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	<title>Estação Capixaba</title>
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	<description>Portal de Cultura do Espírito Santo</description>
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		<title>Gilson Soares</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 11:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Estação Capixaba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rol de Autores]]></category>

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		<description><![CDATA[NOTÍCIA BIO-BIBLIOGRÁFICA VITRINE DE TEXTOS Poemas do livro Rosa-dos-ventos Poemas do livro Canção da meia-idade  Poemas do livro Minério (inédito)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Notícia bio-bibliográfica de Gilson Soares" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/noticia-bio-bibliografica/noticia-bio-bibliografica-de-gilson-soares/">NOTÍCIA BIO-BIBLIOGRÁFICA</a></p>
<p>VITRINE DE TEXTOS</p>
<p><a title="Poemas do livro Rosa-dos-ventos" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/poesia/poemas-do-livro-rosa-dos-ventos/">Poemas do livro <em>Rosa-dos-ventos</em></a></p>
<p><a title="Poemas do livro Canção da meia-idade" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/sem-categoria/4420/">Poemas do livro </a><em><a title="Poemas do livro Canção da meia-idade" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/sem-categoria/4420/">Canção da meia-idade</a> </em></p>
<p><a title="Poemas do livro Minério (inédito)" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/sem-categoria/poemas-do-livro-minerio-inedito/">Poemas do livro <em>Minério</em> (inédito)</a></p>
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		</item>
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		<title>Chapot Presvot 272</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 10:56:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Guilherme Santos Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Ser ou não ser, ou um assassinato em insensato grau Dostoiévski ou entre a mãe e a filha De crimes e estatísticas ou vice-versa Tempo de perinho ou a arte da sobrevivência A visita da velha senhora ou mão à palmatória A vã filosofia da caveira humana ou as agruras de um professor<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/chapot-presvot-272/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Luiz1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4267" title="Luiz" src="http://www.estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Luiz1.jpg" alt="" width="700" height="200" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a title="Ser ou não ser, ou um assassinato em insensato grau" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/ser-ou-nao-ser-ou-um-assassinato-em-insensato-grau/">Ser ou não ser, ou um assassinato em insensato grau</a></p>
<p><a title="Dostoiévski ou entre a mãe e a filha" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/dostoievski-ou-entre-a-mae-e-a-filha/">Dostoiévski ou entre a mãe e a filha</a></p>
<p><a title="De crimes e estatísticas ou vice-versa" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/de-crimes-e-estatisticas-ou-vice-versa/">De crimes e estatísticas ou vice-versa</a></p>
<p><a title="Tempo de perinho ou a arte da sobrevivência" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/tempo-de-perinho-ou-a-arte-da-sobrevivencia/">Tempo de perinho ou a arte da sobrevivência</a></p>
<p><a title="A visita da velha senhora ou mão à palmatória" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/a-visita-da-velha-senhora-ou-mao-a-palmatoria/">A visita da velha senhora ou mão à palmatória</a></p>
<p><a title="A vã filosofia da caveira humana ou as agruras de um professor de português" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/a-va-filosofia-da-caveira-humana-ou-as-agruras-de-um-professor-de-portugues/">A vã filosofia da caveira humana ou as agruras de um professor de português</a></p>
<p><a title="Sopa de fruta-pão ou depois da tempestade, a bonança" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/sopa-de-fruta-pao-ou-depois-da-tempestade-a-bonanca/">Sopa de fruta-pão ou depois da tempestade, a bonança</a></p>
<p><a title="Chapot Presvot, 272 ou porco na cabeça" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/chapot-presvot-272-ou-porco-na-cabeca/">Chapot Presvot, 272 ou porco na cabeça</a></p>
<p><a title="Dois graus a estibordo, três a bombordo ou dois pra lá, três pra cá" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/dois-graus-a-estibordo-tres-a-bombordo-ou-dois-pra-la-tres-pra-ca/">Dois graus a estibordo, três a bombordo ou dois pra lá, três pra cá</a></p>
<p><a title="A literatura ou a vida" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/a-literatura-ou-a-vida-2/">A literatura ou a vida</a></p>
<p><a title="A janela indiscreta ou uma questão de gosto" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/a-janela-indiscreta-ou-uma-questao-de-gosto/">A janela indiscreta ou uma questão de gosto</a></p>
<p><a title="Cucurucucu ou vamos à forra, Lenilda" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/cucurucucu-ou-vamos-a-forra-lenilda/">Cucurucucu ou vamos à forra, Lenilda</a></p>
<p><a title="Porque era sábado ou quem quiser que conte outra" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/porque-era-sabado-ou-quem-quiser-que-conte-outra/">Porque era sábado ou quem quiser que conte outra</a></p>
<p><a title="Sob o peso da pedreira ou não há quem aguente…" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/sob-o-peso-da-pedreira-ou-nao-ha-quem-aguente/">Sob o peso da pedreira ou não há quem aguente…</a></p>
<p><a title="Negócio de bispo ou prestança de pouca monta" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/negocio-de-bispo-ou-prestanca-de-pouca-monta/">Negócio de bispo ou prestança de pouca monta</a></p>
<p><a title="Vou e volto logo, ou c’est la vie" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/vou-e-volto-logo-ou-cest-la-vie/">Vou e volto logo, ou c’est la vie</a></p>
<p><a title="Questão de oportunidade ou escreve, seu Pedrinho!" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/questao-de-oportunidade-ou-escreve-seu-pedrinho/">Questão de oportunidade ou escreve, seu Pedrinho!</a></p>
<p><a title="Vingança de Delegado ou quer mais, pede" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/vinganca-de-delegado-ou-quer-mais-pede/">Vingança de Delegado ou quer mais, pede</a></p>
<p><a title="Velhos tempos ou as time goes by" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/velhos-tempos-ou-as-time-goes-by/">Velhos tempos ou as time goes by</a></p>
<p><a title="O canto do galo ou o descante do delegado" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/o-canto-do-galo-ou-o-descante-do-delegado/">O canto do galo ou o descante do delegado</a></p>
<p><a title="Questões de linguagem ou Pedro, e agora?" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/questoes-de-linguagem-ou-pedro-e-agora/">Questões de linguagem ou Pedro, e agora?</a></p>
<p><a title="New York, 1949 ou Os condenados" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/new-york-1949-ou-os-condenados/">New York, 1949 ou Os condenados</a></p>
<p><a title="Novo ataque da velha senhora ou cinzas sobre cinzas" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/novo-ataque-da-velha-senhora-ou-cinzas-sobre-cinzas/">Novo ataque da velha senhora ou cinzas sobre cinzas</a></p>
<p><a title="Happy birthday to you ou in memoriam" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/happy-birthday-to-you-ou-in-memoriam/">Happy birthday to you ou in memoriam</a></p>
<p><a title="Desenvolvimento sustentável ou última flor do Lácio" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/desenvolvimento-sustentavel-ou-ultima-flor-do-lacio/">Desenvolvimento sustentável ou última flor do Lácio</a></p>
<p><a title="Presente de grego ou Salomé à la carte" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/presente-de-grego-ou-salome-a-la-carte/">Presente de grego ou Salomé à la carte</a></p>
<p><a title="Racismo ou justa causa" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/racismo-ou-justa-causa/">Racismo ou justa causa</a></p>
<p><a title="Digital x Pedro ou vitória memorável" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/digital-x-pedro-ou-vitoria-memoravel/">Digital x Pedro ou vitória memorável</a></p>
<p><a title="A volta do professor Bicalho ou o que se há de fazer?" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/a-volta-do-professor-bicalho-ou-o-que-se-ha-de-fazer/">A volta do professor Bicalho ou o que se há de fazer?</a></p>
<p><a title="O presente precioso ou o precioso presente" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/o-presente-precioso-ou-o-precioso-presente/">O presente precioso ou o precioso presente</a></p>
<p><a title="Adivinhe quem vem para depor ou cada qual com o seu cada qual" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/adivinhe-quem-vem-para-depor-ou-cada-qual-com-o-seu-cada-qual/">Adivinhe quem vem para depor ou cada qual com o seu cada qual</a></p>
<p><a title="Um rebolado pro lado ou dá o pé, loura" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/palavra-dita-e-retornada-ou-cumpra-se-o-compromisso-assumido/">Um rebolado pro lado ou dá o pé, loura</a></p>
<p><a title="Palavra dita e retornada ou cumpra-se o compromisso assumido" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/palavra-dita-e-retornada-ou-cumpra-se-o-compromisso-assumido-2/">Palavra dita e retornada ou cumpra-se o compromisso assumido</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Breves reflexões a respeito das vantagens que oferece a Colônia Rio Novo pela fertilidade do seu terreno e sua posição topográfica, e das favoráveis condições para os colonos que nela quiserem estabelecer-se, seguida de um cálculo aproximado da renda presumível de uma família anualmente.</title>
		<link>http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/historia/breves-reflexoes-a-respeito-das-vantagens-que-oferece-a-colonia-rio-novo-pela-fertilidade-do-seu-terreno-e-sua-posicao-topografica-e-das-favoraveis-condicoes-para-os-colonos-que-nela-quiserem-estabel/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 10:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caetano Dias da Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Imigração]]></category>

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		<description><![CDATA[Associação Colonial do Rio Novo &#160; O texto desta publicação é a propaganda oficial que atraiu os suíços para Rio Novo. Foi publicado em português, francês e alemão, datado de 14 de fevereiro de 1854. O original ficou guardado com a família Rohr. Com a movimentação dos descendentes dos suíços, Valdenir Rohr o descobriu no<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/historia/breves-reflexoes-a-respeito-das-vantagens-que-oferece-a-colonia-rio-novo-pela-fertilidade-do-seu-terreno-e-sua-posicao-topografica-e-das-favoraveis-condicoes-para-os-colonos-que-nela-quiserem-estabel/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span id="Associao_Colonial_do_Rio_Novo"><h3><strong>Associação Colonial do Rio Novo</strong></h3></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>O texto desta publicação é a propaganda oficial que atraiu os suíços para Rio Novo. Foi publicado em português, francês e alemão, datado de 14 de fevereiro de 1854. O original ficou guardado com a família Rohr. Com a movimentação dos descendentes dos suíços, Valdenir Rohr o descobriu no fundo de um velho baú.</p>
<p>Este trabalho é uma contribuição ao resgate histórico da saga e da luta que 46 suíças e 44 suíços que deixaram sua Pátria e chegaram a Itapemirim no dia 21 de dezembro de 1856, depois seguiram para Rio Novo. Hoje os 90 são milhares, suíços/suíças brasileiros/brasileiras ou brasileiros/brasileiras suíços/suíças. Homenagem aos 90 pioneiros e pioneiras, aos milhares de descendentes e em especial aos que valorizam os antepassados e mergulham na sua História.</p>
<p>A ação é em nome de minha esposa Eliane e nossa família que tem o sangue dos Stauffer, Kobi, Laiber, Scheidegger e Scherrer.</p>
<p align="right">Ronald Mansur</p>
<span id="Breves_reflexes_a_respeito_das_vantagens_que_oferece_a_Colnia_Rio_Novo_pela_fertilidade_do_seu_terreno_e_sua_posio_topogrfica_e_das_favorveis_condies_para_os_colonos_que_nela_quiserem_estabelecer-se_seguida_de_um_clculo_aproximado_da_renda_presumvel_de_uma_famlia_anualmente"><h3><strong>Breves reflexões a respeito das vantagens que oferece a Colônia Rio Novo pela fertilidade do seu terreno e sua posição topográfica, e das favoráveis condições para os colonos que nela quiserem estabelecer-se, seguida de um cálculo aproximado da renda presumível de uma família anualmente</strong></h3></span>
<p>Se examinarmos com atenção quanto se há escrito sobre a verdadeira fonte da riqueza pública em todo o mundo conhecido, veremos claramente que ela provém da agricultura; e se procurarmos indicar onde o trabalho agrícola é melhor compensado, pela abundancia de produtos, conheceremos logo que o solo brasileiro é um dos do Globo que oferece ao homem laborioso o maior premio de seu trabalho.</p>
<p>A quase constante primavera deste país em quase todo o seu litoral e centro, a sua suave temperatura atmosférica, a sua fertilidade e constante vegetação enfim, são condições bastante para o viver indolente de uma grande parte de sua população que não aspira riquezas; assim como o meio mais fácil para a formação de crescidas fortunas.</p>
<p>Por toda parte do Brasil vemos casas opulentíssimas, criadas pelo fruto do trabalho pessoal de seus fundadores, ao passo que se encontra em algumas povoações muitos habitantes que mais ou menos aspirando só ao pão de cada dia, e o humilde vestuário, desafiados pela decência que a seu modo guardam, do que pelas intempéries, vivem muito satisfeitos, e como que felizes porque tudo logram da fertilidade da terra com pouco trabalho.</p>
<p>Vemos, entretanto, a par destes indolentes habitantes, alguns indivíduos laboriosos que apenas com o recurso de sua própria força e vontade sustentam as famílias de que são chefes, com o produto de sua lavoura, e todos se julgam felizes, porque tem o necessário para viverem, e ainda lhes sobra! E em que lugar da Europa pode conseguir-se semelhante vantagem? De certo em nenhuma parte se encontram condições, e uma fertilidade tal, que permita a um individuo, muito embora laborioso trabalhador, o viver com sua família em abundancia, com a decência inerente a sua posição social, e segundo os usos das localidades em que residem, entretanto, vemos dar-se isto no Brasil para com todos os indivíduos honestos e amantes do trabalho.</p>
<p>Se visitarmos as fazendas onde se faz o plantio da cana para o fabrico de açúcar, encontraremos pais de famílias agregados a essas fazendas, que por consentimento dos seus proprietários das mesmas, só com os seus braços e de suas famílias, cultivam terra para milho, feijão, arroz e mandioca: e lhe resulta deste trabalho as quatro espécies de mantimentos mais preciosos ao sustento de uma casa em todo o ano; e ainda vendem sobras. A mesma família cultiva também terra para cana, e deste trabalho resulta o açúcar para o seu gasto anual, e para vender, a fim de remediar suas precisões. Trata de uma maior ou menor porção de cafeeiros, dos quais colhe certo numero de arrobas de café, do que podem obter dois ou três mil cruzados; e além dessas vantagens, pode essa família criar galinhas, perus e outras aves, assim como pode criar boi, o cavalo, porcos, carneiros, etc.</p>
<p>Se visitarmos as fazendas propriamente de café, aí veremos destes agregados, com suas casas abundando de todos os mantimentos, com criações domésticas de toda espécie e bem boa renda proveniente do café que cultivam e do que colhem a meia dos cafezeiros do fazendeiro.</p>
<p>Se visitarmos outras localidades, onde não há agregados, e sim pequenos lavradores proprietários, ai os encontraremos com bem lindas e produtivas situações das quais podem tirar amplíssimos meios de subsistência, tendo mais que os agregados da fazenda, o valor destas situações na porção de alguns mil cruzados. Dito isto, em geral, consideremos o que há quanto a outras condições que concorrem na Colônia Rio Novo; e quanto à fertilidade do seu terreno.</p>
<p>A Vila de Itapemirim fundada na margem Sul do rio do mesmo nome, abrangeem seu Municípiomuitos terrenos e importantes estabelecimentos agrícolas situados nas margens do mesmo rio, e os produtos agrícolas daquele importante e populoso Município são exportados diretamente para o Rio de Janeiro, nas embarcações que freqüentam o Porto da mesma Vila de Itapemirim, do qual Porto vai ao Rio de Janeiro se vai em 36 horas tendo vento regular e favorável.</p>
<p>Ao Sul de Itapemirim, seis léguas, desemboca no mar o rio Itabapuama cuja margem norte pertence ao Município de Itapemirim. As margens deste rio abundam de excelentes terrenos e os seus produtos vão igualmente em direção para o Rio de Janeiro nas embarcações que freqüentam o Porto de Itabapuama, nome que tem uma povoação ali fundada, em ambas as margens daquele rio próximo a sua foz.</p>
<p>Ao Norte de Itapemirim. 4 léguas, deságua no mar o rio Piúma pertencente em parte a Itapemirim, e em parte ao Município da Vila de Benevente; e nas margens deste rio e nas de seus confluentes, há excelentes terrenos nas melhores condições para a agricultura: os produtos dessa localidade são igualmente exportadas para o Rio de Janeiro nas embarcações que navegam para o Porto de Piúma, nome que tem a povoação fundada na margem sul daquele rio, muito próximo a sua foz.</p>
<p>Ao Norte do Piúma, duas léguas, está a Vila de Benevente, situada na margem norte do rio do mesmo nome; o qual tem ótimos terrenos em suas margens, e tudo quanto produzem é exportado diretamente para o Rio de Janeiro, nas embarcações que constantemente entram no Porto da dita vila.</p>
<p>Pelo que fica dito conhece-se que no espaço de doze léguas de costa de mar existem quatro Portos exportadores que recebem continuadamente as embarcações empregadas na condução de produtos agrícolas desses Portos para o grande mercado do Rio de Janeiro; e por conseguinte, há sempre não só prontos meios de comunicação por mar e terra, como transporte fácil e pouco dispendioso para os indivíduos que pessoalmente precisam ou precisarem ir desses lugares a Cidade do Rio de Janeiro e vice-versa arranjar seus negócios.</p>
<p>Tantas vantagens ao mesmo tempo, e tantos meios de viver felizmente e de adquirir fortuna, são por certo ignorados da maior parte das populações Européias; as quais, para viverem ali honestamente e remediar suas necessidades, trabalham sem cessar, sujeitas as privações inauditas; e quantas misérias acometem essas populações quando faltam cerceais e trabalho para do seu fruto se manterem? Causam horror as narrações que a semelhante respeito nos fazem os viajantes que em tais ocasiões se tem achado nas localidades onde se passam essas cenas de dor.</p>
<p>Para suavizar a misera existência de milhares de indivíduos que tanto sofrem nos diferentes pontos da Europa, e mesmo para melhorar a fortuna dos que já possuem algum cabedal, acha-se o Império do Brasil com os braços abertos, e pronto a receber esses indivíduos e sua famílias, as quais com seus chefes, encontrarão a par do melhor acolhimento dos brasileiros, o seu bem estar presente e a sua futura prosperidade, uma vez que ponha do seu lado o amor ao trabalho, perseverança e boa  diligencia.</p>
<p>Com estas condições poderão todos os indivíduos laboriosos lograr muita satisfação domestica, abundancia em suas casas e o crescimento quotidiano da sua fortuna; e na presença de tantas circunstâncias favoráveis, porque, vós habitantes dos diferentes pontos da Europa, que viveis com tanto trabalho sem a menor esperança de melhorar vossa sorte e de vossas famílias: sem um presente e sem um futuro, não vindes gozar do abençoado solo brasileiro de tantas vantagens que ele vos oferece? Falta-vos resolução para deixardes a Pátria? Pois bem, considerais a Pátria impossibilitada de manter tantos filhos, e que vós não podeis viver jamais do gozo necessário; que não tereis jamais a vossa disposição os meios indispensáveis para vencer as muitas dificuldades da vida, que por mil modos vos acometem, e obstam a que vivais, já não digo felizes, mas regularmente; e conhecereis a necessidade de passardes pela dor, que tantos outros têm passado, de separar-vos do lugar que vos viu nascer, a fim de virdes gozar, durante o resto dos vossos dias, das vantagens que a todos oferece este vasto país, onde achareis de pronto a estrada do vosso bom futuro, e de vossas famílias. Após estas considerações estou certo que concordareis na retirada.</p>
<p>Faltam-vos os meios para realizar a empresa da vossa mudança? Pois bem, eu por mim ou por intermédio de outrem, vos fornecereis estes meios para retribuirdes com suavidade pelo fruto de vosso trabalho: eis tudo quanto agora precisais, e depois que chegardes a mim, tereis os meio que vos hão de ser precisos para começardes os vossos estabelecimentos de que tereis certamente uma renda superior a vossa despesa bem regulada; e tereis sobras para satisfazerdes os vossos compromissos, e acrescentardes cada vez mais as vossas nascentes fortunas.</p>
<p>Nas margens dos rios Itapemirim, Novo, Itapoama, Iconha e seus confluentes ribeiros, acha-se fundada uma Colônia sob os auspícios da Associação Colonial do Rio Novo; e tal Colônia esta disposta para receber em seu seio, todos os indivíduos de ambos os sexos que da Europa, indistintamente, Ilhas da Madeira, Canárias e outras, quiserem fazer parte da população da mesma Colônia.</p>
<p>As vantagens que a Colônia oferece quanto a sua localidade e quanto a fertilidade dos seus terrenos são:</p>
<p>1ª Estarem os terrenos onde se acha fundada a Colônia Rio Novo, distante do Porto da Vila de Itapemirim apenas 3 léguas, e poderem os produtos da mesma Colônia levar-se ao dito Porto; embarcando em canoas ou em pequenas barcas no rio Itapemirim, onde chega a Colônia, ou no Rio Novo que cruza por dentro dela; e, em qualquer dos casos há a grande vantagem de conduzir-se grande números de arrobas com o emprego da força de dois homens: se o produto agrícola for para o Porto de Itapemirim, os seus condutores farão, como fazem, a viagem de ida e volta em um só dia; e se forem para Piúma, em alguns casos, gastarão o mesmo tempo, e n’outros um dia e meio.</p>
<p>2ª Estar o Porto de Piúma a duas léguas do começo da Colônia, e ai, como no de Itapemirim se realizar a importação de gêneros e fazendas necessárias a Colônia, podendo seus habitantes ir aqueles pontos arranjar seus negócios e voltar para suas casas em poucas horas: mais ou menos segundo as distancias a que residem.</p>
<p>3ª Está o Porto da Vila de Benevente, a 3 léguas de distancia e a ele podem concorrer os habitantes da Colônia para seus arranjos, e voltar para as suas casas no mesmo dia. Estas três condições muito concorrerão para o aumento de prosperidade dos habitantes da Colônia Rio Novo, colocada tão vantajosamente no centro dos três Portos de mar que ficam mencionados, e esse aumento de prosperidade é bem palpável, se atendermos a circunstancia de poderem os habitantes laboriosos poupar os muitos dias de trabalho que perderiam se lhes fossem necessário ir a maiores distancias arranjar o que necessitassem em suas casas; assim como se atendermos a grande economia no transporte de seus gêneros que neste caso só basta embarcá-los nas proximidades dos seus estabelecimentos, em pequenas canoas ou barcas, e os conduzirem pelo rio até o Porto de Piúma, para o que terão toda facilidade.</p>
<p>Ainda outra comodidade para todos os habitantes da Colônia se faz muito palpável, e é que todo o individuo que necessitar ir ao Rio de Janeiro, para onde se exportam todos os produtos da Colônia, terão sempre, em qualquer dos Portos mencionados, as embarcações empregadas na condução desses produtos; e deste modo farão sempre a viagem a Corte com pouco dispêndio e sem trabalho; e ainda esta comodidade de se tornará mais saliente, logo que de Piúma para o Rio de Janeiro se estabeleça a navegação a vapor, como se pretende.</p>
<p>4ª Serem os terrenos banhados pelos rios que ficam especificados e seus confluentes ribeiros da maior força produtiva, e oferecem ao lavrador, correndo boa a estação, por um alqueire de milho de semeadura, de cento e vinte a cento e cinqüenta, e as vezes mais, que regularmente se vende de mil e seiscentos a dois mil.</p>
<p>Por um alqueire de feijão de semeadura, de oitenta e cem alqueires, que se vende de dois a três mil réis, e é de notar que estes dois produtos se obtém duas vezes por ano; pois que se semeiam em Março para colher em junho e julho; e em setembro, para colher em dezembro.</p>
<p>Por um alqueire de arroz de semeadura de cento e cinqüenta a duzentos alqueires, que se vende a duzentos a mil seiscentos reis.</p>
<p>5ª Presta-se a mandioca de que se faz a farinha (chamada de pão) ao uso cotidiano, no fim de seis meses depois de plantada. Esta importante e salutar planta, não se colhe toda ao mesmo tempo; mas sim uma certa quantidade cada semana que chegue para o gasto ordinário. Dura ela na terra superficialmente, até 3 anos, e ali esta sempre as ordens do lavrador, que nesse caso bem considera a terra o seu celeiro que abre quando necessita, a qualquer hora. A raiz desta planta vai-se extraindo na porção precisa, e logo plantando-se outra no lugar da extraída; de forma que quando se acaba de extrair a mandioca que primeiro  se plantou, já a da segunda plantação começa a suprir; ela produz em muita abundancia e cultiva-se com grande facilidade. Em terra boa como a da Colônia, vê-se muitas vezes uma raiz de mandioca produzir uma quarta de farinha; e o pé de mandioca que oferece esta raiz, quase sempre tem três ou quatro, outras mais pequenas; e quereis saber o que foi necessário fazer para obter esta fartura? Um golpe na terra bruta com o canto de uma enxada, e um pedacinho do pau da mandioca, de duas polegadas de extensão depositado na cisura que na terra se fez, coberto com a mesma terra levantada pela enxada.</p>
<p>6ª Produzem dez mil cafeeiros, no seu estado florescente que começa no 5º ano de idade, de oitocentos a mil e duzentos arrobas de café, que se está vendendo de três a quatro mil réis cada arroba. Esta porção de café pode ser colhida por cinco pessoas diligentes nos meses de abril, maio, junho e julho.</p>
<p>7ª Produzir regularmente um carro de cana, plantado em boa terra como é o da Colônia, de quarenta a cinqüenta arrobas de açúcar, e quase dois terços de pipa de aguardente; vendendo-se aquele de dois a três mil réis, e esta de quarenta a sessenta mil réis; atualmente vende-se a cento e vinte mil réis.</p>
<p>8ª Dar-se excelentemente o fumo, o anil, o algodão; assim como muitos outros objetos alimentícios, além do milho, feijão, arroz e mandioca; sendo de notar que desta ultima planta se tira além da farinha de que já se tratou, o bom polvilho, e boa tapioca que como a farinha servem para consumo diário e mesmo para vender: a farinha regula de mil e seiscentos a dois mil réis o alqueire, e o polvilho e tapioca de três a três e quinhentos réis.</p>
<p>9ª A vantagem de se colher, além destes frutos do trabalho, os que oferecem as majestosas bananeiras de muitas espécies, as viçosas laranjeiras de muitas qualidades, as limeiras e limoeiros doces, os melões e melancias, as abóboras e muitas espécies de batatas de excelente gosto.</p>
<p>10ª Dar-se com muita rapidez e em grande quantidade a baga de mamona; e isto com muito pouco trabalho, e produzir um alqueire de seus grãos, dezesseis garrafas de óleo para luz, que se vende a duzentos e quarenta réis cada garrafa. Uma mulher cuidadosa, em sua casa, apronta cinco ou seis garrafas diárias; e extraindo-se este óleo por meio de máquinas apropriadas, pode obter-se uma pipa ou mais por dia, que se vende por duzentos mil réis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Das_favorveis_condies_para_os_colonos_oferecidas_pela_Associao"><h3><strong>Das favoráveis condições para os colonos oferecidas pela Associação</strong></h3></span>
<p>1º Dar-se-á por adiantamento, por intermédio de casas comerciais das cidades marítimas da Europa, o dinheiro necessário para o embarque das famílias e outros indivíduos que quiserem fazer parte da Colônia Rio Novo, sempre que o engajamento for feito por conta imediata ou intervenção de qualquer forma da Associação Colonial de Rio Novo; e o importe das passagens até a mesma Colônia: no caso porém de ser o engajamento contratado em qualquer dos Portos do Brasil, com qualquer importador, adiantar-se-á a importância porque se contratar, e a passagem de qualquer de tais Portos para a Colônia; assim como as mais despesas indispensáveis.</p>
<p>2º Entregar-se-á a cada família que for chegando a Colônia, logo, ou no menor espaço de tempo que for possível uma área de terra que contenha de quarenta a cinqüenta mil braças quadradas, a qual lhe ficará pertencente logo por título de foro perpétuo que se lhe passara.</p>
<p>3º Nesta área de terra achará a família:</p>
<p>1- de dez a vinte mil braças quadradas de mato derrubado, por ser serviço difícil de fazem a quem chega desde logo;</p>
<p>2- uma casa cômoda para habitação da mesma família;</p>
<p>3- os indispensáveis utensílios;</p>
<p>4- as possíveis plantações de cafezeiros, mandioca, milho, feijão, etc.</p>
<p>4º Fornecer-se-lhe-á o preciso milho, feijão e arroz, enquanto não colherem estes mantimentos da primeira sementeira ou plantação que fizerem, que deverá ser na primeira estação apropriada depois que chegarem; e no caso de acharem feitas as plantações regular-se-á o fornecimento até a colheita delas: a farinha de mandioca também se lhe fornecerá nos primeiros quatro meses.</p>
<p>5º Fornecer-se-lhe-ão outros indispensáveis até chegarem os seus primeiros produtos, de que tiram o necessário para pagamento dos débitos que por tais avanços tiverem contraído.</p>
<p>6º Além das vantagens que ficam enumeradas, ficará à disposição das famílias:</p>
<p>1º o preciso terreno junto ao engenho ou engenhos que a Associação há de ter, para que plantem cana de que tirem o açúcar e aguardente que puderem:</p>
<p>2º o moinho, ou moinhos que existirem para que reduzam a farinha, o milho e arroz que quiserem;</p>
<p>3º os engenhos de preparar o café que tiver de transportar, ou vender preparado na Colônia;</p>
<p>4º as conduções que necessitarem para conduzir seus produtos dos seus estabelecimentos para o Porto exportador;</p>
<p>5º o engenho de serrar taboas para que se tenham este gênero sem o comprar, e aproveitem as muitas madeiras que existem nas terras que se lhe destinam;</p>
<p>6º o engenho de fazer óleo de baga de mamona, para que aproveitem este importante produto que com tanta abundancia se dá;</p>
<p>7º a fábrica de farinha de mandioca; e</p>
<p>8º Outras quaisquer oficina da Associação para utilizarem o que delas lhes for preciso.</p>
<p>7º Estabelecidas as primeiras famílias em número suficiente, diligenciar-se-á a existência de um pastor católico para celebrar o Santo Sacrifício da Missa todos os domingos e dias santos.</p>
<p>8º Será garantido o culto religioso seguido pelos colonos que não forem católicos, facilitando-lhes o serem acompanhados por seus respectivos pastores.</p>
<p>9º A todas as famílias que se estabelecem na Colônia, se fornecerão aves e porcos para o começo da criação de tais espécies.</p>
<p>10º De todas estas vantagens poderão gozar as pessoas solteiras que na Colônia se casarem em formarem família.</p>
<p>11º A todas as famílias estabelecidas na Colônia, em torno dos centros coloniais, será permitido o trabalho a meia com a Associação no tratamento de cafezais que tomarão a seu cuidado, e na colheita dos seus frutos; e assim também no plantio de cana para o fabrico do açúcar e da aguardente, enquanto que as terras que tomarem por foro perpétuo não lhes fornecerem produtos com que possam remir suas precisões e pagar seus débitos: desse modo lhes pertencerá metade do café que colherem nos cafezais que se puserem a seu cargo para tratar; e metade do açúcar que se fizer das canas que plantarem e tratarem, devendo no serviço de moagem da cana observar-se o respectivo regulamento da Colônia.</p>
<p>12º As pessoas que não fizerem parte das famílias terão trabalho certo da Associação, para ganhar subsistência, percebendo na atualidade, os adultos capazes de todo o serviço, de oito a doze mil réis por mês útil e dias isolados na mesma proporção: e os menores que poderem trabalhar perceberão de quatro a oito mil réis por mês útil, e dias isolados na mesma proporção; uns e outros deixarão um terço dos seus ganhos para pagamento dos seus débitos; a tais pessoas se concederá a vantagem da condição antecedente logo que possam residir sobre si, em casa própria.</p>
<p>13º Todos os indivíduos da Colônia pertencentes às famílias estabelecidas que se empregarem nos serviços da Associação ganharão o mesmo ordenado ou jornada dos estipulados na condição antecedente.</p>
<p>14º Os indivíduos solteiros, que se mostrem dignos de atenção de bons costumes, que forem trabalhadores diligentes e econômicos; e se acharem com ânimo de cultivar por si, e por meio de engajamentos que façam uma área de terra igual as que se destinam as famílias e de que tratam as concessões 1ª e 3ª, ser-lhe-á ela concedida com os mesmos ônus e vantagens a que ficarem sujeitas as famílias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Das_retribuies_dos_colonos__Associao_Colonial_Rio_Novo"><h3><strong>Das retribuições dos colonos à Associação Colonial Rio Novo</strong></h3></span>
<p>1ª Pela primeira condição será levada ao débito de cada família ou individuo isoladamente, a importância que se dispuser, a qual começará a vencer juro de seis por cento ao ano, seis meses depois da chegada da mesma família ou indivíduo.</p>
<p>2ª Pela segunda condição ficarão os possuidores de áreas de terra, de que ali se trata, obrigados a um módico foro anual, o qual será perpétuo.</p>
<p>3ª Pela terceira condição serão os possuidores das ditas áreas, obrigados aos módicos valores das benfeitorias que existem feitas por conta e a expensas da Associação para mais facilmente se estabelecerem os mesmos possuidores; tais valores serão embolsados à proporção que se fizerem as colheitas, na porção que se estipular; e nesse ajuste se permite a possível equidade.</p>
<p>4ª Pela quarta condição nada a Associação perceberá até a época da primeira colheita de mantimentos; mas dessa época por diante será debitada a família o indivíduos que viverem sobre si isoladamente o importe dos mantimentos que se lhes fornecer de qualquer espécie.</p>
<p>5ª Pela quinta condição se lhe debitarão os suprimentos que se lhes fizerem desde logo.</p>
<p>6ª Pela sexta condição ficará para a Associação:</p>
<p>1º Um terço do açúcar e aguardente que fizerem no engenho da Associação quando não se der o caso da condição 11ª.</p>
<p>2º Um décimo da farinha que fizerem, de milho ou de outros grãos, nos moinhos da Associação.</p>
<p>3º O preço que regularmente se pagar no país pelo preparo de cada arroba de café nos engenhos da Associação.</p>
<p>4º As conduções que necessitarem para levar seus produtos ao Porto de Piúma serão compensados por um módico dispêndio que se convencionar.</p>
<p>5º A metade do taboado que serrarem nos engenhos da Associação.</p>
<p>6º Um décimo do óleo de mamona que fizerem no engenho da Associação.</p>
<p>7º Um décimo da farinha de mandioca, polvilho e tapioca que fizerem na fábrica da Associação.</p>
<p>8º Os preços que regularmente se pagarem no País por outras quaisquer coisas que necessitarem de quaisquer oficinas que a Associação possuir.</p>
<p>7ª Pela sétima condição nada se exige porque a Associação esta certa de que o Governo do Brasil, como primeiro interessado na mantensa ilesa da Santa religião de Jesus Cristo, concorrerá para que a Colônia Rio Novo não sofra falta por este lado.</p>
<p>8ª Pela oitava condição, nada se exige igualmente pelos mesmos princípios inerentes ao Governo Brasileiro, no que toca a respeitar as crenças dos colonos que correrem ao Brasil, para um dia serem os seus súditos de assim desejarem.</p>
<p>9ª Pela nona condição nada se exigirá das famílias e pessoas solteiras, que viverem em economia separada.</p>
<p>10ª Por todas as mais condições, ficam estabelecidos os ônus que nelas se declara; e para que não ajam dúvidas em contas e ajustes de objetos, haverá um livro cuja guarda ficará a cargo de cada família e dos mais habitantes, onde se lançarão todos os débitos e créditos das mesmas famílias, e indivíduos; e neste livro (cada família terá um) se ajustará sempre as contas. Cada família ou seu Chefe, e cada indivíduo com economia separada saldará o seu débito no menor espaço de tempo possível, e em cada ajuste de contas, assinarão documentos em forma, como for mais conveniente dos saldos que ficarem devendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Clculo_do_rendimento_que_provavelmente_ter_uma_famlia_anualmente"><h3><strong>Cálculo do rendimento que provavelmente terá uma família anualmente</strong></h3></span>
<p>Postos estes pormenores, vantagens, condições e retribuições, passo a demonstrar a renda que uma família poderá obter anualmente, sempre que uma boa estação, e diligencia do lavrador concorram.</p>
<p>Suponhamos que uma família habitante da Colônia conte com 5 pessoas úteis, e que possuindo uma área de terra das de que se trata nas condições 2ª e 3ª plantam como é possível dois alqueires de milho: por este lado terão segundo a experiência tem mostrado, cento e trinta e cinco alqueires termo médio, por cada um de semeadura, e por ambos duzentos e setenta ditos.</p>
<p>Destes 270 alqueires, suponhamos que guarda para gastos 70 alqueires, e que vende 200 alqueires a 1.600 réis: terá neste caso 320.000 réis</p>
<p>Suponhamos que na mesma terra ocupada pelo milho, semeie 3 alqueires de feijão, e que estes produzem termo médio, 80 alqueires por cada um de semeadura: teremos 240 alqueires por todos. Destes 240 alqueires, tirando 40 para o gasto e vendendo200 a2.000 réis: teremos 400.000 réis.</p>
<p>Suponhamos que na mesma área semeia-se um alqueire de arroz e que colhendo 200 alqueires, tiram 30 para o gasto, e vende 170 ao preço de 1.000 réis: teremos em tal caso 170 000 réis.</p>
<p>Suponhamos que 10.000 cafeeiros colhem seiscentas arrobas (pode colher-se 1.200) e que destas tiram 20 para gasto e vendem 580 arrobas a 3.000 réis (vende-se atualmente de3 a4.500 réis) teremos: 1:740.000 réis.</p>
<p>Como o milho e o feijão se colhem duas vezes por ano, supondo que os produtos acima são plantação de março, teremos pelo milho da plantação de setembro 320.000 réis.</p>
<p>Teremos mais pela plantação do feijão de setembro, que sempre é mais inferior por causa das chuvas 180.000 réis.</p>
<p>Soma tudo, sem falar em outras coisas que se pode acumular, no caso de ocorrer boa estação, e haver boa diligencia do lavrador. 3.130.000 réis.</p>
<p>Por este cálculo, vê-se, que mediante uma boa estação, e atividade do lavrador, poderá lograr-se a importância de 5:130.000 réis: e descontando-se dessa soma a quantia de 530.000 réis para preparo do café e conduções, ainda ficará líquida a quantia de 2:600.000 réis.</p>
<p>A maior parte das despesas ordinárias de uma tal  família será satisfeita com o produto de outros frutos acessórios; como sejam o de alguns alqueires de farinha, polvilho e tapioca, que sobra do gasto ordinário, o de criações que também se vendem, os de algumas garrafas de óleo de mamona que sobra da luz, o de alguma madeira que sempre se aproveita (há muitas árvores que com bem pouco trabalho dão 40, 50 e 60 000 réis), o de algum dia que sempre se ganha da Associação que continuadamente fornecerá trabalho; o de algum algodão que as mulheres podem fiar a noite e nos dias chuvosos, o de algum açúcar e aguardente se poderá obter, e finalmente o de outros objetos que será fastigioso enumerar; mas supondo ainda que a família querendo melhor tratar-se, gasta-se mais de 600 000 réis; vê-se que ainda lhe fica a quantia de 2:000 000 réis para aumento de sua fortuna, além do aumento de valor que sua propriedade terá de ano a ano.</p>
<p>Em quanto os cafezais plantados nas áreas de terras pertencentes às famílias coloniais, não produzirem, poderá suprir os cafezais da Associação onde os colonos poderão colher a meia, e também poderão suprir o fabrico do açúcar em maior escala; mas quando assim não fosse, ainda assim, a renda produzida pelos outros objetos da lavoura será muito superior a despesa, e dará sobra para socorrer a parte dos compromissos dos mesmos colonos: em todo caso ver-se-ão os mesmos colonos no meio da abundancia em todo ano, e salvos das necessidades que os flagelam na Europa. E se alguma família tiver lá alguma fortuna, mas que não tenha meios de fazê-la aumentar terá toda possibilidade de prosperar na Colônia Rio Novo onde poderá obter por aforamento perpétuo os terrenos que necessitar para cultivá-los por si, e por meio dos seus engajados. Por semelhante modo uma família apenas remediada na Europa, tornar-se-á proprietária, mais ou menos importante na Colônia, em muito pouco tempo. O que deste modo avaliamos, poderíamos provar com grande numero de exemplos.</p>
<p>À vista pois de todo expendido, fica demonstrado e é indubitável, que as vantagens especificadas, convidam as populações a procurá-las, e as que quiserem fazer parte da Colônia Rio Novo acharão exato tudo quanto aqui fica exarado.</p>
<p align="right">Rio de Janeiro, 14 de Fevereiro de 1855.</p>
<p align="right">O Diretor da Associação Colonial do Rio Novo.</p>
<p align="right">Caetano Dias da Silva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Listagem das famílias que acreditaram na propaganda do Major Caetano Dias da Silva e vieram para a Colônia de Rio Novo. A fonte é o Arquivo Público Estadual.</p>
<table class="aligncenter" border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Carl</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">41</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Agatha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">33</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johanna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">7</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Louise</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">5</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Rud</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Bertrand</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">6</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">FISCHER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Emma</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">3</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">BOENI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Bonhi</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">46</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Cunhada</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">BOENI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Francisco</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Xavier</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">16</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Sobrinho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">BOENI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Frederike</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">14</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Sobrinha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">BOENI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">13</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Sobrinho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">BOENI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Rosa</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Sobrinha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">44</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Margaretha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">43</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anne</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">18</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Jacob</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">16</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">14</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Bertha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Heinrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">9</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">HOFFMANN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Verena</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">7</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Joseph</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">58</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Helene</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">57</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Etienne</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">29</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Catterine</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">26</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Joseph</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">24</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Caroline</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">22</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Ignace</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">31</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">JAPPERT</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Maddalene</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">35</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Nora</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OESGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Rimigius</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">58</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Cunhado</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Christian</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">58</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">56</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Benedet</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">20</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Jacob</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Nicolau</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">14</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Joseph</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">51</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">MULLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johanna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">39</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Verena</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">19</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Joseph</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Baptiste</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">15</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anton</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">13</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johanna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">9</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Elisabetha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">6</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">LÄBER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Caroline</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">3</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Georg</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">60</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anne</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">60</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">30</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Crescencia</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">28</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">27</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">OBRIST</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anne</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">46</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Irmã</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SENN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Bernhard</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Sobrinho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SENN</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Georg</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">43</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Cunhado</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Daniel</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">52</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">48</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Barbara</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">22</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anne</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">21</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">20</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">19</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Susane</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">18</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Conrad</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">13</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Elisabetha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Abrahan</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">8</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">ROHR</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Daniel</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">6</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">42</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Barbara</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">36</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">14</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Barbara</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">12</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Elisabetha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">7</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Ulrick</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">6</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Christian</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">3</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHEIDEGGER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Barbara</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">36</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Irmã</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Jacob</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">42</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Elisabetha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">47</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Elisabetha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Jacob</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">15</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Amalie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">14</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Barbara</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Carl</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">9</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Catharina</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">7</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">SCHERRER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Gottlieb</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">6</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">STAUFFER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">22</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">KOBI</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Anna</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Marie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">22</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Johann</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">58</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Chefe</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Margaretha</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">52</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Esposa</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Auguste</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">17</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Friedrich</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">15</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Albert</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">13</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Mathilde</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">11</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Gottlieb</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">10</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filho</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="122">
<p align="center">WETTLER</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="102">
<p align="center">Julie</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="85">
<p align="center">-</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="48">
<p align="center">8</p>
</td>
<td valign="bottom" nowrap="nowrap" width="86">
<p align="center">Filha</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Imagens_de_Rio_Novo_em_1910"><h3>Imagens de Rio Novo em 1910</h3></span>

<div class="ngg-galleryoverview" id="ngg-gallery-48-4097">


	
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</div>


<p>Quem não conhece a sua História, certamente deixou o seu Futuro no Passado. Nunca será tarde para sabermos sobre os nossos antepassados e valorizá-los. Se você tem interesse em conhecer ou possui algum documento sobre a História dos suíçosem Rio Novodo Sul, use o endereço abaixo:</p>
<p>RONALD MANSUR</p>
<p>Avenida Hugo Musso 658/601</p>
<p>Praia da Costa</p>
<p>29101 280</p>
<p>Vila Velha</p>
<p>Espírito Santo</p>
<p>Brasil</p>
<p><a href="mailto:ronaldmansur@gmail.com">ronaldmansur@gmail.com</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/historia/breves-reflexoes-a-respeito-das-vantagens-que-oferece-a-colonia-rio-novo-pela-fertilidade-do-seu-terreno-e-sua-posicao-topografica-e-das-favoraveis-condicoes-para-os-colonos-que-nela-quiserem-estabel/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Espírito Santo em 1950</title>
		<link>http://www.estacaocapixaba.com.br/galeria/espirito-santo-em-1950/</link>
		<comments>http://www.estacaocapixaba.com.br/galeria/espirito-santo-em-1950/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 16:23:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Estação Capixaba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Galeria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.estacaocapixaba.com.br/?p=4315</guid>
		<description><![CDATA[Imagens produzidas por Luiz Edmundo Appel, engenheiro que passou pelo Espírito Santo em 1950. Veja também o texto completo de 1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imagens produzidas por Luiz Edmundo Appel, engenheiro que passou pelo Espírito Santo em 1950.</p>
<p>Veja também o texto completo de <strong><a title="1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/viajantes/luiz-edmundo-appel-diario-de-viagem-ao-espirito-santo/">1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo</a></strong></p>

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								<img title="Vista aérea da vila de Barra do Riacho. Aracruz, ES, 14 de junho de 1950." alt="Vista aérea da vila de Barra do Riacho. Aracruz, ES, 14 de junho de 1950." src="http://www.estacaocapixaba.com.br/wp-content/gallery/espirito-santo-em-1950-por-luiz-edmundo-appel/thumbs/thumbs_foto-8_p.jpg" width="170" height="127" />
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								<img title="Acampamento de São Gil. Rio Itaúnas, Conceição da Barra, ES, maio de 1950." alt="Acampamento de São Gil. Rio Itaúnas, Conceição da Barra, ES, maio de 1950." src="http://www.estacaocapixaba.com.br/wp-content/gallery/espirito-santo-em-1950-por-luiz-edmundo-appel/thumbs/thumbs_foto-10_p.jpg" width="170" height="127" />
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		<title>Rio Novo, ES, 1910</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 16:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Estação Capixaba</dc:creator>
				<category><![CDATA[Galeria]]></category>

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		<description><![CDATA[Conjunto de fotografias integrantes de álbum produzido no governo estadual de Jerônimo Monteiro (1908-1910).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conjunto de fotografias integrantes de álbum produzido no governo estadual de Jerônimo Monteiro (1908-1910).</p>

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		<title>Palavra dita e retornada ou cumpra-se o compromisso assumido</title>
		<link>http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/palavra-dita-e-retornada-ou-cumpra-se-o-compromisso-assumido-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 13:16:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Guilherme Santos Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegueei, chegaaaste. Viiinhaas fatigaada e triiiste, Triiiste e fatiiigaado eu viiinhaaa. Tiiinhas a aalma de sonhos povoaaada, De soonhos povoaada a aalma eu tiiinha.” “Gostei da letra, seu Pedrinho. “É do Chico?,” perguntou Lenilda que viera da cozinha para servir um cafezinho ao escrivão. “Não, Lenilda.” “Do Caetano?” “Também não, Lenilda.” “Não vai dizer que<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/palavra-dita-e-retornada-ou-cumpra-se-o-compromisso-assumido-2/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="padding-left: 30px;">Chegueei, chegaaaste. Viiinhaas fatigaada e triiiste,</p>
<p style="padding-left: 30px;">Triiiste e fatiiigaado eu viiinhaaa.</p>
<p style="padding-left: 30px;">Tiiinhas a aalma de sonhos povoaaada,</p>
<p style="padding-left: 30px;">De soonhos povoaada a aalma eu tiiinha.”</p>
<p>“Gostei da letra, seu Pedrinho. “É do Chico?,” perguntou Lenilda que viera da cozinha para servir um cafezinho ao escrivão.</p>
<p>“Não, Lenilda.”</p>
<p>“Do Caetano?”</p>
<p>“Também não, Lenilda.”</p>
<p>“Não vai dizer que é de Roberto Carlos!”</p>
<p>“Não, minha amiga. São versos do poeta Olavo Bilac, em que botei melodia por minha conta,” explicou o escrivão de polícia, satisfeito com o efeito que causara na periferia.</p>
<p>“O senhor inventou a música no seu cavaquinho?”</p>
<p>“Digamos que sim,” admitiu Pedro, brincalhão.</p>
<p>“Pois olha, seu Pedrinho, o senhor pode ficar rico, botando música em poesia.”</p>
<p>“Isso dá muita complicação, minha cara. A lei de direitos autorais não perdoa quem aproveita tema que não é de sua autoria. Eu só fiz por diversão.”</p>
<p>“Como é que não deu nada para Martinho da Vila quando ele copiou a Madalena do congo da Barra do Jucu?”</p>
<p>“Isso eu não sei explicar. Talvez porque capixaba é caído por gente famosa que vem de fora botar banca aqui na terra. Tem até um historiador que já disse que esse tipo de exploração começou com Duarte de Lemos&#8230;”</p>
<p>“Aquele que virou avenida?”</p>
<p>“Ele mesmo. Apareceu por aqui e ganhou de Vasco Fernandes Coutinho, nosso primeiro donatário, a ilha de Vitória, sabe por quê?”</p>
<p>“Nem imagino&#8230;”</p>
<p>“Para ajudar Coutinho na colonização do Espírito Santo.”</p>
<p>“Mas o seu Coutinho também teve interesse na ajuda, o senhor não acha?”</p>
<p>“Que teve, teve, mas foi antes dos dois se desentenderem&#8230; Foi briga de cachorro grande, que chegou até ao conhecimento do rei de Portugal por meio de uma carta.”</p>
<p>“Eu fico impressionada como o senhor sabe tanta coisa, seu Pedrinho! Mas foi bom falar em carta. Veja esta aqui e me diga o que significa esta palavra.”</p>
<p>Lenilda abriu a folha de papel e mostrou, com o dedo com a unha de esmalte quebrado o termo magnânimo, grafado em letra ligeiramente tremida.</p>
<p>“Eu já vi esta caligrafia,” pintou um alerta na cuca de Pedro, enquanto explicava à amiga: “Magnânimo quer dizer generoso, uma pessoa muito bondosa, como o nosso delegado Digital,” completou o escrivão em tom de mofa.</p>
<p>“Já entendi,” disse a faxineira, pescando também a brincadeira.</p>
<p>“Esta expressão refere-se a você?” indagou Pedro.</p>
<p>“Não, seu Pedrinho. Foi o senhor quem escreveu esta palavra, que agora veio de volta nesta cartinha, só que dirigida a mim, e não ao senhor,” disse a faxineira, saboreando o efeito da informação no espanto que se estampou na fachada do escrivão.</p>
<p>“Como é que é?”</p>
<p>“É o que eu lhe disse. Foi o senhor que usou esta palavrinha, que eu nunca tinha ouvido na minha vida, numa carta para dona Magnólia Louzada. E agora ela devolveu nesta carta que está em suas mãos,” explicou a faxineira, concluindo: “O senhor já ouviu falar em palavra dita e retornada? Foi o que aconteceu.”</p>
<p>“Pera aí, Lenilda. Explica direitinho para eu entender o que está se passando,” disse Pedro que já ia de cigarro pelo meio, desde que tomara o cafezinho.</p>
<p>“É melhor o senhor ler a carta toda, pra ficar por dentro do assunto,” sugeriu a faxineira, pondo-se diante do escrivão em atitude de quem admira a paisagem vista da ponte. E foi então que Pedro leu. E o que Pedro leu foi o seguinte, na letrinha trêmula de Magnólia Louzada:</p>
<p>“Senhora distinta arrumadeira:</p>
<p>Desculpe-me por não chamá-la pela sua graça de batismo, mas é que não tive o prazer de ter sido apresentada à senhora quando uma vez estive nessa delegacia para registrar uma queixa e fui recepcionada pelo prestativo e atencioso amanuense, seu Pedrinho.</p>
<p>Nessa ocasião, tive a impressão de que a senhora tem uma simpática relação de amizade com o amanuense, razão pela qual estou lhe escrevendo com um pedido particular.</p>
<p>Isso porque, outro dia, recebi do senhor Pedro uma correspondência apelando para o meu espírito magnânimo a fim de que eu retirasse a queixa que apresentei contra dois escritores capixabas que elogiaram o compositor Noel Rosa por ter feito cocô na praça da Independência, quando visitou Vitória em 1934!</p>
<p>Ele (o seu Pedro) havia me prometido convocar os escritores a essa delegacia, para eu lhes aplicar uns propedêuticos bolos de palmatória, e agora está querendo que eu o livre desse compromisso, sob o pretexto de me poupar o incômodo de ir até aí. Isso prova que ele não conhece Magnólia Louzada, pois não vou livrá-lo nunca da promessa que me fez!</p>
<p>Como estou começando a perceber que seu Pedro está querendo faltar com a palavra, apreciaria muito, dona arrumadeira, se a senhora, toda vez que for servir um cafezinho a seu Pedro, como a vi fazer quando aí estive, lembrasse a ele da necessidade de cumprir o compromisso assumido com a minha pessoa. Dê, por favor, uns apertuchos nele! Pode estar certa de que vou escrever também para seu Pedro, em resposta à carta que me mandou, mas gostaria de contar com o apoio que estou lhe pedindo.</p>
<p>É uma coisa tão simples: sempre que servir um cafezinho, peça para seu Pedro não esquecer do cocô de Noel Rosa! Ele vai entender direitinho. Posso contar com sua ajuda? Se algum dia a senhora precisar de um servicinho extra de faxineira ou algo parecido, pode me procurar no endereço que está no verso do envelope, no qual segue esta cartinha. Assinado, Magnólia Louzada, desde já sua amiga obrigada.”</p>
<p>Quando Pedro terminou a leitura, Lenilda perguntou: “É verdade o que Dona Magnólia escreveu?”</p>
<p>“É sim,” confirmou Pedro. “Eu queria poupá-la de vir à delegacia&#8230;”</p>
<p>“Não me refiro à vinda à delegacia. Estou falando do elogio ao cocô de Noel Rosa, feito pelos dois escritores capixabas. Houve mesmo o elogio?”</p>
<p>“Não foi bem assim como dona Magnólia escreveu&#8230;,” tentou escapulir o escrivão.</p>
<p>“Mas houve ou não houve?” pressionou Lenilda.</p>
<p>“De certa forma, houve, mas foi em tom de pilhéria&#8230; Só que dona Magnólia levou a coisa a sério&#8230;,” disse Pedro.</p>
<p>“Mas se ela levou a sério, outras pessoas também podem levar, não é?”</p>
<p>“Podem se não perceberem a ironia.”</p>
<p>“E vão concluir igualzinho à dona Magnólia, que considerou elogio o que foi escrito sobre o cocô de Noel Rosa?” continuou Lenilda apertando a gargantilha do escrivão.</p>
<p>“Se lerem do jeito que dona Magnólia leu, vão concluir do jeito que dona Magnólia concluiu&#8230;” cedeu Pedro.</p>
<p>“Ou seja, nós vamos ter de concordar que as pessoas podem chegar no Espírito Santo, ficar com a ilha de Vitória, levar nossa Madalena embora, fazer um cocô fedorento na Costa Pedreira, e ainda vão ser elogiados pelos próprios capixabas&#8230; Se é assim, Noel Rosa pode fazer parte do time de Duarte de Lemos e Martinho da Vila?”</p>
<p>“Com certeza&#8230;”</p>
<p>“Então, seu Pedrinho, dona Magnólia está coberta de razão. E me desculpe, mas não vou deixar o senhor tapear a pobre criatura. De hoje em diante, quando lhe servir um cafezinho, vou lembrar do cocô de Noel Rosa, para as providências que dona Magnólia pediu. E começo agora mesmo: quer que lhe traga outro cocozinho&#8230;?”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este texto integra a série intitulada <strong><a title="Chapot Presvot 272" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/chapot-presvot-272/">CHAPOT PRESVOT 272, de Luiz Guilherme Santos Neves</a></strong></p>
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		<title>Um rebolado pro lado ou dá o pé, loura</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 13:11:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Guilherme Santos Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[A loura entrou na delegacia num terninho de tecido metalizado, cor de azeitona, as sandálias de saltos pontiagudos percutindo no assoalho de tacos de peroba, toque-toque-toque. Tinha um rebolado pro lado, minha nossa Senhora, meu senhor São José, que o escrivão viu e não pôde fingir que não vira, pois lhe entrara pelos olhos que<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/palavra-dita-e-retornada-ou-cumpra-se-o-compromisso-assumido/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A loura entrou na delegacia num terninho de tecido metalizado, cor de azeitona, as sandálias de saltos pontiagudos percutindo no assoalho de tacos de peroba, toque-toque-toque. Tinha um rebolado pro lado, minha nossa Senhora, meu senhor São José, que o escrivão viu e não pôde fingir que não vira, pois lhe entrara pelos olhos que a terra haveria de comer.</p>
<p>“Você é Pedro?”, perguntou ela.</p>
<p>“Sente-se, por favor,” respondeu Pedro fazendo-se samaritano em carne e osso, mais carne do que osso.</p>
<p>Ela sentou e cruzou as pernas, deixando suspenso o pé de unhas bem feitas, pintadas de vermelho-rubro, oscilando na sandália de tiras prateadas.</p>
<p>Pedro acompanhou o movimento displicente do pé que ia e vinha e pensou, “minha Nossa Senhora, meu senhor São José, que pé!”</p>
<p>Pé de mulher era um dos fracos do escrivão. Especialista na matéria, sabia o quanto era difícil encontrar um pé de mulher primoroso. Vivia a contemplar discretamente os pés femininos, ou às vezes até abertamente quando a oportunidade favorecia a observação direta e tátil, com manipulações cosquentas. Tinha criado uma tabela de classificação para os pés femininos que ia do grosseiro-mal-acabado até o formoso-impecável, o FI cinco estrelas de sua classificação pessoal. Mas, pela primeira vez em sua vida, via diante de si, oscilando sob seus olhos em vaivens e vens-e-vais, no inadequado ambiente da delegacia da Chapot Presvot, o cinco-estrelas que até então lhe parecera um vago e idealizado objeto de desejo, mas que existia de fato, e que chegara na delegacia anunciando o próprio advento, toque-toque-toque, nos tacos de peroba do assoalho antigo.</p>
<p>Toque-toque, bateu Pedro com os dedos na mesa para se despregar do sonambulismo erótico em que flutuava, acordai que estais dormindo, neste sono em que estais, “pois não?”</p>
<p>“Venho apresentar uma queixa contra a minha manicure,” falou o pé, quase inaudível.</p>
<p>“Vamos a ele,” disse o escrivão com os olhos ainda cravados na perfeição oscilante.</p>
<p>“A ele?!&#8230;”, estranhou a loura, arregalando os olhos de mansinho.</p>
<p>“Quero dizer, à sua queixa,” corrigiu-se apressadamente quem apressadamente teve de se corrigir.</p>
<p>“Posso tirar a sandália?” perguntou ela.</p>
<p>Pedro não acreditou no que ouvira, ou será que não ouvira direito e estava ainda a navegar em vaguezas eróticas? Bateu de novo na mesa, toque e retoque, “como disse?”</p>
<p>“Para apresentar minha queixa eu preciso tirar a sandália e lhe mostrar o pé,” justificou-se a loura, na maior candura do mundo.</p>
<p>Não é possível que isso esteja acontecendo comigo, tornou a pensar o escrivão, mas o que respondeu foi “por favor, não faça cerimônia&#8230;!”</p>
<p>A loura inclinou então o corpo para frente, desafivelou com a mão bem cuidada a alça superior da sandália que envolvia o tornozelo do pé suspenso no ar e, com refinada elegância, puxou-a pelo salto pontiagudo.</p>
<p>“Posso colocar sobre a mesa?”</p>
<p>“Claro que pode,” respondeu Pedro, crendo que ela se referisse à sandália, mas ela ergueu com acrobática leveza a perna treinada nos malabarismos da academia de malhação e colocou o pé descalço bem diante dos óculos do escrivão.</p>
<p>Pedro passou a mão pelo queixo, olhou por cima dos óculos para um lado e o outro da sala, tranquilizou-se porque viu que estavam sozinhos, ele, ela e o pé agora desnudo sobre a sua mesa, pé ligeiramente cheiroso e ainda por cima coroado com uma correntinha de ouro no entorno da canela formosa, um FI inigualável de pele acetinada onde não se notava a menor variação de nuance da parte inferior ao calcanhar, do calcanhar ao tornozelo, pé irretocável em seu formato e tamanho, os dedos certinhos e belos convivendo em harmoniosa vizinhança comunitária, do pequeno polegar ao mindinho, do mindinho ao pequeno polegar – um, dois, três, quatro, cinco dedinhos iluminando a mesa de Pedro, as unhas ruborizadas e nobres que só faltavam sorrir.</p>
<p>O escrivão sabia que aquele nirvana não ia durar para sempre, logo a incrível miragem iria se esfumar de sua retina para ser apenas uma memória saudosa ao longo da vida. A custo dominou a respiração acelerada, assaltado por uma alucinante vontade de dizer para o pé parnasiano, mais do que parnasiano, pé bilaqueano que ele, Pedro, e a dona do pé irretorquível tinham tudo para iniciar um caso ali mesmo – o caso dos dez dedinhos –, os que estavam sobre a mesa e os que estavam na sandália do pé calçado, eram dez dedinhos formosos e palatáveis, daria Pedro, oh se daria!, o tangolomango neles com prazer datilofágico, primeiro um, e ficariam nove, depois outro, e ficariam oito, e assim um de cada vez e à sua vez cada um iria sendo tangolomangado pela gula e luxúria de Pedro, o Diabo que não se espantasse com esta gulodice refinada!</p>
<p>“Agora, observe a marquinha perto da unha do dedo mindinho,” disse a loura, chamando Pedro à realidade da Chapot Presvot, 272.</p>
<p>“Marquinha, que marquinha?” agitou-se o escrivão aproximando o máximo que pôde os olhos, e toda a cara incontida e ávida daquele pé sem igual.</p>
<p>“Não está conseguindo ver?” indagou a loura decepcionada.</p>
<p>A pergunta era uma provocação que punha em jogo a virilidade visual de Pedro, era um decifra-me ou me perdes para sempre se ele não visse o que a loura esperava que ele visse. Mas Pedro não via nada.</p>
<p>“Você não tem uma lente?” veio da senhora do pé impecável a frase em socorro de Pedro.</p>
<p>“Oh, meu Deus, claro que tenho,” lembrou-se o escrivão, abrindo açodadamente a gaveta da mesa e de lá tirando uma pequena lupa de filatelia que aproximou, numa abordagem de oculista, do dedo mindinho do pé exposto ao seu exame. Sentia-se um verdadeiro espião – e era.</p>
<p>“Consegue ver agora?” perguntou, provocativa, a senhora do pé formoso.</p>
<p>“Uma marca&#8230;?” indagou Pedro, com cacófato e tudo, ganhando fôlego e tempo enquanto escancarava as pupilas na busca desesperada do que fora desafiado a achar.</p>
<p>“É uma marquinha branquinha como se fosse um tracinho – um tracinho fininho,” orientou a loura, navegando em diminutivos.</p>
<p>Mas nem marquinha, nem tracinho fininho Pedro conseguia enxergar, apesar de limpar várias vezes, na franja da camisa já fora das calças, a lupa encardida.</p>
<p>“Você tem uma lupa maior?” insistiu a loura, risonha e sedutora.</p>
<p>“Digital tem!” quase gritou Pedro. “Digital é o nosso delegado. Eu vou na sala dele pegar mas, por favor, não saia daí, não saia em hipótese alguma!”</p>
<p>“Vai que eu espero,” garantiu a loura, sedutora e risonha.</p>
<p>Pedro já foi, já voltou, armado de uma lupa gigante.</p>
<p>“Puxa, esta é das grandes&#8230;” comentou a loura, assim meio que impressionada e maldosa.</p>
<p>“É tão grande que Digital a chama de lupanar,” concordou Pedro, o olho agrandalhado por de trás da lente espessa, a averiguar o que ainda não conseguira averiguar, ‘a marquinha branquinha’, onde está o diabo desta marquinha fininha como se fosse um tracinho, Satanás me acuda!&#8230; Ah, aqui está!”disse realizado e jubiloso.</p>
<p>“Viu?”</p>
<p>“Vi.”</p>
<p>“Ainda bem,” foi o comentário dela, e ambos riram em comemoração à vitória de Pedro, à demorada descoberta de Pedro, enquanto a loura mexia em cadência de marionetes os cinco dedinhos do pé sobre a mesa do escrivão, felizes e pianíssimos.</p>
<p>“E o que foi isso?” indagou Pedro, recuperando a formalidade de escrivão de polícia, depois que loura voltou a calçar a sandália pondo fim as amenidades da hora passada.</p>
<p>“Isso é o que me trás aqui. Ou seja: isso foi um corte que minha manicure deu no meu dedinho com o aparador de cutículas, razão da queixa que quero dar,” explicou num queixume a queixosa.</p>
<p>“Mas quase não se nota o cortinho&#8230;Você viu que eu tive muita dificuldade em achar.”</p>
<p>“Quase não se nota agora, mas, na época, deu uma baita infecção que me deixou três dias de cama. Tive até de tomar antibiótico,” defendeu-se a loura.</p>
<p>“Mas você tinha que ter dado queixa durante a infecção, para fazer a prova do fato, o corpo do delito. Agora não dá mais&#8230;”</p>
<p>“Eu pensei que pudesse esperar para ficar boazinha&#8230;”</p>
<p>“Infelizmente as coisas não se passam desse jeito. Nosso delegado, o dono da lupanar, costuma dizer que queixa tem hora certa, se não a razão vai embora, o que, segundo ele, é o princípio da perca de oportunidade.”</p>
<p>“Quer dizer que vou ficar no prejuízo?” perguntou a loura, fazendo-se tristonha.</p>
<p>“Você pode ingressar com uma ação de danos morais num juizado especial. Essas ações estão em moda, eu acho que você tem chance de conseguir uma reparação razoável pelo sofrimento que a manicure, ou melhor, a pedicure lhe causou. Mas não se esqueça de levar algumas testemunhas.”</p>
<p>“É a sua opinião&#8230;?”</p>
<p>“Sinceramente é.”</p>
<p>“Então vou seguir seu conselho,” disse a loura, despedindo-se do escrivão e retirando-se da delegacia no mesmo toque-toque da chegada, os dedinhos do pé jovialmente hospedados na sandália sexy, o terninho metalizado cor de azeitona vibrando em torno do corpo de obelisco, o rebolado pro lado, minha Nossa Senhora, meu senhor São José.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este texto integra a série intitulada <strong><a title="Chapot Presvot 272" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/chapot-presvot-272/">CHAPOT PRESVOT 272, de Luiz Guilherme Santos Neves</a></strong></p>
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		<title>Adivinhe quem vem para depor ou cada qual com o seu cada qual</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 12:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Guilherme Santos Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de um longo apagão que se abateu sobre a delegacia da Chapot Presvot por falta de energia elétrica em suas dependências a rotina habitual parecia que ia voltar à normalidade quando, de súbito, não mais do que de súbito&#8230; “Está ouvindo, seu Pedrinho?” perguntou Lenilda. “Toda a delegacia está ouvindo&#8230;” respondeu o escrivão. Realmente<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/adivinhe-quem-vem-para-depor-ou-cada-qual-com-o-seu-cada-qual/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um longo apagão que se abateu sobre a delegacia da Chapot Presvot por falta de energia elétrica em suas dependências a rotina habitual parecia que ia voltar à normalidade quando, de súbito, não mais do que de súbito&#8230;</p>
<p>“Está ouvindo, seu Pedrinho?” perguntou Lenilda.</p>
<p>“Toda a delegacia está ouvindo&#8230;” respondeu o escrivão.</p>
<p>Realmente ouvia Lenilda, ouvia Pedro, ouvia toda a delegacia – o que em bom português significa a delegacia por inteiro – a cantiga que jorrava do gabinete, entoada pelo delegado Digital em voz tremida de barítono:</p>
<p>Sentimental eu sou &#8230;</p>
<p>“Sentimental, logo ele?” comentou Pedro.</p>
<p>“É a segunda vez que ele canta sentimental eu sou, seu Pedrinho. Agora mudou, está ouvindo?” No mesmo volume e com a mesma empáfia, a voz de Digital propagava-se:</p>
<p>A deusa da minha rua</p>
<p>Tem os olhos onde a lua</p>
<p>Costuma se embriagar.</p>
<p>Nos seus olhos, eu suponho,</p>
<p>Que o sol, num dourado sonho,</p>
<p>Vai claridade buscar&#8230;</p>
<p>“Até que o chefe é entoadinho&#8230;” comentou Lenilda.</p>
<p>“Para mim é uma descoberta. Sempre pensei que Digital fosse uma gralha”, observou Pedro.</p>
<p>“Será que ele está em louve?” indagou a faxineira.</p>
<p>“Olha, Lenilda, pelo entusiasmo do protagonista, deduzo que está mesmo inlouve.”</p>
<p>“Quem será a vítima?” inquiriu Lenilda.</p>
<p>“Não faço a menor idéia. Seja quem for, tenho pena dela&#8230;” disse Pedro.</p>
<p>“Hiii, mudou a cantiga&#8230;” disse Lenilda.</p>
<p>No mesmo tom encorpado, Digital desfraldava o peito:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 30px;">Tu és divina e graciosa,</p>
<p style="padding-left: 30px;">Estatua majestosa do amor,</p>
<p style="padding-left: 30px;">Por Deus esculturada.</p>
<p style="padding-left: 30px;">És formada com o ardor da alma</p>
<p style="padding-left: 30px;">Da mais linda flor,</p>
<p style="padding-left: 30px;">Do mais ativo odor,</p>
<p style="padding-left: 30px;">Que na vida</p>
<p style="padding-left: 30px;">é a preferida pelo beija-flor&#8230;</p>
<p>“Seu Pedrinho, o negócio parece sério. Já pensou se dona Engrácia souber?”</p>
<p>“Seu Pedrinho, o negócio parece sério. Já pensou se dona Engrácia souber?”</p>
<p>“Cala a boca, que as paredes têm ouvido,” recomendou o escrivão.</p>
<p>“É, mas se dona Engrácia souber, não quero nem pensar.”</p>
<p>“Então não pense,” disse Pedro. “Não pense, não fale, não veja e não ouça. Você conhece os três macaquinhos com as mãos na boca, nos olhos e nas orelhas? Acrescente mais um, com as mãos na testa, e imite os quatro.”</p>
<p>“Mas eu não consigo, seu Pedrinho. Sinto uma vontade danada de saber das coisas&#8230; Está no meu sangue&#8230;”</p>
<p>“Quer um conselho, Lenilda &#8230;” mas não deu para Pedro terminar a frase porque a voz de Digital chegou até eles, gritada do gabinete:</p>
<p>“LENILDA&#8230;!”</p>
<p>“Já vou, delegado,” respondeu a faxineira, correndo para atender à convocação. Daí a pouco, voltou à sala de Pedro.</p>
<p>“Seu Pedrinho, a dona vem aí para depor.”</p>
<p>“Que dona?” perguntou o escrivão que havia esquecido o assunto.</p>
<p>“A ‘estátua majestosa’ esclareceu a faxineira, apontando com o indicador, de unha com esmalte desbotado, para a sala do delegado. “E não demora muito”.</p>
<p>“Como você descobriu?” indagou Pedro.</p>
<p>“Porque o delegado mandou limpar a sala e fazer um café caprichado. Ele não é disso&#8230; Está até de suspensório com as cores do Flamengo. Vamos conhecer a pessoinha&#8230;”</p>
<p>“Vamos, uma vírgula, porque eu vou ficar sentado no meu galho, como um macaco velho. Aliás, como três macaquinhos sábios – sem ver, sem ouvir e sem falar&#8230;” disse Pedro.</p>
<p>“Nesse ponto o senhor se engana, seu Pedrinho. O chefe mandou dizer para o senhor ficar pronto para tomar um depoimento sigiloso, na sala dele.”</p>
<p>“Pícolas! como diz Digital. Isso está me cheirando à complicação,” observou Pedro, alisando um cigarro entre os dedos antes de acendê-lo.</p>
<p>Lenilda esperou que ele desse a primeira tragada e, com jeito travesso, propôs:</p>
<p>“Vamos fazer uma brincadeira, seu Pedrinho? Vamos ver quem adivinha como é a estátua majestosa?”</p>
<p>“Você está inventando moda, Lenilda!” disse Pedro.</p>
<p>“Só de brincadeirinha,” insistiu a faxineira.</p>
<p>“Então diga como você pensa que ela é,” sugeriu Pedro.</p>
<p>“Pra mim é uma sirigaita baixa e gordinha, mais pra sarará do que para outra coisa. Deve ter também cabelo oxigenado. E acho que vai vir de blusa com frente única, amarrada nas costas, sem sutiã. E pro senhor, seu Pedrinho?”</p>
<p>Pedro coçou o queixo, mandou outra tragada para as cucuias e disse: “Pra mim a figura é o contrário da sua: é morena, cabelos cor de caju, unhas pintadas de verde, corpo apertado numa calça comprida bem surrada com a bainha desfiada, e vem de blusa transparente, mostrando o sutiã brilhante”.</p>
<p>“Parece até que o senhor descreveu uma piranha”, disse Lenilda rindo.</p>
<p>“E você, minha querida? Eu segui o seu modelo&#8230;” disse o escrivão, também divertido.</p>
<p>“LENILDA&#8230;!” berrou Digital pela segunda vez.</p>
<p>A faxineira repetiu a corridinha em direção à sala do delegado e voltou turbinada. “A dona chegou, seu Pedrinho! E não é nada do que nós pensamos. É um tipão de mulher, o senhor nem vai acreditar. Um pedaço de mau caminho, um obelisco como o senhor gosta de dizer, bem produzida, cheirosa, cheia de anéis e pulseiras, vestida nos trinques. Eu quase desmaiei! E o delegado está chamando o senhor pra tomar o depoimento dela enquanto vou pegar um cafezinho. Agora, tem um porém, seu Pedrinho: o senhor vai me contar tudinho, tudinho, está combinado?”</p>
<p>Sem dizer nem que sim, nem que não, Pedro foi atender ao chamado. Movia-o a curiosidade que matou o gato e suave como um bichano apresentou-se ao delegado, só faltando ronronar.</p>
<p>“Pronto, delgado,” disse ele, cravando os olhos no monumento sentado à frente de Digital. Lenilda tinha razão – não dava para acreditar. A mulher era digna de um desmaio. A única forma que acorreu a Pedro para descrever a visão radiosa com que se deparou foi fundir os versos das canções que o delegado cantara há pouco: Tu és divina e graciosa, estatua majestosa do amor, por Deus esculturada. Nos seus olhos, eu suponho, que o sol, num dourado sonho, vai claridade buscar&#8230; Mesmo assim, ainda ficava devendo créditos à estátua portentosa sentada de pernas cruzadas, enchendo a sala de luz e transpirando sensualidade.</p>
<p>“Seu escrivão, queira sentar-se na máquina para tomar o depoimento de DonaHermenegilda Barbosa de Barbosa” ordenou o delegado, quebrando o transe entorpecido em que Pedro se encafifara.</p>
<p>Já a postos, Pedro dirigiu-se ao delegado: “Faço eu as perguntas ou o senhor prefere fazê-las?”</p>
<p>“Pode-as fazer para que não digam que tenho interesse no caso,” respondeu Digital.</p>
<p>“Interesse como?” cortou com picardia o bisturi de Pedro.</p>
<p>“Interesse, ora&#8230; influência&#8230; proteção, essas coisas que as pessoas falam&#8230;”</p>
<p>“Mas falar por que, delegado? E que pessoas?” insistiu Pedro, aprofundando a incisão do bisturi.</p>
<p>“Não me venha com telecotecos idiotas,” irritou-se Digital encarando o escrivão com cara de mau amigo. “Cumpra sua função de escrivão e deixe que eu pense pelos dois.”</p>
<p>Pedro engoliu um risinho maquiavélico e depois de registrar os dados preliminares, na forma do costume, entrou no interrogatório:</p>
<p>“A queixa da senhora diz respeito a quê?”</p>
<p>Nem precisou perguntar mais nada porque a interrogada desenrolou a língua:</p>
<p>“É contra o estrupício do meu marido que se engraçou com uma piranhuda de meio-fio, de cabeleira catingosa &#8230;”</p>
<p>Quando, mais tarde, Lenilda quis saber a impressão de Pedro sobre a depoente, o escrivão sintetizou-a numa frase: “Pourriture riche, Lenilda.”</p>
<p>“Que fala é essa, seu Pedrinho?”</p>
<p>“É francês e quer dizer rica porcaria.”</p>
<p>“Mas uma estátua tão majestosa&#8230;” desencantou-se a faxineira.</p>
<p>“Olha, Lenilda: que era uma estátua majestosa era, mas com pés de barro, digna de Digital.”</p>
<p>E mais não disse, apesar do muito que lhe foi perguntado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este texto integra a série intitulada <strong><a title="Chapot Presvot 272" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/literatura/chapot-presvot-272/">CHAPOT PRESVOT 272, de Luiz Guilherme Santos Neves</a></strong></p>
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		<title>Caçar com gato. Escassez de recursos e relações sociais no Espírito Santo</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 08:28:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geert Banck</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[Prefácio &#160; Este livro é um estudo antropológico que resulta de pesquisa de campo desenvolvida no estado do Espírito Santo. O trabalho de campo propriamente dito realizou-se em duas etapas: de abril a dezembro de 1970 e de abril a outubro de 1971. Os três meses de intervalo foram usados na análise dos dados obtidos<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/historia/cacar-com-gato-escassez-de-recursos-e-relacoes-sociais-no-espirito-santo/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span id="Prefcio"><h3><strong>Prefácio</strong></h3></span>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este livro é um estudo antropológico que resulta de pesquisa de campo desenvolvida no estado do Espírito Santo. O trabalho de campo propriamente dito realizou-se em duas etapas: de abril a dezembro de 1970 e de abril a outubro de 1971. Os três meses de intervalo foram usados na análise dos dados obtidos durante a primeira etapa, o que foi feito em Porto Rico sob a estimulante orientação do Dr. Harry Hoetink, então professor titular da Universidade de Porto Rico. A pesquisa tornou-se possível graças à licença outorgada pelo Centro de Estudos e Documentação Latino-Americanos (CEDLA) de Amsterdam e à bolsa de estudos obtida junto à Fundação para a Pesquisa dos Trópicos (WOTRO) do Conselho Nacional de Pesquisas dos Países Baixos.</p>
<p>Foi o acaso imprevisível que me conduziu ao Espírito Santo. Minha ideia inicial era fazer a pesquisa em Salvador, Bahia. Felizmente, porém, um colega inglês, Colin Henfrey, alertou-me a tempo para o perigo de encontrar ali uma multidão de outros antropólogos que tinham feito a mesma escolha nada original. E aconselhou-me: “Vá para uma cidade menor; quanto menos conhecida, melhor.” A sorte bafejou-me ainda sob a forma de um número da revista O Cruzeiro em que li uma reportagem sobre Vitória: nunca me arrependi, nem por um momento, dessa mudança geográfica de planos, razão por que faço questão, desde logo, de registrar aqui o meu agradecimento a Colin Henfrey, autor dessa feliz sugestão.</p>
<p>Chegados, minha família e eu, ao nosso destino, somente após três semanas de intensa procura pudemos encontrar e alugar uma casa em Vila Velha. Dessa maneira tornamo-nos vizinhos das pessoas de que trata parte deste livro. É difícil expressar em palavras o que elas significaram para nós. Nossa mais grata recordação, porém, se prende à extrema simplicidade com que nos aceitaram em sua vida, participando conosco suas preocupações cotidianas, suas alegrias e suas fofocas. A mesma gratidão se estenda às famílias de Venda Nova (distrito do município de Conceição de Castelo) e de Alto Corumbá (município de Castelo), onde fiz uma pequena pesquisa no final da estada no Brasil, e cuja hospitalidade nos deixou profundamente sensibilizados. Dentre as pessoas do nosso bairro de Vila Velha quero agradecer especialmente aos membros do terreiro de umbanda Guia Estrela, por sua colaboração. Fora do bairro sinto-me grato à Universidade Federal do Espírito Santo, pela ampla e eficiente colaboração que dela recebi. Os membros da Comissão de Planejamento, Prof. Fernando de Castro Moraes, Prof. Ivantir Borgo e, especialmente, Reinaldo Santos Neves e Vania da Costa Aguiar, me ajudaram muitíssimo. Valiosas informações sobre a estrutura social e a cultura capixabas recebi dos exímios especialistas no assunto, os professores Renato Pacheco e Guilherme Santos Neves. É impossível, na verdade, relacionar aqui o grande número de bons amigos capixabas que, cada qual à sua maneira, nos ajudaram em nosso trabalho no Espírito Santo.</p>
<p>Chegando da Holanda, nosso ingresso na vida brasileira deu-se pela cidade do Rio de Janeiro. Aí o Dr. Manuel Diégues Jr., então diretor do Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, orientou, em termos científicos, os meus primeiros passos. Mas foram sobretudo os nosso padrinhos brasileiros Hélio e Irma Gonçalves que nos ensinaram, com plena cordialidade brasileira, as maneiras e costumes do país.</p>
<p>Quanto à Holanda, meu primeiro agradecimento deve ser para o meu orientador, Jeremy Boissevain. Suas ideias teóricas, bem como sua sensibilidade no trato das questões antropológicas, influenciaram sobremaneira meu modo de pensar. Durante a elaboração do texto, seus conselhos, sempre acertados, sobre estilo e composição, me ajudaram muito, embora tenha plena consciência de que o resultado poderia ter sido melhor. Agradeço também ao Rudolf van Zantwijk pelos comentários que fez ao manuscrito e por algumas importantes sugestões quanto à composição do livro. Uma participação toda especial na realização desta tese coube a Harry Hoetink. Já em meu tempo como aluno de mestrado me encantava a maneira como ele, em suas aulas, conseguia dar vida à sociologia latino-americana. Em Porto Rico exerceu influência definitiva sobre a formulação das minhas ideias, então um tanto vagas, sobre as ligações entre a escassez de recursos e as relações sociais. De volta à Holanda, deu-me apoio constante e sempre necessário. Agradeço também a ele e à sua querida esposa Ligia Hoetink de Espinal pela maneira tão cordial e amiga com que nos receberam em Porto Rico.</p>
<p>Uma palavra especial de agradecimento deve ser dirigida à Fundação WOTRO, que de modo eficiente e correto cuidou da parte material do projeto. Como centro interdiciplinar de estudos sobre a América Latina, o CEDLA foi para mim, de muitas maneiras, de inestimável valor. Devo, porém, em especial, profunda gratidão aos meus colegas. Foi através deles que entrei em contato com outras disciplinas, cuja compreensão é indispensável para um estudo como este.</p>
<p>Gonne Kruyer e Wine Wiesenhagen transformaram neste livro o manuscrito original. Particularmente na reta final tiveram de dar conta de um volume muito grande de trabalho, e me ajudaram tanto com a sua experiência nesse terreno que qualquer agradecimento é insuficiente.</p>
<p>Regularmente, neste prefácio, referi-me a Koosje (Cosima), Hanneke e Helio, que comigo integram o pronome nós de certas passagens. A aventura em comum que então vivemos no Espírito Santo tomou corpo, de certa forma, nesse livro que, por isso, a eles dedico.</p>
<p style="text-align: right;">Geert Banck</p>
<span id="Para_ler_o_texto_completo_clique_aquiTese_de_Geert_Banck"><h3><strong>Para ler  o texto completo, clique aqui <a style="text-align: left;" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Tese-de-Geert-Banck.pdf">Tese de Geert Banck</a></strong></h3></span>
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		<title>O viés sócio-historiográfico de um diário escrito no Espírito Santo em meados do século XX</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Dec 2011 15:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Guilherme Santos Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[O engenheiro geólogo Luiz Edmundo Appel não devia ser apaixonado pelo futebol. Se fosse, teria escutado toda a transmissão, pelo rádio, do jogo Brasil, 7, Suécia, 1, na Copa de 50. Mas, indiferente ao campeonato que empolgava o povo brasileiro, o engenheiro escutou apenas o fim daquela partida espetacular, isso mesmo por ter saído do<a href="http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/historia/o-vies-socio-historiografico-de-um-diario-escrito-no-espirito-santo-em-meados-do-seculo-xx/">[Ler o restante do artigo]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center">O engenheiro geólogo Luiz Edmundo Appel não devia ser apaixonado pelo futebol. Se fosse, teria escutado toda a transmissão, pelo rádio, do jogo Brasil, 7, Suécia, 1, na Copa de 50. Mas, indiferente ao campeonato que empolgava o povo brasileiro, o engenheiro escutou apenas o fim daquela partida espetacular, isso mesmo por ter saído do hotel de Caravelas, no sul da Bahia, para ir à rua, no domingo, 9 de julho de 1950.</p>
<p>É o que se depreende do econômico, porém interessante Diário que o site Estação Capixaba divulga sob o título “1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo”, de autoria de Appel.</p>
<p>Havia nove dias que o engenheiro, com 26 anos, deixara o Espírito Santo, partindo de São Mateus para a Bahia, em prosseguimento ao trabalho de demarcação, levantamento e mapeamento de estradas que realizara em alguns municípios do norte do nosso Estado, onde atuou de 28 de abril a 30 de junho.</p>
<p>É dessa dura experiência – dura pelos percalços enfrentados e por ter sido provavelmente um dos seus trabalhos iniciais de campo como geólogo, fora do seu estado natal, o Rio Grande do Sul – que Appel fixa em seu relato diversas passagens que permitem visualizarem-se as condições sócio-econômicas do Espírito Santo, na época em que os registros foram feitos. E é sob este ângulo de visão que o Diário ganha expressividade historiográfica, escrito em português correto e com simplicidade informativa, embora sendo muitas vezes uma oportunidade de que o autor se valeu para extravasar os jorros de romantismo saudoso em relação à mulher amada, na distante Porto Alegre</p>
<p>e, obviamente, para preencher um pouco do vazio das horas em que não estava trabalhando.</p>
<p>Para quem conheceu o Espírito Santo desse tempo o manuscrito de Appel provoca nostálgicas ressonâncias. Para quem não conheceu, presta-se a que um sem número de referências possam se desdobrar em análises e pesquisas.</p>
<p>Tais possibilidades é que queremos realçar, com objetivo ilustrativo e sem pretensões de esgotar o assunto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="O_Esprito_Santo_em_1950"><h3><strong>O Espírito Santo em 1950</strong></h3></span>
<p>Historicamente, pode-se considerar 1950 um marco na história do Espírito Santo. Neste momento, encerrava-se a primeira metade do século XX em que o Estado se mantivera fundamentado em uma economia tipicamente rural e cafeeira, com uma população de 860.000 habitantes, 94% dela vivendo no interior.</p>
<p>Encerrava-se também o último ano do primeiro governo de Carlos Lindenberg (1947-51) iniciado após a reconstitucionalização do país, quando teve fim o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-45).</p>
<p>A economia agroexportadora capixaba afinava-se então com o ideário programático-partidário do PSD – Partido Social Democrático, pelo qual Lindenberg se elegera e que, no fim de 1950, levou Jones dos Santos Neves a substituí-lo no governo.</p>
<p>O marco transitório dessa conjuntura histórica se acentuaria no quatriênio seguinte, a partir da política desenvolvimentista do Plano de Valorização Econômica do Estado, lançado por Jones, para dar ênfase à industrialização da economia capixaba. O Plano estendeu-se à pavimentação de rodovias pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo &#8211; DER ES, quando, até então, apenas a Rodovia Carlos Lindenberg, em Vila Velha, inaugurada em 1951, no 4º Centenário de Vitória, constituía o primeiro trecho rodoviário efetivamente asfaltado no Estado. Merece lembrar que as estradas do norte do Espírito Santo, rumo a Linhares e São Mateus, cortavam áreas de mata ainda viva; que os serviços de energia elétrica no interior eram precários e irregulares; e que eram limitados os meios de comunicação à disposição dos capixabas.</p>
<p>Da sua parte, a cidade de Vitória, contida entre o mar, morros e mangues, mantinha seu perfil nitidamente provinciano com uma população de 50.000 habitantes em números redondos.</p>
<p>Toda a vasta área da atual Esplanada da Capixaba e do Bairro de Bento Ferreira estava por ser aterrada. O mar marolava perto dos antigos mercados da Capixaba e da Vila Rubim, onde ancoravam embarcações para abastecê-los de legumes e verduras.</p>
<p>O lado norte-noroeste da ilha-Capital, por onde décadas depois se expandiria a região da Grande São Pedro, não passava de uma área de características rurais, pela qual se transitava em estradinha de barro que, com dois ou três mata-burros, serpenteava por altos e baixos topográficos na ligação Santo Antônio-Maruípe. Essa área era pontuada pelo quase remoto núcleo da Ilha das Caieiras.</p>
<p>Na porção urbana de Vitória o serviço de transporte coletivo de ônibus estava em seus primórdios e mal competia com os bondes. De bonde se ia de Santo Antônio à Praia do Canto (ou Comprida), passando pela Praia do Suá, com uma variante que enveredava por Jucutuquara até o final da Avenida Paulino Müller. Além desses extremos, a reduzida população de Vitória se rarefazia completamente.</p>
<p>Em Maruípe, o Sanatório Getúlio Vargas, para tratamento da tuberculose, ali situado, dá a idéia do isolamento que o circundava. A praia de Camburi estava a uma inimaginável distância de vir a ser um dos futuros bairros nobres e populosos da capital. Esta tinha sua configuração imobiliária formada de casas e sobrados. O único edifício residencial, com seis pavimentos, era o Antenor Guimarães, localizado na praça Costa Pereira.</p>
<p>Os divertimentos e as distrações da população consistiam em passeios no Parque Moscoso; caminhadas (<em>footings</em>) na praça Costa Pereira, no começo da noite; idas aos cinemas, que eram poucos; comparecimento aos jogos de futebol no Estádio Governador Bley, em Jucutuquara e às esporádicas regatas na baía de Vitória em que competiam barcos do Saldanha da Gama, Álvares Cabral e Náutico Brasil, ou às festinhas e aos encontros dançantes dos clubes sociais. Um circo que chegasse a Vitória, acampando no areião no final da Avenida Capixaba, em frente ao antigo prédio da Capitania dos Portos, era uma festa, o que também acontecia com os parques de diversões quando ali se instalavam temporariamente.</p>
<p>Esses eram, grosso modo, o Estado do Espírito Santo e a sua Capital quando por aqui passou o engenheiro Luiz Appel, autor do diário sobre o qual serão feitos os comentários que se seguem, dando-se <em>zoom</em> a algumas de suas passagens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Carncias_rodovirias"><h3><strong>Carências rodoviárias</strong></h3></span>
<p>Pode ser surpreendente, quando se lê o Diário, deparar-se com as carências do sistema viário do Espírito Santo, em pleno império da economia cafeeira, na metade do século XX.</p>
<p>No entanto, foi para acabar com essas deficiências que o engenheiro veio ao Estado para realizar, com uma reduzida equipe de acompanhantes, levantamentos geotopográficos em vários municípios do norte capixaba.</p>
<p>Existia então no Espírito Santo um sistema de estradas de terra batida, esburacadas, intransitáveis nos alagamentos provocados pelas chuvas, o que aumentava o tempo de demora para percorrê-las. Não são poucas as referências do Diário às lamentáveis condições dessas estradas mesmo para a mobilidade e resistência do jipe que serviu de veículo ao informante.</p>
<p>Neste particular, o jipe surge do Diário como símbolo da aventura profissional que seus usuários viveram em terras rudes, sujeito a consertos constantes que provocavam perdas de horas ou dias de trabalho não só pelos defeitos que a ele sobrevinham como até pela falta de gasolina para o seu abastecimento.</p>
<p>Pesavam ainda contra o andamento normal dos serviços situações que impunham o uso de cavalos, de embarcações ou de balsas, estas para a travessia de rios sem pontes. Riscos inesperados, como a enchente da maré ameaçando o jipe em plena praia, agravavam o quadro das dificuldades a serem vencidas (vide registro do dia 31 de maio).</p>
<p>&nbsp;</p>
<span id="Vida_social_e_divertimentos"><h3><strong>Vida social e divertimentos</strong></h3></span>
<p>Muito há o que ser observado sobre os trechos do Diário relativos à vida social e aos divertimentos da população capixaba.</p>
<p>Quem viveu o Espírito Santo da década de 40 e 50 sabe o quanto o interior do Estado era pobre de distrações e vida social. As pracinhas e os clubes tornavam-se assim espaços públicos e privados em que as comunidades locais ambientavam seus passatempos e lazeres.</p>
<p>Sobretudo para quem estava de passagem pelas localidades interioranas, onde, muitas vezes, a energia elétrica, além de fraca, tinha hora marcada para ser desligada, a falta de opções de lazer constituía carência lamentável.</p>
<p>Esta experiência foi vivida na pele pelo engenheiro Appel que a ela se refere constantemente. Era nos bancos das pracinhas ou caminhando por elas, para onde geralmente ia depois do jantar quando saía do hotel para espairecer, que ele buscava contato com as pessoas do lugar, na tentativa de diminuir o tédio que o acometia.</p>
<p>Em Colatina, sentou-se em um banco da praça de tênis (registre-se a prática deste esporte na cidade), fronteiro ao hotel, e ali pouco se distraiu observando “os maus jogadores”. Antes, o autor do Diário já havia descrito Colatina como uma cidade em pleno crescimento, mas feia, “onde a poeira domina a atmosfera”, sob calor intenso.</p>
<p>Em São Mateus, escreveu que se assentou “ao ‘clássico’ banco da praça” e que palestrou “com algumas garotas da cidade.” Pode ter sido o mesmo banco em que se sentara no dia 4 de maio, sendo atormentado pela mosquitada da beira do Cricaré.</p>
<p>Ao longo do Diário, repetem-se as menções às suas idas às praças públicas, em busca do que fazer nas horas de folga. São fotografias textuais das pracinhas do interior, centro de distração e encontro de pessoas.</p>
<p>Na capital do Estado, onde o engenheiro ficou 21 dias, não foi diferente, exceto pelo fato de ter se intensificado o tédio que o sufocava, em grande parte devido à saudade da amada que deixara em Porto Alegre.</p>
<p>No dia 11 de junho, um domingo, anota no Diário: “Após a janta, <em>para variar de programa</em>, fui até a praça Costa Pereira.” (grifamos na transcrição).</p>
<p>Três dias depois, outro registro segue na toada do anterior: “À noite, com Paulo e Cláudio Cavalcanti, fui&#8230; até a praça Costa Pereira, <em>pois não há outro lugar para se ir, aqui</em>.” (tornamos a grifar).</p>
<p>Os grifos visam a acentuar que, ao mesmo tempo em que o engenheiro Appel mostra a praça das cidades como lugar de convivência coletiva, revela a monótona mesmice percebida pelo observador vindo de fora em relação a essa opção de distração pessoal.</p>
<p>Também as suas visitas aos clubes sociais competem com as malogradas tentativas de passatempo nas praças ocasionais.</p>
<p>Em São Mateus, chegou a ir ao “clube da UDN” (“bom clubezinho”), levado “por uma garotinha do hotel”. Em Vitória, conheceu o Clube Vitória, o Saldanha da Gama e o Álvares Cabral, os principais da cidade, que reuniam a sociedade da época, sem que o visitante se tivesse encantado pelas recreações que pôde ver.</p>
<p>Completando o conjunto de suas parcas distrações em Vitória, Appel assistiu a filmes no Carlos Gomes e no Cine Trianon (únicos cinemas mencionados nominalmente no Diário); passeou de manhã pela Praia do Canto, no “feriado estadual capixaba” de Domingos Martins, 12 de junho; fez caminhadas à toa pelo centro da cidade; repetiu o costume de quem vinha de fora e sentou-se em cadeira na calçada do principal hotel de Vitória, o Tabajara, onde se hospedou; bebeu, no Sagres, “o clássico guaraná” antes de ir dormir; visitou, no dia 27 de junho, a “famigerada exposição” pecuária de Itacibá, da qual havia escrito, em 25 de junho, domingo seguinte à sua inauguração, que “toda Vitória parecia para lá se dirigir” (obviamente por falta do que fazer em outro lugar).</p>
<p>Curiosamente, não fez menção ao bonde, principal transporte público da cidade, embora seja possível que nele tivesse ido ao passeio na Praia do Canto e à matinê do Trianon, no mortiço feriado de Domingos Martins. Nem informou sobre qualquer interesse de sua parte em colar o ouvido ao rádio para ouvir os programas da época, sob o predomínio da Rádio Nacional. Também nenhum outro comentário foi feito, exceto o de Viçosa, sobre a Copa de 50, que já havia começado desde 24 de junho.</p>
<p>Mais intrigante ainda é que o autor não tenha subido ao Convento da Penha, dada a ausência de referência a respeito. Quem dirigiu o bravo jipe de campanha pelas ruas de Vitória sem estar habilitado com a carteira de motorista bem que podia ter cometido a audácia de galgar, de jipe, a estrada do Convento, ainda sem o calçamento de paralelepípedos, apesar de ser o engenheiro um presbiteriano.</p>
<p>O quadro traçado no Diário sobre as modestas alternativas de lazer que se ofereciam à população capixaba, no fim da década de 40, vale como um recorte revelador de hábitos e costumes.</p>
<p>Dentre eles, para que não fique em branco, ressalte-se a tradição da janta como última refeição do dia, que era ainda muito comum entre os brasileiros, pelos menos os da classe média.</p>
<p>Em vários trechos do Diário fica evidenciado que era quase sempre depois da janta – inclusive servida nos domingos nos hotéis – que o engenheiro Appel buscava um passatempo para compensar o seu dia de trabalho ou para o preenchimento de seus vazios tediosos. No hotel de Nanuque, a falta da refeição vespertina, no domingo 2 de julho, mereceu um registro com toque de estranheza: “Aguardei o café (aos domingos não se janta aqui)”.</p>
<p>É graças a observações deste tipo que o geólogo Luiz Edmundo Appel nos legou uma contribuição que, apesar de despretensiosa e sucinta, propicia informações reveladoras sobre o Estado do Espírito Santo, na metade do século passado, que têm tudo para não passar alheias ao olhar atento da Historiografia.</p>
<p><a title="1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo" href="http://www.estacaocapixaba.com.br/temas/viajantes/luiz-edmundo-appel-diario-de-viagem-ao-espirito-santo/"><strong>1950: Diário de um engenheiro no Espírito Santo</strong></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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