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VERBETES
Companhia Siderúrgica de Tubarão,
cuja usina foi construída a partir de 1980, teve, no entanto
seus estatutos concluídos ainda em 1974, e a constituição
decidida em 1976, através do "Acordo Geral do Projeto
Tubarão". Sua composição acionária incluía inicialmente a
Siderbrás, Companhia Vale do Rio Doce, Companhia Siderúrgica
Nacional (sócios brasileiros), Kawasaki e Finsinder (sócios
estrangeiros). Foi privatizada em 1992, sendo hoje
controlada pela Acesita, Usinor, Kawasaki Steel, Companhia
Vale do Rio Doce e Califórnia Steel Industry. Produz aço e
exporta seus produtos para cerca de dezoito países.
[Pesquisa e texto: Maria Clara Medeiros Santos Neves]
Duarte de Lemos,
fidalgo português que serviu à Coroa Portuguesa em campanhas
militares na Índia. Parece ter vindo para o Brasil na
companhia do donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho.
Da Bahia passou para o Espírito Santo, trazendo colonos e
suprimentos. Vasco Fernandes Coutinho doou-lhe a ilha de
Santo Antônio onde Lemos edificou a capela de Santa Luzia e
iniciou agricultura. Esta é a origem da ocupação efetiva do
lugar, que ficou conhecido com o nome de ilha de Duarte de
Lemos, antes de ser ilha de Vitória. Duarte de Lemos e Vasco
Fernandes Coutinho acabaram se desentendendo. Em 1540, ambos
se achavam em Lisboa, onde o donatário do Espírito Santo
assinou uma escritura de doação, em favor de Duarte de
Lemos, da ilha que lhe tinha concedido no Brasil. Nessa
escritura, Coutinho corrigiu alguns excessos que havia antes
garantido a Duarte de Lemos, quando lhe fez a doação. Não se
sabe se Duarte de Lemos retornou ao Espírito Santo. Ao ser
criado o governo geral do Brasil, Lemos comandou um dos três
navios da armada do primeiro governador geral Tomé de Souza.
Em 1550, ele foi designado delegado de Tomé de Souza na
capitania de Porto Seguro, onde Vasco Fernandes Coutinho
esteve de passagem. Nessa ocasião, Lemos escreveu uma carta
ao rei de Portugal, D.João III, intrigando o donatário do
Espírito Santo, chegando a dizer que Vasco Coutinho estava
propenso a bandear para o serviço do rei da França.
[Pesquisa e texto: Luiz Guilherme Santos Neves]
Limites do Espírito Santo,
Primeiro acordo. A carta de doação da capitania de Vasco
Fernandes Coutinho, assinada por D.João III, em 1° de junho
de 1534, estabelecia que teriam cinqüenta léguas de costa as
terras que lhe estavam sendo doadas no Brasil, ao sul da
capitania de Pero do Campo Tourinho, ou seja, de Porto
Seguro. Essas terras entravam pelo sertão adentro até onde
pudesse ser da conquista do rei de Portugal. Embora as
cartas de doação não costumassem fixar os acidentes
geográficos para balizar os limites entre as terras doadas
pelo rei, esses acidentes eram, naquela época, geralmente
considerados com base nos rios da costa brasileira. O rio
Mucuri prevaleceu como o limite entre os domínios de Vasco
Coutinho e os de Pero do Campo Tourinho, o que acabou
originando uma questão ainda não resolvida com o atual
Estado da Bahia, relativamente ao direito do Espírito Santo
sobre as terras abaixo daquele rio. Quanto à definição do
limite sul das terras que couberam a Vasco Fernandes
Coutinho, ela nem chegou a ser cogitada na carta de doação
de D.João III para o nosso donatário porque o rei ainda não
havia, em 1534, ano da doação a Coutinho, escolhido o
donatário da capitania imediatamente ao sul do Espírito
Santo, com trinta léguas de costa. A escolha, que recaiu em
Pero de Góis, fundador da donataria de Paraíba do Sul ou São
Tomé, hoje Estado do Rio de Janeiro, só veio a ocorrer em 28
de janeiro de 1536. A imprecisão dos limites entre as
capitanias brasileiras, segundo a redação das cartas de
doação, fez com que Vasco Coutinho e Pero de Góis tomassem a
iniciativa de definir as fronteiras das suas terras,
levando-os a assinar, em 14 de agosto de 1539, um documento
pelo qual os limites das capitanias foram demarcados. O
divisor escolhido foi o rio Itapemirim, cujo nome, de origem
indígena (pequena laje), foi mudado para Santa Catarina, em
homenagem à rainha Dona Catarina, mulher de D.João III. O
acordo, feito entre os dois donatários, mereceu a aprovação
do rei de Portugal.
[Pesquisa e texto: Luiz Guilherme Santos Neves]
Jesuítas na vila do Espírito Santo.
No final de 1549, o jesuíta Leonardo Nunes e o irmão Diogo
Jácome visitaram o Espírito Santo de passagem para São
Vicente. Foi visita rápida, de cerca de um mês apenas. Os
dois faziam parte da missão jesuítica que havia chegado ao
Brasil sob as ordens do padre Manoel da Nóbrega, na comitiva
do primeiro governador geral Tomé de Souza. A viagem de
Leonardo Nunes e de Diogo Jácome às capitanias ao sul da
Bahia tinha o objetivo de conhecer a situação religiosa em
que se encontravam essas partes do Brasil. Foi, pois, a
primeira vez em que os inacianos pisaram as terras
capixabas. O padre Leonardo Nunes deixou registrado em carta
o que viu e o que fez na vila do Espírito Santo. Suas
atividades compreenderam a prática de sermões, a celebração
de missas, a realização de confissões, além de haver casado
dois colonos com as índias em cuja companhia já viviam.
Graças as informações do jesuíta fica-se sabendo que ele e o
irmão Diogo Jácome foram muito bem recebidos "por alguma
gente da terra". Quando fala nas confissões que ouviu, o
padre menciona que foram "quase quarenta". Juntando as duas
referências, pode-se concluir que o número de colonos na
capitania de Vasco Fernandes Coutinho, que, no final de
1549, tinha por sede a vila do Espírito Santo, era bastante
reduzido para a gigantesca obra de colonização que ao
donatário cabia realizar. Quando Leonardo Nunes e Diogo
Jácome seguiram para São Vicente foram acompanhados do
ferreiro Mateus Nogueira, que deixou o Espírito Santo para
ingressar na Companhia de Jesus. Uma observação a mais
merece ser feita tendo por base a passagem de Leonardo Nunes
e de Diogo Jácome pelo Espírito Santo: é a de que, logo
depois que os dois viajaram, Vasco Fernandes Coutinho
fundou, ao que tudo indica em março de 1550, a vila de Nossa
Senhora da Vitória, que passou a ser a sede da capitania, ao
invés da vila do Espírito Santo.Quanto aos jesuítas, somente
retornariam eles ao Espírito Santo em 1551, desta vez para
se estabelecerem na capitania e para dar início ao trabalho
de catequese dos índios. Esta missão coube ao jesuíta Afonso
Brás e ao irmão Simão Gonçalves.
[Pesquisa e texto: Luiz Guilherme Santos Neves]
Terminal de Ponta de Ubu,
localizado no município de Anchieta, movimenta pelotas, ou
pellets, de minério de ferro em seus dois berços de
atracação, sendo operado pela Samarco Mineração.
[Pesquisa e texto: Maria Clara Medeiros Santos Neves]
Vasco Fernandes Coutinho,
nobre português, fidalgo da Casa Real, filho de dom Jorge de
Mello e Branca Coutinho. Durante sua mocidade prestou
serviços militares à Coroa Portuguesa, em campanhas no
Oriente. Isso deve ter ocorrido de 1511 a 1529, segundo os
dados biográficos que puderam ser levantados sobre o nosso
donatário. Embora se ignore a data de seu nascimento, é
certo que Coutinho serviu no Oriente sob as ordens de
Francisco de Albuquerque, governador da Índia. Coutinho foi
ainda alcaide-mor (espécie de prefeito) em Ormuz, e lutou em
Goa, Málaca e na China, antes de se estabelecer em Portugal,
de onde viria para o Brasil, em 1535. Pelos serviços
prestados à Coroa passou a receber uma pensão anual,
concedida pelo rei. Em Portugal, adquiriu uma quinta,
espécie de fazenda, na vila de Alenquer, e teve propriedades
em Santarém. De todo esse patrimônio se desfez Vasco
Fernandes Coutinho quando se tornou donatário de uma
capitania no Brasil, com o objetivo de obter os recursos
necessários para a colonização de suas terras. A própria
pensão real foi trocada por um navio e provisões, conforme
está registrado num alvará, datado de 11 de junho de 1534.
Coutinho casou-se com Maria do Campo com quem teve os filhos
Jorge de Melo e Martim Afonso de Melo. Como irmãos, teve
Martim Afonso de Melo Coutinho, Diogo de Melo Coutinho e
Manoel de Melo. Não há documento que informe sobre a vinda
de Maria do Campo para o Brasil, acompanhando o donatário.
Já seus filhos teriam estado temporariamente na Colônia
brasileira, embora não se tenha certeza de que tivessem
ficado no Espírito Santo. Quando Vasco Fernandes Coutinho
faleceu, a capitania coube a seu filho bastardo, Vasco
Fernandes Coutinho Filho, nascido de Ana Vaz. Isso significa
que os dois filhos legítimos já haviam falecido, porque,
caso contrário, seria um deles que herdaria a capitania no
lugar do bastardo. Sobre Ana Vaz, concubina de Coutinho, há
fortes evidências de que viveu algum tempo no Espírito Santo
porque uma das ilhas da baía de Vitória foi conhecida com o
nome de ilha de Ana Vaz, o que prova que ela a recebeu em
doação do donatário. O ano usualmente reconhecido como o da
morte de Vasco Fernandes Coutinho é 1561. Todavia, há
controvérsia a respeito, com base numa segunda data, 1571.
Se Coutinho faleceu de fato neste ano, estaria com cerca de
oitenta anos, pelos cálculos estimativos sobre sua vida. Os
motivos que trouxeram Vasco Fernandes Coutinho ao Brasil
constituem uma incógnita. Há indicadores de que ele teria
requerido a capitania ao rei de Portugal. Mas mesmo nesta
hipótese, poderia ter delegado a missão de colonizar o
Espírito Santo a um representante de sua escolha e continuar
em Portugal, desfrutando de uma vida acomodada. No entanto,
Coutinho preferiu deixar a Europa e assumir pessoalmente o
encargo da colonização, sem que sequer conhecesse a terra
que lhe fora doada na costa brasileira. Nesse sentido foi um
verdadeiro salto no escuro, por cima do Atlântico. Sem
dúvida alguma, devia mover o nosso donatário o desejo de
aventura, aliado à intenção de conquistar riquezas, fosse
pelo descobrimento do ouro, fosse pela produção de açúcar,
já então o produto agrícola previsto para tornar rentável a
colônia brasileira. Examinando a questão em relação a outros
donatários, têm os historiadores admitido que eles aceitaram
suas capitanias em razão das muitas concessões que se
continham na carta de doação e no foral, sendo este o
documento de natureza tributária que completava a carta. De
qualquer forma, quer no caso do Espírito Santo, quer no das
outras capitanias, o esforço que aos donatários coube fazer
para colonizar as suas terras foi realmente muito grande. E
quase todos acabaram sofrendo prejuízos enormes com a
colonização, alguns até pagando com a vida por essa ousadia,
como aconteceu com Francisco Pereira Coutinho, donatário da
Bahia, morto pelos índios. Se Vasco Coutinho conseguiu
sobreviver às lutas travadas contra o gentio, não escapou
aos prejuízos que abateram a maioria dos donatários do
Brasil. Esta observação torna clara as palavras com que
Gabriel Soares de Souza, um dos mais recuados cronistas da
História do Brasil, refere-se a Coutinho, em seu Tratado
descritivo do Brasil em 1587: "Razão tinha Vasco
Fernandes Coutinho de se contentar com os grandes e heróicos
feitos que tinha com as armas acabado (concluído) nas partes
da Índia, onde nos primeiros tempos de sua conquista se
achou, no que gastou o melhor de sua idade", antes de passar
ao Brasil onde o esperavam os dissabores que enfrentou com a
colonização da capitania capixaba.
[Pesquisa e texto: Luiz Guilherme Santos Neves] |