta freguesia desmembrada da de Nossa Senhora da Vitória em 1752. Esta povoação está debaixo do morro da Serra conhecido dos navegantes pelo Mestre Álvaro, o qual, por ser sobranceiro a todos os mais, lhes serve de baliza quando vindo do Norte procuram a barra da vila da Vitória. Tem de distância o distrito da freguesia desde a barra do Jacaraípe Norte Sul até a margem do Norte do rio de Santa Maria 5 léguas e meia, e de largura duas. Tem 23 engenhos de fabricar açúcar denominados Guaranhum, Cavada, Muribeca, Laje, Tabuleiro, Pesqueiro, Bettes, Dois, Campo do Morro, Morro, Calhaia, Porto de Jacaraípe, Santa Rita, Enseada das Pedras, Enseada Larga, Limeiras, Cachoeira, Prejura, Jacuí, Tacobaia, Dois, Pontal da Enseada Larga, e Vera; e 14 engenhocas denominadas Córrego das Pedras, Caiambola, Jacaraípe, Jumnem, Dois, Jum, Queimado 4, e Tramirim 4. Tem 317 fogos, com 2.422 almas. Em 1817 teve 84 batizados, 51 óbitos e 40 casamentos. Da freguesia da Serra à vila da Vitória são 7 léguas, e pela costa de mar, estrada geral, 6, desde a barra de Jacaraípe, onde há uma boa ponte, e, uma légua antes da vila, se atravessa outra chamada de Maruípe, que tem de comprimento 60 braças, construída há 18 anos sobre um braço do rio do Espírito Santo, que cerca a ilha em que está a vila da Vitória.</p>
<p>Até este ponto e em todo o mais terreno da ilha em torno da vila, tem uma igreja e um pomar no lugar de Carapina, 2 engenhos de açúcar, um nos Cardosos, outro em Carapina, e 4 engenhocas na parte dos Fachos, Bisanga, Camburi e Carapina. Tem 197 fogos com 2.493 almas.</p>
<p>A vila da Vitória, capital deste governo, terá de latitude 400 braças e de longitude 200 para 300: está situada em uma ilha de mais de 4 léguas de circunferência numa ponta do Monte Vigia, à margem do Norte do rio Espírito Santo, o qual, cercando a mesma ilha, faz barra em distância de uma légua no grande Oceano, e admite nelas galeras e bergantins<span id="MEDP_RP10V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP10" title="Antiga embarcação à vela e remo."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> oferecendo em toda esta distância que está povoada de ilhas capazes para grandes fortalezas, excelentes ancoradouros para muitas embarcações, abrigados de todos os ventos à exceção somente do Leste, que raras vezes aparece. Em toda a vila se aporta em canoas e <span id="MEDP_RP11V">escaleres</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP11" title="Pequena embarcação de proa fina e popa chata, impelida a remo ou vela, que executa serviços de um navio ou repartição marítima."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> com a maior facilidade, porém seus primeiros desembarques são o cais novo das Colunas, que fica abaixo da casa do governo e do Azambuja; o cais Grande, onde até atracam sumacas; o do Santíssimo, o do Batalha, e o dos extintos jesuítas, vulgarmente chamado Porto dos Padres.</p>
<p>Tem esta vila uma freguesia do orago de Nossa Senhora da Vitória, que lhe dá o nome, a igreja do colégio dos extintos jesuítas contígua à casa do governo, e defronte desta a da Santa Casa da Misericórdia. Tem dois conventos, São Francisco e Carmo e 6 igrejas mais, inclusive as duas capelas das ordens terceiras dos ditos conventos. Tem uma junta de administração e arrecadação da real fazenda; duas fortalezas, Carmo e São João, e esta com 3 baterias, 2 corpos de tropa de linha, a companhia de infantaria de linha com 116 praças aquartelada na fortaleza do Carmo e o corpo de pedestres com 300 praças comandado por um tenente-coronel, cujo corpo está dividido por diferentes quartéis em todos os sertões da capitania para defender seus habitantes das incursões do gentio. Tem mais 3 corpos milicianos, o regimento de infantaria com duas companhias de cavalaria anexas, o batalhão de artilharia com um excelente parque de campanha, e a companhia de Henriques, é verdade que formados estes corpos com soldados também do termo. Tem um hospital regimental militar para a tropa de linha. Tem um professor régio de gramática latina, e outro das primeiras letras; e além destes 3 mestres mais que as ensinam. Tem 3 fontes de excelentes águas; a da Capixaba e a da Lapa, nas extremidades da vila, e a Fonte Grande quase no centro. Tem 945 fogos com 4.245 almas. Ainda que não rica é contudo assento do governo e cabeça da comarca. Sua perspectiva é bastantemente elegante, suas casas pela maior parte são de sobrado, e reformadas rodas por um só gosto à moderna. Os homens, se ocupam no comércio, para o qual possuem embarcações costeiras, e nos diferentes ofícios, e as mulheres em cozer e fiar.</p>
<p>Pelas costas da vila fica o rio Santa Maria, que desemboca no do Espírito Santo, povoado desde sua foz até a sua cachoeira, que são 6 léguas, compreendendo esta extensão até a barra do rio Cariaina também no do Espírito Santo, meia légua abaixo do de Santa Maria, 4 engenhos de açúcar, a saber: Pirau, Trapuchas, Asca e Una, e 10 engenhocas; e 347 fogos com 2.262 almas. Deságuam neste rio os de Mangaiari e Mulundú povoados de lavradores, e o de São Miguel nas cabeceiras do qual se estão estabelecendo vários lavradores, e já ali se acham em meia légua do terreno 17 fogos e 163 almas. Desde a cachoeira de Santa Maria, onde principia a nova estrada para Minas, desce por sua margem uma estrada que depois entranha-se pelo interior, e vem sair com 6 para 7 léguas à barra de Cariacica, de onde vai ao porto de Itacibá com pouco mais de uma légua, e ali se faz passagem para a vila, cuja estrada é aberta para facilitar a jornada daqueles Mineiros, que não querendo embarcar-se na cachoeira de Santa Maria seguem com suas tropas para o porto de Itacibá. Da barra do rio de Cariacica, pela margem do do Espírito Santo ao porto de Itacibá é pouco mais de uma légua, e deste porto pela margem do Sul, da vala que vem do rio Jem, e faz barra pouco abaixo do mesmo porto, e depois pela margem daquele à foz do rio Santo Agostinho serão 6 para 7 léguas, e tem em toda esta extensão 20 engenhos de açúcar denominados Santa Ana, dito; Maricará; Jem, dito; Buaiairas; Ladeira Grande, dito; Jacaroaba, Paú, Itapoca, dito; Campo Grande, Tanque, Caçarosa, Calabouço, Piranema Pequena, Piranema Grande, Capoeiraçu e Guaiamum e 12 engenhocas — Guaiamum, 2; Camarás, 2; Frechal, Cangaíba, Tambataí, Cariacica, Maricará, Rosas Velhas, Cachoeira, Campo Grande e Itacibá. Tem 3 igrejas de particulares, duas em Jem e uma em Piranema Grande. Tem 249 fogos com 2.341 almas.</p>
<p>Em distância de 4 léguas do porto de Itacibá, defronte da vila, são os sertões de Santo Agostinho, nos quais está situada a povoação do Viana, de ilhéus mandados estabelecer em culturas pelo governo, cuja povoação se acha o mais brilhante possível. É defendida por 4 quartéis, guarnecidos com 34 soldados pedestres, comandados por um alferes, dois nas suas extremidades para lhe servir de registo, e dois no sertão, em altos montes, a fim de vigiar e a defender das incursões e roubos dos gentios. Tem um cirurgião-mor para tratar das enfermidades de seus habitantes, igreja com capelão curado; um moinho d&#8217;água no meio da povoação, comum para todos, e olaria em que se fabrica telha. Seus colonos estão estabelecidos às bordas do rio Santo Agostinho da estrada nova das Pimentas, cuja testada corre a Oeste, 4ª de Norte com fundos ao Norte 4ª de Norte, até a casa do cirurgião-mor, e depois ao Norte com diferentes voltas, com fundos a Oeste até à estrada de Parobas, que segue por este rumo desde a margem do rio Santo Agostinho, e da nova estrada de Parobas que corre para Leste com fundos aos Norte até o colono Francisco Coelho Borges, donde sai a rumo de Sul a que vai para o moinho d&#8217;água e outros nas suas sobrequadras, e cada um tem de sesmaria terreno de 112 braças de testada com 500 de fundo, e lhes passa a todos quando não pelas portas, ao menos muito próximo córregos de excelentes águas. Ao presente tem esta povoação 59 fogos com 308 almas. Do interior da mesma segue uma estrada, que próximo das nascentes do rio Jem corta a estrada do cachoeiro do rio Santa Maria à Vila Rica. Da mesma povoação se vem à vila da Vitória por duas vias, primeiro embarcado saindo pelo rio Santo Agostinho ao de Jem, e deste ao do Espírito Santo 6 para 7 léguas, seguindo por terra a pé enxuto 4 léguas de Itacibá, onde se faz passagem para a vila, e atravessando esta estrada o rio Itaquari que deságua no Jem, o qual com as enchentes tornando-se às vezes invadeável se fez sobre ele a forte ponte Itaquari, obviando-se com ela qualquer inconveniente que os novos colonos de Viana, assim como os moradores d&#8217;além da mesma povoação pudessem encontrar em suas jornadas. Todo o terreno desta povoação, que terá de longitude duas léguas, e de latitude pouco mais de uma, é mui fácil, e cortado de muitos córregos. As habitações dos colonos estão todas em pequenos montes cercados de fertilíssimas várzeas capazes de todas as plantações pelo que se conservam em extremo alegres.</p>
<p>Teve em 1817 a freguesia 415 batizados, 276 óbitos e 76 casamentos. Em Jacaroaba defronte da povoação de Viana principia o distrito da vila do Espírito Santo pela margem do Sul do rio Jem até a fazenda de Caçaroca, e por detrás desta e direção ao esteiro Alaberi que sai um quarto de légua abaixo da vila da Vitória da parte do Sul junto ao penedo que fica oposto à fortaleza de São João, e 3 quartos de légua distante está a vila do Espírito Santo (6 léguas desde Jacaroaba) situada próximo à entrada da barra no fundo de uma pequena enseada da parte do Sul sobre outra muito pouco superior ao nível do mar. Tem ao lado do Sul uma íngreme montanha, no cume da qual está edificado o convento de Nossa Senhora da Penha. Ã entrada da vila, junto ao mar está a cadeia, e fronteira a esta, em distância de 200 passos, a matriz, cujo orago é Nossa Senhora do Rosário, ficando de um e outro lado, em distância de 50 passos, as casas bem alinhadas.</p>
<p>Logo imediato à matriz principia uma grande campina, que tem de extensão légua e meia, e confina com a pequena povoação de Guaranhum, cuja campina tendo sido por muitos tempos a ruína daqueles povos por causa das exalações pútridas condensadas na atmosfera, extraídas das águas que estagnadamente se conservavam na dita campina, já depositadas pelas chuvas, já pelas enchentes e inundações do rio Jem, que lhe passa próximo, é ao presente utilíssima, não só por nelas pastarem imensos gados de todas as espécies sem perigo nem temor das cheias, como por se transitar em todo o ano a pé enxuto, por se haver de novo limpado a vala aberta pelos extintos jesuítas, pela qual se esgotam ao rio da costa que sai por baixo da fortaleza de São Francisco Xavier da barra, que está entre a vila e o monte Moreno, todas as águas que pelos ditos motivos se arrojam na mencionada campina. Meia légua dela passa o rio Jem, e faz barra no Oceano, em que só entram canoas, sobre o qual há uma boa ponte de mais de 70 braças, ficando além dela, na margem do Sul do rio, a povoação da barra do Jem, cujos moradores vivem da pesca. A estrada geral segue sempre pela borda do mar, e duas léguas distante fica a Ponta da Fruta Pequena, povoação também de pescadores, e pouco adiante o Ribeiro Doce, que divide pelo Sul a vila do Espírito Santo da de Guarapari. Tem 6 engenhos de açúcar denominados Calheiras, Ilha de Óleo, Jeuma, Araçatibu, dito, e Jacaroaba, 4 engenhocas — Ponta da Fruta, Jacaraçu, Camboapina, e Ribeiro Doce. Em 1817 teve 33 batizados, 26 óbitos e 14 casamentos.</p>
<p>A vila de Guarapari tem por limite da parte do Norte o Ribeiro Doce, que a divide da do Espírito Santo, e da do Sul da lagoa de Maimbá, que a separa da nova Benevente. De um a outro ponto da referida divisão há 6 léguas de distância, e duas pouco mais ou menos de beira-mar até as últimas culturas para a parte do sertão. Dentro desta compreensão há uma freguesia, cuja igreja matriz tem por orago Nossa Senhora da Conceição, e outra capela filial dedicada ao Santíssimo Coração de Jesus. Além da enseada de <span id="MEDP_RPV12">Meaípe</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP12" title="No original, Mihaype."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a> (pequena povoação de pescadores ao Sul da vila, e estação pouco fiel para as embarcações por mais pequenas que elas sejam) não há mais que dois portos de mar, um junto da vila, e outro no distrito de Perocão; no primeiro entram sumacas grandes, no segundo só pequenas e nas marés cheias. Há 3 rios de água doce, mas nenhum deles é navegável, a saber: o do Una, que desemboca continuadamente no mar; o de Meaípe, que em alguns meses fecha a barra; e o do Engenho Velho, que se confunde com um braço salgado do rio, em cuja foz está situada a povoação principal ao Sul da entrada. Em 1817 teve a freguesia 55 batizados, 66 óbitos e 18 casamentos. A estrada geral corre ao longo da praia, e por ela se passa sobre 3 pontes: no Una, Perocão e Meaípe. Em todo o termo da vila há 5 engenhos de açúcar, denominados — Muripicoca, Adão Velho e Fazenda do Campo, duas, e 14 engenhocas — Una, Coutinho, Tabipemó, Camarugi, Rio do Engenho, Casca de Ostras, Piaura, Aldeia Velha, duas, e Lameirão quatro. Tem 283 fogos com 2.721 almas.</p>
<p>No lugar onde faz barra a lagoa Maimbá começa o distrito de Benevente, que tem pela costa do mar 6 léguas de extensão e outras tantas para o sertão, e finda este distrito ao Sul da praia de Piabanha perto da barra de Itapemirim. A duas léguas da lagoa Maimbá, caminho do Sul, está situada a vila de Benevente em um pequeno monte sobre o mar da parte do Norte do rio Iriritiba. A igreja e o convento, que foram dos extintos jesuítas, servem de matriz tendo por orago Nossa Senhora da Assunção, e de casa de câmara, cadeia e residência dos vigários. Este rio Iriritiba dá entrada a pequenas sumacas, e nele vêm desaguar 7 pequenos rios a saber: 4 da parte do Norte — Salina, Araraquara, Curindiba e Quatinga, e 3 do Sul — Pongá, Picoã e Jacuba. Da parte do Norte da vila até à ponta chamada dos Castelhanos há uma enseada grande e muito abrigada do vento Leste. À distância de légua e meia da vila tem sua foz o rio Piúma que corre do Norte quase paralelo ao Iriritiba, o qual não dá entrada senão a canoas e nele se perde da parte do Sul uma légua acima da sua foz, o Rio Novo, e logo acima outra légua o de Tapuã. Entre Benevente e Piúma faz a costa outra enseada na qual há algumas pequenas ilhas, e entre elas e a costa se abrigam as embarcações maiores que não podem entrar na vila de Benevente. O total da população de todo este distrito são 352 fogos com 2.017 almas. Tem 6 engenhos de açúcar — Quatinga, Itaúna, Três Barras, Monte Urubu, Boa Vista e Inhaúma: e 4 engenhocas — Taubinha, Araru, Ponta Grossa e Inhaúma. A estrada geral corre sempre junto ao mar até à praia de Piabanha, onde se limita o distrito da vila de Benevente com o de Itapemirim. Em 1817 teve 98 batizados, 124 óbitos e 46 casamentos.</p>
<p>Na praia do Piabanha começa o distrito de Itapemirim, e meia légua distante sai ao mar o rio do mesmo nome, em cuja barra entram lanchas, e meia légua acima está a vila de Nossa Senhora do Amparo de Itapemirim, cujo título é o orago da sua freguesia.</p>
<p>O primeiro cacheiro deste rio dista da vila 6 léguas; e nele se acha estabelecido um quartel da parte do Sul, guarnecido com um inferior e 30 soldados do corpo de pedestres. Suas margens até ao quartel estão povoadas de grandes fazendas com 9 engenhos reais e uma engenhoca coberta de sapê denominados — Areia, Cardoso, Cutia, Boa Vista, Barra Seca, Passo Grande, Paineira e São Gregório da Ribeira. À distância de 3 léguas fica o quartel da Boa Vista, que serve de registo à capitania pela parte do Sul. Está guarnecido com um alferes de infantaria e 18 soldados, 10 de infantaria e 8 de pedestres, Sobre uma alta barreira à borda do mar. Quatro léguas ao Sul se atravessa o rio de Itapemirim, onde há outro quartel que como não serve senão para passar os viandantes está guarnecido com 3 soldados do de Boa Vista. A grande fazenda de Muribeca dista pouco deste quartel pelo rio acima, e tem engenho de açúcar e imenso gado de produção. Meia légua ao Sul de Itabapoana fica Santa Catarina das Mós, onde faz termo pelo lado do Sul a capitania do Espírito Santo, e principia o distrito da vila de São João da Barra dos Campos de Goitacases, pertencente já à capitania do Rio de Janeiro, sendo desde o princípio do distrito da Itapemirim até este porto 8 léguas.</p>
<p>As belas margens do rio Itapemirim seriam incultas como outras muitas de vários rios desta capitania do Espírito Santo, se as invasões dos índios antropófagos não constrangessem aos habitantes das minas do Castelo estabelecidas nas cabeceiras do dito rio e seus confluentes (onde houveram 5 povoações denominadas Barra do Rio de Castelo, Caxixe, e Arraial Velho, Salgado e Ribeirão) a virem estabelecer-se meia légua distante do mar, trazendo para ali a imagem de Nossa Senhora do Amparo, que colocaram no dito lugar, levantando-lhe nova matriz, começando por conseqüência a atual povoação há pouco mais de 30 anos, vindo a real fazenda a perder com o abandono das povoações do Castelo, lugar hoje muito despovoado, e a ganhar no dízimo que pagam as fazendas de Itapemirim. Tem a dita vila e seu termo 147 fogos com 2.025 almas. Em 1817 teve 83 batizados, 83 óbitos e 20 casamentos.</p>
<p>
RESUMO</p>
<p>Fundação desta capitania 292 anos. — Governada por donatários 192 anos. — Por capitães-mores, 83. — Por governadores ou subordinados subalternos à Bahia, 10. — Por governador independente 5. — Vilas 6. — Povoações 6. — Freguesias 8. — Capelania curada 1. — Colégios dos extintos jesuítas 3. — Santa Casa da Misericórdia 1. — Igrejas de particulares 4. — Igrejas filiais 5. — Conventos franciscanos 2. — Do Carmo 1. — Ordens terceiras 2. —Portos de mar 7. — Rios principais 10. — Engenhos 76. —Engenhocas 68. — Fogos 3.729. — Almas 24.585. — Batizados (em 1817) 1.087. —Óbitos 824. — Diferença a favor da população 263 almas. — Casamentos 273.</p>
<p>N.B. — A população desta capitania se considera exceder muito à que dão em mapa os comandantes dos diferentes distritos, principalmente na parte relativa à escravatura, e a experiência tem mostrado que os senhores não denunciam o número exato dos escravos que possuem; talvez que com a continuação de novas relações se possa vir no exato conhecimento do total da população.</p>
<p>Há nesta capitania uma espécie de <i>Bômbix</i><span id="MEDP_RP13V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP13" title="Bicho-da-seda."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> cujo casulo é muito maior que o persiano. A cor da seda é amarela escura, encontram-se alguns cor de ouro, de carne e verde. O intendente geral da polícia, Paulo Fernandes Viana, mandou fazer as precisas experiências para provar sua qualidade, reconhecendo este que o estado pudera perceber considerável interesse, porque o inseto nutre-se da folha da mamona e da laranjeira brava, que está no seu país nativo.</p>
<p>Vitória, 30 de Março de 1818. — Francisco Alberto Rubim.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="MEDP_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Jeuhy</i>.</div>
<div id="MEDP_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Paulo</i>.</div>
<div id="MEDP_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Embarcação robusta, de ferro ou de madeira, fundo chato, usada para desembarque ou transbordo de carga.</div>
<div id="MEDP_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Soldado da infantaria.</div>
<div id="MEDP_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Antigo navio à vela.</div>
<div id="MEDP_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Carta de doação do sr. dom Pedro II, datada de 18 de Março de 1657 a Francisco Gil de Araújo, declara fazer-lhe doação de 50 léguas de terras principiando onde acabasse as que havia concedido a Pedro de Campos Tourinho. Está registrada no livro de registo da câmara da vila da Vitória, n. 59 à fl. 105 v. [Nota original]</div>
<div id="MEDP_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Pontes toscas.</div>
<div id="MEDP_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Casas.</div>
<div id="MEDP_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;No original,&nbsp;<i>Gyparanan</i>.</div>
<div id="MEDP_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Antiga embarcação à vela e remo.</div>
<div id="MEDP_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Pequena embarcação de proa fina e popa chata, impelida a remo ou vela, que executa serviços de um navio ou repartição marítima.</div>
<div id="MEDP_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;No original,&nbsp;<i>Mihaype</i>.</div>
<div id="MEDP_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-estatistica-da-provincia-do/#MEDP_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;Bicho-da-seda.</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Francisco Alberto Rubim&nbsp;&nbsp;da Fonseca e Sá Pereira&nbsp;</b>nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel em 13 de Abril de 1768, filho de José Pedro Bocardo Rubim e Eusébia Teresa da Fonseca Sá Pereira, e faleceu na mesma cidade, na freguesia da Encarnação, a 14 de Novembro de 1842. Comendador e Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão de Mar-e-Guerra da Armada Real. Foi governador da capitania do Espírito Santo (1812—1819) e em seu governo foi criado o município de Cachoeiro do Itapemirim. Ele foi parabenizado por D. João VI pelos esforços para o desenvolvimento do Espírito santo, abrindo estradas, expandindo as lavouras, incentivando a mineração e melhoramentos da navegação. Rubim levantou importantes construções no Espírito Santo como a Casa de Misericórdia e a reforma do Forte São João, tendo sido responsável também por trazer imigrantes para o Estado. Foi também nomeado para governar a capitania do Ceará, cargo em que permaneceu de 1820 a 1821.</p></blockquote>
<p></div>
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		<title>Capitania do Espírito Santo, julho de 1816</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 19:12:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História / Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tomás Antônio de Vila Nova Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Viagem à Província do Espírito Santo – imigração e colonização suíça 1860, Vitória. Foto de Jean Victor Frond. Autor:Tomás Antônio de Vila Nova Portugal Transcrição e notas: Maria Clara Medeiros Santos Neves Distrito de Rio Doce Divide-se da capitania de Minas pelo espigão das serras que corre de norte a sul entre os rios Guandu, [&#8230;]</p>
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<tbody>
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<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-3dyprDV7Mbk/V_P8QWShEOI/AAAAAAAAKUw/r2st--tswdkBsM8kJJnyfHH1C9Zunu8pQCLcB/s1600/Viagem%2B%25C3%25A0%2BProv%25C3%25ADncia%2Bdo%2BEsp%25C3%25ADrito%2BSanto%2B%25E2%2580%2593%2Bimigra%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Be%2Bcoloniza%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bsu%25C3%25AD%25C3%25A7a%2B1860%252C%2BVit%25C3%25B3ria%252C%2BFoto%2Bde%2BJean%2BVictor%2BFrond..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Viagem à Província do Espírito Santo – imigração e colonização suíça 1860, Vitória. Foto de Jean Victor Frond." border="0" height="422" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/10/capitania-do-espirito-santo-julho-de-245444069.jpg" class="wp-image-5303" title="Viagem à Província do Espírito Santo – imigração e colonização suíça 1860, Vitória. Foto de Jean Victor Frond." width="640" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Viagem à Província do Espírito Santo – imigração e colonização suíça 1860, Vitória. Foto de Jean Victor Frond.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div style="text-align: center;">
</div>
<p>Autor:Tomás Antônio de Vila Nova Portugal</p></div>
<div style="text-align: right;">
Transcrição e notas: Maria Clara Medeiros Santos Neves</div>
<p>
<b>Distrito de Rio Doce</b><br />
<b><br /></b><br />
<br />
Divide-se da capitania de Minas pelo espigão das serras que corre de norte a sul entre os rios Guandu, e Manhuaçu<span id="CDES_RP1V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP1" title="No original, Maynassu."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> e da outra parte do rio a serra, que está defronte do quartel do Porto de Souza. Este registo<span id="CDES_RP2V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP2" title="Segundo Brás da Costa Rubim em seu Dicionário topográfico da província do Espírito Santo, passaria pelo espigão de uma pequena serra próxima do porto e de mesmo nome, uma linha divisória entre as províncias do Espírito Santo e Minas Gerais."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> está a duas léguas da foz do Guandu, que entra no rio Doce por baixo do último degrau de cachoeira das Escadinhas: tem 1 inferior e 20 soldados. Depois vai uma estrada por 3 léguas até o quartel de Lorena, que tem pontes e estivas para a passagem. No Porto de Souza se embarcam os gêneros em canoas para o quartel de Linhares, aonde trocam os seus gêneros, e voltam com sal e ferro.</p>
<p>Do Porto de Souza, até a foz do rio Santa Joana, que entra do sul, há 5 léguas — deste ao rio Pancas, que entra da margem do norte — 2 ½, defronte está a ilha Santa Joana que tem ¾ de léguas de comprido; desta ao quartel de Anadia<span id="CDES_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP3" title="Ainda segundo Rubim, este quartel estava situado na foz do rio de mesmo nome, que deságua na margem direita do rio Doce."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> do sul, 2¾, e aqui há um inferior, e 12 soldados, e deste à povoação de Linhares há 11½ léguas.</p>
<p>A povoação fica sobre uma barreira elevada sobre o rio em forma de meia lua: terreno aprazível, muito fértil, de boa vista sobre as muitas ilhas que tem o rio, e livre de formiga: é infestado dos botocudos. Tem 36 fogos, e 234 almas. Um hospital militar no que foi quartel, e um alferes-comandante destes destacamentos. Tem-se feito um cercado de quase uma légua, até o 2o quartel, ao pé da lagoa; e se continuam para defender as lavouras das incursões do gentio. Este tem um inferior e 24 soldados.</p>
<p>Do outro lado defende o rio da lagoa Juparanã<span id="CDES_RP4V">:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP4" title="No original, Giparanam."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> esta fica a légua e meia da povoação; é muito grande e abundante de peixe, e tem dentro uma ilha aonde se refugiam os pescadores.</p>
<p>Do lado do sul do rio, defronte da povoação, está a fazenda Bom Jardim, com engenho de açúcar; é de Felipe de Almeida Calmon, que aí vive em 22 pessoas de família. Desta segue uma estrada até o quartel de Aguiar por 4 léguas, que tem 3 pontes fortes, e podem os gêneros ir sair pela Barra do Riacho; e evita-se 8 léguas de volta pela praia<span id="CDES_RP5V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP5" title="Estrada, ao que tudo indica, utilizada pelo bispo do Rio de Janeiro, D. José Caetano da Silva Coutinho, quando voltava de sua visita ao Espírito Santo, em 1812( D. José Caetano da Silva Coutinho, O Espírito Santo em princípios do século XIX."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a></p>
<p>De Linhares à barra do rio Doce há oito léguas, uma légua acima está a fazenda de gado de José Miz, com 16 pessoas de família; desta à estrada geral para a Bahia vai a 4 léguas ao quartel de Monsarás<span id="CDES_RP6V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP6" title="Quartel localizado na margem da lagoa desse nome, na margem do rio Doce."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> de 1 inferior e 6 soldados, que serve de registo; e daí 3 léguas, é o sítio de Barra Seca, extrema da capitania, e divisa do distrito de São Mateus.</p>
<p>A barra do rio Doce admite sumacas, pode navegar em barcos por 20 léguas, tem porém a corrente muito violenta em tempo de águas: da margem do sul a 8 léguas do Bom Jardim, está o quartel Regência Augusta com 1 inferior e 10 soldados; deste pela costa há 4 léguas ao quartel do Riacho, 1 inferior e 6 soldados, e serve de registo. Subindo o rio está a 3 léguas a aldeia do Campo do Riacho, de índios com 200 almas, que outras vezes vão para o pé do quartel de Aguiar.</p>
<p>A ¾ de légua da aldeia, está a lagoa do Campo, e desta para o sudeste, a 2½ léguas está a lagoa Dourada. O quartel de Aguiar fica 4 léguas para o sertão, na altura da povoação de Linhares. No Riacho deságua o rio dos Comboios, e três léguas para o sertão está o quartel deste nome, com 1 inferior e 4 soldados. Tem muitas mais lagoas e rios, mas ainda não estão descobertos.</p>
<p><b>Vila Nova de Almeida</b></p>
<p>No Riacho começa o distrito desta vila, em uma concessão de 12 léguas feita aos índios em 1610 pelo antigo donatário. Três léguas ao sul do Riacho está a Aldeia Velha, porto de mar que admite sumacas no rio Piraquê-açu, em que conflui o Mirim que vem mais do norte. Tem 14 fogos com 22 habitantes. Na margem do rio, 4 léguas, está a povoação de Piraquê-açu com 52 fogos e 355 almas.</p>
<p>Duas léguas ao sul da Aldeia Velha, está Almeida em um sítio alto, ao pé do regato Piraú<span id="CDES_RP7V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP7" title="Provavelmente trata-se do regato denominado Piraém, que consta no Dicionário Topográfico, de Brás Rubim."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> e pelo norte tem o rio Savanha<span id="CDES_RP8V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP8" title="Ou 'Sananha', conforme Rubim."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> que só admite lanchas. Tem um convento que foi dos jesuítas, por orago &#8220;os Reis Magos&#8221;, 152 fogos e 553 habitantes.</p>
<p>Entre estes dois povos tem o lugar de Traíras, com uma engenhoca de açúcar; e outra na vila, na Capuba. Há três pontes até o Jacaraípe, limite da vila, que são na ladeira Grande, no rio Novo, e no Jacaraípe; dista a vila da vila da Vitória 7 léguas.</p>
<p><b>Vila da Vitória — Capital</b></p>
<p>Principia o distrito na barra do rio Jacaraípe, em que só entram canoas; deste à povoação da Serra são 3 léguas, e deste à margem do norte do rio Santa Maria são duas e meia. Aquela é freguesia da Conceição da Serra: abaixo do morro da Serra, chamado &#8220;Mestre Alvo&#8221;<span id="CDES_RP9V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP9" title="Ou Mestre Álvaro, como conhecemos hoje."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> que serve de baliza aos que demandam pelo norte a barra da Vitória. Desde a barra do <span id="CDES_RP10V">Jaguaripe</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP10" title="No original Jacuaripe."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> norte-sul, até à margem do rio norte do Santa Maria são 5½ léguas, e de largura da freguesia 2 — nesta povoação há 23 engenhos de açúcar, 14 engenhocas, 312 fogos e 2.410 habitantes.</p>
<p>De Jaguaripe à vila pela costa do mar há 6 léguas (da Serra são 7) e uma légua antes da vila, se passa a ponte de Maruípe de 65 braças, sobre um braço do rio Espírito <span id="CDES_RP11V">Santo</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP11" title="Na verdade trata-se do canal da Passagem, um braço-de-mar, que os antigos confundiam com um rio."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> que cerca a ilha em que está a vila: neste território tem uma igreja, 2 engenhos de açúcar, 4 engenhocas, com 120 fogos, e 2.146 habitantes.</p>
<p>A vila terá 400 braças de comprido, e 200 de largo, situada em uma ilha de 4 léguas de circunferência, na ponta do monte Vigia, à margem do norte do rio Espírito Santo, que faz a barra a uma légua, e admite galeras e bergantins; tem muitas ilhotas, e bom ancoradouro, chegado exceto do leste: tem muitos cais, e no grande atracam sumacas<span id="CDES_RP12V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP12" title="O autor se refere possivelmente ao cais que ficou conhecido como do Imperador, situado em frente à Igreja de São Tiago, atual Palácio do Governo."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a></p>
<p>A freguesia é do orago da Senhora da Vitória, a Igreja do Colégio é contígua à do governo, e ao pé a Misericórdia, dois conventos: do Carmo e São Francisco; duas fortalezas, a de São João tem 3 baterias. Dois corpos de tropa de linha, um de pedestres, e três de milicianos; um batalhão de artilharia, e uma companhia de Henriques. Tem 937 fogos e 4.171 habitantes.</p>
<p>Pelas costas da vila vem o rio Santa Maria que desemboca no do Espírito Santo, povoado até a parte Cachoeira, a 6 léguas; nestas até a barra do rio Cariacica que também desemboca no do Espírito Santo, meia légua abaixo do de Santa Maria, tem 4 engenhos de açúcar e 2 engenhocas, 345 fogos e 2.186 habitantes.</p>
<p>Deságuam neste rio o de Mangaraí<span id="CDES_RP13V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP13" title="No original, Mangaiari."><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a> e Mulundu, e o de São Miguel em que principiam a estabelecer-se, e há 14 fogos e 150 habitantes. Desde a cachoeira principia a nova estrada de Minas<span id="CDES_RP14V">;</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP14" title=""><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a> com 1½, aonde se passa para a vila, podendo também descer-se pelo rio embarcado<span id="CDES_RP15V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP15" title="A esse porto, assim como ao rio, se refere Brás Rubim, em seu Dicionário topográfico."><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a></p>
<p>Da barra do Cariacica ao porto de Tauba, e deste pela margem do sul da vala que vem do rio Jucu<span id="CDES_RP16V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP16" title="Canal artificial, cuja construção é atribuída aos jesuítas."><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a> e depois pela margem deste à foz do rio Santo Agostinho são 7 léguas: e nesta extensão há 20 engenhos de açúcar, 12 engenhocas, três igrejas, 240 fogos e 2.243 habitantes.</p>
<p>A 4 léguas do porto de Tauba, está a povoação nova de Viana, povoada de ilhéus, nos chamados sertões de Santo Agostinho, defendido por 4 quartéis, com 36 soldados, está o melhor possível<span id="CDES_RP17V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP17" title="Povoação criada na época em que era presidente da província Francisco Alberto Rubim."><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a> Tem 58 fogos, e 249 habitantes. Tem para a vila da Vitória o caminho do rio Santo Agostinho, deste ao Jucu e deste ao Espírito Santo 6 grandes léguas; ou por terra atravessando o rio Itaquari que deságua no Jucu, com uma ponte. Este território terá duas léguas, é muito fértil, e de muitas águas, com muitas várzeas e montes.<br />
<b><br /></b><br />
<b>Vila do Espírito Santo</b><span id="CDES_RP18V"></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP18" title="Hoje município de Vila Velha."><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a></p>
<p>Em Jacaraíba, defronte de Viana, principia este distrito, pela margem do sul do Jucu, até a fazenda da Caçaroca, e daí ao esteiro Aribiri, que sai um 4o de légua abaixo da Vitória, do lado do sul, junto ao penedo e perto à fortaleza de São João, e ¾ distante da vila do Espírito Santo &#8211; a 6 léguas desde Jacaroaba. Tem ao sul uma montanha em que está a Senhora da Penha: orago da vila é Nossa Senhora do Rosário.</p>
<p>Logo ao pé da Matriz, 200 passos do mar, principia uma campina que estava em paul com as inundações do Jucu; abriu-se-lhe uma vala antiga que tinham feito os jesuítas, e essa esgota o campo, e sai por baixo da fortaleza de são Francisco Xavier da Barra, que está entre a vila, e o monte Moreno; meia légua ao sul passa o Jucu que sai ao mar, só admite canoas; tem uma ponte de 70 braças, e da outra parte a povoação da Barra do Jucu. Duas léguas adiante fica a Ponta da Fruta, também de pescadores, como aquela; pouco adiante sai o ribeiro Doce, aonde acaba o distrito. Tem todo o termo 427 fogos, e 1.672 habitantes; a vila tem 81 fogos, 6 engenhos de açúcar, e 4 engenhocas.<br />
<b><br /></b><br />
<b>Vila de </b><span id="CDES_RP19V"><b>Guarapari</b></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP19" title="No original, Guaraparim."><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a></p>
<p>Principia o distrito no ribeiro Doce, até a lagoa de Maimbá, que são 6 léguas, e terá duas de culturas para o interior.</p>
<p>Tem a freguesia de Conceição, e uma capela do Coração de Jesus; a enseada e <span id="CDES_RP20V">Meaípe</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP20" title="No original, Mihahipe."><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a> de pescadores, um porto perto à vila, e outro no Perocão, em que entram sumacas; tem três rios, nenhum navegável, o de Una, o de Meaípe, que às vezes fecha a barra, e o do Engenho Velho, que se confunde com um braço delgado do rio aonde está a principal povoação ao sul; tem três pontes em Una, Perocão e Meaípe. Tem 5 engenhos, 14 engenhocas, 280 fogos e 1.975 habitantes.<br />
<b><br /></b><br />
<b>Vila de Nova </b><span id="CDES_RP21V"><b>Benevente</b></span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP21" title="Hoje município de Anchieta."><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a></p>
<p>Na barra da lagoa Maimbá, começa o distrito até a praia de Piabanha, perto da barra do Itapemirim, tendo seis léguas, e terá outro tanto para o sertão.</p>
<p>A 2 léguas de Maimbá está a vila sobre um monte junto ao mar a norte do rio Iritiba: serve de matriz a igreja dos jesuítas; o rio admite sumacas, e nele deságuam 7 pequenos rios — do norte, Salinas, Araquara, Curindoba, e Quatinga; do sul, Ponga, Picuari, e Jaueba. Da parte do norte da vila até à ponta dos Castelhanos há uma grande enseada abrigada do nordeste.</p>
<p>A uma [légua] e meia da vila desemboca o rio Piúma que corre ao noroeste, paralelo ao Iritiba, admite canoas, e nele entra do sul, uma légua da sua foz, o rio Novo, e outra légua mais o de Tapuano. Entre Benevente e Piúma faz a costa outra enseada, em que há pequenas ilhas, e nela se abrigam embarcações maiores. Tem 324 fogos, e 1.872 habitantes, seis engenhos de açúcar, e 4 engenhocas. A estrada corre sempre ao mar.</p>
<p><b>Vila de Itapemirim</b></p>
<p>Este distrito começa na praia de Piabanha até Santa Catarina das Mós, em que faz de distância 8 léguas.</p>
<p>A meia légua de Piabanha entra no mar o rio Itapemirim, em que entram lanchas; e meia légua da foz está a povoação de Itapemirim, criada em vila em 1815, a 27 de junho, orago Nossa Senhora do Amparo. A parte cachoeira do rio dista 6 léguas, e aí há dois quartéis: o do norte com tropa da capitania, e o do sul com tropa de Minas, até onde chegaram com a picada em 30 de agosto de 1814 e segunda divisão. Até os quartéis há 8 engenhos e uma engenhoca.</p>
<p>A 3 léguas fica o quartel de Boa Vista, que serve de registo com um alferes e 20 soldados, sobre uma alta barreira à borda do mar. Quatro léguas para o sul se atravessa o rio Itabapoana, aonde há outro quartel para os passageiros, e tem 3 praças. A fazenda da Moribeca dista pouco deste quartel pelo rio acima, e aí há engenho de açúcar, e muitos gados de criar. E meia légua ao sul de Itabapoana, fica Santa Catarina das Mós, que é extrema.</p>
<p>As margens de Itapemirim ficaram incultas pelas invasões do gentio, que obrigou a fugir os habitantes das minas do Castelo, aonde houve cinco povoações: Barra do Castelo, Caxixe<span id="CDES_RP22V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP22" title="No original, 'Caixeixe'. Segundo Brás Rubim, foi destruída pelos índios."><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a> Arraial Velho, Salgado e Ribeirão, e vieram estabelecer-se a uma légua do mar, trazendo imagem da Senhora do Amparo, começando a povoação haverá 30 anos. Parece porém que os limites da capitania pelo sertão devem ser aonde existem as ruínas das povoações do Castelo. Tem a povoação 140 fogos, e 2.000 habitantes.</p>
<p>Tem por tudo: 5 vilas, 7 povoações, 7 freguesias, 5 igrejas filiais, 3 colégios dos jesuítas, 4 capelas, 4 conventos, 7 portos de mar, 10 rios, 76 engenhos, 68 engenhocas, 3.523 fogos, 22.527 almas.</p>
<p><b>Campos de Goitacases</b></p>
<p>O distrito chega até o rio parado<span id="CDES_RP23V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP23" title="Leitura duvidosa."><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a> na forma do Alvará de 27 de julho de 1813, pelo sul, e pelo sertão, chega até aldeia da Pedra defronte da qual se acha o rio da Pomba, aonde há um destacamento de Minas: terá de extensão 14 léguas, e para o sertão 19, há as vilas:</p>
<p><b>São João da Barra</b></p>
<p>Distante uma légua da barra do Paraíba, está situada esta vila e terá quatro léguas ao lugar chamado Valetas.</p>
<p><b>São Salvador dos Campos</b></p>
<p>Todo o mais distrito é desta vila, e compreende os lugares em que há 6 freguesias, três [em] São Gonçalo, São Sebastião e São Salvador, e três mais [em] Aldeia e São Fidelis. O lugar de São Sebastião dista de São Gonçalo 2 léguas; desta a São Salvador, légua e meia; desta à Aldeia, 2 léguas; e desta a São Fidelis, 6 léguas.</p>
<p>Tem este distrito: fogos, 2.268 casais; habitantes, 31.923, destes são escravos 20.900; engenhos, 360; [fogos] nas vilas, 1.457; [fogos] no campo, 2.570; fogos [total], 4.027.</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="CDES_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Maynassu</i>.</div>
<div id="CDES_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Segundo Brás da Costa Rubim em seu <i>Dicionário topográfico da província do Espírito Santo</i>, passaria pelo espigão de uma pequena serra próxima do porto e de mesmo nome, uma linha divisória entre as províncias do Espírito Santo e Minas Gerais.</div>
<div id="CDES_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Ainda segundo Rubim, este quartel estava situado na foz do rio de mesmo nome, que deságua na margem direita do rio Doce.</div>
<div id="CDES_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Giparanam</i>.</div>
<div id="CDES_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Estrada, ao que tudo indica, utilizada pelo bispo do Rio de Janeiro, D. José Caetano da Silva Coutinho, quando voltava de sua visita ao Espírito Santo, em 1812 ( D. José Caetano da Silva Coutinho, <i>O Espírito Santo em princípios do século XIX</i>).</div>
<div id="CDES_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Quartel localizado na margem da lagoa desse nome, na margem do rio Doce.</div>
<div id="CDES_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Provavelmente trata-se do regato denominado Piraém, que consta no <i>Dicionário Topográfico</i>, de Brás Rubim.</div>
<div id="CDES_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Ou <i>Sananha</i>, conforme Rubim.</div>
<div id="CDES_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Ou Mestre Álvaro, como conhecemos hoje.</div>
<div id="CDES_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;No original,&nbsp;<i>Jacuaripe</i>.</div>
<div id="CDES_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Na verdade trata-se do canal da Passagem, um braço-de-mar, que os antigos confundiam com um rio.</div>
<div id="CDES_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;O autor se refere possivelmente ao cais que ficou conhecido como do Imperador, situado em frente à Igreja de São Tiago, atual Palácio do Governo.</div>
<div id="CDES_RP13">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP13V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 13 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Mangaiari</i>.</div>
<div id="CDES_RP14">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP14V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 14 ]</b></sup></a>&nbsp;Estrada do Rubim, ou de São Pedro de Alcântara.</div>
<div id="CDES_RP15">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP15V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 15 ]</b></sup></a>&nbsp;A esse porto, assim como ao rio, se refere Brás Rubim, em seu <i>Dicionário topográfico</i>.</div>
<div id="CDES_RP16">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP16V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 16 ]</b></sup></a>&nbsp;Canal artificial, cuja construção é atribuída aos jesuítas.</div>
<div id="CDES_RP17">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP17V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 17 ]</b></sup></a>&nbsp;Povoação criada na época em que era presidente da província Francisco Alberto Rubim.</div>
<div id="CDES_RP18">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP18V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 18 ]</b></sup></a>&nbsp;Hoje município de Vila Velha.</div>
<div id="CDES_RP19">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP19V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 19 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Guaraparim</i>.</div>
<div id="CDES_RP20">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP20V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 20 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Mihahipe</i>.</div>
<div id="CDES_RP21">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP21V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 21 ]</b></sup></a>&nbsp;Hoje município de Anchieta.</div>
<div id="CDES_RP22">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP22V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 22 ]</b></sup></a>&nbsp;No original, <i>Caixeixe</i>. Segundo Brás Rubim, foi destruída pelos índios.</div>
<div id="CDES_RP23">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/capitania-do-espirito-santo-julho-de/#CDES_RP23V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 23 ]</b></sup></a>&nbsp;Leitura duvidosa.</div>
<p>
[Documento que faz parte do acervo do IHGB, original manuscrito com seis páginas. Localização: lata 21, doc. 22.]</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Tomás Antônio de Vila Nova de Portugal</b> foi ministro à época de D. João VI.</p></blockquote>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Maria Clara Medeiros Santos Neves</b>, coordenadora do site ESTAÇÃO CAPIXABA, é museóloga formada pela Universidade do Rio de Janeiro e pós-graduada em Biblioteconomia pela UFMG, autora do projeto do Museu Vale e de diversas publicações. (Para obter mais informações sobre o autor e outros textos de sua autoria publicados neste site,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/maria-clara-medeiros-santos-neves-bio/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<title>Dicionário topográfico da província do Espírito Santo</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/dicionario-topografico-da-provincia-do/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Apr 2016 18:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brás da Costa Rubim]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Projeto de nova divisão do Império,&#160;1873. Acervo Biblioteca Digital Luso-Brasileira. Como as obrigações da pátria são tão grandes, parece que toda a vida estamos obrigados a lhas reconhecer, cada um, como for possível. (Dom Francisco Manoel de Mello) Introdução do autor Com o intento de prestar um pequeno serviço à província onde tive o berço, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-W72cLGb0gS4/Vxp5wNTXipI/AAAAAAAAH2s/vcTqYp8MTyYvzj_QzUx7jYvqlMpeRA9fgCLcB/s1600/Projeto%2B1873.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Projeto de nova divisão do Império, 1873. Acervo Biblioteca Digital Luso-Brasileira." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Projeto2B1873.jpg" class="wp-image-5345" title="Projeto de nova divisão do Império, 1873. Acervo Biblioteca Digital Luso-Brasileira." width="504" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Projeto de nova divisão do Império,&nbsp;<span style="font-size: 12.8px;">1873</span><span style="font-size: 12.8px;">. Acervo Biblioteca Digital Luso-Brasileira.</span><br />
<span style="font-size: 12.8px;"><br /></span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p></p>
<div align="right">
<table style="font-size: 90%; width: 50%;">
<tbody>
<tr>
<td>Como as obrigações da pátria são tão grandes, parece que toda a vida estamos obrigados a lhas reconhecer, cada um, como for possível. (Dom Francisco Manoel de Mello)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p></p>
<h3>
Introdução do autor</h3>
<p>
Com o intento de prestar um pequeno serviço à província onde tive o berço, empreendi alguns trabalhos sobre a sua história e geografia. Já tive a honra de ler perante o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, que me ouviu com a sua usual indulgência, as Memórias históricas e documentadas da província do Espírito Santo, e uma Memória sobre os seus limites: agora venho oferecer-lhe este dicionário topográfico, que organizei à vista das informações oficiais e particulares, que pude obter e dos mapas geográficos topográficos e corográficos inéditos ou publicados, antigos e modernos, que todos compulsei. Não é, por certo, ainda uma obra completa, e seguramente alguns erros deve ter, provenientes de informações inexatas, mas assim mesmo tem sua utilidade, e mais tarde as correções que se lhe fizerem o tornarão acabado e perfeito.</p>
<p></p>
<h3>
Nota do site Estação Capixaba</h3>
<p>
O texto aqui apresentado, publicado originalmente no ano de 1862, teve sua ortografia atualizada, incluindo notas no caso das localidades e acidentes geográficos, nas quais cita-se a forma original.</p>
<p>Acreditamos ser este documento de interesse para os pesquisadores tanto da área de geografia como da de história, pois as nomenclaturas são de época, esclarecendo nomes citados em documentos históricos relacionados com o Estado do Espírito Santo.</p>
<h2>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/dicionario-topografico-da-provincia-do/" target="_blank" rel="noopener">A &#8211; J</a></h2>
<h2>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/l-x/" target="_blank" rel="noopener">L &#8211; X</a></h2>
<p><span style="font-size: x-small;"><br /></span><br />
<span style="font-size: x-small;">[Publicado originalmente no site em 2003]</span></p>
<p>[RUBIM, Brás da Costa. Dicionário topográfico da província do Espírito Santo. In&nbsp;<i>Revista&nbsp;</i>do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, 1862, tomo XXV, p. 597-648.]</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><span style="font-size: normal;"><b><span style="color: #660000;">© 2016 Estação Capixaba</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos de reprodução a partir das imagens digitalizadas e tratadas pela equipe do site, assim como estudos e demais textos produzidos especialmente para esta publicação online estão reservados exclusivamente para o site ESTAÇÃO CAPIXABA (www.estacaocapixaba.com.br) e para os respectivos autores. A reprodução de qualquer item sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.</span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p></p>
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		<item>
		<title>Expansão urbana da área norte de Vitória</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/expansao-urbana-da-area-norte-de-vitoria/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Apr 2016 20:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Brunow Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanização]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Praia de Camburi, circa 1950. Acervo Arquivo Público do Espírito Santo.&#160; SUMÁRIO Introdução I — Área estudada II — Aspectos físicos: geologia-geomorfologia-solos III — Urbanização existente no setor norte de Vitória, em 1970 IV — A situação da urbanização encontrada atualmente — ano de 1986/1987 V — Conclusões gerais VI — Anexos cartográficos com base [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-CE7MZGzN0Sg/Vwpw7FhscWI/AAAAAAAAH0c/JPul4gdsD68b9yDauZr4kZQbyNz4dSVFQ/s1600/APEES%2B-%2BFoto%2BClube%2Bdo%2BEsp%25C3%25ADrito%2BSanto%2B-%2BPraia%2Bde%2BCamburi%2B-%2BReprodu%25C3%25A7%25C3%25A3o-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Praia de Camburi, circa 1940. Acervo Arquivo Público do Espírito Santo. " border="0" height="442" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/APEES2B-2BFoto2BClube2Bdo2BEsp25C325ADrito2BSanto2B-2BPraia2Bde2BCamburi2B-2BReprodu25C325A725C325A3o-2.jpg" class="wp-image-5348" title="Praia de Camburi, circa 1940. Acervo Arquivo Público do Espírito Santo. " width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Praia de Camburi, circa 1950. Acervo Arquivo Público do Espírito Santo.&nbsp;</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h4>
<br />SUMÁRIO</h4>
<p>
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/introducao/" target="_blank" rel="noopener">Introdução</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/i-area-estudada/" target="_blank" rel="noopener">I — Área estudada</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/ii-aspectos-fisicos-geologia.htm" target="_blank" rel="noopener">II — Aspectos físicos: geologia-geomorfologia-solos</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/iii-urbanizacao-existente-no-setor/" target="_blank" rel="noopener">III — Urbanização existente no setor norte de Vitória, em 1970</a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/iv-situacao-da-urbanizacao-encontrada/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/iv-situacao-da-urbanizacao-encontrada/" target="_blank" rel="noopener">IV — A situação da urbanização encontrada atualmente — ano de 1986/1987</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/v-conclusoes-gerais/" target="_blank" rel="noopener">V — Conclusões gerais</a></p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/vi-anexos-cartograficos-com-base-em/" target="_blank" rel="noopener">VI — Anexos cartográficos com base em fotografias aéreas:</a></p>
<p>1.<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;">  </span>Esquematização dos solos e dos aspectos geomorfológicos do Setor Norte de Vitória<br />
2.<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;">  </span>Esquema geológico-geomorfológico do Setor Norte de Vitória<br />
3.<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;">  </span>Área urbana associada à vegetação do Setor Norte de Vitória, em 1970<br />
4.<span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;">  </span>Área urbana associada à vegetação do Setor Norte de Vitória, atualmente (1986/1987)</p>
<p>[COSTA, Ricardo Brunow. <i>Expansão urbana da área norte de Vitória</i>. Vitória:&nbsp;&nbsp;Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo/Academia Espírito-santense de Letras/Cultural-ES, 1989. (Cadernos de&nbsp;História, Vol. III) &#8211; Reprodução autorizada pelo autor]</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><span style="font-size: normal;"><b><span style="color: #660000;">© 2016 Ricardo Brunow Costa</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados. A reprodução de qualquer item sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais, desrespeito à propriedade dos acervos e aos serviços de preparação para publicação.</span><br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Ricardo Brunow Costa</b> é geógrafo formado pela UFRJ, tendo vários livros e artigos publicados. Para outras informações, consulte a listagem de pesquisadores. (Para obter mais informações sobre o autor,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/Ricardo%20Brunow%20Costa" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
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		<item>
		<title>A exploração do rio Doce e seus afluentes da margem esquerda</title>
		<link>https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Estação Capixaba]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2016 19:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[botocudos]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Doce]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
		<category><![CDATA[William John Steains]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Rio Doce em 1815 (Gravura do príncipe Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwdied, Fundação Biblioteca Nacional). Introdução O texto que se segue, de autoria de William John Steains, foi lido em sessão da Royal Geographical Society, de Londres, no dia 16 de Janeiro de 1888, e publicado no Boletim de fevereiro do mesmo ano, p. 61-79. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-Pvc0n1nhNAQ/VwWWyJpajJI/AAAAAAAAHys/c5by745G1qEPeEMtvJ_0CTF-uGAimnPHQ/s1600/O%2BRio%2BDoce%2Bem%2B1815%2B%2528Gravura%2Bdo%2Bpr%25C3%25ADncipe%2BMaximilian%2BAlexander%2BPhilipp%2BWied-Neuwdied%2BFunda%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BBiblioteca%2BNacional%2529..jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="O Rio Doce em 1815 (Gravura do príncipe Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwdied, Fundação Biblioteca Nacional)." border="0" height="532" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/O2BRio2BDoce2Bem2B18152B2528Gravura2Bdo2Bpr25C325ADncipe2BMaximilian2BAlexander2BPhilipp2BWied-Neuwdied2BFunda25C325A725C325A3o2BBiblioteca2BNacional2529..jpg" class="wp-image-5350" title="O Rio Doce em 1815 (Gravura do príncipe Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwdied, Fundação Biblioteca Nacional)." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">O Rio Doce em 1815 (Gravura do príncipe Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwdied, Fundação Biblioteca Nacional).</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
<b>Introdução</b></p>
<p>O texto que se segue, de autoria de William John Steains, foi lido em sessão da Royal Geographical Society, de Londres, no dia 16 de Janeiro de 1888, e publicado no <i>Boletim</i> de fevereiro do mesmo ano, p. 61-79. Graças ao interesse da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, que adquiriu à Biblioteca Nacional cópia em microfilme do texto original e providenciou sua tradução, se publica pela primeira vez em vernáculo para conhecimento dos interessados. Em correspondência com o Royal Geographical Society, a FCAA obteve também algumas informações sobre o autor: William John Steains desde criança manifestou vivo interesse pela exploração geográfica e pelos estudos etnológicos. Veio para o Brasil aos 18 anos, a fim de trabalhar como desenhista na construção de uma ferrovia em Alagoas. Aos 22 anos concebeu e realizou a expedição ao rio Doce de que trata o presente relatório. Em 1891 estabeleceu-se na costa ocidental da África, como agente consular junto ao Protetorado da Costa do Níger. Sua saúde sofreu ali os rigores do clima, o que não o impediu de regressar àquela região em setembro de 1894, para ali morrer em novembro desse ano, com a idade de 31 anos.</p>
<p>A tradução aqui publicada é de Reinaldo Santos Neves<span id="AERD_RP1V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP1" title="Introdução feita para a publicação do texto na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, n.5, p.103-27, 1984."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a></p>
<div style="text-align: center;">
* * *</div>
<p>
Tenho a honra, esta noite, de chamar sua atenção para uma pequena região do grande império do Brasil que, atualmente, é muito pouco conhecida não só dos europeus em geral como também da maioria dos próprios brasileiros. Tendo residido cerca de três anos e meio numa das províncias do norte do Brasil, resolvi, nos primeiros meses de 1885, realizar uma exploração do rio Doce e de seus afluentes da margem esquerda. Essa exploração, que se estendeu de junho de 1885 a janeiro de 1886, foi realizada inteiramente sob minha própria responsabilidade, e por nenhum outro motivo senão pelo &#8220;simples amor à tarefa&#8221;.</p>
<p>Sendo limitados os recursos de que dispunha, evidentemente eram poucos os homens sob o meu comando, assim como, com relação às nossas provisões, tudo que posso dizer é que eram elas, por vezes, também poucas, e que, em conseqüência, nossas refeições eram feitas vez por outra. Contudo, apesar desses e de outros obstáculos, minha pequena expedição prosseguiu teimosamente o seu caminho para, depois de oito meses de sacrifício, retornar ao seio da civilização com a consciência de ter concluído de forma inteiramente satisfatória a missão a que se propôs.</p>
<p>O rio Doce está situado entre os paralelos 19° e 21° de latitude sul, e é formado por vários pequenos cursos d&#8217;água que descem da vertente oriental de uma importante cadeia de montanhas conhecida pelo nome de serra da Mantiqueira<span id="AERD_RP2V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP2" title="O ponto culminante dessa serra é Itatiaia-açu que, de acordo com Wells, está 10.040 pés acima do nível do mar, sendo 'o ponto mais alto que se conhece do Brasil'."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a> Esta cadela, que se estende em direção nordeste, faz parte do irregular maciço litorâneo do Brasil, formando, por assim dizer, um &#8220;muro de arrimo&#8221; para a série de ondulosos planaltos que compõem a maior parte da região centro-sul do Brasil<span id="AERD_RP3V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP3" title="Vide o interessante trabalho do Sr. Wells sobre a 'Geografia física do Brasil', lido perante esta Sociedade em 8 de fevereiro de 1886."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> A extensão total do rio Doce é de pouco mais de 450 milhas.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://1.bp.blogspot.com/-ubpwyFem45A/VwWWxD8ksFI/AAAAAAAAHy8/neG3wVSvjQsJFMfPRuAC8LUGZ80ASmc2Q/s1600/9-mapa-do-rio-doce-e-jequitinhonha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Mapa dos rios Doce e Jequitinhonha." border="0" height="450" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/9-mapa-do-rio-doce-e-jequitinhonha.jpg" class="wp-image-5351" title="Mapa dos rios Doce e Jequitinhonha." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Mapa dos rios Doce e Jequitinhonha.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A região da bacia do rio Doce que se situa a leste da serra dos Aimorés é uma planície coberta por densas florestas, que de uma elevação de cerca de 900 pés desce gradualmente até a costa. Próximo à costa essa planície se transforma numa extensa baixada de aluvião, coberta em grande parte por lagoas pouco profundas que se comunicam entre si por meio de longos, estreitos e sinuosos cursos d&#8217;água chamados valões<span id="AERD_RP4V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP4" title="Em português no original, como todas as demais palavras em destaque no texto. (N. do T.)."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> A maior dessas lagoas é a Juparanã, que se comunica com o rio Doce, cerca de 30 milhas acima da foz, através de um canal estreito, tortuoso e profundo com sete milhas de extensão. A lagoa tem um comprimento de 18 milhas, e uma largura de aproximadamente duas e meia milhas em sua extremidade sul. É muito profunda e, à exceção de certos terrenos baixos de aluvião em suas extremidades norte e sul, está cercada de altos paredões cobertos de matas, compostos principalmente de barro avermelhado sobre uma camada de áspero cascalho vermelho. Ao norte da lagoa deságua um rio — o São José<span id="AERD_RP5V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP5" title="Nos mapas dessa região do Brasil até agora publicados, esse rio tem o nome de São Rafael, erro porém que não é muito de admirar, considerando o número de incorreções que se encontra em qualquer mapa que pretenda representar o vale do rio Doce. Um dos mapas que compulsei no Brasil mostrava três ou quatro grandes ilhas na lagoa Juparanã, quando nela só existe uma única ilha, a do Imperador, e por sinal muito pequena."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> que nasce na serra dos Aimorés e banha um território inexplorado, habitado por grupos nômades de ferozes botocudos. Na totalidade de seu curso, o São José atravessa densas florestas em que se encontra grande quantidade dessa árvore tão procurada que é o jacarandá (<i>Bignonia cocrulea Will</i>).</p>
<p>Com a exceção de dois deles, nenhum dos afluentes do rio Doce é navegável, em razão das numerosas quedas d&#8217;água e corredeiras que, em muitos trechos, obrigam o viajante a carregar por terra a sua canoa. Os rios Suçuí-Grande e Santo Antônio são os afluentes que se prestam melhor para a navegação, o segundo apresentando-se livre de obstáculos num trecho relativamente pequeno de 20 milhas de extensão. Já o rio Suçuí-Grande apresenta uma forte queda d&#8217;água pouco antes de sua confluência com o rio Doce, mas desse ponto em diante permite uma navegação ininterrupta por várias milhas.</p>
<p>Em seu curso principal, o rio é navegável até Porto do Souza, a 120 milhas de distância de sua foz. Logo acima de Porto do Souza se encontra uma série de fortes corredeiras conhecidas como Escadinhas. Sendo impraticável a sua travessia, nesse ponto as canoas precisam ser puxadas por terra, com o uso de bois, num trecho de três e meia milhas. Daí em diante, sucedem-se, em maiores ou menores intervalos, as quedas d&#8217;água e corredeiras.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-tzQ3I049S2A/VwWWybH-JnI/AAAAAAAAHzE/xT3lsnDRekggwAS0ldc-cQBmzfYdb_qGQ/s1600/Shipping%2Bon%2Bthe%2BRio%2BDoce%252C%2BDecember%2B1815.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Viagem no rio Doce, Dezembro de 1815." border="0" height="438" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Shipping2Bon2Bthe2BRio2BDoce252C2BDecember2B1815.jpg" class="wp-image-5352" title="Viagem no rio Doce, Dezembro de 1815." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Viagem no rio Doce, Dezembro de 1815.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O grande encanto dessa região do Brasil está nas imensas florestas virgens que cobrem, com grandiosidade sem par, quase a totalidade da área banhada pelo rio Doce e seus numerosos afluentes. Em ambas as margens do rio, e durante a maior parte do seu curso, essas belas florestas, abundantes em uma centena de espécies da melhor madeira, chegam até à beira d&#8217;água, formando uma muralha quase impenetrável da vegetação tropical mais esplendidamente natural que possa ser imaginada. No momento em que o viajante, mediante o uso por assim dizer sacrílego de machado e facão, logra forçar sua entrada nos recônditos sombrios desses vastos templos da natureza, a grandeza e a imobilidade como que de morte que dominam o cenário lhe transmitem a impressão de se encontrar em terreno sagrado. As vastas áreas de mata virgem que se estendem ao norte do rio Doce mantêm-se até hoje praticamente invioladas pelo homem civilizado<span id="AERD_RP6V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP6" title="Os primeiros colonizadores do Brasil foram atraídos ao interior do país pela esperança de encontrar ouro, e nessa busca sempre utilizavam os rios como vias de penetração. Daí por que em muitas partes do Brasil encontramos regiões inteiramente inexploradas embora exista civilização em torno delas."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> razão por que seus soturnos interiores oferecem refúgio seguro para as numerosas tribos de botocudos, que por ali vagueiam nas mesmas primitivas condições em que viviam seus ancestrais à época do descobrimento do Brasil, cerca de quatro séculos atrás. Vez por outra esses índios assaltam as povoações mais avançadas, ocasiões em que aproveitam para saldar, com juros terríveis, &#8220;velhas contas&#8221; que ficaram arraigadas no espírito por natureza vingativo desses selvagens. A antropofagia é ainda a ordem do dia entre algumas das tribos mais selvagens, mas é consolador saber que esse hediondo costume está desaparecendo rapidamente, devendo deixar de existir dentro de pouco tempo.</p>
<p>Para que se possa explorar o vale do rio Doce, esses índios, que totalizam, eu diria, cerca de 7.000 indivíduos, precisam antes ser civilizados, ou pelo menos trazidos a um estado parcial de civilização. Os botocudos têm resistido tenazmente a todas as tentativas de civilização feitas nos últimos 380 anos, mas acredito firmemente que uma expedição bem organizada possa realizar essa tarefa em espaço de tempo relativamente curto. Daí adviriam enormes benefícios; as margens do rio Doce poderiam ser não digo colonizadas, mas povoadas, e o Brasil teria aberta e em condições de prosperidade uma das mais ricas regiões de seu vasto império.</p>
<p>Existem hoje somente três pequenas povoações nas margens do rio Doce, nenhuma das quais se pode chamar de próspera. Linhares, situada na margem esquerda do rio, a 30 milhas da foz, é um lugarejo decadente, de que teremos ocasião de falar mais adiante. Guandu, povoado bem próximo à confluência do rio do mesmo nome, não é o que poderia ser, devido às dificuldades de comunicação com outros portos. Todos os produtos, de que o principal é o café, precisam ser levados por <span id="AERD_RP7V">terra</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP7" title="Quando se tiver inaugurado a navegação a vapor no curso inferior do rio Doce, essa fatigante viagem terrestre se tornará coisa do passado. Um vapor poderá vencer em dois dias, ou no máximo dois dias e meio, a distância que vai de um ponto pouca abaixo de Guandu até a foz do rio. Alguns anos atrás propôs-se construir uma ferrovia de Vitória até Natividade (três milhas além de Guandu), chegando de fato a empresa Waring Brothers, do Rio de Janeiro, a executar os trabalhos de sondagem, etc., mas até o presente momento as obras da ferrovia em si não tiveram início."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> até Vitória (a capital da província), num percurso de dez dias. Em Guandu vivem quatro ou cinco colonos americanos, miseráveis remanescentes de um grupo que imigrou para o Brasil logo após a Guerra Civil. Estes colonos, assim que desembarcaram no Rio de Janeiro, foram despachados para o rio Doce, a fim de explorarem os recursos naturais do território e, ao mesmo tempo, fazerem suas próprias fortunas. Levados a acreditar que, dentre todas as regiões da terra, o vale do rio Doce era o lar ideal para os sulistas, entregaram-se com entusiasmo à oportunidade que se lhes oferecia. Logo perceberam, todavia, que tinham sido enganados por quem os persuadira a deixar sua terra natal. Os que puderam fazê-lo, partiram daquele pretenso &#8220;lar&#8221;, mas os que permaneceram, por não terem outra alternativa, foram gradualmente de mal a pior, de forma que hoje não há quase um só deles que não daria de bom grado tudo que possui (que aliás, é praticamente nada) em troca de uma oportunidade de dar as costas para sempre ao rio Doce e à sua triste experiência. A terceira e última povoação às margens do rio é Figueira. Os habitantes, em número de 700 aproximadamente, claro que conseguem subsistir de um dia para o outro, mas além disso não há muito a ser dito.</p>
<p>O sal constitui o principal artigo de comércio no rio Doce mas, devido à dificuldade de seu transporte, em canoas, do litoral até o interior, se torna, no final da jornada, um artigo de luxo extremamente caro. No Rio de Janeiro uma saca de sal pesando 60 libras custa, por alto, ls. 8d. Na foz do rio Doce, seu valor se eleva para 3s. 4d. Em Guandu a mesma saca de sal já é vendida por 5s., em Cuité por 13s. e em Figueira por algo em torno de 16s. 8d.</p>
<p>O vale do rio Doce pode ser descrito como uma grande lacuna no edifício de civilização que, nos últimos 370 anos, se vem lentamente erigindo ao longo das 4.900 milhas de litoral brasileiro. Há poucas dúvidas de que o Espírito Santo é hoje a mais pobre de todas as províncias do império ou pelo menos a mais pobre dentre as províncias litorâneas. E no entanto não vejo por que essa pobreza deva continuar numa província que tem condições de gerar os mesmos produtos que as outras. Não existe em todo o Brasil um território mais rico que aquele situado entre os rios Mucuri e Doce, e todavia aquilo é, metaforicamente falando, um deserto. Quase 25.000 milhas quadradas de terra rica e habitável jazem ali inaproveitadas devido ao pavor que aos moradores do Espírito Santo, como também aos de Minas Gerais, os índios inspiram. É mais do que provável que o povo das duas províncias nunca tomará providências para o melhoramento desse território; portanto, se alguma coisa há de ser feita no sentido do progresso dessa rica região do Brasil, terá de ser feita pelo governo imperial.</p>
<p>A propósito, alguns dos matutos fazem uma ideia bastante curiosa do significado do termo &#8220;governo&#8221;. Um deles informou-me que, se lhe acontecesse de ir um dia ao Rio de Janeiro, faria questão de &#8220;visitar o cavalheiro&#8221;. E com toda a sua simplicidade rústica ainda me perguntou se por acaso eu sabia qual o horário de expediente do cavalheiro (ou seja, do governo).</p>
<p>Não resta dúvida de que a futura riqueza dessa região do Brasil está na imensa reserva de valiosas madeiras que suas matas virgens contêm. Algumas das principais variedades ali encontradas são as seguintes:</p>
<div>
<table border="1" cellpadding="10" style="width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td align="center" rowspan="2" width="25%"><b>Nome popular</b></td>
<td align="center" colspan="2" width="45%"><b>Nome científico</b></td>
<td align="center" rowspan="2" width="30%"><b>Utilização</b></td>
</tr>
<tr>
<td align="center" width="25%"><b>Espécie</b></td>
<td align="center" width="20%"><b>Família</b></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">jacarandá</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Bignonia caerulea, Willd.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Bignonaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Marcenaria etc.</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Peroba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Bignonia similiatrapea</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Bignonaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção, especialmente naval</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Maçaranduba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Mimusops excelsa</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Sapotaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção de esteios</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Ipê</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Tecoma Ipê</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Bignonaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção e propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Sapucaia</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Lecythis ollaria, L.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Myrtaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Coração de negro</td>
<td valign="top" width="25%"></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Pau d&#8217;arco</td>
<td valign="top" width="25%">Bignonia chrysantha, Willd.</td>
<td valign="top" width="20%">Bignonaceae</td>
<td valign="top" width="30%">Construção, especialmente dormentes de via férrea; propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Vinhático</td>
<td valign="top" width="25%"></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Mobiliário etc.</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Angico</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Acácia angico, Mart.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção e propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Argelin pedra</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Andira spectabilis, Sald.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Braúna</td>
<td valign="top" width="25%"></td>
<td valign="top" width="20%"></td>
<td valign="top" width="30%">Construção</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Bicuíba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Myristica officinalis</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Myristicaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção e propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Araribá</td>
<td valign="top" width="25%"></td>
<td valign="top" width="20%"></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Sicupira</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Robinia coccinea, Aubl.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção. Sua casca contém propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Pequiá</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Marfim</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Construção, mais especificamente das vigas das casas</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Guarabu</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Astronium coccineum</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Terebinthaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Copaíba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Copaifera officinalis, L.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Leguminosae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Propriedades medicinais</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Andiroba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Carapa guyanensis, Aubl.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Meliaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Almecegueiro</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Bursera gumifera, L.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Terebinthaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%"><b>Plantas:</b></td>
<td valign="top" width="25%"></td>
<td valign="top" width="20%"></td>
<td valign="top" width="30%"></td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Guaxima</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Helicteres meliflua?</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Sterculiaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Ipecacuanha</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Cephoelis ipecacuanha, Rich.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Rubiaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Salsaparrilha</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Smilax salsaparrilha, Linn.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Asparagineae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Sassafrás</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Ocotea cymbarum, Hunt.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Laurineae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="25%">Jumbeba</td>
<td valign="top" width="25%"><i>Cactus opuntia, L.</i></td>
<td valign="top" width="20%"><i>Cactaceae</i></td>
<td valign="top" width="30%">Idem</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>
O valioso pau-brasil (<i>Caesalpinia brasiliensis Linn., Fam. Leguminosae</i>) é encontrado em diversas áreas do rio Doce, sobretudo no curso inferior do São José.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-Y780qp5oS6I/VwWicOkGn3I/AAAAAAAAHzM/JQVe-Z_Q6UwSztbDF-Z5ItjV3XeC20Qgg/s1600/Pau-brasil-painel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Pau-brasil." border="0" height="234" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Pau-brasil-painel.jpg" class="wp-image-5353" title="Pau-brasil." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Pau-brasil.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>No que se refere às riquezas minerais dessa região do Brasil, não posso informar senão pouca coisa. O ouro existe em vários locais, principalmente nas vizinhanças de Cuité. Em Onça encontramos numerosos espécimes do mineral conhecido como cristal brasileiro, e no curso superior dos rios Pancas e São José encontramos granadas. Sinais da existência de minério de ferro podem ser vistos em quase toda parte, e em muitos pontos do rio descobrimos uma espécie de talco. Segundo se conta, grandes quantidades de ouro teriam sido descobertas, anos atrás, perto das cabeceiras do rio São José.</p>
<p>O clima dessa região é de modo geral saudável. Se não fosse assim, acredito que meu pequeno grupo de exploradores, exposto a ele durante oito meses fatigantes, teria sofrido piores efeitos do que foi o caso. O calor é por vezes bastante forte, mas tornam-no mais tolerável os ventos alísios, carregados de umidade, que provocam uma equilibrada distribuição de chuva ao longo do ano, fazendo do vale do rio Doce um dos pontos mais férteis e luxuriantes do Brasil.</p>
<p>O primeiro explorador que tentou subir o curso do rio Doce parece ter sido Sebastião Fernando Tourinho. No <i>Dicionário da Província do Espírito Santo</i> constatamos que, no ano de 1572, Tourinho partiu de Porto Seguro com o objetivo de explorar o rio Doce, mas a insuficiência de meios levou-o de volta a Porto Seguro a fim de renovar suas provisões, retomando a seguir sua jornada. Até que ponto do rio Tourinho chegou, não sabemos; tampouco sabemos, com exatidão, o caminho por ele seguido. Consta, porém, que os índios o teriam ajudado em sua exploração, em mais de uma oportunidade.</p>
<p>O príncipe Maximiliano von Neuwied informa que, durante suas viagens pelo Brasil (1815-17), visitou o curso inferior do rio Doce, embora me pareça que sua exploração se tenha limitado às regiões próximas da vila de Linhares, distante 30 milhas da foz do rio.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-LNSwng37DU0/VwWWxDaEmrI/AAAAAAAAHy8/tWhRlkzY0206L2oie3yOqW4FQKpOm2ENw/s1600/Navega%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bpelo%2Brio%2BDoce-5%2B-%2BNavigacion%2Bsur%2Bun%2Bbras%2Bdu%2BRio%2BDoce.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Navegação pelo rio Doce (Navigacion sur un bras du Rio Doce)." border="0" height="556" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Navega25C325A725C325A3o2Bpelo2Brio2BDoce-52B-2BNavigacion2Bsur2Bun2Bbras2Bdu2BRio2BDoce.jpg" class="wp-image-5354" title="Navegação pelo rio Doce (Navigacion sur un bras du Rio Doce)." width="640" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Navegação pelo rio Doce (Navigacion sur un bras du Rio Doce).</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A época em que a grande Expedição Agassiz procedia às suas pesquisas no Brasil (1865), o professor Hartt, um dos seus líderes, subiu o rio Doce até Porto do Souza. Em trabalho valioso intitulado <i>Resultados científicos de uma viagem ao Brasil</i>, aquele eminente geólogo americano fez um relato de sua exploração, realizada em companhia de um certo Sr. Edward Copeland, um dos voluntários da Expedição Agassiz.</p>
<p>Algumas tentativas têm sido feitas no sentido de melhorar as condições comerciais dessa rica região brasileira, fracassando todas elas, infelizmente, até o momento. Devo mencionar ao menos uma dessas tentativas, organizada, em 1857, por um filantropo brasileiro, Dr. Nicolau Rodrigues da França Leite. Esse cavalheiro, tendo obtido autorização (e algo mais substancial) do governo imperial, esforçou-se para instalar um certo número de colonos — sobretudo italianos — nas margens do rio Doce, numa localidade conhecida como Fransilvânia e também numa outra chamada Limão. Mas o bem-intencionado trabalho do Dr. França Leite fracassou, e de tal forma que não resta hoje o mais leve sinal de que essa tentativa de colonização tenha sido jamais feita. Não há dúvida de que foi o assassinato, por um grupo de botocudos, do jovem Avelino (parente próximo do Dr. França Leite), a causa principal que levou à dissolução da colônia. Esse lamentável incidente ocorreu em 1860, em circunstâncias realmente trágicas. O Dr. França Leite, supervisor da colônia, foi chamado ao Rio de Janeiro a negócios, sendo substituído em sua ausência por Avelino. Era costume dos nackinhapmás — a tribo de botocudos que habitava as vizinhanças — visitar a colônia de vez em quando a fim de obter um ou dois artigos, como tabaco, além de provar alguma coisa da comida civilizada. As coisas correram assim tranquilamente durante algum tempo até que, gradualmente, os índios começaram a tomar antipatia por Avelino. Por quê, ou como, não sou capaz de dizer. Um dia os índios vieram à colônia e, na presença de Avelino, mataram o seu cão, deliberadamente, a tiros. Diante disso, dois ou três amigos de Avelino (entre eles o meu intérprete Moreira) aconselharam-no com veemência a deixar a colônia, mas o jovem não lhes deu ouvidos e permaneceu corajosamente em seu posto. Passaram-se algumas semanas e os mesmos índios apareceram novamente na colônia. Desta vez, não havendo outros cães para matar, assassinaram o próprio Avelino, golpeando-lhe a nuca com um machado no momento em que ele fazia calmamente sua refeição. Em seguida os índios puseram fogo às poucas choças, cobertas por folhas de palmeira, que compunham a colônia, e, dividindo o corpo do pobre Avelino em postas, assaram-no e, depois de descansar um pouco para facilitar a digestão, partiram novamente para seus redutos. Esse incidente se torna ainda mais trágico tendo em vista que Avelino deveria casar-se em breve com uma prendada jovem que, na época, vivia em Linhares.</p>
<p>Passo agora a dar um roteiro aproximado de minha viagem:</p>
<p>A 7 de junho de 1885 saí do Rio de Janeiro, num pequeno navio-costeiro brasileiro com destino a Santa Cruz, na província do Espírito Santo. Antes de deixar o Rio de Janeiro, adquiri todas as provisões, munições, etc., que calculei seriam necessárias para a viagem. Previa então que a exploração do rio Doce exigiria de mim cerca de seis meses. Os principais artigos adquiridos foram carne seca, bacalhau e farinha, compreendendo sessenta grandes pacotes.</p>
<p>Na noite de 8 de junho o pequeno vapor <i>Mayrink</i> chegou a Vitória, capital da província do Espírito Santo, e na manhã seguinte fui a terra a fim de cumprimentar o presidente da província, Dr. Laurindo Pitta de Castro, que pareceu interessar-se vivamente por minha exploração. A 10 de junho chegamos ao pequeno porto marítimo de Santa Cruz, onde saltei com minhas provisões. Um pequeno vapor costumava fazer ocasionalmente o trajeto entre Santa Cruz e Linhares, vila às margens do rio Doce, mas por ocasião de minha chegada esse vapor estava quebrado, o que não me deixou alternativa senão dirigir-me a Linhares por terra. Felizmente um certo Senhor Pinto estava se preparando para fazer essa viagem, de forma que pude acompanhá-lo. Deixando Santa Cruz no dia 11 de junho, chegamos ao rio Doce após dois dias de penosa marcha, a cavalo, por um terreno algo montanhoso. Linhares é uma vila insignificante, que consiste em pouco mais do que uma praça, com casas pequenas e, em sua maior parte, habitadas por roceiros que não pareciam ter outra ocupação regular senão a de ficar à toa.</p>
<p>O príncipe Maximiliano, em suas <i>Viagens</i> (1815), descreve Linhares como “um lugarejo pobre e insignificante, as casas baixas e modestas (…) feitas de barro, sem reboco, e pequenas. Foi construída em forma de quadrado; não existe igreja ainda, mas somente uma grande cruz de madeira. A missa é rezada no interior de uma pequena casa”. Lamento dizer que, assim como era em 1815, assim é Linhares hoje, com uma única exceção. Na época da visita do príncipe não havia nem tinha havido igreja, enquanto hoje se pode ver, por suas ruínas, que pelo menos duas igrejas foram iniciadas, em períodos diferentes, sem que nenhuma delas tenha sido concluída. Uma dessas igrejas redundou em malogro total, e a outra, ou melhor, o que dela resta, transformou-se numa ferraria.</p>
<p>O passado histórico de Linhares bem serve para justificar sua condição atual. Segundo lemos no <i>Dicionário da Província do Espírito Santo</i> (já citado antes), Linhares foi fundada no ano de 1792, povoando-se com criminosos que, tendo escapado ao braço da lei, encontraram nas regiões banhadas pela rio Doce uma espécie de refúgio.</p>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
</div>
<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;">
<a href="https://4.bp.blogspot.com/-6vTdDs7wZok/VwbU6gbLDbI/AAAAAAAAHzs/wcWDpHv70_gJlgepHRO8zWRZ8ewbX_ZPQ/s1600/Perspectiva%2Bda%2Bpovoa%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bde%2BLinhares%252C%2B1819.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Perspectiva da povoação de Linhares, 1819." border="0" height="462" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Perspectiva2Bda2Bpovoa25C325A725C325A3o2Bde2BLinhares252C2B1819.jpg" class="wp-image-5355" title="Perspectiva da povoação de Linhares, 1819." width="640" /></a></div>
<p>
Apesar de todas as suas limitações, porém, creio que em alguma época futura Linhares há de tornar-se um próspero centro comercial. O terreno em que se levanta é sem dúvida o local mais adequado para uma cidade em todo o vale do rio Doce, situando-se bem acima do nível do rio e, portanto, fora do alcance das grandes cheias que aí ocorrem anualmente.</p>
<p>Por volta de 28 de junho eu já tinha adquirido minhas canoas e posto a expedição de certa forma em funcionamento. Tinha contratado seis homens (quatro brasileiros, um escocês e um intérprete português) para acompanhar-me. Assim, minha primeira viagem foi até à foz do rio. Chegamos aí ao meio-dia de 1º de julho, montando acampamento numa longa e arenosa faixa de terra na margem norte do rio, do lado oposto a Regência. Aí o rio Doce tem uma largura de cerca de milha e meia. Era meu desejo demorar-me aí algum tempo, a fim de fazer um exame detalhado do que, segundo se pode esperar, será um dia um importante porto brasileiro. Mas atualmente a barra do rio Doce não é incluída na mesma categoria de outros portos do Império, ainda que, em alguns casos, bem inferiores. Além do fato de que alguns pequenos veleiros, vindos do Rio de Janeiro, atracam aí vez por outra com o objetivo de embarcar madeira (principalmente jacarandá), não há atividade comercial nenhuma.</p>
<p>A 9 de julho regressamos a Linhares, partindo de novo a 16 a fim de explorar a lagoa Juparanã e o rio São José. Nessa viagem descobri um erro que tem sido cometido em todos os mapas dessa região até agora impressos, ou seja, o erro que mostra dois rios (o São Rafael e o rio Preto) desaguando na extremidade norte da lagoa Juparanã, quando na realidade existe apenas um rio que deságua nessa lagoa, e esse rio tem o nome de São José. Ademais, esse rio nunca tinha sido explorado antes<span id="AERD_RP8V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP8" title="O Professor Hartt, em seu trabalho Resultados científicos de uma viagem ao Brasil (Agassiz), informa: 'Ao norte da lagoa (Juparanã) deságua um pequeno rio. (…) Ele nasce na floresta, em plena região dos botocudos, e nunca foi explorado'."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> até que eu e meus companheiros subíssemos o seu curso. Um mês inteiro foi gasto em subir e descer esse rio.</p>
<p>Nosso maior problema foi a destruição quase total de nossa canoa ao atravessarmos uma corredeira, e o menor foi termos de tomar café sem açúcar durante mais de uma quinzena. Deparamo-nos ao todo com mais de uma dúzia de cachoeiras, e corredeiras em grande número. A primeira cachoeira, subindo-se o rio, tinha cerca de 100 jardas de comprimento, com uma queda total de 24 pés, o que representou, no que nos dizia respeito, um dia e meio de ingentes esforços. Refiro-me ao tempo que levamos para subir a cachoeira. Em nossa viagem de regresso, porém, não levamos mais que meio minuto para descê-la. Além das corredeiras, outro tipo de obstáculo com que nos defrontávamos eram as moitas cerradas de uma árvore leguminosa conhecida pelo nome de ingá, que abunda no curso superior do rio. Em muitos trechos éramos forçados simplesmente a abrir caminho por entre essas moitas de ingá<span id="AERD_RP9V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP9" title="Existem cerca de 140 espécies de ingá. Aqui se trata da espécie conhecida pelo nome de Ingá bahiensis Benth. Essa árvore é notável devido à maneira como se espalha. Só é encontrada nos trechos em que os rios atravessam terreno pantanoso. Nos pontos em que os rios se estreitam (18 pés de largura, por exemplo) os ingás, cujas raízes principais crescem nas margens, lançam um sem número de ramos que se estendem sobre as águas e dentro delas, entrelaçando-se de maneira muito cerrada, o que cria obstáculos à navegação."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a></p>
<p>O ponto extremo do rio São José por nós atingido, foi uma catarata pitoresca a que chegamos na tarde de 26 de julho. Ficamos dois dias acampados junto a ela, iniciando o regresso na manhã de 29. Dei à catarata o nome de Leila. O aspecto que apresenta é de grande beleza, com cerca de 40 pés de altura e 80 de largura. Estávamos então no centro do território habitado por uma tribo de botocudos, os pojixa. A certa distância da catarata Leila, bem no meio da floresta, descobrimos uma choça desabitada, pertencente a esses índios. Mais tarde fui informado de que, enquanto estávamos subindo o São José, esses índios pojixa estavam rondando a vila de São Mateus, levando pânico, às vezes, aos fazendeiros instalados nos pontos mais distantes daquele lugar. Os índios roubaram gado e além disso, tendo desaparecido as duas filhas de um rico fazendeiro, supõe-se que teriam sido levadas pelos índios, bem para o interior da região, onde seria impossível resgatá-las.</p>
<p>Foi então que tive de enfrentar o pior problema que se me deparou durante toda a minha exploração, que reduzia a nada, em comparação, todo e qualquer perigo representado pelas cachoeiras, pelos índios, pelas feras, febres ou malária.</p>
<p>Pouco depois de meu regresso a Linhares descobri que, em razão de despesas imprevistas, esgotara-se todo o dinheiro que trouxera comigo do Rio de Janeiro. O que fazer? Não pude admitir a ideia de vender e certamente com prejuízo as provisões, munições, etc., destinadas à expedição, e abandonar assim o meu projeto; resolvi portanto expor aos meus homens o estado de coisas, e, reunindo-os, informei-os de que não havia como receberem seu pagamento até que a expedição retornasse ao Rio de Janeiro. Os homens já estavam preparados para tal notícia, pois sua contratação tinha sido feita nesses termos. Informei-os ainda de que não receberiam nem um centavo de adiantamento além do que já lhes fora pago; em suma, que o dinheiro de que dispunha se esgotara inteiramente. Os homens ficaram um tanto chateados, e um ou dois começaram a resmungar que, nesse caso, eles não iriam adiante. Apelei então para os seus bons sentimentos num discurso estudado, e minhas palavras produziram o efeito desejado. Eles ficaram sentados em silêncio alguns momentos, entreolharam-se como ovelhas desgarradas e depois disseram em coro: “Doutor! nós vamos com o senhor até o fim.” Não houve necessidade de mais palavras: com um cordial aperto de mão selou-se o contrato de fidelidade. Tendo assim conquistado a lealdade dos homens, decidi partir de Linhares o mais breve possível. Deste modo, a 31 de agosto iniciamos nossa longa e árdua jornada.</p>
<p>A 3 de setembro alcançamos a confluência do rio Pancas, um dos afluentes da margem esquerda do Doce, a 54 milhas acima de Linhares. Era minha intenção subir esse rio da mesma forma como subira o São José; assim, no dia seguinte, quatro dos homens, juntamente comigo, partiram na canoa menor, a <i>Lily</i>, deixando Adriano e William por conta do acampamento principal e do grosso das provisões. Pouco depois do meio-dia chegamos à primeira cachoeira do rio Pancas (cachoeira dos Bugres). Aí tivemos de descarregar a canoa a fim de transportá-la através das pedras. As cinco horas da tarde tivemos a satisfação de acampar acima da cachoeira.</p>
<p>No dia seguinte passamos por duas corredeiras, a pequena distância uma da outra, e para vencê-las tivemos novamente de retirar a carga da canoa. Às 2 da tarde chegamos a mais uma corredeira, com cerca de 200 jardas de comprimento, muito estreita e violenta. Descarregamos a canoa para transportá-la pelas pedras da margem oriental da corredeira, num percurso de 160 jardas. O resto da tarde velejamos com tranqüilidade, à exceção de um trecho do rio que estava mais ou menos bloqueado por ingás.</p>
<p>A 6 de setembro percebemos as primeiras pegadas de índios e, no dia seguinte, após superarmos outras quatro corredeiras, encontramos uma ponte usada pelo índios — um estreito tronco de árvore caído através do rio — com um longo cipó esticado de fora a fora e atado a uma árvore de cada lado de forma a servir como uma espécie de corrimão; os índios tinham utilizado essa ponte natural a fim de permitir a passagem de suas mulheres e filhos. Outras evidências da presença dos índios nas proximidades apareciam à medida que continuávamos subindo o rio. Passamos por outra ponte rústica, percebendo nítidas pegadas em quase todos os bancos de areia. Fizemos a medida de algumas dessas pegadas e constatamos que os índios (quaisquer que sejam seus outros defeitos) em todo caso possuem pés pequenos. Descobrimos também um aparato de pesca. Era coisa simples, consistindo de algumas estacas enterradas no leito de um trecho raso do rio, formando assim uma espécie de cerca ou armadilha.</p>
<p>Próximo ao entardecer nosso progresso foi impedido por um grande jequitibá que tinha tombado sobre o rio. Tivemos de esperar cerca de um quarto de hora até que os homens cortassem a machado o obstáculo. Foi nesse momento que tivemos a certeza de que os índios ou bugres estavam bem próximos de nós, pois, quando os homens pararam um pouco para descansar, pudemos ouvir distintamente um ruído como se alguém estivesse fugindo pela floresta. Mandei que Moreira gritasse ao fugitivo para se mostrar, que não havia perigo; mas o fugitivo, quem quer que fosse, não obedeceu. Removida a árvore, continuamos nossa viagem rio acima. O rio, aliás, começava a fazer-se muito estreito, e nosso avanço era com freqüência dificultado por troncos caídos e por densas moitas de ingá.</p>
<p>Às 5:30 da tarde, os homens já inteiramente exaustos, avistamos um pequeno banco de areia, onde passamos a noite, dormindo em terreno coberto por grande número de pegadas recentes dos bugres.</p>
<p>No dia seguinte tivemos nosso primeiro encontro com os índios. Tínhamos acabado de dobrar uma curva do rio quando percebi uma figura avermelhada espiando por entre as árvores, a uma distância de não mais que dez jardas da canoa. Isso foi o bastante. No profundo silêncio daquele local primevo, a voz do velho Moreira, em obediência a ordem minha, soou forte e claramente, gritando: “Juck-jum-nook Jacarung!… ning amancoot… ouroohoo-o-o-o!” — o que significa: “Somos amigos; venham comer alguma coisa conosco”. Durante muito tempo não houve resposta, embora pudéssemos distinguir os sussurros de uma conversa que se processava na floresta. Os bugres estavam, evidentemente, consultando-se uns aos outros sobre o que fazer. Mas foi preciso Moreira renovar o convite para que então nos respondessem que viriam até nós se prometêssemos que não lhes faríamos mal. “Fazer-lhes mal, Moreira? Eu diria que não. Diga-lhes que se aproximem como homens, que os trataremos como irmãos”. O velho Moreira interpelou-os mais uma vez, e subitamente vimo-nos face a face com oito homens esguios, fortes, inteiramente nus, levando nas mãos um arco e várias flechas; dois ou três deles usavam, em torno do pescoço, pedaços de imbira dos quais pendiam pequenas facas de fabricação grosseira.</p>
<p>A <span id="AERD_RP10V">tribo</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP10" title="Essa tribo de botocudos é conhecida pelo nome de nackinhapmá, que significa linda terra."><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a> a que pertenciam esses selvagens contava cerca de setenta almas. Estivemos na companhia deles durante quase um mês, e nesse período tive a oportunidade de estudar seus modos e costumes, diariamente, desde o amanhecer até tarde da noite. Pela aparência física os <span id="AERD_RP11V">botocudos</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP11" title="Os colonizadores portugueses, no começo do presente século, deram a esses índios o nome de botocudos em razão de usarem eles o ornamento labial chamado botoque. os botocudos anteriormente eram conhecidos pelo nome de aimorés ou aimurás. Martius classificou seis tribos (ou clãs) de índios, que encontrou nesta região do Brasil, sob uma só denominação, chamando-os crens, devido ao fato de essa palavra, que significa cabeça, estar presente em todos os vocabulários das línguas faladas pelas seis tribos, a saber, botocudos, puris, coroados, malalis. araris e xumetos. Descobriu-se também uma semelhança craniológica entre os sambaquis, uma nação pré-histórica que habitava o Brasil, e os botocudos. Essa descoberta levou algumas pessoas a imaginar serem os botocudos, possivelmente, os últimos remanescentes de uma época remotíssima. Usei aqui o termo sambaquis como se fosse o nome dessa nação pré-histórica. Na realidade, porém, o termo serve para designar apenas os amontoados de conchas, ou túmulos, em que são encontrados com freqüência os crânios e instrumentos de pedra, etc., desses homens e mulheres (?) primevos. No Brasil esses restos humanos passam por pertencer ao homem dos sambaquis. As conchas mencionadas em relação a esses amontoados são conchas de ostras."><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a> dificilmente poderão ser tidos como atraentes. Algumas das jovens, é verdade, são bonitas e bem formadas, mas essa beleza menineira não é duradoura, uma vez que, entre os botocudos, persiste o costume (provocado pela necessidade) de as moças casarem muito cedo. Foi-me dado ver um exemplo impressionante de um desses casamentos prematuros, em que o marido já tinha os seus vinte anos, enquanto sua companheira, que ficaria com ele por toda a vida, mal chegara à idade de nove anos. A altura média dos botocudos é cinco pés e quatro polegadas. Têm o peito muito largo, o que explica a facilidade com que envergam os arcos, que são muito rijos, sendo feitos da madeira dura e flexível da palmeira airi ou brejaúba (<i>Astrocaryum Ayri Mart.</i>). Os pés e mãos dos botocudos, embora pequenos, não são delicados, mantendo-se porém proporcionais às suas pernas e braços, que são finos mas musculosos. Quanto à cor da pele, encontram-se os mais variados matizes, sendo alguns indivíduos de um marrom-avermelhado escuro, enquanto outros, sobretudo as mulheres, são bastante claros. Com respeito às feições, impressionou-me o fato de esses botocudos mostrarem notável semelhança com os chineses, de modo que, se em vez de cortarem o cabelo em forma de cuia eles usassem um rabicho, quem os olhasse superficialmente mal poderia distinguir a diferença entre uns e outros.</p>
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<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="https://4.bp.blogspot.com/-_F3xjHFU1O0/VwWWxPRpBZI/AAAAAAAAHy8/NPok8cii6tsq0Kd_DLrFipyUzRggnzqSw/s1600/Fotos%2Bbotocudos-%2BVale%2Bdo%2BRio%2BDoce%2B-%2Bin%25C3%25ADcio%2Bdo%2BS%25C3%25A9culo%2BXX%2B%2Bdesenhos%2BDebret%2Be%2BRugendas-%2BSec.%2BXIX.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Fotos botocudos- Vale do Rio Doce - início do Século XX." border="0" height="400" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Fotos2Bbotocudos-2BVale2Bdo2BRio2BDoce2B-2Bin25C325ADcio2Bdo2BS25C325A9culo2BXX2B2Bdesenhos2BDebret2Be2BRugendas-2BSec.2BXIX.jpg" class="wp-image-5356" title="Fotos botocudos- Vale do Rio Doce - início do Século XX." width="353" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Fotos botocudos- Vale do Rio Doce &#8211; início do Século XX.</td>
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<p>Os botocudos são conhecidos principalmente pelo horrível costume de usar nos lábios e nas orelhas enormes ornamentos de madeira, costume que está desaparecendo rapidamente, e que atualmente só se encontra entre alguns dos índios mais velhos, que preservam inalterados todos os hábitos e costumes de seus antepassados.</p>
<p>Esses ornamentos labiais são feitos de uma madeira leve, a da barriguda (<i>Bombax ventricosa</i>, fam: <i>Bombaceae</i>). Há todo um processo a ser seguido, que se estende por toda a vida do indivíduo, para que o botocudo possa exibir um ornamento labial de, digamos, três polegadas de diâmetro. Aos três anos de idade tem início o processo, quando os pais fazem uma pequena perfuração no centro do lábio inferior da criança e em cada um dos lóbulos das orelhas, inserindo nos orifícios um pequeno tarugo de madeira com o diâmetro aproximado de um lápis. Daí a algumas semanas esse tarugo é substituído por outro maior, e assim por diante, até que o lábio (tendo-se esticado gradualmente) possa receber um botoque com a dimensão acima referida, ou seja, três polegadas de diâmetro. É comum ocorrer, com o passar do tempo, que o lábio, esticando-se em torno do botoque como se fosse uma tira de elástico, acaba por partir-se. isso, porém, não impede que se continue a usar o botoque. Nesse caso o índio limita-se a atar as duas pontas de seu lábio por meio de um pequeno pedaço de imbira, solucionando o problema de uma forma muito mais prática do que ornamental.</p>
<p>De modo geral os botocudos vivem até uma idade avançada. Aquele que se reúne aos antepassados aos setenta anos é lamentado por seus parentes por ter falecido na flor da juventude, o que, porém, não impede os parentes de abandonar o moribundo no meio da mata se acontecer de estarem em viagem. Argumentam dizendo que, se o doente se recuperar, sempre poderá levantar-se e alcançá-los outra vez. E esse é realmente o caso, ainda mais que, quando viajam, os bugres têm o costume de marear o caminho para quaisquer membros da tribo que se tenham atrasado na marcha, o que é feito quebrando-se ramos de árvores ao logo do trajeto.</p>
<p>Os botocudos se alimentam principalmente da noz de duas ou três espécies de palmeiras. Essas nozes (cuja casca é quebrada com o auxílio de pedras) são extremamente duras, e assim, para que os mais idosos e as crianças possam digerir adequadamente o alimento, as mulheres precisam mastigar as nozes até transformá-las numa polpa, que então retiram da boca e oferecem aos pais ou aos filhos, conforme o caso. Uns e outros aceitam com avidez esse alimento assim preparado e além disso, parecem apreciá-lo bastante. As principais palmeiras que fornecem alimento aos botocudos são a airi (<i>Astrocaryum Ayri Mart</i>.) e a indaiá (<i>Attalea compta Mart</i>.). As nozes desta última são, porém, mais apreciadas pelos índios do que as da airi, que têm um sabor um tanto amargo. As nozes da indaiá contêm ainda uma grande quantidade de óleo.</p>
<p>Esses índios passam os dias caçando, pescando e cuidando de seus arcos e flechas, enquanto as mulheres cuidam das crianças, juntam nozes e outros frutos para o consumo diário e executam o grosso do trabalho pesado para os seus senhores. Sempre que se precisa erguer uma nova choça, as mulheres é que se fazem de arquitetas e construtoras, e sempre que a tribo está em mudança, as mulheres se transformam simplesmente em veículos de transporte, já que os homens não se dignam a carregar nada a não ser seus arcos e flechas. Vestimentas de qualquer tipo são inteiramente desconhecidas por esse povo selvagem.</p>
<p>Os bugres não têm hora certa para as refeições, não sabendo, aliás, se de uma hora para outra encontrarão alguma coisa para comer. Dessa forma não estão sujeitos a nenhuma lei ou norma doméstica. Dormem à hora que lhes apraz; caçam, pescam, cantam e dançam sempre que lhes der vontade, e comem quando podem.</p>
<p>Entre os botocudos é permitida a poligamia, embora raramente se encontre quem se dê ao luxo de ter mais de uma esposa, sabendo-se muito bem que teria de obter comida (através da caça, etc.) não somente para uma outra esposa mas, com toda a probabilidade, para uma outra família; e isso representa uma grande preocupação, já que as florestas virgens não contêm de forma alguma uma reserva inexaurível de caça; muito pelo contrário, a caça é extremamente rara, e exige um trabalho de rastejamento muito cuidadoso da parte do caçador. Essa escassez de animais, contudo, se verifica apenas nos setores da mata mais frequentados pelos índios. Daí por que encontramos em certos locais (no trecho superior do rio Tambaquari, por exemplo) grande quantidade de caça, enquanto em outros locais ela se acha quase extinta<span id="AERD_RP12V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP12" title="A escassez de animais nos territórios índios será sem dúvida a causa principal para o futuro desaparecimento dos índios selvagens nessa região do Brasil. Tome-se como exemplo o caso da tribo nackinhapmá do rio Pancas. Esses índios dominam uma certa área que percorrem livremente sem serem incomodados por nenhuma outra tribo. Suponha-se porém que, devido à falta de caça, os nackinhapmás penetrassem no vizinho território dos incutcracks. Qual seria a consequência? Assim que os incutcracks tivessem conhecimento da invasão, pegariam em armas para se entregarem a um renhido conflito, de que resultaria o completo extermínio de uma ou outra das duas tribos."><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a></p>
<p>Os botocudos não dispõem de nenhuma forma de governo, embora cada tribo tenha o seu chefe (capitão). O chefe, porém, não exerce nenhuma autoridade real sobre sua tribo. Geralmente é ele o melhor caçador e, sendo assim, cabe-lhe em grande parte a responsabilidade de obter caça, principalmente em períodos difíceis.</p>
<p>A religião desses índios é primitiva ao extremo. Acreditam na existência de um certo grande espírito que criou o mundo (o mundo deles), mas não lhe oferecem nem preces nem sacrifícios. Sobrevindo uma tempestade, interpretam-na como um sinal de que o grande espírito (cupã) está furioso, o que lhes provoca em consequência um grande temor. Alguns dos membros mais corajosos da tribo, porém, atiram tições para o ar, na crença de que esse gesto aplaca a fúria do grande espírito, amainando-se então a tempestade. Acreditam que, quando um homem morre, seu fantasma fica errando pela terra como se à procura de alguém a quem possa devorar, isto é, o fantasma do bugre causará danos a todos os que o maltrataram em vida ou, por outro lado, trará benefícios aos que lhe possam ter feito bem neste mundo. Esses índios fazem apenas uma vaga ideia do maligno, que acreditam residir no corpo de um certo pássaro noturno, que tem o hábito de guinchar durante as mais absurdas horas da noite, despertando o bugre de seu sono.</p>
<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
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<td style="text-align: center;"><a href="https://3.bp.blogspot.com/-xPNqjMExcrQ/VwWWytPUUHI/AAAAAAAAHy8/IJWw1YkpAlch65Yjq08spte6WytU9J9Ig/s1600/post-famc3adlia-de-botocudos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Família de botocudos em viagem." border="0" height="318" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/post-famc3adlia-de-botocudos.jpg" class="wp-image-5357" title="Família de botocudos em viagem." width="640" /></a></td>
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<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Família de botocudos em viagem.</td>
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<p>A 27 de setembro continuamos nossa viagem rio acima, chegando no dia seguinte a uma localidade chamada Mutum. Aqui, na margem direita do rio, existe uma pequena aldeia de índios semi-civilizados, compreendendo vinte e quatro almas, sendo seis homens (com calças), oito mulheres (com anáguas), e dez crianças (com coisa alguma). Essa aldeia está sob a supervisão do governo imperial. Na margem esquerda — bem em frente à aldeia — estão as ruínas de uma missão fundada, cerca de quinze anos atrás, por um digno monge capuchinho, frei Bento. O objetivo da missão era civilizar os índios das vizinhanças de Mutum, mas em razão de um desentendimento surgido entre os índios civilizados da missão e a tribo selvagem conhecida pelo nome de incutcrack, todo o projeto fracassou; o intérprete de frei Bento, Daniel, foi morto, e os demais membros do pequeno núcleo, se não tivessem fugido para o outro lado do rio, teriam sem dúvida partilhado o mesmo destino. A partir desse episódio trágico a missão foi relegada ao mais completo abandono, dela restando hoje apenas as ruínas desoladas de algumas moradias e uma grande cruz de madeira a assinalar o local em que a filantropia tentou fixar residência, mas sem ter êxito.</p>
<p>A 6 de outubro chegamos a Guandu. Estávamos então ao pé das imensas quedas d’água chamadas Cachoeira das Escadinhas. Fui obrigado a abandonar a pequena canoa em Guandu, já que teria sido absurdo tentar transportá-la mais além devido ao ímpeto das águas que nos seria dado enfrentar pelo restante da viagem.</p>
<p>Com certa dificuldade providenciamos com um natural de Guandu a utilização de seis bois e, com a ajuda deles, conseguimos arrastar nossa canoa grande por terra — uma distância de três milhas — até um lugar chamado Natividade. Aí pudemos retomar o rio, só que antes disso foi preciso trazer de Guandu também o nosso acampamento. Essa tarefa não contou com a ajuda dos bois, pois já não tínhamos condições de pagar novo aluguel. Da primeira vez tivemos de lançar mão de nossas provisões a fim de recompensar o dono dos bois pelo serviço de forma que não nos era possível ceder nada mais em forma de alimento. Quanto a pagamento em dinheiro, estava fora de questão. Começamos a 12 de outubro a mudança do acampamento, e somente após uma semana de tediosas marchas pela floresta densa é que tivemos a satisfação de acampar acima das quedas que tanto problema nos tinham causado.</p>
<p>Na cachoeira chamada do Inferno, e na do M, fomos obrigados a puxar a canoa por meio de cordas feitas de cipós. Amarra-se uma corda à proa da canoa e dois homens, segurando-a com firmeza, pulam de uma pedra para outra e vão assim rebocando a canoa. Um terceiro homem permanece à proa da canoa, evitando por meio de uma longa vara que a canoa se choque contra as pedras; ao mesmo tempo o piloto, com seu pesado remo de largas pás, dirige a canoa através das estreitas passagens entre as pedras, gritando ordens para os homens de uma tal maneira que leva a pensar que a canoa e toda a sua carga estão à beira de uma perda inevitável. O ruído da correnteza vem completar o quadro de confusão que sempre prevalece durante a subida de uma corredeira.</p>
<p>A 29 de outubro atingimos a confluência do Suçuí-Grande, um dos principais afluentes do rio Doce. Nele penetrando, verificamos ser um afluente largo e profundo. Nosso percurso foi fácil por cerca de duas milhas ou mais, até que tivemos de parar. Como de regra, o obstáculo era uma cachoeira. Logo abaixo dela, num banco de areia, armamos o acampamento. Nossas provisões tinham-se finalmente esgotado, e lá estávamos nós, ao pé dessa primeira cachoeira do Suçuí-Grande, dependendo de nossas armas para futura subsistência. A última colher de açúcar se tinha dissolvido, a última caneca de café tinha sido servida, o último grão de farinha já se fora, e o único pedaço que restava de carne seca, com suas três polegadas de tamanho e meia polegada de espessura, dera bolor naquela manhã mesma. Os homens se comportaram admiravelmente nessas circunstâncias, deixando escapar pouquíssimas queixas, embora bem sei que os coitados se sentiam por vezes tentados ao motim. Apesar de tudo subimos o Suçuí-Grande e, a 5 de novembro, penetramos no Tambaquari, afluente daquele.</p>
<p>Decidi subir o Tambaquari da mesma forma como subira os rios São José e Pancas. Os homens, contudo, embora eu os tivesse por mais de uma vez inteirado da minha intenção de explorar esse rio, fingiram não saber nada a respeito, perguntando, após termos remado uma curta distância, se já não era a hora de voltar. “Não, adiante, até que eu diga que é hora de voltar” respondia eu a essa insinuação da parte deles. Os homens prosseguiram comigo; e não foi senão a partir de 24 de novembro que começamos a regressar.</p>
<p>A 12 de novembro, tendo chegado a uma cachoeira que a canoa grande não tinha condições de ultrapassar, começamos a construir uma canoa menor, tarefa que nos ocupou durante três dias, ainda mais porque só dispúnhamos de machados para trabalhar. Terminada a canoa, que foi feita de uma madeira um tanto macia, descobrimos que nela só cabiam cinco pessoas, e mesmo assim o nível da água ficava a apenas três polegadas da amurada. Assim, foi necessário deixarmos dois homens no acampamento de Cachete, enquanto os outros cinco partiram nesse arriscado meio de transporte, continuando nossa exploração do rio Tambaquari. A 24 de novembro regressamos dessa exploração, que nos levou até um ponto à distância de 32 milhas de sua confluência.</p>
<p>Às vezes dispúnhamos de comida até de sobra, enquanto outras vezes a nossa dispensa (a proa da canoa) se mantinha completamente vazia.</p>
<p>Como substituto para o pão, recorríamos a um vegetal chamado palmito, que é constituído pela polpa de uma espécie de palmeira (<i>Euterpe oleracea Mart</i>.) que cresce em abundância nas densas florestas do rio Tambaquari. A fim de obter o palmito éramos obrigados a cortar a árvore inteira, daí por que, durante nossa exploração do Tambaquari, fizemos enorme devastação entre essas belas e esguias palmeiras. Abatíamos cerca de quinze árvores em média por dia, e posso calcular em torno de 450 o número de palmeiras que derrubamos durante aquela incursão, a fim de prover de alimento nosso pequeno e faminto grupo. É claro que não subsistimos unicamente à base do palmito, que, como indiquei, era um mero substituto do pão. Nossas armas nos prestavam um bom serviço abatendo uma variedade de caça.</p>
<p>Alguns dos animais, como macacos, pacas, cotias, capivaras, etc., constituíam uma deliciosa alimentação, enquanto outros eram inteiramente o inverso. O mesmo se aplica aos vários tipos de pássaros que caçávamos. No que se refere aos animais, os macacos eram os que mais apreciávamos, sobretudo os da espécie conhecida por “barbados” (<i>Myeetes ursinus</i>). Entre os pássaros, nossa carne preferida era a de patos selvagens, mutuns, jacus, jacutingas e jacupembas (<i>Penelope marail L.</i>). Em uma ocasião tentamos comer uma arara, mas não foi possível. Chegamos à metade do que pensávamos que ia ser um bom petisco, e então resolvemos dar a sobra ao cachorro. Capivara também não é uma comida gostosa, por ser dura a carne e de sabor muitíssimo forte.</p>
<p>Às vezes fazíamos boa pescaria, sendo surubim o maior peixe que pescamos, e piau, piaba e piabanha os mais saborosos.</p>
<p>A 10 de dezembro atingimos mais uma vez a confluência do Suçuí-Grande, chegando no dia seguinte ao povoado de Figueira. O percurso de oito milhas entre a confluência do Suçuí-Grande e Figueira apresentou extremas dificuldades. Vimo-nos forçados a navegar junto à margem, com a ajuda de ganchos, para podermos fazer algum progresso. A época das cheias estava começando, e o rio Doce estava cheio. Devido à profundeza da água e à corrente extremamente forte, o uso de varas ou de remos estava fora de questão. Por conseguinte só nos restava puxar a canoa com a ajuda de ganchos presos às forquilhas das árvores que cresciam abundantemente nas margens do rio junto à água. Esse é um processo tedioso, mas ao mesmo tempo é o único processo seguro que se pode adotar em certos trechos do rio durante as cheias.</p>
<p>Demoramo-nos em Figueira alguns dias, em vista de estarem doentes três dos meus homens, mas a 18 de dezembro a expedição prosseguiu rio acima, procurando adiantar- se o mais possível antes que as cheias chegassem ao seu nível mais alto. A viagem foi relativamente fácil até que chegamos à cachoeira de Baguari, vinte milhas acima de Figueira. Essa foi a primeira cachoeira pura e simples que encontramos no rio principal, e por sinal muito bonita — não muito alta (30 pés), porém alta o bastante para nos dar muito trabalho em ultrapassá-la. Tivemos a sorte de encontrar, ao pé da cachoeira, um pequeno grupo de pescadores vindos de Figueira e, com sua ajuda, obtida em troca de alguma pólvora e balas, conseguimos carregar a canoa sobre a cachoeira em menos tempo do que normalmente nos seria possível.</p>
<p>No dia de Natal chegamos à confluência do rio Santo Antônio. Penetramos nele e acampamos cerca de seis milhas rio acima. O rio Santo Antônio foi o mais fácil dos afluentes do Doce que tínhamos explorado, sendo largo, profundo, e bastante apropriado à navegação numa distância de 20 milhas a partir de sua confluência. Depois disso, porém, o rio perde inteiramente essas características, e, como tantos dentre os pequenos rios brasileiros, torna-se uma sucessão de quedas d’água e de corredeiras. Cerca de 10 milhas rio acima existe uma pequena povoação chamada Naque, assim chamada em virtude de ter havido aí anos atrás uma aldeia da tribo nackerehé, dos botocudos. Permanecemos em Naque algum tempo, já que o meu intérprete (Moreira) tinha ali alguns parentes que ele não via há vinte anos . O que serve para demonstrar como são raros os contatos entre um lugar e outro nesta parte do mundo. Moreira vivia em Guandu e (embora a distância entre Naque e Guandu, em linha reta, seja de apenas 85 milhas) nunca tivera oportunidade visitar aqueles parentes.</p>
<p>Percebi que um grande número dos moradores de Naque apresentavam bócios no pescoço. Por vezes todos os membros de uma família possuíam uma dessas excrescências disformes, e em alguns casos o bócio atingia tão grande dimensões que pendia do pescoço da pessoa. Disseram-me que esses bócios são causados pela fato de a água das redondezas conter multa cal.</p>
<p>Outra doença muito comum entre essas pessoas é a lepra. Ouvi de fonte segura que, na cidade de Joanésia, uma pessoa com o corpo sadio é uma ave rara. A lepra é causada talvez pela comida de muita caloria que os mineiros, por ignorância, estão acostumados a comer, ou seja, toucinho e farinha de milho. Os lavradores fazem questão de criar porcos com o único objetivo de obterem seu tão cobiçado toucinho.</p>
<p>A 29 de dezembro partimos de Naque, chegando no dia seguinte diante da cachoeira do Escuro. Essa cachoeira pareceu-nos muito semelhante, por seu tamanho e aparência, à de Baguari, só que um pouco menos larga. A expedição prosseguiu viagem rio acima no dia de Ano Novo.</p>
<p>Há algum tempo vínhamos sofrendo terrivelmente com mosquitos e outros insetos. Durante o dia todo, mutucas (grandes moscas marrons de índole muito malévola), capotes (moscas menores, cujas asas parecem ter sido cortadas nas pontas) e borrachudos (pequenos mosquitos) não nos davam descanso; e à noite, depois que esses insetos deixavam o campo, grandes reforços de mosquitos chegavam para terminar o que seus aliados tinham começado.</p>
<p>A 5 de janeiro a expedição atingiu a cachoeira do Surubim, a pior de quantas encontramos desde as Escadinhas, agora 150 milhas às nossas costas. O trabalho de transportar a canoa por terra até o alto da cachoeira foi longo e tedioso. Tiramos a canoa da água na manhã de 6 de janeiro, e somente no final da tarde do dia 11 conseguimos colocá-la de novo flutuando.</p>
<p>Nesses seis dias não fizemos mais do que um progresso cerca de 80 jardas.</p>
<p>Essa foi a última cachoeira por que passamos no rio Doce, e nossa exploração daquele rio selvagem e estranho estava chegando ao fim. Um dia depois meu pequeno grupo acampou ao pé de outra cachoeira, a da Ponte Queimada, mas não chegamos a ultrapassá-la. Os homens, coitados, devido aos sacrifícios e privações dos últimos dois meses e meio, não tinham perdido apenas as forças, mas também o ânimo, e eu mesmo sofri um ataque de febre, que me deixou fraco e inerme, a que se seguiu quase imediatamente um agudo ataque de malária.</p>
<p>Num povoado chamado Sacramento (13 milhas a lés-sueste de Ponte Queimada) foram tomadas providências para uma tropa de mulas transportar minha exausta expedição até São Geraldo, onde havia uma estação da Estrada de Ferro Leopoldina. A viagem durou doze dias, abrangendo uma distância de cerca de 160 milhas. Passamos por três ou quatro vilarejos, cujos habitantes nos olhavam com aquelas expressões suaves que os matutos brasileiros sempre assumem quando não compreendem inteiramente as coisas.</p>
<p>Chegamos a São Geraldo no dia 30 de janeiro. No dia seguinte tomei um trem para o Rio de Janeiro, onde cheguei após uma viagem de 16 horas. Minha primeira visita foi ao London and Brazilian Bank. Quatro dias depois retornei a São Geraldo, acertei as contas com o digno proprietário da tropa de mulas, e a 6 de fevereiro trouxe meus homens até a capital do país, de onde regressaram por mar às suas namoradas e esposas em Linhares. Nossas andanças, sacrifícios, tribulações e aborrecimentos estavam terminados, mas minha malária não. Ela não me deixou senão às vésperas de meu retorno à velha Inglaterra, onde cheguei no dia 29 de maio de 1886.</p>
<p>Autor: William John Steains<br />
Tradução: Reinaldo Santos Neves</p>
<p>_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="AERD_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;Introdução feita para a publicação do texto na <i>Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo</i>, n.5, p.103-27, 1984.</p>
</div>
<div id="AERD_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;O ponto culminante dessa serra é Itatiaia-açu que, de acordo com Wells, está 10.040 pés acima do nível do mar, sendo “o ponto mais alto que se conhece do Brasil”.</p>
</div>
<div id="AERD_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Vide o interessante trabalho do Sr. Wells sobre a “Geografia física do Brasil”, lido perante esta Sociedade em 8 de fevereiro de 1886.</p>
</div>
<div id="AERD_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Em português no original, como todas as demais palavras em destaque no texto. (N. do T.).</p>
</div>
<div id="AERD_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Nos mapas dessa região do Brasil até agora publicados, esse rio tem o nome de São Rafael, erro porém que não é muito de admirar, considerando o número de incorreções que se encontra em qualquer mapa que pretenda representar o vale do rio Doce. Um dos mapas que compulsei no Brasil mostrava três ou quatro grandes ilhas na lagoa Juparanã, quando nela só existe uma única ilha, a do Imperador, e por sinal muito pequena.</p>
</div>
<div id="AERD_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Os primeiros colonizadores do Brasil foram atraídos ao interior do país pela esperança de encontrar ouro, e nessa busca sempre utilizavam os rios como vias de penetração. Daí por que em muitas partes do Brasil encontramos regiões inteiramente inexploradas embora exista civilização em torno delas.</p>
</div>
<div id="AERD_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Quando se tiver inaugurado a navegação a vapor no curso inferior do rio Doce, essa fatigante viagem terrestre se tornará coisa do passado. Um vapor poderá vencer em dois dias, ou no máximo dois dias e meio, a distância que vai de um ponto pouca abaixo de Guandu até a foz do rio. Alguns anos atrás propôs-se construir uma ferrovia de Vitória até Natividade (três milhas além de Guandu), chegando de fato a empresa Waring Brothers, do Rio de Janeiro, a executar os trabalhos de sondagem, etc., mas até o presente momento as obras da ferrovia em si não tiveram início.</p>
</div>
<div id="AERD_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;O Professor Hartt, em seu trabalho <i>Resultados científicos de uma viagem ao Brasil</i> (Agassiz), informa: “Ao norte da lagoa (Juparanã) deságua um pequeno rio. (…) Ele nasce na floresta, em plena região dos botocudos, e nunca foi explorado”.</p>
</div>
<div id="AERD_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Existem cerca de 140 espécies de ingá. Aqui se trata da espécie conhecida pelo nome de <i>Ingá bahiensis Benth</i>. Essa árvore é notável devido à maneira como se espalha. Só é encontrada nos trechos em que os rios atravessam terreno pantanoso. Nos pontos em que os rios se estreitam (18 pés de largura, por exemplo) os ingás, cujas raízes principais crescem nas margens, lançam um sem número de ramos que se estendem sobre as águas e dentro delas, entrelaçando-se de maneira muito cerrada, o que cria obstáculos à navegação.</p>
</div>
<div id="AERD_RP10">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP10V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 10 ]</b></sup></a>&nbsp;Essa tribo de botocudos é conhecida pelo nome de nackinhapmá, que significa linda terra.</p>
</div>
<div id="AERD_RP11">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP11V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 11 ]</b></sup></a>&nbsp;Os colonizadores portugueses, no começo do presente século, deram a esses índios o nome de botocudos em razão de usarem eles o ornamento labial chamado botoque. os botocudos anteriormente eram conhecidos pelo nome de aimorés ou aimurás. Martius classificou seis tribos (ou clãs) de índios, que encontrou nesta região do Brasil, sob uma só denominação, chamando-os crens, devido ao fato de essa palavra, que significa cabeça, estar presente em todos os vocabulários das línguas faladas pelas seis tribos, a saber, botocudos, puris, coroados, malalis. araris e xumetos. Descobriu-se também uma semelhança craniológica entre os sambaquis, uma nação pré-histórica que habitava o Brasil, e os botocudos. Essa descoberta levou algumas pessoas a imaginar serem os botocudos, possivelmente, os últimos remanescentes de uma época remotíssima. Usei aqui o termo sambaquis como se fosse o nome dessa nação pré-histórica. Na realidade, porém, o termo serve para designar apenas os amontoados de conchas, ou túmulos, em que são encontrados com freqüência os crânios e instrumentos de pedra, etc., desses homens e mulheres (?) primevos. No Brasil esses restos humanos passam por pertencer ao homem dos sambaquis. As conchas mencionadas em relação a esses amontoados são conchas de ostras.</p>
</div>
<div id="AERD_RP12">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/#AERD_RP12V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 12 ]</b></sup></a>&nbsp;A escassez de animais nos territórios índios será sem dúvida a causa principal para o futuro desaparecimento dos índios selvagens nessa região do Brasil. Tome-se como exemplo o caso da tribo nackinhapmá do rio Pancas. Esses índios dominam uma certa área que percorrem livremente sem serem incomodados por nenhuma outra tribo. Suponha-se porém que, devido à falta de caça, os nackinhapmás penetrassem no vizinho território dos incutcracks. Qual seria a consequência? Assim que os incutcracks tivessem conhecimento da invasão, pegariam em armas para se entregarem a um renhido conflito, de que resultaria o completo extermínio de uma ou outra das duas tribos.</div>
<div style="text-align: center;">
[Reprodução autorizada pelo tradutor.]</p>
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<span style="font-size: normal;"><b><span style="color: #660000;">© 2016 Reinaldo Santos Neves</span></b>&nbsp;&#8211; Todos os direitos reservados ao tradutor. A reprodução sem prévia consulta e autorização configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.</span></div>
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</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>William John Steains</b> desde criança manifestou vivo interesse pela exploração geográfica e pelos estudos etnológicos. Veio para o Brasil aos 18 anos, a fim de trabalhar como desenhista na construção de uma ferrovia em Alagoas. Aos 22 anos concebeu e realizou a expedição ao rio Doce de que trata o presente relatório. Em 1891 estabeleceu-se na costa ocidental da África, como agente consular junto ao Protetorado da Costa do Níger. Sua saúde sofreu ali os rigores do clima, o que não o impediu de regressar àquela região em setembro de 1894, para ali morrer em novembro desse ano, com a idade de 31 anos.</p></blockquote>
<p>O post <a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/">A exploração do rio Doce e seus afluentes da margem esquerda</a> apareceu primeiro em <a href="https://estacaocapixaba.com.br">Estação Capixaba</a>.</p>
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		<title>Memória sobre o reconhecimento da foz e porto do rio Doce</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2016 20:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Luís D'Alincourt]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Doce]]></category>
		<category><![CDATA[Viajantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vista do rio Doce, 1944. &#160;Acervo Vale. Até duas léguas e meia acima da mesma foz, respondendo-se aos artigos das instruções dadas sobre este objeto; e também acerca da parte da costa, que decorre desde a mencionada foz até à do Riacho, e subindo por este à confluência do rio Comboios:[ 1 ] trata mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;">
<tbody>
<tr>
<td style="text-align: center;"><a href="https://2.bp.blogspot.com/-CYRs5w7X1kI/Vwk7wwMp9QI/AAAAAAAAH0I/qaP2xswAYk442BsVk_SeB-tmqo9Pqyl4Q/s1600/Paisagem%2Bdo%2Brio-doce-19441.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"><img loading="lazy" decoding="async" alt="Vista do rio Doce, 1944.  Acervo Vale." border="0" height="640" src="https://estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Paisagem2Bdo2Brio-doce-19441.jpg" class="wp-image-5359" title="Vista do rio Doce, 1944.  Acervo Vale." width="488" /></a></td>
</tr>
<tr>
<td class="tr-caption" style="text-align: center;">Vista do rio Doce, 1944. &nbsp;Acervo Vale.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>
Até duas léguas e meia acima da mesma foz, respondendo-se aos artigos das instruções dadas sobre este objeto; e também acerca da parte da costa, que decorre desde a mencionada foz até à do Riacho, e subindo por este à confluência do rio Comboios<span id="MRFP_RP1V">:</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP1" title="No original Comboys."><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a> trata mais do reconhecimento dele, e termina no do rio Preto, e lagoa Parda; organizada segundo as instruções e ordens do Ilmo. e Exmo. Sr. Manuel José Pires da Silva Pontes, presidente da província do Espírito Santo.</p>
<div style="text-align: right;">
Por</div>
<div style="text-align: right;">
Luiz D&#8217;Alincourt, sargento-mor engenheiro.</div>
<div style="text-align: right;">
Vila de Linhares, em agosto de 1833.</div>
<p>
Dignou-se o Excelentíssimo senhor presidente comunicar-me por sua respeitável portaria a resolução do conselho do governo, para o fim de cumprir-se a Lei de 23 de outubro do ano próximo passado, pela qual tem de levar ao conhecimento do ministério a planta do canal do rio Doce, com observações sobre os obstáculos que dificultam a sua navegação, e sobre os meios de removê-los; em virtude, pois, desta resolução, tive a honra de ser encarregado de tão importante tarefa, à vista das instruções que juntas à mencionada portaria me foram entregues.</p>
<p>Conhecendo o Excelentíssimo senhor presidente que não seriam poucos os dias a empregar até chegar-se ao resultado final desta comissão, e desejando prestar prontos esclarecimentos ao ministério, ao menos sobre alguns pontos mais importantes, houve por bem dirigir-me segunda portaria a este respeito, com duas cópias de informações que marcam estes pontos, e porque eles entram nas instruções juntas à primeira portaria, eu as segui, dando princípio ao meu trabalho do modo seguinte: e assim julgo preencher as vistas de Sua Excelência, senão em toda a plenitude, conforme aos meus desejos, ao menos quanto foi possível à curta esfera de minhas idéias. Desenvolverei, pois, na presente Memória o que exigem os artigos 1º, 2º, 3º, 4º, 5º (este até duas léguas e meia acima da foz do rio Doce), 6º, 7º, 8º, 12° e 13° (somente por agora no que diz respeito à barra e porto). À Memória juntarei quatro mapas (por enquanto em borrão, pois falta-me tempo para os desenhar melhor)<span id="MRFP_RP2V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP2" title="Nota do editor da Revista: faltam no manuscrito. Nota da Estação Capixaba: trata-se, pelo que pudemos entender, dos quatro documentos a que o autor já se refere mais adiante como plantas."><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a></p>
<p>O primeiro mostrará no maior grau de exatidão possível o rio Doce desde a sua foz até duas léguas e meia acima dela, ou à curvatura do rio para terceiro estirão. Devo declarar, que este mapa ou planta foi levantado em fins de junho e princípios de julho do corrente ano, o que se faz mister por ser variável a formatura do álveo do rio relativamente à direção dos canais, altura d&#8217;água nos mesmos, posição das coroas de areia, e extensão dos baixios, e dos pontais que limitam a barra, ou barras, e à do cordão, ou grande cinta que semi-circunda as mesmas; dependendo estas variações da maior, ou menor pressão das torrentes periódicas do mesmo rio, e dos ventos fortes que açoitam sua ampla superfície.</p>
<p>O segundo mapa descreve a costa atlântica desde a foz do rio Doce até a do Riacho, o curso deste a contar da confluência do rio Comboios para baixo, toda a extensão do mesmo Comboios até acima do arruinado quartel, o rio Preto, o finalmente a grande lagoa Parda.</p>
<p>O terceiro apresenta o ancoradouro do rio Preto, o melhoramento fácil que se lhe pôde fazer para tornar-se em um excelente molhe, aonde as embarcações fiquem ao abrigo de todos os ventos, e o curso do mesmo rio até que sai, pelo seu braço da direita, da lagoa Parda, notando-se que do ponto — A — para cima deixa de ser navegável, não por falta de altura d&#8217;água até ao braço, mas por muito atravancado.</p>
<p>O quarto finalmente patenteia a barra do Riacho, o seu porto, a concha formada por meio de recifes, que demora ao sul-sudeste da mesma barra, junto à praia; a valeta por onde se deve encanar o rio, e a direção da muralha que se precisa construir, para tornar-se este porto, atualmente insignificante, em uma doca proveitosa.</p>
<p>Antes de dar princípio ao desenvolvimento dos supracitados artigos, julgo conveniente apresentar algumas idéias acerca do rio Doce e terrenos adjacentes, idéias formadas das minhas observações, com o auxilio do juízo crítico que fiz combinando as disposições de uns com as de outros práticos, e conhecedores do país.</p>
<p>A posição geográfica do rio Doce o torna de um interesse reconhecido às províncias de Minas Gerais e do Espírito Santo; a esta porque a sua prosperidade depende incontestavelmente de francas e livres relações comerciais com aquela, que a seu turno obtém por este canal comunicação fácil com o oceano; e porventura serão somente estas províncias as que tirem real proveito de facilitar-se a navegação do rio Doce? Não certamente; as de Goiás e Cuiabá a devem ambicionar também: seus comerciantes escusarão de descer dos 16 graus e meio, com pouca diferença, de latitude austral, aos 23 e mais, para chegarem aos portos marítimos, conduzindo seus efeitos (os poucos que o podem fazer) às costas de animais pelo espaço de centenas de léguas, com tantos riscos, e fadigas: encare-se bem a direção do rio Doce relativamente a estas províncias e às suas principais povoações, que, de certo não restará a menor dúvida em concluir-se que é um bem necessário aos povos, e mui proveitoso ao Estado, cuidar-se com eficácia dos meios que, podem tornar cômoda a sua navegação.</p>
<p>Mas que outras e grandes vantagens resultam de facilitar-se a navegação do rio Doce! A indústria, a agricultura, o comércio e a mineração partilham estas vantagens. Os terrenos adjacentes a este rio produzem exuberantemente diversas e ricas plantas, frutas e legumes; por eles se estendem longas e pingues vargens, fundas o piscosas lagoas; dilatadas e virgens matas, auríferos rios; preciosas e ainda não revolvidas serras, e morros; finalmente terrenos tanto na província do Espírito Santo, como na de Minas, em que a natureza prodigalizou seus dons para ventura e regalo da espécie humana: todavia tão grandes bens têm sido até agora desprezados! A idéia terrível, que se há concebido e espalhado acerca da barra do rio Doce, será talvez a causa motriz deste país abençoado estar ainda tão escassamente povoado; nunca se entrou em serão e rigoroso exame dos motivos por que se julga mui perigosa a entrada deste rio, nem tão pouco porque se hão perdido nela facilmente algumas e pequenas embarcações; e é tal o terror pânico, que nem o seguro quer segurar para este porto: vamos, pois, à exposição destes motivos.</p>
<p>É, perigosa a barra do rio Doce para os ignorantes que a demandam, e por falta de providências que auxiliem a sua entrada; eis aqui tudo. Conhecendo os navegantes que devem esperar no seguro e franco porto da Aldeia Velha vento próprio para demandar a dita barra, e que saindo com ele firme, como geralmente se mostra em ocasião de luas, nos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro, ele não lhes faltará de certo no curto espaço de 26 a 27 milhas, que têm a navegar para chegarem à mencionada barra; e que, ou com diminuição de pano, ou com algum bordo no mar e na terra, se devem sustentar para não varar a mesma barra, esperando que a maré chegue a meia enchente, para então a buscarem com força de vela, caso não seja despropositado o vento; conhecendo mais os navegantes a simples linguagem do sinal que se lhes há de fazer da atalaia, e que, sendo mais de uma embarcação, devem guardar entre si distâncias suficientes para se não embaraçarem na entrada, podem sem receio acometer o cordão, que facilmente hão de vencer, bem como o esganadouro, ficando a salvo em poucos minutos. O cordão nunca apresenta menos de 14 palmos d&#8217;água, quase em baixa-mar, como observou o patrão-mor, e mais no canal do esganadouro, altura bastante para as embarcações de cabotagem, que demandem 10 palmos, que são as próprias para este porto: isto acontece quando há duas barras; mas quando o rio apresenta somente uma, como o ano passado, e como é geral, então ainda sobe a sonda a maior altura.</p>
<p>Está, pois, o primeiro risco na passagem do cordão caso o navegante não haja tomado as indicadas precauções, e não esteja atento a obedecer ao sinal, que lhe indica o rumo para vencer o mesmo cordão, e logo se há de orçar ou arribar para correr o esganadouro, onde encontra já maior fundo, e é nele que está o segundo risco, no caso de acalmar o vento de repente, porque não podendo a embarcação voltar atrás, e correndo o rio sempre para fora, ainda que encha a maré, forçosamente há de encostar à praia: é pois para desviar este risco, que proponho adiante o auxílio de uma catraia, com espias firmes nos arganéus de boias, como igualmente proponho; pois que neste lugar não pode a embarcação usar de seus ferros, que não unham, por ser o fundo de areia mui ligada e dura, de superfície lisa e escorregadia. Aqui temos, pois, desviados os dois únicos riscos, com estas poucas atenções a executar.</p>
<p>Suponhamos agora, que a embarcação que se dirige à barra é de porte de 10 palmos d&#8217;água, e que o cordão não está capaz de consentir-lhe a entrada, até por ser mui forte nele o rolo do mar; neste caso o patrão-mor, ou o prático da barra faz-lhe sinal para não acometer, e a embarcação tem amplo mar para navegar, sem o menor receio de dar à costa; pois que a posição da foz do rio Doce relativamente à mesma costa, tanto para o norte como para o sul, assim o permite, mesmo por não haver ali travessia, favor que não experimentam todas as barras de areia; e até se quiser, não sendo rijo o vento, pode fundear ao mar do cordão, porque acha excelente fundo de lama, e não tem que temer baixio ou recife algum, que o não há, tendo somente cuidado de não fundear de 12 braças d&#8217;água para a terra.</p>
<p>Guardadas estas precauções, e com o auxilio do sinal da atalaia, eu vi entrar pela barra do sul, no dia 15 de julho, duas lanchas e um iate carregados de sal, tocados por vento sul fresco, e sem o menor risco salvaram o cordão e o esganadouro em 4 a 5 minutos cada uma, e correram velozmente a amarrar-se dentro do rio Preto; com a mesma facilidade tenho visto sair duas. Com que desabusem-se os incrédulos, a barra do rio Doce é má só para os loucos, que a procuram temerariamente, entregando-se aos vaivéns de cega fortuna; foi assim que se perdeu o iate novo do negociante da Vitória Domingos Rodrigues Souto, e é assim que se têm perdido outras embarcações; mas nem uma só, se conta havendo-se tomado as convenientes, precauções, e com o auxílio somente do sinal.</p>
<p>Diz-se mais. os canais, as coroas, os baixios, os esganadores, e até a barra do rio Doce, sofrem mudanças o alterações, causadas, já pela força das cheias, já pela veemência dos ventos. Respondo, que isso nada influo para este porto deixar de ser frequentado, porque sempre há canais, sempre há barra, e sempre há fundo bastante para as embarcações que não excedam a 10 palmos d&#8217;água; o que resta, pois, averiguar é a nova direção dos canais, posição de coroas e baixios, estado do cordão, do esganadouro e da sonda: eis o que deve conhecer o patrão-mor; eis aqui necessária a mudança das boias como proponho, e com estas medidas estamos no primeiro caso. Além disto a barra é quase sempre, a que se dirige para sudeste, e é raro apresentarem-se duas, como este ano, o que proveio da exorbitante cheia, que obrigou o rio a subir muito além das suas barreiras, a romper o pontal do sul e a deslizar grande porção d&#8217;água pelo sítio do capitão José Maria Nogueira da Gama, duas léguas e meia acima da foz, para ir entrar em um pequeno rio, e sair ao mar pela medíocre barra de Monsarás.</p>
<p>Espanta o rio Doce nas suas máximas cheias, que carregam nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro, e ainda em março; isto é, na força das chuvas, principalmente nas províncias centrais, como a de Minas, onde ele tem as suas remotas fontes: mas teremos só um meio de comunicação do rio Doce com oceano, e reciprocamente? Eu me lisonjeio de mostrar mais de um no fim da minha comissão, assegurando desde já o do rio Preto, Lagoas, e rio Comboios à barra do Riacho, como em seu lugar demonstrarei. Passo agora ao desenvolvimento dos indicados artigos das instruções; queira a minha estrela que acerte no seu justo desempenho, para que, preenchendo assim as sábias intenções de Sua Excelência, se torne o meu trabalho proveitoso à nação e ao Estado.</p>
<p><b>Artigo I</b> — Reconhecer a capacidade do porto da Regência, com a determinação da altura a que chegam as marés ordinárias, e a duração do preamar.</p>
<p><b>Respondo</b>: O porto da Regência dentro do rio Preto, onde as embarcações se vão amarrar, tem fundo suficiente, e pode tornar-se com facilidade em um excelente molhe, como adiante descrevo; fora deste rio há também bom ancoradouro, mui perto da margem direita do rio Doce, à sombra da ilha das Bexigas, como mostra a planta n. 1<span id="MRFP_RP3V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP3" title="Nota da Estação Capixaba: a planta número 1 não aparece no artigo da Revista."><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a> que igualmente manifestam com precisão as sondas tomadas em baixa-mar, subindo as marés ordinárias a perto de 4 palmos, e a 6 na ocasião de águas vivas. A maré gasta 6 horas, com pouca diferença, a tocar o preamar, e outras 6 a vazar, varia, porém a hora de começar a encher, com a variação da lua, e, na ocasião de lua nova, ou cheia, é preamar às 2 horas pouco mais depois do meio-dia, ou da meia-noite. A inclinação do rio Doce é tal que, não obstante o fluxo do mar, ele corro sempre para fora, conservando-se a água doce até nos esganadouros mesmo nas marés grandes; o que sucede é que, no fluxo do mar, torna-se a corrente mais branda, subindo a superfície do rio não só pela pressão resultante do mesmo fluxo, como por causa da água salgada que penetra por baixo da doce: no rio Preto, porém, há enchente e vazante, quero dizer, vê-se correr a água para cima naquela, e para baixo nesta, entrando-lhe água do rio Doce na enchente.</p>
<p><b>Artigo II</b> — Sondar também o ancoradouro, declarando a natureza do fundo, e os melhoramentos que precisa.</p>
<p>A planta n.1 mostra a altura do fundo do ancoradouro em baixa-mar, o de fora, ou no rio Doce é de areia grossa, bom, e permanente; e porque as águas correndo à margem direita, e deslizando-se pela curva do barranco com força, não consentem que por ali se formem coroas, o ancoradouro do rio Preto tem o fundo de lama, e, pode melhorar-se como direi.<br />
<b><br /></b><br />
<b>Artigo III</b> — Reconhecer as causas que tornam perigosa a entrada deste porto, oferecendo as reflexões que ocorrerem sobre os meios de remover ou prevenir o perigo.</p>
<p>Já expus as causas que tornam perigosa a entrada no rio Doce, que não são outras mais do que a falta das indicadas precauções e de providências; causas nascidas, portanto, na maior parte, da ignorância, temeridade, e mesmo do interesse dos que geralmente têm acometido a barra: o maior número de embarcações que se têm perdido hão sido grandes canoas de coberta, governadas e manobradas por índios, não só ignorantes, mas até, saindo de Aldeia Velha com a cabeça enfumaçada, tornam-se temerários e assim acometem a barra, dando-se-lhes pouco de perder-se a embarcação, porque, salvando eles facilmente suas vidas, tiram o proveito, e outros companheiros que logo aparecem, de colher os despojos do naufrágio.</p>
<p>A barra do rio Doce é boa; fora do cordão não se encontra um só baixio, um só recife, e o fundo é excelente, e não há vento que lhe seja travessia: esta barra não é, como geralmente são as de areia, encravada no fundo de uma enseada, sofrendo ventos de travessia, e outros obstáculos; ela existe em uma espécie de tromba mui saliente, fugindo-lhe de repente a costa tanto para o norte como para o sul, seguindo para o Riacho ao sudoeste e para São Mateus ao norte e ao norte-nordeste; vê-se, portanto, que as embarcações, que estiverem ao mar do cordão, têm bordada franca com todos os ventos, ou seja para o norte ou para o sul.</p>
<p>Chegada a embarcação à barra, pode correr dois riscos, o primeiro na passagem do cordão, o segundo no esganadouro; o primeiro eu o julgo menor que o segundo, porque deve contar-se que o cordão será varado facilmente, em meia maré de enchente, tendo o navegante atendido às citadas precauções e ao sinal da atalaia; ficando este perigo assim inteiramente desvanecido; o segundo dentro do esganadouro só pode provir de faltar o vento de repente, e neste caso perder-se-á a embarcação por causa da corrente do rio, e por não poder usar de seus ferros, como já expus: é para evitar no todo este segundo perigo que proponho as providências seguintes:</p>
<p>Necessita-se uma catraia de 12 remos, bem equipada, que possa subir a barra quando se fizer mister, e de popa aberta para poder suspender ferros; esta catraia vem a servir de grande auxilio à barra, não só para com ela se observar o fundo do cordão, e esganadouro, como para suspender os ferros das boias, que igualmente proponho, e fornecer espias às embarcações em ocasião oportuna, indicar-lhes o canal, etc. Deste modo providenciada a barra, conte-se de certo ficar também desvanecido este segundo perigo. Havendo já o patrão-mor, que é sem dúvida excelente prático, faz-se absolutamente necessário que se lhe forneça quanto antes a catraia, para que de uma vez fiquem desvanecidos os terrores pânicos, e bem depressa acreditada a barra, o que fará aumentar a população neste paraíso admirável, conspirando-se assim para lapidar-se este brilhante bruto, que desgraçadamente até aqui tem estado mergulhado no imundo pélago do esquecimento; desafio, pois, aos entendedores e amantes verdadeiros do Brasil para que visitem este rico país, e conhecerão então que não sou exagerado, e suplico ao governo para que haja por bem dar providências a fim dele ser aproveitado em tão grande e manifesto proveito da nação e do Estado.</p>
<p>Sendo duas as barras, precisam de 4 ou 6 boias, com seus fortes arganéus e ferros, ou âncoras capazes, com cadeias, para serem colocadas as ditas boias bem fixas nos lugares convenientes, a fim de marcarem não só o canal de boa entrada, como também de poderem suportar em seus arganéus as espias quando se façam mister. Estas boias postas no esganadouro serão mudadas com a mudança que se experimentar na barra, no que o patrão-mor terá todo o cuidado, e no mesmo lugar serão suspendidos os ferros todos os oito dias, e lançados de novo para não arearem.</p>
<p>Devem haver cabos de cairo de 4 a 5 polegadas para espias; digo de cairo por serem mais duráveis, e boiantes, não fazendo tanto corso, ou peso dentro da água, como os de linho.</p>
<p>Necessita-se mais de duas ostaxas de 7 a 8 polegadas (podem ser de linho) para dar socorro a qualquer embarcação, quando seja preciso, largando-se um ferro suficiente em lugar asado, e seguindo a ostaxa para a embarcação com os cabos de espia, que devem ir dentro da catraia, isto nos casos em que, as boias não venham a ficar em situação proveitosa: para este fim haverá três âncoras de 4, 5 e 6 quintais, que julgo bastar. Precisa-se também uma peça do cairo para uma estralheira, ou talha de suspender as âncoras tanto das boias, como as outras, com seus competentes cadernais bronzeados prontos.</p>
<p>Além destes auxílios deve construir-se uma atalaia em cada barra (havendo mais de uma como agora), de bons paus fincados à prumo, com altura bastante para ser vista de longe, com seu girão e escada de mão fixa: serve a atalaia não só para dela se observar o mar à larga distância, por ser o terreno baixo por ali, como também para se fazerem os convenientes sinais às embarcações, que demandarem a barra.</p>
<p>É de absoluta necessidade cuidar-se já no quartel para o comandante, patrão-mor, e guarnição; pois que o atual está a cair, aproveitando-se dele a telha, e alguma madeira, bem como a telha de outro que existe próximo, com vários portais, o qual pelo estado de ruína em que se acha já não pode ser habitado, nem reparado. Por esta ocasião lembro que se devia aproveitar quanto antes a telha de outro quartel, que está abandonado na barra de Monsarás, telha que se pode conduzir facilmente pelo pequeno rio, que vai daquela barra até ao sítio do capitão José Maria Nogueira da Gama, e dali passar-se ao rio Doce, cujo trajeto é mui curto, e a barra de Monsarás fica perto do dito sítio; do contrário perde-se esta telha, porque o quartel, que dantes ficava à boa distância do rio, está hoje junto ao barranco, e não tarda a cair.</p>
<p>Julgo também mui proveitoso construir-se um armazém por conta da fazenda pública, com suas repartições, para estas se alugarem aos comerciantes por conta da mesma fazenda, a fim de terem onde depositem o sal, e mais mercadorias, pois não há ali uma só casa onde o possam fazer: assim aproveitará o público, e a fazenda bem depressa cobrirá a despesa, vindo a lucrar para o futuro.</p>
<p>Com estas precauções e auxílios, contem os incrédulos que é muito boa a barra do rio Doce, e que até pode ser acometida no tempo das cheias com vento fresco desde o sudoeste até leste-sudeste pelo sul, buscando-se sempre as grandes marés em meia enchente, o que já se tem visto.</p>
<p><b>Artigo IV</b> — Informar que embarcações entram, ou podem entrar no porto.</p>
<p>Por segurança digo, que podem entrar todas aquelas que não demandem mais de 10 palmos d&#8217;água, como lanchas, sumacas etc. Além das três embarcações, que eu citei, e vi entrar, e das duas que saíram, já entraram mais duas lanchas, e saiu uma e um iate, com a mesma facilidade, e já se vê em Linhares alguns gêneros de comércio que dantes não havia, como vinho, carne-seca, louça de cozinha etc.</p>
<p><b>Artigo V</b> — Reconhecer a direção e largura do rio Doce desde a foz no oceano até ao sítio em que ele se precipita nas gargantas e catadupas das Escadinhas etc.</p>
<p>Do que exige este artigo está somente satisfeito o que pertence à distância da foz até ao sítio do capitão José Maria, distância que monta a duas léguas e meia; portanto, a planta responde a esta exigência no maior grau de exatidão que me foi possível; enquanto à velocidade da corrente neste espaço, é variável segundo a direção dos estirões, e da correnteza das águas, sendo mais veloz nos canais, e menor nos espraiados e coroas: próximo aos esganadores e nos mesmos pode reputar-se a velocidade média do rio neste tempo da seca de 45 segundos para 20 braças, e nos baixios, ou fora dos canais, de 55; quero dizer, gasta a corrente 45&#8243; ou 55&#8243; em 20 braças.</p>
<p><b>Artigo VI</b> — Reconhecer até onde chega a maré, e até onde pode ter lugar o auxílio de velas.</p>
<p>O máximo luxo do mar faz-se sentir somente até meio da povoação dos índios, marcada na planta; e o auxílio de velas pode empregar-se em toda a extensão de duas léguas e meia de rio, que reconheci; daqui para cima a seu tempo direi o que ocorrer a este respeito: a inclinação do leito do rio tornando veloz a corrente, apesar da sua largura, é a causa de não subir mais longe a maré, ainda em águas vivas.</p>
<p><b>Artigo VII</b> — Indagar a época e duração das enchentes periódicas, e se elas obstam ou facilitam a navegação, no todo ou em parte.</p>
<p>Estas cheias acontecem nos meses em que chuvas copiosas ensopam a superfície das províncias centrais; principiam em outubro algumas pancadas d&#8217;água, tornam-se mais repetidas em novembro, e grandes torrentes desprendem as nuvens em dezembro, janeiro, fevereiro, e ainda em março; então os mais humildes ribeiros ficam soberbos e pujantes, e como à porfia vão conduzir as suas águas aos amplos rios, formando-lhes suas enchentes periódicas: tal acontece ao rio Doce, que tem as suas fontes na província central de Minas; é, pois, em dezembro, janeiro, fevereiro e março, que este rio se esforça para romper suas barreiras, principalmente em janeiro e fevereiro, dependendo a maior ou menor veemência de suas cheias de ser a estação chuvosa mais ou menos abundante. O ano passado foi notável a enchente deste rio, subiu a 25 palmos, alagando terrenos que há longos anos estavam intactos das cheias, rompeu o pontal do sul, de não pequena largura, abriu a barra que hoje demora àquele rumo, e cobriria todo o terreno aonde está o quartel da Regência se não trasbordasse, como já disse, logo acima da casa do dito capitão José Maria. Quando para o futuro se empregarem na navegação deste rio barcos de vapor, construídos tanto para servirem no tempo das águas como da seca, ver-se-á que as cheias favorecem a navegação até onde tenho idéias claras do rio, quero dizer até às Escadinhas; porque livremente se navega por cima das coroas, tanto subindo como descendo, havendo só o cuidado de buscar a curvatura dos estirões para cima, em que for menor a correnteza: as canoas podem também navegar para cima naquela época, ou buscando as coroas onde firmem as varas, ou sirgando: e para facilitar-se a sirga tanto a canoas, como a outros barcos, que se venham a empregar nesta navegação, devem descortinar-se os barrancos do mato que os cobre, que geralmente oferecem bom cômodo para a sirga.</p>
<p><b>Artigo VIII</b> — Informar que embarcações podem ser empregadas na sua navegação.</p>
<p>As ordinárias são canoas de mais ou menos porte; mas frequentando-se a navegação deste rio devem construir-se embarcações de propósito, que demandem pouca, quantidade d&#8217;água e satisfaçam, ao mesmo tempo a carregar volumes do maior número de arrobas que for possível; para estas embarcações devem-se preferir-se madeiras leves, serem de fundo de prato, e carregadas que não demandem mais de 4 palmos d&#8217;água. Temos barcaças em Campos, que não excedem a 4 palmos d&#8217;água, carregadas com 20 e 25 caixas de açúcar, e pode ser melhorada a construção praticando-se o método moderno anunciado este ano nas folhas públicas, e aplicado à embarcações do lote que se pretende.</p>
<p><b>Artigo XII</b>&nbsp;— Reconhecer a barra, o curso e profundidade do rio dos Comboios, com observações sobre a sua capacidade, ou incapacidade de servir à união do oceano com o rio Doce, defronte de Linhares, pelo rio Preto e enfiada de lagos adjacentes.</p>
<p>Falando primeiro do rio Comboios, digo, que por ele se pode comunicar o rio Doce com o oceano: o Comboios segue em rumo geral ao norte-nordeste e nordeste, quase paralelo à costa; ele deságua no rio Riacho (de que tratarei) por um esteiro de pouco fundo, em repetidas voltas, e de perto de meia légua; navegando aquele esteiro, entra-se em espaçosos, fundos e lindos estirões, limpos e unidos por brandas curvas, de modo que a variação dos rumos destes estirões, ou lagos contíguos, é de uma quarta até quarta meia (a planta n. 2 mostra a direção deste rio), estirões de 200 braças de comprido, e alguns de mais, e largos de 30, 40 e mesmo 50 braças, e seu fundo geralmente de 10, 12 e 14 palmos, e em partes de 20 e 30, e no penúltimo estirão, antes de chegar-se ao arruinado quartel, me aportou o prático de nome Benedito Barbosa, um lugar onde ele pescando emendava duas linhas de 20 braças cada uma para chegar ao fundo! Este rio é fechado por alta mataria, tanto a leste como a oeste, à exceção de alguns espaços baixos junto ao mesmo rio, que ficam geralmente cobertos d&#8217;água no tempo das cheias; e a passada subiu por ali a 16 palmos acima da superfície atual do rio, que tem desde a sua barra no Riacho até ao dito quartel arruinado 4 léguas e 3 quartos. É este rio abundante de peixe, como tainhas, robalos, jundiás, carapebas, piáus, acarás, traíras, marobás etc.; e suas matas e margens de caça, como antas, cutias, pacas, lontras, capivaras, macacos, barbados, preguiças, tamanduás grandes e pequenos porcos e animais ferozes, onças; aves, grandes taboiaiás, papagaios, pavoas, mutuns, jacupemas, araçaris e diversas qualidades de pequenos pássaros; as águas são claras, saborosas e frescas neste tempo da seca.</p>
<p>Logo acima do sobredito quartel estreita o rio, e vai ao norte 1/4 noroeste procurar a língua da mataria, que brevemente encontra; para seguir então ao norte-nordeste, começando a ficar atravancado com madeiras, diferentes arbustos, aguapé etc.; o dito prático que me acompanhou, que foi pedestre, e esteve anos destacado no dito quartel dos Comboios, segurou-mo que, andando várias vezes à caça, observara que este rio para cima do quartel vem de lagoas, que se unem, e vão puxando ao nordeste; eu mesmo vi que ele alarga para cima do quartel. Com efeito, a comprida lagoa <span id="MRFP_RP4V">Parda</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP4" title="Nota da Estação Capixaba: aqui menciona-se uma planta número dois, que também não aparece no artigo da Revista."><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a> fica em posição tal que, dirigindo-se na sua maior extensão ao sudoeste, vem a frontear o rio Comboios, ou lagos seguidos que o formam: aquela lagoa acaba em um brejo, inclinando ele algum tanto para o sul, e ao mesmo rumo sudoeste há um esteiro, que, me afirmaram caçadores ir a outras lagoas; e em Linhares acabam de certificar-me o mesmo, ao que dou inteiro crédito por combinarem as disposições de uns com as de outros; o dito esteiro tem 11 palmos d&#8217;água na sua entrada; eu o não segui por estar muito atravancado: a distância da lagoa Parda aos lagos observados do Comboios não é grande, e nada há que faça ajuizar que esta enfiada de lagos não seja continua e sucessiva, acompanhando o grande e largo areal que vai à costa, seguindo do sudoeste ao nordeste.</p>
<p>Do princípio daquela lagoa sobe um braço, que, juntando-se a outro, que parte duma lagoa fronteira à povoação dos índios, formam o rio Preto<span id="MRFP_RP5V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP5" title="Idem, planta número três."><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a> que vai alargando em estirões abundantes d&#8217;água, mas muito atravancados por madeiras, que para ali deitaram no tempo das derrubadas para plantações, tempo em que se empregou bastante gente, no serviço dos quartéis da Barra, administrado pelo coronel, já falecido, Julião Fernandes Leão, de cujos quartéis só existe o da Regência arruinado. Acha-se, pois atravancado o rio Preto até ao ponto — A — da planta, seguem-se dali lindos estirões de bom fundo, entre 10, 12 e 14 palmos geralmente, e em partes 16 e 20 neste tempo da seca. Tem o rio Preto desde que principia a alargar em seus aprazíveis estirões 495 braças até ao portinho do caminho que mandei abrir para a lagoa Parda<span id="MRFP_RP6V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP6" title="Idem."><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a> e por onde se varou uma pequena canoa para fazer o reconhecimento da mesma lagoa. No fim dos estirões estreita este rio muito, por algum espaço, de maneira que não tem mais de 10 a 12 palmos de largura, e fundo de 4, 5 e 6, ao mesmo tempo que não descreve grandes voltas; o motivo de existir por ali tão estreito é porque de suas margens se estendem sobre ele densas ramagens, crescendo por entre elas o capim; entra depois a ser mais largo e mais fundo, descrevendo então voltas mais fortes até ao ancoradouro, e portinho da Regência, seguindo daqui a leste em estirão de 26 braças até à sua barra no rio Doce, contando-se ao todo desde que principia a estreitar até à dita barra 525 braças. A planta mostra os rumos que descreve o rio até que pelo seu braço direito vai à lagoa Parda, da qual o fundo e a direção também o manifesta a mesma planta; é esta lagoa limpa, de livre navegação, águas turvas, e duma légua de comprido, e somente de 150 braças na sua maior largura.</p>
<p>O rio Preto para baixo dos seus estirões formava, em outro tempo, um medíocre esteiro; mas o coronel Julião o mandou limpar, e alargar desde a sua foz, e de então para cá serve de mui bom ancoradouro aos poucos navegantes que têm freqüentado o rio Doce. Tem portanto, a cadeia de lagos dois escoantes, um para o rio Doce, que é o rio Preto, o outro para o Riacho, que é o já citado esteiro do Comboios; e eis aqui uma comunicação do rio Doce com o oceano, sem ser pela sua barra. Que resta, pois, fazer? Melhorar esta comunicação profundando e alargando competentemente os canais estreitos, que a natureza apresenta, fazendo-se o mesmo que facilmente fez o coronel Julião no baixo rio Preto; cortar algumas voltas nos esteiros, pois o terreno baixo por onde serpenteiam bem o permite, e deste modo se tornará fácil a navegação por dentro desde o rio Doce até à barra do Riacho no oceano.</p>
<p>Respondo mais a este artigo, que pelo rio Preto, e Comboios, nunca se comunicará o Doce com o oceano defronte de Linhares; a planta o mostra. Outra comunicação pode ter lugar fronteando esta vila para o sul, e é pela comprida lagoa de Aguiar e Riacho, que dela nasce, como a seu tempo tratarei depois de medir o trajeto o reconhecer a lagoa e o rio.</p>
<p>Para que o porto do Riacho, de medíocre que é, se torne em uma doca proveitosa a lanchas e a sumacas, precisa fazer-se-lhe os seguintes melhoramentos, ou outros que se julguem mais adequados. O Riacho logo para cima da ilha, ou, coroa de areia perto da barra, apresenta mui bom fundo; está, pois, o caso no curto espaço que, vai dali para baixo, em que o fundo é, em partes de areia, e geralmente de pedra carcomida e arenosa, fácil a despedaçar-se; é mister, portanto, fazê-lo, levar o rio a desaguar na concha ao sul-sudeste<span id="MRFP_RP7V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP7" title="Nota da Estação Capixaba: menciona-se aqui uma planta de número quatro que não aparece na Revista."><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a> construir-se um paredão (para o que pode servir a pedra arrancada do leito) da parte do mar, desde a terra firme até ao recife, da Concha, cuja direção se mostra pela linha grossa — A B —<span id="MRFP_RP8V">,</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP8" title="Idem."><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a> com 194 braças; é de acreditar que este paredão vá assentar em rocha, senão no todo, ao menos em grande parte, pois que o alvêo do rio e da valeta assim o indica, o que muito convém: desta sorte escorregando pelo paredão as águas do rio, sem grande pressão, por causa do rumo do curso que trazem, irão pela valeta a entrar na Concha, impedindo-se, como se pretende, que o rio rompa o pontal que lho fica a leste, em qualquer ponto, o que torna incerta e de nenhuma capacidade a barra: a atual serve só para canoas, e à do ano passado, também no tempo da seca, aconteceu o mesmo; ela ficava 15 braças mais ao sul da existente: o barranco da margem direita do Riacho será cortado quando se faça mister para dar ao porto a capacidade conveniente. O paredão, e pontal, e os recifes da Concha, suportando a fúria do mar, tornam abrigado o porto, semelhantemente ao de Pernambuco; a boca da Concha não muda, demora a Leste-sudeste, e, colocando-se na terra firme duas boas balizas na direção deste rumo, as embarcações, enfiando-as e correndo à Concha, têm segura a entrada: há nesta Concha outra entrada da parte do sudoeste, que serve para canoas, que venham costa a costa da parte do pequeno rio Saí que fica a uma légua de distancia, aproveitando-se da serenidade do mar, que quebra a sua força na linha do recife, que acompanha a mesma costa alguma distância: a dita concha tem fundo para as lanchas, e sumacas, não sendo estas de grande porte.</p>
<p>O quartel do Riacho é mui necessário, por isso mesmo que não há outro lugar onde se abriguem os caminhantes; ele se acha abandonado, e já em ruína pela parte de trás, tendo ainda as paredes da sala, cozinha, e quartos em bom estado; é, pois, para lamentar deixar-se perder aquela casa por se lhe não assentar nova coberta, que é de palha, e por se não reparar o que está arruinado, conservando ali dois homens que tenham conta dele, e das passagens, do contrário sofre muito o público, e os correios demorados muitas vezes por não haver quem passe, porque os moradores do Riacho ficam distantes, e há ocasiões em que nem existem na sua casa; com aquela mui pouco dispendiosa providência tudo fica sanado.</p>
<p>O porto do rio Preto precisa também melhorar-se, fazendo-se-lhe um molhe capaz para conter as embarcações, que assim ficam ao abrigo de todos os ventos; para isto não há mais que limpar o fundo e margens do pequeno estirão de 26 braças que vai da barra a oeste até ao portinho da Regência, garganta que não precisa alargar-se, e desde o dito portinho para cima cortar-se o barrando de um e de outro lado, a fazer-se o molhe com a forma elíptica, como mostra o retângulo junto à planta n.3<span id="MRFP_RP9V">.</span><a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP9" title="Nota da Estação Capixaba: planta mencionada anteriormente que não aparece no artigo da Revista."><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a> Com estes melhoramentos aqui temos uma boa e segura comunicação do rio Doce com o oceano.</p>
<p>É pena que o capitão-mor dos índios da vila de Nova Almeida, Francisco José Pinto, falecesse repentinamente na madrugada do dia seguinte ao da sua chegada à margem do rio Doce, ficando assim privado da relação exata da sua viagem desde o rio Piraqué, braço setentrional do rio da Aldeia Velha: todavia sabe-se que aquele capitão-mor dirigiu a picada pela parte superior, ou pelo poente dum morro de nome Cavalinho, para melhor subir ao Pau Gigante, ou ainda acima se lhe fosse possível; isto porque, quando ele, há anos, acompanhou um seu tio na mesma diligência, saiu este abaixo do dito Pau Gigante, deflorando-lhe o mencionado morro à esquerda, ou para o poente; carregou, portanto, em demasia o dito capitão-mor para o noroeste até que, encontrando uma grande lagoa, teve de costeá-la, puxando então para leste, e veio sair muito abaixo do sobredito Pau, com 6 dias de viagem, e de trabalho, o qual sendo praticado por índios é de acreditar que menos tempo se gastaria fazendo-se a picada por outra qualidade de gente: julgo, portanto, que este mesmo caminho, que de certo não segue a direção mais curta, se pode fazer em dois dias: disseram os índios que o capitão-mor tinha tenção de endireitar a picada na volta para Aldeia Velha, tanto ele conheceu a má direção da mesma picada; disseram mais que o terreno por onde vieram é plano, sem dificuldades, nem morros. Por esta exposição, ainda que sucinta, sou conduzido à probabilidade de que o trajeto do Piraqué ao rio Doce, pela direção conveniente, não é grande, e que talvez se possa ainda diminuir usando-se da navegação de alguma das muitas, fundas e grandes lagoas, que acompanham as margens deste notável rio, a mais ou menos distância delas: eu vou mandar dois homens a examinar a picada, para ver escoteiros quanto tempo gastam até ao dito Piraqué.</p>
<p>Juntarei ao expendido as minhas reflexões baseadas em dados positivos: da Aldeia Velha em linha reta ao nordeste à barra do rio Doce contam-se 27 milhas, ou 9 léguas, e se as barras estivessem na linha norte sul contar-se-iam somente 19 milhas ou 6 léguas e 1/3 (lado do triângulo retângulo isósceles); ora, o mencionado Piraquê vai puxando para o sul, em seus respectivos quadrantes de noroeste e de sudoeste, de maneira que os morros do Pau Gigante ficam ao sudoeste 1/4 oeste, de Linhares, e esta vila já se acha em paralelo ao sul do da foz do rio; eis aqui cada vez mais diminuída a distância das 19 milhas contando-se também norte-sul; portanto, aproximando-se, como mostro, o Piraquê do rio Doce, posso assegurar, se me não engana a fantasia, que virá a ser a jornada do trajeto dum só dia, sem fadiga; que proveitosa circunstância! Bem depressa se comunicará pelo novo caminho de Linhares com Aldeia Velha, e abrindo-se outro, pelo grande assentado, daquela vila para São Mateus, virá a distância desta última vila para a cidade a ser muito mais curta e cômoda.</p>
<p>Enquanto ao que exige o <b>Artigo XIII</b>, só direi por agora, que a barra da Aldeia Velha é muito boa, e não mudável, por causa do recife que a limita pelo sul; a qual pode tornar-se excelente, aplicando-se-lhe a máquina de roçagar, para dar mais fundo à sua entrada; o porto é ótimo, as embarcações até estão chegadas à terra, com prancha lançada, como vi o patacho da madeira, achando-se já carregado: pode acometer-se a dita barra com quase todos os ventos, e fica no fundo de uma notável sinuosidade. Quando escrever a Memória em resultado final da minha comissão, falarei do grande local sobranceiro ao porto daquela aldeia para assento duma linda povoação , da totalidade do rio até onde é navegável, e do proveito que dele pode tirar a navegação do rio Doce, facilitando-se o trajeto.</p>
<p>Vastíssimo campo oferece o rio Doce, com seus terrenos adjacentes, para discorrerem e se recrearem os sábios! Enquanto a mim, escasso de princípios, mas não de ardentes desejos de tornar-me útil ao Brasil, esforçar-me-ei quanto me for possível para satisfazer, noutra Memória mais difusa, as providentes vistas do governo.</p>
<p>Linhares, 16 de agosto de 1833.<br />
Luiz d&#8217;Alincourt.<br />
sargento-mor engenheiro.</p>
<p>[Publicado na <i>Revista </i>do IHGB, tomo 29, parte I, 1866. Vol. 32, p. 115-38.]<br />
_____________________________</p>
<h4>
NOTAS</h4>
<p></p>
<div id="MRFP_RP1">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP1V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 1 ]</b></sup></a>&nbsp;No original <i>Comboys</i>.</div>
<div id="MRFP_RP2">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP2V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 2 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do editor da Revista: faltam no manuscrito. Nota do site Estação Capixaba: trata-se, pelo que pudemos entender, dos quatro documentos a que o autor já se refere mais adiante como plantas.</div>
<div id="MRFP_RP3">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP3V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 3 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do site Estação Capixaba: a planta número 1 não aparece no artigo da <i>Revista</i>.</div>
<div id="MRFP_RP4">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP4V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 4 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do site Estação Capixaba: aqui menciona-se uma planta número dois, que também não aparece no artigo da <i>Revista</i>.</div>
<div id="MRFP_RP5">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP5V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 5 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem, planta número três.</div>
<div id="MRFP_RP6">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP6V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 6 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="MRFP_RP7">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP7V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 7 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do site Estação Capixaba: menciona-se aqui uma planta de número quatro que não aparece na <i>Revista</i>.</div>
<div id="MRFP_RP8">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP8V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 8 ]</b></sup></a>&nbsp;Idem.</div>
<div id="MRFP_RP9">
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/#MRFP_RP9V" title="Clique aqui para voltar"><sup><b>[ 9 ]</b></sup></a>&nbsp;Nota do site Estação Capixaba: planta mencionada anteriormente que não aparece no artigo da <i>Revista</i>.</p>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Luís D&#8217;Alincourt</b> nasceu em Oeiras, em 1787 e faleceu no Espírito Santo, em 1841. Foi militar, oficial do Real Corpo de Engenheiros, escritor, ensaísta, memorialista, pensador, ativista, intelectual e pesquisador português radicado no Brasil. (Para obter mais informações sobre o autor,&nbsp;<a href="https://estacaocapixaba.com.br/luis-dalincourt-biobibliografia/" target="_blank" rel="noopener">clique aqui</a>)</p></blockquote>
</div>
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		<title>Dados Geográficos &#8211; Vitória</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O município de Vitória, sede da capital do Estado do Espírito Santo, localiza-se a uma latitude sul de 20°, 19&#8242; e 9&#8243;, e a uma longitude oeste de Greenwich de 40°, 20&#8242; e 50&#8243;, possuindo área de 81 km², equivalente a 0,18% de território estadual e 5,5% dos 1.461 quilômetros da micro-região de Vitória, também [&#8230;]</p>
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O município de Vitória, sede da capital do Estado do Espírito Santo, localiza-se a uma latitude sul de 20°, 19&#8242; e 9&#8243;, e a uma longitude oeste de Greenwich de 40°, 20&#8242; e 50&#8243;, possuindo área de 81 km², equivalente a 0,18% de território estadual e 5,5% dos 1.461 quilômetros da micro-região de Vitória, também denominada Região da Grande Vitória, sendo, portanto, o menor município desta região.</p>
<p>Limita-se ao norte com o município da Serra, ao sul, com Vila Velha, a leste, com o oceano Atlântico e a oeste com o município de Cariacica.</p>
<p>Além da sede, com altitude de 10 metros, é compreendido pelo distrito de Goiabeiras.</p>
<p>O município é formado pela ilha do mesmo nome, com área de 28,04 km², e uma área continental, além de pequenas ilhas na sua baía.</p>
<p>A ilha é montanhosa, de constituição granítica circundada por numerosos terrenos de mangues e restingas, e é um prolongamento do relevo continental. O ponto mais elevado é o pico Frei Leopardi ou Pedra dos Olhos, com altitude de 240 metros.</p>
<p>A bacia que compõe a paisagem hidrográfica do município é a do rio Santa Maria da Vitória.</p>
<p>O clima é tropical úmido e caracterizado por temperaturas variáveis, atingindo a média mensal das máximas de 34,4°C. A maior ocorrência de chuvas se dá nos meses de outubro a janeiro.</p>
<p>Unidades de preservação existentes: Estação Ecológica Municipal da Ilha do Lameirão (área de 891,83 ha), Reserva Ecológica da Restinga de Camburi (área de 12,54 ha), Parque Estadual da Fonte Grande (área de 220 ha), Reserva Ecológica Municipal da Pedra dos Olhos (área de 0,65 ha), Parque Municipal da Gruta da Onça (área de 6,89 h), área de Proteção Ambiental da Ilha do Frade (área de 37,50 ha), Reserva Ecológica Municipal das Ilhas Oceânicas de Trindade e Martim Vaz (área de 117,80 ha), Reserva Ecológica Municipal do Morro da Gamela (área de 295.340 m²) e Reserva Ecológica Municipal do Morro de Itapenambi (área de 109.198 m²).</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;<br />
<b><span style="color: #660000;">© 2000&nbsp;</span></b>Texto com direitos autorais em vigor. A utilização / divulgação&nbsp;<b>sem prévia autorização</b>&nbsp;dos detentores configura violação à lei de direitos autorais e desrespeito aos serviços de preparação para publicação.<br />
&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<div>
</div>
<blockquote class="tr_bq"><p>
<b>Léa Brígida Rocha de Alvarenga Rosa</b>, historiadora e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.</p></blockquote>
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		<title>Geografia</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2016 17:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[EC]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>D&#8217;ALINCOURT, Luiz. Memória sobre o reconhecimento da foz e porto do rio Doce. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo 29, parte I, vol. 32, p.115-38, 1866. COSTA, Ricardo Brunow. Anotações sobre os Diários das visitas pastorais de 1880 e 1886 à Província do Espírito Santo, do bispo Dom Pedro [&#8230;]</p>
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<a href="https://estacaocapixaba.com.br/memoria-sobre-o-reconhecimento-da-foz-e/" target="_blank" rel="noopener">D&#8217;ALINCOURT, Luiz. Memória sobre o reconhecimento da foz e porto do rio Doce.</a> <i>Revista </i>do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, Rio de Janeiro, tomo 29, parte I, vol. 32, p.115-38, 1866.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/anotacoes-sobre-os-diarios-das-visitas/" target="_blank" rel="noopener">COSTA, Ricardo Brunow. Anotações sobre os Diários das visitas pastorais de 1880 e 1886 à Província do Espírito Santo, do bispo Dom Pedro Maria de Lacerda</a>. Estudo produzido a pedido do site ESTAÇÃO CAPIXABA.</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/expansao-urbana-da-area-norte-de-vitoria/" target="_blank" rel="noopener">COSTA, Ricardo Brunow. Expansão urbana da área norte de Vitória.</a> Vitória: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo/Academia Espírito-santense de Letras/Cultural-ES, 1989. 51p. (Cadernos de História, Vol.III)</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-proposito-do-mestre-alvaro/" target="_blank" rel="noopener">COSTA, Ricardo Brunow. <i>A propósito do Mestre Álvaro</i></a>. Vitória: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo/Prefeitura Municipal de Vitória, 1995. 92p. (Cadernos, v.VI)<br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/dicionario-topografico-da-provincia-do/" target="_blank" rel="noopener"><br /></a><br />
<a href="https://estacaocapixaba.com.br/dicionario-topografico-da-provincia-do/" target="_blank" rel="noopener">RUBIM, Brás da Costa. Dicionário topográfico da província do Espírito Santo.</a> In <i>Revista </i>do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, 1862, tomo XXV, p. 597-648. [Com ortografia atualizada e algumas notas].</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/a-exploracao-do-rio-doce-e-seus/" target="_blank" rel="noopener">STEAINS, William John. A exploração do rio Doce e seus afluentes da margem esquerda</a>. <i>Revista </i>do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, n.35, p.103-27, 1984 (tradução de Reinaldo Santos Neves). [Publicado originalmente sob o título An exploration of the rio Dôce and its northern tributaries (Brazil), in <i>Proceedings of the Royal Geographical Society and Monthly Record of Geography</i>, vol. 10, n° 2 (February, 1888), pp. 61-84.]</p>
<p><a href="https://estacaocapixaba.com.br/brasil-descricao-de-varios-arvoredos/" target="_blank" rel="noopener">VASCONCELOS, Simão de. Brasil.&nbsp;<i>(Descrição de vários arvoredos frutíferos do Brasil) e seus préstimos; Descrição da costa do Brasil e das capitanias do Espírito Santo, Pernambuco, Bahia, São Vicente, Porto Seguro e Ilhéus pelo padre Simão de Vasconcelos</i></a>&nbsp;&#8211; Transcrição parcial, somente da parte referente ao Estado do Espírito Santo, folhas 157v e 158. Acervo Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (lata 16, doc. 9, n. 1-2).</p>
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&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</div>
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